Capítulo Doze: A Esfera de Pedra

O Senhor dos Grandes Sonhos Esquecendo Palavras 4181 palavras 2026-01-30 16:17:59

O globo de luz branca diante de seus olhos era de uma visibilidade incomum; se alguém, por acaso, passasse por ali e o visse, poderia se envolver em grandes complicações.

Embora fosse raro alguém vir aos fundos da montanha àquela hora, não era impossível que algum discípulo, após se fartar, resolvesse passear ali para ajudar na digestão.

O silêncio ao redor permanecia absoluto, mas aquele já não era um lugar onde se pudesse permanecer por muito tempo.

Shen Luo rapidamente recolheu os talismãs gastos e a última pedra de essência do chão, limpando cuidadosamente o local, removendo todos os vestígios e fragmentos que pudessem denunciar sua presença. Só então ergueu o olhar para o talismã que irradiava uma luz branca e suave.

Após ponderar por um instante, curvou-se, apanhou um galho seco de cerca de um metro de comprimento e aproximou-se lentamente da luz branca.

Diante do brilho, Shen Luo parou os passos, hesitou um pouco e, com extrema cautela, estendeu o galho à borda da luz, testando-a aos poucos...

A ponta do galho imergiu lentamente no brilho, sem que houvesse qualquer alteração perceptível.

Preparado para fugir a qualquer momento, Shen Luo sentiu-se, por fim, aliviado.

Refletiu mais um pouco, descartou o galho e tocou a luz branca com a palma da mão, mergulhando em seguida todo o braço, que balançou lá dentro.

Sem sentir nada de anormal, decidiu-se de vez: entrou por completo no círculo de luz branca e retornou à pedra onde depositara o “Talismã do Pequeno Trovão”.

A luz emanada pelo talismã continuava suave, bem diferente do efeito intenso descrito nos livros sobre a ativação do Pequeno Talismã do Trovão.

Shen Luo não sabia se devia alegrar-se ou lamentar-se.

Alegre, talvez, por finalmente ter conseguido ativar um talismã após tantas tentativas frustradas e o gasto de cinco preciosas pedras de essência — ainda que não obtivesse o efeito desejado.

Desanimado, porque, apesar de tudo, aquele era seu primeiro talismã verdadeiramente ativado, o que de certa forma lhe devolvia a confiança.

“Embora não sirva para atacar, serve muito bem como iluminação à noite. Só o custo é que foi alto demais”, murmurou.

Abaixando-se, prendeu o talismã entre dois dedos e, após hesitar, decidiu não retornar pelo mesmo caminho, dirigindo-se em sentido contrário, rumo ao interior do vale sombrio.

A luz branca do talismã delineava um anel luminoso ao redor de Shen Luo, iluminando quatro ou cinco metros à sua volta, tornando tudo por onde passava claro e visível.

Inicialmente, Shen Luo se deixou fascinar pela paisagem inédita, observando tudo ao redor enquanto tentava calcular por quanto tempo o talismã ainda brilharia.

Sem perceber, chegou ao fundo do vale, diante de uma parede rochosa recoberta por densas trepadeiras verdes.

Ali não havia mais caminho adiante; mais à frente, apenas um precipício.

Contemplando o talismã que continuava a emitir sua luz suave, Shen Luo pensou em examinar mais de perto quando, de súbito, uma exclamação surpresa escapou-lhe dos lábios.

Diante de seus olhos, as trepadeiras verdíssimas que cobriam a parede começaram a murchar a olhos vistos sob o brilho do talismã, revelando a superfície antes oculta da rocha.

Aquela parede era lisa como um espelho, como se alguém a tivesse cortado e polido de alto a baixo.

O que mais surpreendeu Shen Luo foi perceber que, sob a luz do talismã, a parede adquiria uma transparência sutil, como se fosse feita de vidro, permitindo-lhe distinguir vagamente o interior em um raio de poucos metros.

Jamais presenciara algo assim e, admirado, aproximou-se para observar melhor.

Nesse momento, algo inesperado aconteceu!

O talismã tornou-se subitamente abrasador, o calor aumentando rapidamente no ponto de contato.

Assustado, Shen Luo agitou o braço, tentando desesperadamente se livrar do talismã, mas ele parecia colado aos seus dedos, impossível de ser sacudido. Uma dor lancinante atravessou-lhe a palma, como se estivesse sendo queimado; o braço formigava, perdendo força.

“Que desastre!”

Alarmado, Shen Luo usou a outra mão para tentar arrancar o talismã.

No exato instante, com um leve estalo, o talismã se dissolveu no ar, reduzindo-se a cinzas e desaparecendo sem deixar vestígios.

O círculo de luz ao redor também se desfez silenciosamente, fragmentando-se em incontáveis globos luminosos que flutuaram para longe, dispersando-se pelo ambiente.

Atônito, Shen Luo olhou para a mão, aliviando-se ao não ver qualquer marca de queimadura ou inchaço; a dor desaparecera tão subitamente quanto viera.

Tudo o que acabara de acontecer parecia um devaneio.

Enquanto Shen Luo permanecia perplexo e silencioso, uma cena ainda mais insólita se desenrolou.

Os globos de luz dispersos, como atraídos por uma força invisível, mudaram de direção e voaram todos em direção à parede rochosa. Ao tocarem sua superfície, sumiam como ratos entrando em tocas, um após o outro, sem parar.

Com o aumento dos globos absorvidos, a parede tornou-se ainda mais transparente, revelando uma escuridão no interior, como se houvesse uma cavidade oculta.

Vendo aquilo, Shen Luo aproximou-se e apanhou uma pequena pedra, batendo-a contra a parede.

O som oco e reverberante confirmou sua suspeita.

“É vazia...”

Murmurou para si mesmo, e depois de olhar ao redor, trouxe de um matagal próximo uma pedra maior e atirou-a contra a parede com força.

Após algumas marteladas, a parede rachou com um estrondo, abrindo um buraco do tamanho de uma tigela.

Com mais dois golpes, alargou ainda mais a abertura.

Lá dentro, de fato, havia uma pequena caverna, de apenas um metro e meio de profundidade. Os globos de luz haviam desaparecido, e em seu lugar, num canto da caverna, repousava um objeto esférico, de dois pés de diâmetro, semelhante a uma bola de pedra.

“Será que foi isso que atraiu a luz do talismã?”

Shen Luo hesitou, sem se atrever a pegar o objeto de imediato.

No passado, ele já estivera em um lugar ermo onde a energia sombria invadira seu corpo.

Um objeto escondido tão profundamente e responsável por manifestações tão estranhas poderia, quem sabe, ser algo impuro.

Mas também poderia ser algum tesouro, como frequentemente relatado nos antigos relatos e lendas!

De qualquer modo, agora Shen Luo dominava a Pequena Técnica do Sol, tornando-se imune à maioria das energias sombrias.

Refletiu por um bom tempo à entrada da caverna, até decidir-se: retirou o manto e envolveu as mãos, usou os quatro talismãs gastos como proteção extra, e cobriu tudo com mais uma camada.

Ao mesmo tempo, ativou ao máximo sua energia interna, protegendo todo o corpo.

Só então estendeu as mãos para dentro da caverna e segurou o objeto.

Para sua surpresa, era leve ao toque e não apresentou qualquer outra anomalia.

Sentindo-se um pouco mais seguro, apertou o “globo de pedra” contra o peito e o examinou com atenção.

De tom acinzentado, a superfície estava coberta por minúsculos orifícios, o que explicava sua leveza, como se fosse uma formação natural.

Girou o “globo de pedra” em suas mãos, sem encontrar nada de novo, e por impulso o agitou levemente.

Um som abafado ressoou do interior do “globo de pedra”.