Capítulo Trinta e Sete – O Lobo Oculto

O Senhor dos Grandes Sonhos Esquecendo Palavras 4123 palavras 2026-01-30 16:19:14

— Matem! Defendam o portão da cidade!

Ao perceber a situação, Yu Meng ergueu o braço e gritou em alta voz, pronto para liderar os demais em direção à entrada da cidade.

Nesse exato instante, uma enorme sombra negra despencou do alto, acompanhada de um vento feroz, caindo com estrondo.

— Rápido, dispersem-se!

Yu Meng bradou, saltando para a esquerda.

Shen Luo rolou com destreza para o outro lado, conseguindo escapar por muito pouco, enquanto agarrava firmemente o talismã do Pequeno Trovão que já havia preparado.

Contudo, a sombra negra era rápida demais e alguns ainda não conseguiram se esquivar.

Ouviu-se o som de ossos se partindo; os atingidos cuspiram sangue, desmaiando antes mesmo de soltar um grito, destino incerto entre a vida e a morte.

A criatura que despencara do céu era um lobo negro gigantesco. Levantou-se cambaleante do chão, uma das patas dianteiras partida, pendendo num ângulo grotesco, a pele rasgada e deixando à mostra o osso branco da perna.

Ainda assim, não parecia sentir dor. Impulsionando-se com as patas traseiras, atacou ferozmente a multidão próxima, seus movimentos surpreendentemente ágeis.

Um homem de meia-idade, o mais próximo, não conseguiu esquivar-se e teve a garganta rasgada pelo lobo.

— Ah! — O grito agudo mal começou e logo se apagou.

O sangue jorrou da boca do animal, e o corpo da vítima cessou de se debater, agora sem vida.

— Maldito animal!

Yu Meng estava por perto, e ao testemunhar a cena, seus olhos flamejaram de raiva. Rugiu e foi o primeiro a avançar.

Os outros, vendo a iniciativa, lançaram-se também ao ataque.

Nos olhos vermelhos do lobo, um brilho sanguinário reluziu. Ele sacudiu a cabeça, lançando longe o corpo do homem, e a gigantesca pata varreu o espaço à frente, arremessando dois guerreiros para longe.

Yu Meng curvou-se abruptamente para trás, quase deitando-se no chão, escapando por um triz da patada. De joelhos, deslizou velozmente até estar diante do lobo.

Seu braço direito vibrou, e a lâmina negra descreveu um arco de luz escura, cortando o ventre do lobo.

A lâmina era notoriamente afiada; ouviu-se apenas um “fatiar” e uma profunda ferida abriu-se na barriga do animal, jorrando sangue e deixando à mostra as vísceras avermelhadas.

Ferido gravemente, o lobo virou-se furioso e lançou-se sobre Yu Meng.

De repente, tudo escureceu diante de Yu Meng e a bocarra ensanguentada surgiu quase colada ao seu rosto, presas como ganchos à beira de tocá-lo, um hálito pútrido e nauseante invadindo seu olfato.

Felizmente, Yu Meng era hábil. Rolou para trás e escapou por um fio das mandíbulas assassinas.

Mas antes que pudesse respirar aliviado, uma pata colossal desceu do alto, acompanhada de um assovio cortante, visando esmagar-lhe o corpo.

Se fosse atingido, nem uma pele de bronze ou ossos de ferro o salvariam.

Seu vigor já se esgotava, não havia tempo para levantar-se. Bateu a mão no chão, de onde brotou uma luz rubra na palma, e com esse impulso, deslocou-se de lado.

Mesmo assim, a manobra não foi suficientemente ágil; a garra do lobo estava prestes a atingi-lo.

Foi quando uma luz intensa explodiu — um relâmpago branco disparou ao lado, acertando diretamente a cabeça do lobo.

Um trovão retumbante ecoou!

A cabeça do lobo explodiu, espalhando sangue em todas as direções, o corpo maciço voou pelos ares, caindo pesadamente numa clareira, felizmente sem atingir ninguém.

A alguns metros dali, Shen Luo baixava lentamente a mão, ainda segurando um talismã partido.

Os presentes, ao verem a morte instantânea e brutal do lobo, prenderam a respiração, lançando olhares incrédulos a Shen Luo.

O caos deu lugar a um silêncio absoluto.

Yu Meng ergueu-se de um salto e, surpreso, lançou um olhar a Shen Luo. Contudo, o momento exigia ação, não agradecimentos. Apenas assentiu, empunhou a lâmina e correu de volta à linha de defesa.

Os demais também despertaram e se uniram à batalha pela cidade.

Shen Luo largou o talismã destruído, rosto sereno mas coração cheio de entusiasmo. Desta vez, de fato ativara um talismã verdadeiro, e não uma meia-solução desenhada à base de sangue sobre a própria pele, como antes.

Ele voltou o olhar ao campo de batalha, apertou a lâmina na cintura, pronto para lutar. Mas após alguns passos, hesitou e lançou um olhar ao cadáver do lobo negro.

Examinou-o minuciosamente, olhou ao redor e nada notou de anormal.

“Estarei vendo coisas?”, pensou, intrigado.

Nesse instante, algo inesperado aconteceu!

No espaço ao lado, uma silhueta azul esvoaçou, revelando um lobo azul, do tamanho de um lobo comum, que apareceu sem ruído, os olhos longos brilhando com astúcia quase humana.

Ao vê-lo, Shen Luo se alarmou e tentou rolar para longe, mas já era tarde.

O lobo azul moveu-se ainda mais rápido, os pelos eriçaram-se, o ventre inflou e ele soltou um uivo. Uma enorme lâmina de vento azul formou-se junto à sua boca, desaparecendo num zumbido.

No momento seguinte, Shen Luo sentiu uma dor lancinante na cintura e tombou, sem forças.

Ao mesmo tempo, os defensores no portão sucumbiram um a um sob o corte do vento, caindo como trigo ceifado.

A visão de Shen Luo escureceu rapidamente. A última cena gravada em sua mente foi a horda de lobos invadindo a cidade, bramindo — e então sobreveio a escuridão total.

Não se sabe quanto tempo passou, mas Shen Luo foi despertado abruptamente pelo som de batalha ao redor.

Ainda atordoado, não entendeu a situação, quase acreditando tratar-se de um delírio.

Mas logo um grito agudo, seguido de silêncio absoluto, perfurou-lhe os tímpanos e o trouxe de volta à consciência. O grito lhe soava familiar.

A visão clareou e tudo ao redor tornou-se nítido.

No portão, jovens guardas lutavam contra lobos negros, enquanto sobre as muralhas figuras enfrentavam lobos cinzentos…

“Eu renasci de novo?”

O pensamento cruzou-lhe a mente, mas logo percebeu que segurava intacto o talismã do Pequeno Trovão, ainda não utilizado.

À sua frente, um lobo negro com a pata dianteira partida arremessava o cadáver de um homem de meia-idade.

Shen Luo hesitou ao reconhecer a cena.

Nas vezes anteriores em que “voltou à vida”, sempre retornava ao instante em que entrava no sonho. Desta vez, porém, algo era diferente.

Não era hora de questionar. Rapidamente despiu a túnica, agarrou punhados de terra seca do chão e embrulhou tudo na roupa.

Alguns ao redor notaram seu comportamento e não esconderam o espanto no rosto.