Capítulo Quatro: Iniciando o Caminho da Transmutação Solar

O Senhor dos Grandes Sonhos Esquecendo Palavras 4207 palavras 2026-01-30 16:17:29

A má influência que havia sobre o filho mais velho foi expulsa por um mestre, e ainda corria o boato de que ele iria tornar-se monge taoista. A notícia espalhou-se rapidamente por toda a família Shen, causando alvoroço entre todos, desde a matriarca, conhecida como Segunda Senhora, até o mais humilde dos criados e serviçais.

Não demorou muito para que a história se propagasse por quase todo o condado de Chunhua. Todos sabiam que o famoso herdeiro doente da respeitável família Shen, em vez de assumir o papel de jovem senhor, havia decidido dedicar-se ao caminho taoista.

...

Pouco mais de quinze dias depois, fora dos limites do condado de Chunhua, numa pequena montanha sem nome, um tanto desolada, Shen Luo estava vestido com uma túnica azul, carregando uma pequena trouxa nas costas. Seu semblante era saudável e ruborizado, e ele permanecia de pé dentro de um pavilhão, olhando ao redor, como se aguardasse por alguém.

No centro de uma mesa de pedra, coberta por musgos esverdeados, destacava-se uma placa triangular do tamanho de uma palma, incrustada na pedra. De aspecto negro, parecia feita de ferro forjado, exalando uma tênue luz branca, conferindo-lhe um ar misterioso.

— Então é você o irmão Shen de quem meu mestre falou? — De repente, uma voz masculina e grave ecoou atrás de Shen Luo, fazendo-o sobressaltar-se e virar-se rapidamente.

Dentro do pavilhão, sem que percebesse como, havia surgido um jovem taoista de porte robusto, sobrancelhas espessas e olhos vivos, que sorria para Shen Luo.

— Sim, sou Shen Luo. E o senhor seria...? — perguntou Shen Luo, curvando-se respeitosamente.

— Também sou discípulo do Mestre Luo. Meu nome é Tian Tiesheng. Mestre Luo pediu que eu viesse recebê-lo para levá-lo ao templo — respondeu o jovem taoista, coçando a cabeça de maneira simples e franca.

— Então é o irmão Tian — replicou Shen Luo, saudando-o novamente.

— Pode me chamar de Tiesheng. Apesar de estar vestido como monge, assim como você, ainda não sou um verdadeiro taoista. E o mesmo vale para outros do templo — disse Tian Tiesheng, enquanto, com um gesto casual, batia com a mão sobre a mesa de pedra.

Ouviu-se um som seco. A mesa tremeu levemente e, de imediato, a placa de ferro saltou do centro, caindo diretamente na mão de Tian Tiesheng.

Em seguida, Shen Luo acompanhou o jovem monge, deixando o pavilhão por um caminho estreito e pouco trilhado.

— Irmão Tiesheng, aquele golpe na mesa foi impressionante. Sua mão parecia ainda maior. Que técnica é essa? É poderosa? — perguntou Shen Luo, curioso.

— Hehe, isso se chama Mão do Sol Nascente. É uma técnica externa que quase todos os discípulos praticam. Dizem que, se aprimorada ao máximo, torna o corpo invulnerável a armas e capaz de cortar metal como se fosse papel.

— Que incrível! Pelo seu tom, há muitos no templo?

— Nem tantos assim. Somando os discípulos internos e externos, deve haver uns cem, além dos mestres e anciãos.

— Discípulos internos e externos? Onde me encaixo como discípulo registrado? E o irmão é discípulo interno, certo?

— Ainda sou discípulo externo. Tornar-se discípulo interno não é simples: há apenas três vagas, e já tentei várias vezes, por pouco não consegui... Na verdade, a maioria é de discípulos externos; discípulos registrados como você são poucos. Atualmente, parece que só há você, irmão Shen. Ah, e há um ancião recluso há muitos anos, dizem que vive há séculos.

— Só eu...

— Irmão Shen, por que ficou calado? Não sei por quê, mas sinto grande afinidade contigo. Tenho vontade de conversar sobre tudo. Tenho certeza de que nos daremos muito bem — comentou Tian Tiesheng, sua voz ecoando pela pequena montanha.

— Eu...

...

Dois anos depois.

Sobre uma rocha cinzenta e branca, um jovem de cerca de vinte anos sentava-se de pernas cruzadas, de frente para o sol nascente avermelhado. De olhos semicerrados e mãos unidas em círculo, mantinha-se imóvel.

Após tempo indefinido, um fio vermelho, quase invisível, começou a se formar entre suas mãos, de início com cerca de um centímetro, crescendo vagarosamente até três centímetros, quando, incapaz de aumentar mais, começou a esmaecer e dissipar-se.

O jovem inalou profundamente e, num movimento ágil, absorveu o fio rubro como uma névoa avermelhada pelas narinas e boca. Só então baixou os braços, abriu os olhos e, por um instante, um brilho vermelho cintilou em seu rosto.

— Acho que finalmente alcancei a introdução à técnica — murmurou o jovem, sentindo o calor reconfortante percorrer-lhe o corpo e sorrindo satisfeito.

Esse jovem era, naturalmente, Shen Luo.

— Palmas! Palmas! — ouvia-se.

— Todos apostaram que você não conseguiria iniciar a Pequena Técnica de Transformação Solar em três anos, só eu acreditei na sua dedicação, irmão Shen. E não me decepcionou!

Por trás da rocha surgiu um jovem de rosto alvo, vestido com uma túnica azul e um pingente de jade branco em forma de cigarra na cintura. Ele batia palmas e sorria para Shen Luo.

— Bai Xiaotian, o que faz aqui? Apostou de novo usando meu nome? — Ao ver o jovem de túnica azul, Shen Luo sentiu uma pontada de dor de cabeça.

— Não é bem uma aposta, apenas ganhei algumas moedas insignificantes. Nada que se compare à fortuna do nosso rico senhor — respondeu o irmão Bai, balançando a cabeça teatralmente, como se só lhe faltasse um leque nas mãos.

Shen Luo revirou os olhos para ele. Se os outros não sabiam, ele sabia: entre os mais de cem discípulos do Templo da Primavera e Outono, ele, como discípulo registrado, mal figurava entre os três mais ricos — e o primeiro, sem dúvida, era Bai Xiaotian, que ingressara quase ao mesmo tempo. Só o pingente em sua cintura valia uma fortuna em ouro.

Mas não era o tipo de coisa para ser dita em voz alta, então Shen Luo não comentou.

— Já que ganhou dinheiro às minhas custas, ao menos poderia me convidar para uma boa refeição — disse ele, arqueando as sobrancelhas com um sorriso.

— Isso até posso, mas a comida do templo é intragável. Se quiser algo bom, teremos que descer a montanha, e o irmão responsável pelo portão não costuma ser amigável... — respondeu Bai Xiaotian, hesitante.

— Não venha com essa! Quando você desceu para comprar vinho, não reclamou nenhuma vez — Shen Luo desmascarou Bai Xiaotian sem rodeios.

— O guardião Niu Dadan é mesmo cruel. Sempre pede metade do que trago quando volto; sorte que descobri um atalho pela montanha dos fundos, assim posso sair sem passar pelo portão. Qualquer dia te mostro... — Bai Xiaotian falou, primeiro indignado, mas logo rindo novamente.

— Só você, como discípulo interno, pode fazer isso impunemente. Se eu tentasse, já teria sido expulso. Estou aqui para prolongar minha vida, não para criar encrenca — respondeu Shen Luo, abanando as mãos.

— Preciso de um favor. Já que vai à cidade, poderia ir à farmácia e à loja de papel e trazer um pouco de cinábrio e papel amarelo para mim? — pediu Shen Luo, apressando-se a acompanhá-lo.

— Vai fazer talismãs? O mestre Luo já lhe ensinou? — Bai Xiaotian demonstrou surpresa.

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