Capítulo Oitenta e Um: Descendo a Montanha com o Mestre

O Senhor dos Grandes Sonhos Esquecendo Palavras 4209 palavras 2026-01-30 16:22:46

沈 Luó revisou cuidadosamente, em sua mente, o segundo nível da técnica sem nome, refletindo também sobre o próprio processo de cultivo de instantes atrás, mas concluiu que não havia cometido nenhum erro relevante.

“Não deveria ser tão difícil assim…” pensou, intrigado, e voltou a sentar-se de pernas cruzadas, fechando os olhos para praticar silenciosamente.

Após algum tempo, seus olhos se abriram novamente, e a dúvida dera lugar ao desânimo em sua expressão.

Mais uma vez, não conseguira romper o ponto da Morada Púrpura.

Seu poder interior não fluía como deveria; não conseguia sequer completar meio ciclo, quanto mais um ciclo completo.

“Nem a Técnica de Domar Espíritos me trouxe sucesso antes… será que realmente sou tão inepto?” Mordeu os lábios, inconformado, e se lançou novamente à prática.

Repetiu o processo diversas vezes, até que por fim reconheceu a realidade: o segundo estágio da técnica era muito mais difícil do que imaginara, e não seria possível atravessá-lo sem obstáculos — teria que avançar passo a passo, como quem conquista uma fortaleza.

Pelo ritmo das tentativas, calculou que atingir a perfeição neste segundo nível poderia demorar quatro ou cinco anos, talvez mais.

Esse progresso era, na verdade, muito inferior ao descrito no Livro Sem Nome para pessoas de talento mediano, que levavam apenas dois anos para alcançar a perfeição.

O primeiro estágio havia sido fácil demais, e com o auxílio da Técnica de Caminhar sobre as Águas, chegou a acreditar que possuía talento, sentindo-se até orgulhoso. Agora, porém, era como se um balde de água fria tivesse sido lançado sobre ele.

Pelo visto, as avaliações do Mestre Luo e dos demais do Templo da Primavera e Outono estavam corretas: ele realmente não tinha grandes aptidões para as artes místicas.

Após encarar esse fato, sentiu grande desânimo, mas não chegou a perder a confiança.

Antes de possuir qualquer técnica, já enfrentara ameaças de morte a todo instante, e mesmo assim lutara com todas as forças, buscando sobreviver; agora, sua situação era apenas um pouco mais difícil do que esperava — bastava continuar treinando.

Não importava se seriam quatro ou cinco anos; enquanto houvesse uma chance de sucesso, não a desperdiçaria.

Nos dias que se seguiram, Shen Luó passou as manhãs praticando junto ao lago raso, e à noite mantinha-se atento ao talismã repelente de espectros, sempre observando as mudanças nos fios luminosos que eram absorvidos pelo travesseiro de jade.

Talvez por ter entrado no estágio de Refinamento do Qi, não se sentia cansado, mesmo após dias e noites nesse ritmo.

Numa dessas noites, estava sentado como de costume, atento ao travesseiro de jade, sem desviar o olhar.

Apesar de os fios luminosos se reunirem a cada dia, o travesseiro parecia não apresentar mudança alguma.

Foi quando um som de batidas à porta o surpreendeu.

Shen Luó levou um susto — com sua acuidade sensorial atual, mesmo concentrado no travesseiro, não deveria ter deixado de perceber alguém se aproximando.

E era alta madrugada… quem viria a essa hora?

Rapidamente retirou o talismã repelente, escondeu o travesseiro de jade sob a cama e foi abrir a porta. Do lado de fora, um homem de túnica azul o aguardava — era o Mestre Luo.

“Mestre Luo, o que faz aqui? Entre, por favor”, apressou-se em convidar.

“Não é necessário. Só estou de passagem e resolvi ver como estava. Vejo que recuperou bem a saúde nessa visita à sua família”, disse o Mestre Luo, parado à porta, observando-o de cima a baixo.

“Obrigado por sua preocupação, Mestre. Melhorei bastante”, respondeu Shen Luó, baixando o olhar com respeito.

“Que bom. Já que está recuperado, arrume suas coisas e venha comigo até a cidade”, disse o Mestre Luo, de repente.

“Descer a montanha?”, Shen Luó se surpreendeu.

“Vamos capturar um espírito. Bai Xiaotian ainda não voltou e Tian Tiesheng também foi enviado em missão pelo mestre ontem. Sobrou para você”, explicou o Mestre Luo, olhando-o de soslaio.

Shen Luó avaliou rapidamente as vantagens e desvantagens, sem responder de imediato.

“O que foi? Não quer ir?”, o Mestre Luo franziu o cenho.

“Servir ao Mestre é uma honra, mas minha técnica ainda está muito aquém dos meus irmãos. Temo acabar atrapalhando”, respondeu Shen Luó, recompondo-se.

Em outras épocas teria aceitado com entusiasmo. Agora, porém, carregava muitos segredos e não queria permanecer perto de alguém tão poderoso, temendo ser descoberto a qualquer momento.

“Está com medo, não é? É só capturar um espírito. Não precisará fazer nada, basta ficar ao lado”, disse o Mestre Luo, sorrindo levemente, certo de ter entendido o motivo.

“Obrigado pela compreensão, Mestre. Permita-me apenas me preparar.” Percebendo que não podia recusar, Shen Luó assentiu.

“Seja rápido, partiremos já”, disse o Mestre Luo, afastando-se.

Shen Luó acompanhou-o com o olhar, despedindo-se, e, assim que o mestre se distanciou, seu sorriso desapareceu, dando lugar à preocupação.

Logo se recompôs, arrumou suas coisas, levando algumas mudas de roupa e os talismãs de raio e de repulsão de espectros que havia preparado, para qualquer emergência.

Afinal, seu interesse por talismãs já era quase público, não precisava temer ser descoberto.

Lançou um olhar ao estojo de pedra ao lado, hesitou um instante e decidiu levá-lo também.

Mesmo sabendo que transportar o estojo aumentava o risco, deixá-lo no templo o deixava ainda mais inquieto. Por sorte, o objeto não emitia nenhuma energia, e o Mestre Luo só perceberia se o visse diretamente.

E, se o infortúnio o fizesse suspeitar, já havia pensado em uma desculpa: diria tratar-se de um amuleto abençoado para proteção, trazido da última visita à família, e que não deveria ser aberto. Pela conduta do Mestre Luo, provavelmente não violaria o pertence alheio à força.

Preparado, saiu apressado rumo à morada do mestre.

“Por que demorou tanto? Venha logo”, repreendeu o Mestre Luo assim que o viu.

“Sim”, respondeu Shen Luó, apressando o passo.

“Fique ao meu lado”, instruiu o Mestre Luo, apontando o local.

Shen Luó hesitou, mas obedeceu.

O Mestre Luo então retirou do peito um lenço branco, repleto de inscrições semelhantes a runas, irradiando uma luz suave e branca, bem visível na noite.

Ao ver o lenço, Shen Luó pareceu entender o que aconteceria.

Com a outra mão, o mestre sacou um talismã azul e o colou sobre o lenço, recitando palavras arcanas.

O talismã brilhou intensamente, infundindo sua luz azul no lenço, cujas inscrições começaram a reluzir, emitindo um brilho branco ainda mais intenso. O lenço se ergueu das mãos do mestre, pairando à frente deles, como uma lanterna de luz branca.

Ao mesmo tempo, uma onda de energia gélida se concentrou ao redor, sendo absorvida pelo lenço e tornando sua claridade ainda mais vívida.

Shen Luó reconheceu facilmente aquela energia fria — era o poder da água.