Capítulo Quarenta e Nove: Explorando o Rio
Após chegarem a um acordo, Shen Luo confiou seus cavalos aos cuidados de Yu Dadan e sua esposa, enquanto ele próprio pegava uma pequena embarcação e se lançava ao rio. Antes de partir, Yu Dadan não deixou de repetir suas recomendações, temendo que algo pudesse lhe acontecer; Shen Luo, atento, tomou nota minuciosa dos trechos do rio e dos cuidados necessários. A esposa de Yu Dadan ainda se preocupou em abastecer o barco com água potável e trouxe de casa algumas tortas e carne seca, cuidadosamente embrulhadas em tecido de cânhamo, insistindo para que Shen Luo levasse consigo para comer durante a viagem. Sem poder recusar tamanha gentileza, ele aceitou o pacote com um sorriso.
A pequena embarcação, coberta por um toldo escuro, descia rapidamente pelo rio agitado. Shen Luo permanecia à proa, segurando uma vara de bambu, mas não a usava para impulsionar o barco, e sim para sondar cuidadosamente as águas ao redor, procurando por rochas submersas. Logo, o barco contornou um grupo de juncos altos, entrando em um extenso campo de vegetação aquática.
Segundo Yu Dadan, aquele trecho era o mais turbulento de todo o rio Luan. No início, a embarcação ainda navegava em velocidade moderada, mas quanto mais avançava, mais rápida se tornava a correnteza, obrigando Shen Luo a usar a vara para sondar o fundo e desacelerar o barco. Contudo, sua experiência era limitada; em águas calmas, conseguia se manter, mas no meio da correnteza, por mais concentrado que estivesse, não conseguia evitar alguns choques e solavancos.
O barco balançava de um lado para o outro, batendo repetidamente nas rochas ocultas sob a superfície, assustando gansos e aves aquáticas que voavam das margens. Quando encontrava redemoinhos maiores ou grandes pedras, Shen Luo precisava reunir toda sua força para desviar o barco, pois um descuido poderia virar a embarcação.
Logo, Shen Luo se viu exausto, suando e vendo estrelas, mas a força das águas não lhe permitia descansar; só podia seguir em frente, forçando-se a continuar. Durante o trajeto, mantinha atenção às margens, procurando por pontos onde o rio se estreitasse, mas os juncos altos e densos dificultavam a visão, obrigando-o a confiar na mudança do fluxo para identificar esses locais. Afinal, onde o rio se estreitava, a correnteza aumentava ainda mais.
Assim, ele percorreu sete ou oito quilômetros, sem encontrar bancos de pedras, mas passando por diversas ilhas de areia. Em determinado momento, seu barco entrou entre dois bancos estreitos, cobertos por juncos verdes, formando um canal natural. Ao adentrar o estreito, a velocidade aumentou de repente e o barco disparou adiante.
Com um som surdo, o barco estremeceu bruscamente ao sair do meio dos juncos. Shen Luo quase perdeu o equilíbrio e caiu da proa. Segurando a vara de bambu, estabilizou-se e olhou adiante: o barco havia colidido com um banco de pedras de dezenas de metros de largura. Felizmente, a embarcação era robusta e não se danificou.
Diferente das ilhas de areia vistas ao longo do caminho, aquele banco era formado por pedras arredondadas, de cor cinza e tamanho de punho, misturadas com areia. O local onde o barco bateu era uma rocha marrom muito maior do que as demais, apenas dois palmos acima da água, com a maior parte submersa. A proa encaixou-se em um nicho da rocha, mas não sofreu avarias.
Shen Luo observou as margens e percebeu que ali o rio se estreitava bastante, deixando escapar um sorriso. “Trecho estreito, banco de pedras, rocha submersa... Parece que é aqui.” murmurou. Segundo Yu Yan, o ancestral de sua família tinha encontrado o Livro Celeste sem nome justamente sob um banco de pedras. Agora, aquele lugar parecia corresponder exatamente à descrição. Shen Luo pensou que teria que procurar muito mais, mas tudo aconteceu rapidamente.
Ele jogou a vara de bambu sobre o banco de pedras, inclinou-se e amarrou a corda do barco à rocha, certificando-se de que não seria levado pelas águas. Só então sentou-se no casco e se deixou cair para trás, completamente esgotado. Todo o esforço para impulsionar o barco o deixou sem forças, incapaz de sequer saltar da proa.
Shen Luo descansou por um bom tempo, alimentou-se com algumas provisões e recuperou o fôlego antes de se levantar. Ele tirou do barco um rolo de corda de cânhamo, grossa como um polegar, amarrando uma ponta firmemente à rocha, e enrolou a outra em torno da cintura. Só então pulou para fora do barco, pisando no banco de pedras.
O banco era oval, alinhado com a correnteza, comprido de leste a oeste e estreito de norte a sul. A rocha marrom ficava na extremidade oeste; Shen Luo posicionou-se ao lado dela e observou o rio. A água era escura, com cheiro de barro, espumando junto ao banco de pedras, enquanto mais adiante formava redemoinhos de vários tamanhos, impossibilitando enxergar o que havia debaixo d’água.
Respirando fundo, ele cuidadosamente avançou com um pé na água. As pedras soltas à beira do rio cederam sob seu peso, fazendo-o escorregar e cair com um estrondo. Naquele ponto, o rio era profundo: Shen Luo afundou completamente, sendo empurrado pela correnteza contra a grande rocha. Sem controle, engoliu várias bocas de água misturada com barro.
Assustado, virou-se rapidamente, agarrando-se à rocha e subindo até emergir, puxando uma lufada de ar e começando a tossir violentamente. Só após algum tempo conseguiu se acalmar, passando a mão pelo rosto molhado, ainda assustado.
“Este lugar é realmente perigoso. Mas se não fosse, o Livro Celeste sem nome não teria permanecido aqui por tanto tempo, sem que ninguém o encontrasse.” pensou. O desejo de encontrar o livro aumentava ainda mais.
Desta vez, Shen Luo respirou fundo, segurou o nariz e mergulhou novamente, apoiando-se na rocha e descendo aos poucos. Ao abrir os olhos sob a água, percebeu que era turva, com pouca visibilidade; só podia confiar no tato e na rocha para explorar o fundo do rio.
Surpreendentemente, o leito era profundo. Quando enfim tocou o fundo lodoso, já lhe faltava ar. Forçando-se a suportar a sensação de sufocamento, tentou olhar para baixo do banco de pedras, mas só conseguiu distinguir vagamente alguns buracos e cavernas de barro, sem ver com clareza. Tacteou com as mãos, mas o tempo de apneia era insuficiente; logo, sentiu-se tonto e com o peito pesado, tendo que subir agarrando a rocha até emergir.
Respirando de modo ofegante, Shen Luo esperou até recuperar o fôlego, e então mergulhou novamente, descendo rapidamente para aproveitar o tempo no fundo. Começou a explorar, mas o ambiente era escuro e cheio de sedimentos, tornando a visão inútil. Só lhe restava apalpar cegamente, como uma mosca sem rumo. Logo, precisou retornar à superfície.
Após recuperar as forças, mergulhou mais uma vez, explorando o fundo sob o banco de pedras. Depois de várias tentativas, Shen Luo emergiu exausto e trêmulo, com os lábios azulados de frio. Abraçou a rocha, ergueu o olhar para o céu a oeste e viu que o sol já começava a se inclinar.
“Mais uma tentativa...” murmurou, determinado. Inspirou profundamente e mergulhou novamente, descendo até o fundo. Tendo já sondado quase todos os buracos sob o banco de pedras, resolveu contornar a rocha e nadar para o lado sul, apalpando o leito do rio.
Desta vez, ao passar a mão por um pequeno orifício, seus dedos tocaram algo completamente diferente de uma pedra.