Capítulo Vinte e Seis: O Mestre Imortal
Ao ver aquilo, Shen Luo sentiu o coração apertar. Prestes a se virar para dizer algo ao homem de sobrancelhas de tigre, seu rosto mudou subitamente e ele gritou:
— Afaste-se!
Yu Meng também percebeu, no mesmo instante, uma sombra cobrindo-lhe a cabeça. Mas já era tarde para se esquivar; só pôde segurar a larga lâmina com ambas as mãos e, com toda a força, cravou-a para trás em um golpe oblíquo.
Soou um estrépito agudo!
A enorme lâmina, porém, foi presa entre as mandíbulas da gigantesca loba negra que, sem que ninguém percebesse, saltara até ali. O ranger do metal entre os dentes do animal era de fazer ranger os próprios dentes de quem ouvia. Por mais que Yu Meng tentasse puxar a lâmina de volta, ela não se movia um milímetro sequer.
Num estalo seco, a loba negra sacudiu a cabeça com força e, de uma mordida, partiu a lâmina ao meio.
No instante em que a lâmina se partiu, Yu Meng já executava um rolamento à frente, esquivando-se de uma patada da loba, e gritou para Shen Luo:
— Corra!
Shen Luo viu as garras colossais da loba negra, faiscando em negrume, avançarem como sombras indistintas nas costas de Yu Meng. Cerrou os dentes e, em vez de recuar, avançou dois passos audaciosos, brandindo sua lâmina numa trajetória gelada que desceu sobre o ombro da loba.
Era um golpe de força total. A lâmina enterrou-se vários centímetros no ombro do animal.
Porém, a musculatura e os ossos daquela loba negra eram incomparavelmente mais sólidos que os dos lobos cinzentos. A lâmina de Shen Luo cravou-se diretamente no osso do ombro, sem conseguir avançar mais ou ser arrancada.
A loba, sentindo a dor, hesitou no movimento da pata. Yu Meng aproveitou para rolar de lado e, num salto ágil, ergueu-se de novo.
Vendo isso, Shen Luo largou a lâmina sem hesitar e recuou, ficando ao lado de Yu Meng.
— Essa loba negra é forte demais. E sem a lâmina, só consigo segurá-la por um tempo. Aproveite e fuja! — Yu Meng lançou um olhar de gratidão a Shen Luo ao dizer isso.
Sem esperar resposta, Yu Meng pegou depressa uma lâmina caída no chão e, num movimento rápido, cortou ao meio um lobo cinzento que saltava sobre eles. Imediatamente voltou a enfrentar a loba negra, mas, em poucos instantes, já estava em desvantagem, colocando-se em risco a cada ataque.
Desesperado, Shen Luo avistou uma bandeira caída ali perto. Um pensamento relampejou em sua mente.
Se essa loba negra era tão poderosa e armas comuns não serviam para matá-la, por que não tentar o Talisma do Pequeno Trovão?
Embora nunca tivesse conseguido ativá-lo fora dos treinos, a situação não lhe permitia hesitar. Precisava tentar, custasse o que custasse.
Abaixou-se rapidamente, arrancou a bandeira do mastro e, com dois dedos, colheu um pouco do sangue dos lobos no próprio corpo, pronto para desenhar o talismã na superfície da bandeira.
Mas, de repente, mudou de ideia. Tomado de decisão, limpou o sangue dos lobos da mão e mordeu o próprio dedo, fazendo brotar sangue fresco.
Respirou fundo, esqueceu-se das posturas e, com os dedos, começou a desenhar os caracteres do talismã diretamente sobre a bandeira.
Graças à prática anterior, os traços do Talisma do Pequeno Trovão fluíram quase sem erros, completando-se de uma só vez.
Assim que terminou, Shen Luo agarrou a bandeira, girou-se e olhou para Yu Meng.
Só então percebeu que, em poucos segundos, a situação ao redor mudara drasticamente. Cada vez mais lobos cinzentos subiam as muralhas, junto com outras lobas negras, forçando os defensores a recuar para as torres nas extremidades. Yu Meng e Shen Luo estavam cada vez mais isolados.
Vários lobos já mudavam de direção, cercando Yu Meng.
— Senhor! — Uma voz aflita ecoou.
Shen Luo olhou e viu os quatro acompanhantes de Yu Meng, todos cobertos de sangue, lutando desesperados para chegar até eles, mas o número de lobos na muralha era avassalador. Mesmo dispostos ao sacrifício, não conseguiam abrir caminho.
Shen Luo e Yu Meng estavam em um beco sem saída.
Um rugido ensurdecedor explodiu!
Shen Luo voltou o olhar e viu Yu Meng encurralado pela loba negra junto à muralha, o corpo esmagado contra o parapeito. Atrás da loba negra, duas outras cinzentas observavam, prontas para atacar a qualquer momento.
Yu Meng estava por um fio.
— Se é para morrer, que seja! — Shen Luo decidiu-se e avançou correndo para onde Yu Meng estava.
Ao se aproximar do corpo da loba, impulsionou-se sobre a muralha e cobriu a cabeça da loba negra com a bandeira, agora marcada pelo Talisma do Pequeno Trovão. No instante em que soltou a bandeira, ativou a técnica de Pequena Transformação Solar, canalizando a energia yang de seu corpo diretamente para o talismã.
Os traços ensanguentados do talismã brilharam no topo, onde se lia "Trovão", emitindo uma luz branca que começou a se espalhar, mas, de repente, como se tivesse sido cortada, apagou-se bruscamente.
— Falhei... — Shen Luo, já no chão, sentiu o coração afundar.
Porém, no instante seguinte, um estrondo ressoou do céu!
Um relâmpago branco e fulgurante caiu do alto, atingindo em cheio a cabeça da loba negra coberta pela bandeira.
A cabeça da loba explodiu como uma melancia madura, exalando fumaça densa e um cheiro de carne queimada.
O corpo sem cabeça perdeu as forças e desabou, esmagando Yu Meng. O estrondo assustou tanto os lobos cinzentos que eles recuaram, sem ousar atacar.
— Consegui? Esse poder... — Shen Luo ficou atônito, mas logo seus olhos brilharam.
Rugidos de trovão ressoaram sem parar. Relâmpagos grossos como braços brancos desciam do céu, atingindo os lobos nas muralhas, explodindo em fios elétricos que se ramificavam, dilacerando os animais.
Com os relâmpagos, bolas de fogo rubras, do tamanho de grandes cestos, desabavam sobre as bestas, explodindo em labaredas que as engoliam inteiras.
Entre labaredas e trovões, ouviam-se uivos de dor lancinante dos lobos.
Em poucos segundos, todos os lobos na muralha foram exterminados.
Atordoado, Shen Luo ergueu o olhar e viu, suspensos sobre a muralha, sete ou oito figuras humanas: alguns trajando túnicas taoístas, outros vestes monásticas, outros ainda armaduras reluzentes. Cada um envolto em aura brilhante, imponentes e extraordinários.
Essas figuras continuavam a lançar feitiços, atacando as bestas nos outros trechos da muralha.
— Os mestres celestiais chegaram! Os mestres celestiais chegaram! — Ouviu-se um clamor de alegria pelas muralhas.
— Estamos salvos! Estamos salvos! — Outros choravam de emoção.
— Mestres celestiais... São... deuses?
Shen Luo ficou completamente atônito. Haveria realmente seres capazes de voar pelo céu?
Despertando do transe, fixou o olhar: uns empunhavam espadas de sete estrelas feitas de moedas de cobre, outros seguravam tigelas de ouro cintilante, outros brandiam lanças de bronze, cada qual invocando sua magia.
Entre eles, um ancião baixo e corpulento, vestido em ricas sedas douradas e com longa barba grisalha sob o queixo, parecia um abastado comerciante, mas era o mais impressionante de todos.
De um lado, ele fazia gestos rituais; do outro, lançava sucessivos talismãs de papel amarelo, que se incendiavam sozinhos ao voar, disparando colunas de relâmpago branco sobre as bestas.
O velho era tão veloz nos feitiços que Shen Luo não conseguia distinguir se ele fazia selos ou recitava encantos; notou apenas que, certamente, ele não usava nenhuma pedra de energia.
Só então Shen Luo compreendeu: aquele relâmpago que salvara Yu Meng não fora obra de seu próprio talismã, mas sim do mestre celestial baixo e gordo.