Capítulo Quinze: Enigma Labiríntico
O coração de Shen Luo se encheu de surpresa e raiva, mas seu corpo já começava a sufocar, incapaz de respirar. De relance, flashes de livros e manuscritos antigos que havia folheado nos últimos dois anos no Templo Primavera e Outono cruzaram sua mente. Situações semelhantes pareciam ter sido descritas em uma daquelas obras. Apertou os dentes, concentrando as últimas forças para sentar-se de pernas cruzadas, braços circundando o corpo, lutando para ativar a Pequena Arte Transformadora do Sol.
Uma onda de calor surgiu de seu abdômen inferior, espalhando-se rapidamente por todo o corpo; uma tênue luz avermelhada escapou de seu pescoço, tornando o negro da marca das mãos momentaneamente indistinto.
Shen Luo sentiu a pressão em seu pescoço diminuir ligeiramente. Uma esperança reacendeu em seu peito.
Porém, antes que pudesse reagir, um grito agudo e lancinante ecoou repentinamente em seus ouvidos, vibrando em seus tímpanos, atordoando sua mente e interrompendo a ativação da Pequena Arte Transformadora do Sol.
Quase no mesmo instante, a marca negra em seu pescoço se intensificou novamente, e ao redor dele o som do vento uivava. Uma massa densa de névoa gélida e acinzentada irrompeu, rodopiando e cercando-o.
Sentiu-se como se estivesse submerso em água gelada, um frio cortante dominando seu corpo; aquele calor interior não fazia mais diferença. Os membros ficaram dormentes, incapazes de mover-se, e a dificuldade para respirar retornou, ainda mais sufocante.
O coração de Shen Luo afundou num abismo, incapaz de se reerguer…
Um estrondo retumbou!
A chuva grossa, com gotas do tamanho de grãos de feijão, despencou do céu, transformando toda a aldeia montanhosa num pântano. No meio da brancura da tempestade, um corpo jazia imóvel na lama.
...
Ao som insistente dos insetos, Shen Luo sentou-se lentamente, abriu os olhos e olhou ao redor, atordoado.
O caminho estreito de terra, o ar úmido, o odor forte da vegetação, o solo tomado por ervas daninhas, a névoa não muito distante…
“Onde estou...?”
Seus olhos se arregalaram de súbito. Instintivamente, agarrou um punhado de terra úmida ao seu lado, e ao confirmar que era real, engoliu em seco.
“Impossível…”
Jogou fora a terra, levantou-se do chão frio o mais rápido que pôde e, depois de verificar o entorno novamente, ficou completamente espantado.
“Será que...?”
Permaneceu ali, inquieto e indeciso por um tempo, então ergueu a cabeça e olhou para o céu escuro e para a lua crescente. Cerrando os dentes, seguiu a trilha adiante.
Quando avistou novamente os campos cultivados nas laterais da estrada e, ao longe, a aldeia montanhosa erguida junto à encosta — especialmente as luzes trêmulas e difusas que brilhavam lá dentro —, parou, atônito.
O que havia acontecido? Por que estava de volta ao mesmo lugar? Afinal, ele não tinha morrido? Ou tudo que se passara antes não passara de um sonho?
Shen Luo estava confuso. Lembrava-se claramente de ter estado nesse mesmo lugar, com as mesmas paisagens, mas, ao entrar na aldeia, algo terrível lhe acontecera…
Só de pensar, um calafrio percorreu-lhe a espinha. Levou a mão apressadamente ao pescoço e, ao perceber que nada havia de estranho, sentiu-se um pouco aliviado.
Se estava ileso, então talvez tudo não passasse de ilusão. Mas se fora apenas um pesadelo, fora real demais — sentira o medo da morte de forma vívida e absoluta.
Ou talvez... não fosse um sonho? Sangue negro, o altar, aquelas duas marcas de mão... Não, algo estava fora do lugar!
Olhando para a aldeia ao longe, Shen Luo sentiu o canto dos olhos se contrair. Finalmente tomou uma decisão.
Após pensar por um momento, ergueu a mão, mordeu o dedo indicador até sangrar e então, com o sangue fresco, desenhou um símbolo no peito da túnica — um talismã contra espíritos, copiado de um livro de registros antigos.
Segundo o que lera, mesmo quem não tivesse poderes sobrenaturais, se tivesse energia vital suficiente, poderia usar o próprio sangue para desenhar talismãs e afastar o mal, ainda que com efeito limitado.
Ele não sabia se aquilo era verdade, mas, sem outra alternativa, decidiu tentar.
Feito isso, virou-se e disparou em direção ao ermo, afastando-se da aldeia. Aquela terra não era segura; não cometeria o erro de entrar ali novamente. O melhor era manter distância!
Diz o ditado que o sábio não se arrisca sob muros precários; o resto poderia deixar para pensar depois, longe daquele lugar estranho.
Correndo, Shen Luo notou que a névoa ao redor se tornava ainda mais densa, até que sua visão ficou turva e não conseguia distinguir a estrada adiante.
Mesmo assim, não ousou diminuir o ritmo — sua mente tinha um único pensamento: afastar-se o máximo possível daquela aldeia sinistra.
Após algum tempo, a névoa diante dele se rareou, e a visão clareou de repente.
Shen Luo se animou e apressou o passo, mas logo seu rosto empalideceu e parou abruptamente.
No final do caminho, envolta em sombras, a pequena aldeia montanhosa reapareceu diante dele, com as luzes tremeluzindo ao longe.
“Isso... não pode ser! Eu tinha certeza de que mudei de direção!” Shen Luo olhava ao redor, incrédulo.
Mordeu os lábios, virou-se e correu novamente para o ermo, logo sumindo na névoa.
Pouco depois, a névoa se dissipou, revelando, mais uma vez, a cena familiar à sua frente.
Aquela luz, antes acolhedora, agora era fonte de arrepios.
O coração de Shen Luo se inquietou. Espiou de relance o matagal na beira da estrada e, de repente, lançou-se naquela direção.
A névoa envolvia toda a aldeia, cobrindo todos os lados; mesmo sem seguir a trilha, logo estava envolto em bruma.
O matagal dificultava seus passos; por pouco não tropeçou várias vezes, mas não ousou parar, correndo sem se importar com nada.
Após algum tempo, a névoa à frente rareou.
Shen Luo diminuiu o passo, engoliu em seco e continuou.
A paisagem logo se abriu, mas o que viu a seguir quase o fez perder a razão.
Uma trilha despontava à frente, e ao final dela... estava exatamente a mesma aldeia!
“Será que... caí num laço de fantasmas?” Forçando-se a manter a calma, tentou recordar o que lera nos livros antigos, e de repente teve um estalo.
Nesse momento, o vento noturno aumentou, a névoa girou violentamente e se arrastou em direção à aldeia. As árvores próximas balançavam, as folhas farfalhavam alto.
O ar ficou gélido e opressor; os pelos de Shen Luo se arrepiaram, e um medo profundo tomou conta de seu coração.
Era como ser observado por uma serpente venenosa, sentindo-se exposto não importando para onde fosse.
Inspirou profundamente, recuou alguns passos, então girou sobre os calcanhares e correu novamente em direção à névoa.
Mas dessa vez, após poucos passos, algo prendeu seus pés e ele caiu pesadamente ao chão.
Antes que pudesse reagir, sentiu um frio cortante no pescoço; duas marcas negras de mãos surgiram silenciosamente, e os dez dedos começaram a apertar sua garganta com força.