Capítulo cento e seis: A Tartaruga Marinha Gigante

O Senhor dos Grandes Sonhos Esquecendo Palavras 4227 palavras 2026-04-01 17:50:54

Embora a tartaruga marinha não pudesse falar, por meio do tênue vínculo mental que ainda restava, ainda era possível perceber vagamente as simples variações emocionais dela.

— Se você ainda não tem nome, que tal eu te chamar de Pequeno Mar? — disse Shen Luo, curioso, aproximando-se e batendo levemente em seu casco.

A grande tartaruga hesitou por um momento, mas continuou subindo a margem.

— Não gostou? Que tal Pequeno Retorno? — Shen Luo a seguiu e perguntou novamente.

Ao ouvir esse nome, ele claramente sentiu uma mudança na emoção da tartaruga, parecendo até satisfeita.

— Quais são suas habilidades? Pode me mostrar? — indagou Shen Luo casualmente.

A tartaruga parou de se mover, virou a cabeça para olhar Shen Luo por um instante, depois voltou a encarar um pedra próxima e de repente abriu a boca, lançando um jato.

Os olhos de Shen Luo se turvaram por um instante, e uma luz branca disparou da boca da tartaruga.

No instante seguinte, ouviu-se um som nítido de impacto vindo da pedra.

Apressado, ele se aproximou e, com surpresa, viu que a pedra, a dezenas de metros, estava perfurada por um orifício do tamanho de um polegar.

— O que é isso? Como conseguiu? — exclamou encantado.

Mal terminou de falar, outra luz branca disparou da boca da tartaruga, atingindo a pedra.

Ao lado do orifício original, imediatamente surgiu outro idêntico.

Desta vez, Shen Luo observou claramente que o jato branco não era outra coisa senão uma flecha d’água translúcida, com cerca de uma jarda de comprimento.

Ele pensou consigo mesmo que, embora pudesse controlar a água para disparar algo parecido, jamais conseguiria tamanha velocidade e precisão; a força explosiva dessa flecha d’água da tartaruga não era inferior ao seu golpe total.

— Muito bom, Pequeno Retorno! Tem mais alguma habilidade? Mostre para me impressionar — disse Shen Luo, sorrindo com entusiasmo.

A tartaruga retraiu a cabeça lentamente e foi rastejando até um ponto ensolarado na margem, onde se deitou imóvel para tomar sol.

Shen Luo tentou persuadi-la por um longo tempo, mas ao final percebeu que sua única habilidade era disparar aquela flecha d’água; nada mais.

Após acompanhar Pequeno Retorno por um tempo enquanto tomava sol, ele usou a técnica de comunicação espiritual para invocar uma caverna aquática e a enviou de volta.

Segundo o método anônimo que ele estudava, com sua força atual, a invocação dessa tartaruga era adequada; tentar obter mais criaturas aquáticas poderosas poderia resultar em riscos de contra-ataque, e por isso não era recomendável.

Nos dias seguintes, Shen Luo continuou a treinar diariamente na pequena lagoa atrás da montanha.

Com a ajuda das experiências vividas nos sonhos, o progresso na segunda etapa da técnica foi mais rápido do que esperava, embora ainda faltasse tempo para alcançar a perfeição.

Numa certa manhã, terminou cedo o treino e, em vez de retornar ao planalto de pedras, dirigiu-se diretamente ao pátio onde morava o mestre Luo Zhenren.

Ao chegar, viu o mestre parado no centro do pátio, com os olhos semicerrados, em posição de cavalo, as mãos à frente do corpo imitando uma pressão, mantendo-se imóvel, aparentemente praticando algum tipo de meditação estática.

Shen Luo hesitou à porta, sem saber se deveria chamar, quando Luo Zhenren abriu os olhos, olhou para ele e perguntou:

— Precisa de algo?

— Mestre Luo, seu discípulo tem um pedido — respondeu Shen Luo, fazendo uma reverência rápida.

— Entre e fale — disse Luo, abandonando a postura e caminhando para dentro da casa com as mãos nas costas.

Shen Luo cruzou o portão e o seguiu até a sala principal.

— Pelo seu ritmo respiratório e postura, parece que seu Pequeno Sol está avançando. Já teria alcançado a perfeição? Quer que eu lhe ensine a técnica da Espada Pura Yang? Já disse antes que isso depende da vontade do templo, não crie muitas expectativas — comentou Luo Zhenren ao sentar-se.

— Mestre, houve um engano. O Pequeno Sol ainda não está perfeito, e não vim por isso; só quero pedir uma técnica marcial de defesa do nosso templo — explicou Shen Luo rapidamente.

Depois da luta com a raposa demoníaca no sonho, ele sentiu falta de uma técnica de defesa verdadeira, pois em situações perigosas suas opções eram muito limitadas.

Sua técnica anônima ainda estava em fase inicial e pouco potente, e desenhar talismãs levava tempo; uma técnica marcial seria um bom auxílio para enfrentar ameaças como os ratos zumbis.

— Uma técnica marcial? — Luo Zhenren arqueou as sobrancelhas, surpreso.

— Sim. Peço que me ensine o “Punho do Sol Verde” — disse Shen Luo, fazendo uma reverência.

— Se quer aprender o Punho do Sol Verde, não é impossível. Essa técnica não exige muito do praticante, basta ter a energia Yang Gang no corpo — Luo Zhenren ponderou.

Vendo que o mestre estava aberto, Shen Luo sorriu e continuou:

— Sinto que meu corpo está muito melhor. Agradeço seus cuidados e do templo. Já enviei uma carta para casa e meu pai em breve trará uma pequena oferenda para o templo. Espero que não se incomode.

Ao ouvir isso, Luo Zhenren acariciou os bigodes e sorriu, levantando-se para ir ao interior.

Pouco depois, voltou com um livro fino de capa verde.

— O “Punho do Sol Verde” não é difícil de aprender, mas cuidado: se algo não entender, pergunte ao irmão Tian, que pratica há anos e tem experiência — disse Luo Zhenren, entregando o livro.

— Muito obrigado, mestre. Guardarei com zelo — respondeu Shen Luo, recebendo o livro com as duas mãos.

— Mais uma coisa: embora essa técnica maximize o uso da energia Yang Gang, ela também a consome muito. Use com cautela — alertou Luo Zhenren.

— Pode confiar, mestre. Agirei com moderação — respondeu Shen Luo respeitosamente.

— Na verdade, sempre admirei sua dedicação. Se não fosse assim, não teria falado tanto hoje. Você tem limitações naturais, uma pena — disse Luo Zhenren, olhando para ele.

— Agradeço, mestre Luo, guardarei suas palavras! Também tenho algumas dúvidas para confirmar — disse Shen Luo, observando a expressão do mestre, que não indicava pressa para dispensá-lo.

— Diga — respondeu Luo Zhenren, sentando-se novamente.

— Mestre, existem mesmo esses gênios da cultivação que avançam mil passos num só dia? — perguntou Shen Luo.

— Gênios assim existem, mas são raríssimos, surgindo talvez uma vez a cada centenas de anos. Geralmente são antigos mestres renascidos ou possuem o chamado “corpo do Dao” — explicou Luo Zhenren, surpreso, mas disposto a esclarecer.

— “Corpo do Dao”? Existe mesmo tal coisa? — indagou Shen Luo, admirado.