Capítulo Noventa e Cinco: O Esqueleto Misterioso
Cabeça de tigre... e esses dois caracteres, “Domínio do Estado”. Será que esse tal de Wu Quebra-Armaduras era alguém da lei? Ele segurou o distintivo na mão, murmurando para si mesmo.
Depois de examinar o distintivo por alguns instantes, rapidamente o devolveu ao lugar, e sem qualquer cerimônia, recolheu todo o pacote. Feito isso, empilhou terra e pedras sobre o corpo de Wu Quebra-Armaduras, enterrando-o ali mesmo.
Então, pegou a pistola de fogo e outros itens, pronto para seguir adiante, quando de repente voltou-se para o caminho por onde viera, e, sem perceber, a imagem do círculo de luz do bagua surgiu em sua mente.
Tanto a pistola recém-adquirida quanto a lança gélida pareciam extremamente poderosas; será que alguma delas seria capaz de romper aquela formação luminosa?
Assim que esse pensamento surgiu, ele balançou a cabeça para espantá-lo. Embora seu conhecimento sobre as artes da imortalidade fosse ainda superficial, já podia perceber que aquele círculo de luz havia sido criado por alguém de habilidade muito superior, e ele próprio sequer conseguia ativar verdadeiramente um instrumento mágico. Em vez de tentar algo em vão, seria melhor avançar e procurar uma saída.
Recolheu o olhar, pegou a lança cristalina e a pistola, e seguiu adiante.
Quanto mais avançava para o interior da caverna, mais o terreno descia, e o ar tornava-se mais abafado, como se descesse ao subsolo.
— Hum! — exclamou de repente, parando e lançando um olhar ao redor.
Não era que tivesse sentido algum movimento estranho, mas percebeu que a energia espiritual do ambiente era muito mais densa ali do que nos lugares por onde já havia passado.
Fechando os olhos, concentrou-se e percebeu que, mais adiante, a energia era ainda mais intensa.
— Será que existe algum tesouro raro por aqui? — pensou, sentindo uma vontade inconsciente de acelerar o passo, mas o bom senso o conteve.
Deu apenas trinta passos e logo notou que as estalactites brancas começavam a rarear, a luz a tornar-se mais tênue, mas a energia espiritual, como supusera, ficava cada vez mais densa.
Caminhou mais um pouco, quando uma suave luz esverdeada surgiu à frente, destacando-se na escuridão.
— Será que cheguei ao fim? — pensou, e, sem se precipitar, colocou uma das armas à frente do corpo e a outra atrás, avançando cautelosamente.
O corredor terminava ali, bloqueado por uma parede de pedra.
Atrás daquela parede parecia haver outro espaço, pois a luz verde emergia de uma fenda na rocha.
Aproximou-se e espiou pela abertura, enxergando apenas sombras e clarões indistintos, mas sentiu a energia espiritual transbordar daquele lugar — era evidente que a fonte de toda aquela concentração de energia estava logo além.
Tomado pela curiosidade, bateu na pedra com os nós dos dedos, ouvindo um eco oco.
Ergueu a mão e concentrou o resto da energia mágica que lhe restava na pistola, que imediatamente brilhou em vermelho.
Largou a lança, segurou a pistola com as duas mãos e fincou-a bruscamente na pedra, que se abriu com um som agudo, a arma penetrando até o cabo.
Como imaginava, pela resistência sentida, a parede não devia ter mais de trinta centímetros de espessura.
Puxou a pistola de volta e repetiu o golpe várias vezes, até abrir sete ou oito buracos na parede. Mas sua energia, já escassa, esgotou-se por completo, ainda que a pedra já mostrasse várias brechas.
Virou-se e foi buscar uma grande pedra na caverna, ativou a pequena Arte do Yang, cobrindo as mãos de um brilho avermelhado, e arremessou o bloco com força contra os buracos feitos na parede.
O estrondo ecoou pela caverna, abrindo uma abertura do tamanho de uma mó.
Quando se preparava para golpear novamente, rachaduras começaram a se espalhar rapidamente, e com um estrondo, toda a parede desabou, as pedras rolando para os lados e levantando nuvens de poeira.
Já havia recuado a uma distância segura, evitando as pedras que caíam.
Através da poeira, enxergou que adiante se abria um espaço subterrâneo amplo, com cerca de cinquenta ou sessenta metros de extensão. Colunas gigantes de estalactites brancas sustentavam o teto, emitindo uma luz suave. No centro da gruta havia uma piscina quadrada de sete ou oito metros, cheia de água verde-jade, cristalina até o fundo.
A luz verde enchia todo o espaço subterrâneo, emanando da piscina.
Mas o mais estranho era o esqueleto humanoide dourado que flutuava acima da água. Cada osso era translúcido, como vidro dourado, irradiando brilho dourado de maneira misteriosa.
Era apenas um cadáver, mas, por razões desconhecidas, flutuava no ar.
— Água! — Depois de observar o esqueleto por um bom tempo, seus olhos voltaram-se para a piscina, sentindo-se aliviado.
Enquanto houvesse água, poderia recuperar rapidamente sua energia mágica pelo cultivo.
Na verdade, a energia espiritual ali era dez vezes mais densa que no exterior — um local verdadeiramente privilegiado para treinar.
Observou o espaço ao redor cautelosamente, certificando-se de que não havia perigo, antes de entrar ali.
Não foi direto até a piscina, preferindo vasculhar cada canto do espaço, mas acabou franzindo o cenho.
Além da piscina e do esqueleto dourado, não havia nada de especial, apenas um bosque de estalactites e paredes rochosas sem qualquer saída.
— Será que realmente não há saída? — murmurou, sem grande preocupação.
Afinal, estava em um sonho, não era seu corpo real que estava preso. Pelas experiências anteriores, sabia que, depois de algum tempo, despertaria e retornaria à realidade.
Por isso, conformou-se rapidamente, dirigiu-se até a piscina, lançou um olhar ao esqueleto dourado e voltou-se para a água esverdeada.
De qualquer modo, o importante era recuperar a energia.
De perto, contudo, a cor jade da água parecia um tanto estranha.
Pegou uma pedra e a atirou na piscina. Ouviu um “ploc” quando a pedra afundou sem qualquer anomalia.
Ainda assim, não estava totalmente tranquilo. Após breve hesitação, agachou-se, estendeu um dedo da mão esquerda para tocar a água, enquanto a direita segurava firmemente uma adaga escura, pronto para cortar o dedo ao menor sinal de perigo.
A água estava fresca ao toque, idêntica à água comum.
Permaneceu assim por quase meia hora, e, como não notou nada de estranho, sossegou, pousou seus pertences ao lado e entrou na piscina.
Nesse instante, a luz dourada do esqueleto acima da piscina intensificou-se um pouco.
O brilho dourado tocou Shen Luo, e uma força invisível o empurrou suavemente para fora da piscina.
Contudo, aquela força não era forte, ele podia resistir.
Levantou o olhar para o esqueleto, um tanto surpreso.