Capítulo Quarenta e Dois: Duelo de Espadas na Floresta

O Senhor dos Grandes Sonhos Esquecendo Palavras 4171 palavras 2026-01-30 16:19:34

Shen Luo caminhava lentamente pela trilha montanhosa, refletindo sobre como poderia restaurar sua energia vital e prolongar sua vida. Segundo as palavras do Mestre Fengyang e sua própria dedução, havia duas possibilidades: uma seria tomar pílulas semelhantes à Pílula de Conservação da Essência, capazes de suprir a energia vital do corpo — embora necessitasse de algo ainda mais eficaz —, e a outra seria dominar plenamente a Arte Menor da Transformação Solar e, então, dedicar-se a técnicas ainda mais avançadas.

Ambas as alternativas pareciam estar disponíveis no Templo da Primavera e do Outono, mas apenas para se tornar um discípulo registrado, Shen Luo já havia feito sua família gastar uma fortuna. Conseguir pílulas melhores certamente não seria uma questão simples de dinheiro. Quanto a levar a Arte Menor da Transformação Solar à perfeição, ele sabia que, com seu talento, seria impossível atingir esse nível em apenas dois anos.

Perdido em pensamentos sobre uma solução viável, Shen Luo chegou sem perceber ao sopé da montanha dos fundos.

A floresta ali era densa, repleta de árvores de um verde vibrante; o canto distante e próximo de pássaros e insetos aliviava um pouco a tensão que pesava em seu coração.

Nesse instante, um estrondo grave ressoou do bosque à frente, como se lâminas colidissem.

Shen Luo parou para escutar. Logo ouviu outro estrondo, acompanhado de um assobio agudo.

"O que será isso?", pensou ele, surpreso. Aquela parte da montanha era raramente visitada, por que haveria tais sons? Estariam em combate?

Após breve hesitação, ele aproximou-se com passos leves e logo chegou à origem do barulho.

"O que é isso...?"

Seus olhos se estreitaram; instintivamente, escondeu-se atrás de uma árvore.

À sua frente, em meio à floresta cerrada, estavam duas figuras: Bai Xiaotian e Ding Hua.

Eles estavam a cerca de quinze metros um do outro, imóveis. Entre eles, duas espadas vermelhas, de vários pés de comprimento, entrelaçavam-se no ar como dragões ou serpentes, emitindo uma série de choques metálicos.

Ao redor, árvores estavam derrubadas, galhos partidos, pedras rachadas; o solo mostrava os sinais de uma batalha feroz. Onde as espadas passavam, tanto troncos grossos quanto rochas eram cortados ao meio, com as bordas chamuscadas, como se queimadas pelo fogo.

"Espadas voadoras!", pensou Shen Luo, fascinado.

Embora essas duas espadas vermelhas se movessem mais lentamente do que as dos mestres imortais que vira em sonhos na cidade de Donglai, o poder de suas lâminas era semelhante — não havia dúvidas de que eram espadas voadoras.

Ambas estavam envoltas em luz vermelha, dificultando distinguir suas formas. A espada de Bai Xiaotian parecia feita de moedas de cobre enfiadas umas nas outras, formando uma arma de formato peculiar, cujos movimentos eram amplos e vigorosos como trovões e relâmpagos.

Viu-se um lampejo contínuo: a espada de moedas traçava uma rede cerrada, prendendo a espada de Ding Hua em seu interior. A arma de Ding Hua parecia uma simples espada de madeira, extremamente ágil e evasiva; embora encurralada, defendia-se perfeitamente, sem ceder terreno, e ainda contra-atacava como uma víbora, tentando rasgar a rede — em vão.

Com o tempo, o brilho da espada de madeira foi enfraquecendo, seus movimentos tornando-se menos ágeis.

O rosto de Ding Hua tornou-se tenso, forçando-se ao máximo, mas incapaz de reverter sua desvantagem.

"Parece que o Irmão Bai é mesmo superior", pensou Shen Luo, aproximando-se mais, escondendo-se atrás de outra árvore.

Era a primeira vez que tinha a chance de observar tão de perto um duelo de espadas voadoras — uma oportunidade rara que não queria desperdiçar.

"Irmão Ding, sua Espada de Madeira Verde foi recentemente forjada. Se continuarmos, temo que ela se danifique. Que tal pararmos por hoje?", perguntou Bai Xiaotian, tendo controlado a situação, mas sem avançar para o golpe final; ao contrário, sugeriu encerrar o duelo.

Ding Hua, ouvindo isso, deixou transparecer um traço de irritação no olhar. Sem interromper, soltou um grito baixo, formando um gesto com os dedos em forma de espada e apontando para o vazio.

Uma luz vermelha brilhou em sua ponta e uma aura sanguínea surgiu em seu rosto.

O brilho da espada de madeira intensificou-se, como se tivesse recebido um grande impulso. A lâmina, antes de alguns pés, cresceu para quase um metro e meio, transformando-se numa gigantesca espada vermelha que desceu com força do alto.

Com um estalo, a rede da espada de moedas foi rasgada.

A espada de madeira disparou, transformando-se em um raio vermelho que voou direto ao rosto de Bai Xiaotian.

O semblante de Bai Xiaotian mudou; permitir que a espada inimiga se aproximasse era um erro fatal. Rapidamente, com um gesto, fez sua espada de moedas brilhar, retornando velozmente e, em um piscar de olhos, alcançando a espada de madeira, envolvendo-a novamente.

Mas, nesse momento, houve um estrondo: a luz vermelha da espada de madeira se desfez em dezenas de pequenos feixes, que se voltaram todos contra a espada de moedas.

Ouviu-se uma sequência de estalos; a espada de moedas foi arremessada para longe, girando no ar, mas aparentemente sem dano.

Vendo isso, Ding Hua franziu a testa, bradou e lançou sua espada de madeira em mais um ataque, decidido a não dar tréguas.

Contudo, naquele instante, a espada de moedas, girando no ar, subitamente se estabilizou, girou e se interpôs no caminho da espada de madeira.

O golpe foi preciso, atingindo o ponto mais fraco da lâmina adversária.

Um zumbido ecoou; a luz vermelha da espada de madeira se dissipou quase completamente, lançando-a a vários metros de distância.

O rosto de Ding Hua mudou de cor; teve de reunir sua energia interior para estabilizar a espada.

Após uma expressão de indecisão, levantou a mão e fez sua espada de madeira retornar à palma, sem mais atacar.

Bai Xiaotian, vendo o fim da ofensiva, também recolheu sua espada de moedas.

"A arte da espada de Bai é notável; aprendi muito. Despeço-me", disse Ding Hua, fazendo uma reverência antes de se afastar.

Após alguns passos, lançou um olhar para o esconderijo de Shen Luo, soltou um leve resmungo e desapareceu ao longe.

"Irmão Shen, pode sair", disse Bai Xiaotian, com o rosto sério, observando Ding Hua partir.

"Vocês têm ouvidos afiadíssimos, mesmo de longe me perceberam", disse Shen Luo, saindo de trás das árvores e sorrindo.

"Por que não está em seu quarto? O que veio fazer aqui?", perguntou Bai Xiaotian, franzindo o cenho ao ver Shen Luo se aproximar.

"Tive um contratempo durante o cultivo, vim espairecer — e acabei presenciando vosso duelo."

"Mas você não estava apenas começando na Arte Menor da Transformação Solar? Como teve problemas?", Bai Xiaotian demonstrou surpresa.

"Até você acha que, por mais limitado que seja, não deveria haver problemas nesse cultivo, não é?", respondeu Shen Luo, abrindo um sorriso amargo.

"Não foi isso que quis dizer... Enfim, venha caminhar comigo pela montanha", disse Bai Xiaotian, percebendo o desânimo do amigo e olhando para o céu.

Shen Luo não recusou e assentiu.

Juntos, seguiram lado a lado para o interior da floresta, atravessando um denso matagal até chegarem a uma trilha escondida entre a vegetação alta.