Capítulo Quarenta e Cinco: Indizível
O Daoísta Luo virou-se levemente, lançando um olhar para a caixa de madeira sobre a mesa, antes de suspirar e dizer:
— Ah, já na época em que estava em sua casa, eu lhe ensinei o método de prolongar a vida. Tanto o Pó da Neve Vermelha quanto a Pequena Arte da Transformação Solar lhe foram concedidos como exceção, mas você não tem nenhuma aptidão para a prática, e até mesmo essa técnica básica lhe trouxe problemas. Não sei se, ao aceitar você como discípulo, estava lhe salvando ou prejudicando.
— Mestre Luo, não diga isso. Não fosse o senhor, eu já teria me tornado pó há muito tempo. O favor que me concedeu ao me salvar, guardo com gratidão no coração — respondeu Shen Luo, sacudindo a cabeça repetidas vezes.
O Daoísta Luo, ao ouvir isso, relaxou o semblante, claramente satisfeito com as palavras.
— Mestre Luo, existe algum outro método? Não importa o sacrifício, estou disposto a pagar o preço — Shen Luo insistiu, dando ênfase às últimas palavras.
— Está bem. Por você, abrirei uma exceção mais uma vez. Se conseguir aperfeiçoar a Pequena Arte da Transformação Solar em três anos, posso interceder junto ao Diretor do Templo para que ele permita transmitir a primeira camada da Técnica da Espada do Sol Puro. Só então discutiremos o preço, mas, devo advertir, as chances são mínimas — disse o Daoísta Luo, após um breve silêncio.
Três anos? O Mestre Fengyang não decretou que eu não viveria mais dois?
Essa dúvida se instalou no coração de Shen Luo, mas ele continuou agradecendo.
— Não se apresse em agradecer. Posso lhe dizer claramente que não confio nesse método. Com sua aptidão, é quase impossível aperfeiçoar essa técnica em três anos. Por isso, aconselho que dedique mais tempo ao descanso, buscando ervas e plantas espirituais que prolonguem a vida. Esse é o caminho correto — o mestre gesticulou, dando o conselho.
— Onde posso encontrar tais remédios para salvar minha vida? Existem no templo? — Shen Luo não resistiu à pergunta.
— Se houvesse aqui, eu não lhe mandaria buscar em outro lugar. Ervas capazes de prolongar a vida são raras até entre os praticantes, e quando surgem, são disputadas por todos. Gente comum jamais as vê. E, mesmo que tenha a sorte de encontrar, nem todo o ouro e prata do mundo garantiria sua compra — o Daoísta Luo levantou-se, com as mãos atrás das costas, falando pausadamente.
— Ouro e prata não servem para comprar isso? Por quê? — Shen Luo estava intrigado.
Nesses dias, ele dependia da Pequena Arte da Transformação Solar e do Pó da Neve Vermelha para sobreviver, ambos adquiridos com dinheiro. Os duzentos taéis de ouro ao entrar no templo e os dois mil taéis de prata enviados anualmente pela família, tudo era para prolongar-lhe a vida.
— Você ainda não entrou verdadeiramente nesse caminho, por isso não sabe que ouro e prata, para os cultivadores mais avançados, são como pedras e madeira seca. Se precisam trocar algo, usam o lendário Jade Celestial — respondeu o Daoísta Luo.
Ao ouvir isso, Shen Luo sentiu-se como se um raio o atingisse.
O Jade Celestial era famoso, e ele já ouvira sobre ele, inclusive de Bai Xiaotian, e lera sobre esse “dinheiro dos deuses” em livros. Nem a família Shen, comerciantes de uma pequena cidade, nem os magnatas da capital provincial, tinham visto tal coisa.
Comprar remédio para salvar a vida exige dinheiro dos deuses...
Shen Luo foi tomado por uma sensação de impotência, percebendo que até a última esperança de comprar a própria salvação lhe escapava.
Ao ver seu olhar escurecer, o Daoísta Luo deixou transparecer uma pontinha de compaixão.
Nesse turbilhão de emoções, Shen Luo lembrou-se de algo.
O culpado por sua perda de vitalidade era justamente o estranho travesseiro de jade. Talvez pudesse encontrar nele uma solução, uma rota de autossalvação. E, mesmo não sabendo lidar com o objeto, poderia trocá-lo no templo por algum benefício.
— Mestre Luo...
Após hesitar, Shen Luo decidiu mencionar o travesseiro de jade.
Mas, ao abrir a boca, sua mente foi invadida por um zumbido ensurdecedor, uma voz tão aguda que parecia perfurar seus tímpanos, vindo em ondas furiosas. Seus olhos escureceram e ele tombou de lado.
O Daoísta Luo, surpreso, agarrou-lhe o ombro e o acomodou na cadeira.
Com Shen Luo atordoado, o mestre franziu o cenho e tomou-lhe o pulso, colocando três dedos sobre as veias, contendo a respiração para examinar.
Instantes depois, sacudiu a cabeça e soltou o pulso.
— Pulsação fraca e sem força, sinal claro de reação adversa à técnica. Sua vitalidade está gravemente prejudicada. O que você fez para chegar a esse estado?
Com suor frio escorrendo pela testa, Shen Luo relatou, com dificuldade, sua rotina de cultivo.
Mas, ao tentar novamente mencionar o travesseiro de jade, o zumbido violento retornou, arrancando-lhe um grito de dor.
O Daoísta Luo ficou sério, apoiou as costas de Shen Luo com uma mão, fazendo brilhar uma luz avermelhada na palma. Uma onda de calor penetrou pelas costas, aquecendo o corpo e dissipando o zumbido restante na cabeça.
— O que está acontecendo? Será que... — Shen Luo, agora encharcado de suor, sentiu-se inquieto.
Quando pensou em mencionar o travesseiro de jade uma vez mais, o zumbido retornou, ainda mais forte, impedindo-o de falar.
— O que houve? — perguntou o Daoísta Luo, percebendo a estranheza.
— O corpo... está fraco, creio que é reação adversa à técnica — respondeu Shen Luo, ofegante, evitando dirigir o pensamento ao travesseiro.
— Interrompa o cultivo por ora. Pegue este Pó da Neve Vermelha, leve-o com você, mas não tome tudo de uma vez. Divida em três doses, ou seu corpo não suportará — disse o Daoísta Luo, entregando-lhe um pacote de papel, enquanto uma luz vermelha voltava a brilhar em sua mão, tocando alguns pontos nas costas de Shen Luo.
— Muito obrigado, mestre Luo — Shen Luo demorou a se recuperar, mas logo agradeceu com uma reverência.
Sem ousar permanecer, despediu-se e saiu.
O Daoísta Luo acompanhou com o olhar a figura vacilante de Shen Luo até que desapareceu pela porta, apertando na manga o lingote de ouro, com o semblante carregado.
— No fundo, esse rapaz é boa pessoa. Que pena... Daqui a dois anos, terei de buscar outro discípulo registrado de família abastada — murmurou, e, com um movimento de manga, fechou as portas da casa e do pátio.
...
A noite avançava. Na sala silenciosa do primeiro andar, próxima ao penhasco da praça de pedra azul, ainda ardia a luz de uma vela.
Sentado à mesa, Shen Luo encarava o estranho travesseiro de jade diante de si, com o olhar perdido.
O que ocorrera com o mestre Luo era tão extraordinário que Shen Luo não conseguia entender que força o impedia de revelar o segredo do travesseiro de jade.