Capítulo Dezoito: O Confronto com o Espírito (Parte Um)
Uma ardente sensação de queimadura tomou o centro do peito direito de Shen Luo, exatamente onde havia desenhado o Talismã do Pequeno Trovão, como se uma chapa incandescente o tivesse marcado, ao ponto de poder sentir o cheiro de carne queimada.
Mas naquele instante, seu corpo pairava no ar, a garganta presa num aperto sufocante, quase sem conseguir respirar, de modo que a dor lhe era o menor dos problemas.
"Ative logo! Depressa!" Ele rugia desesperado em pensamento.
O brilho renovado do Talismã reacendeu uma frágil esperança em seu coração.
Entretanto, logo percebeu algo ainda mais aterrador.
No local do talismã, uma força poderosa e voraz começou a sugar, com fúria, a já escassa energia solar yang do seu corpo.
E não apenas isso: sentiu o sangue em suas veias ferver, convergindo para o peito direito, tornando aquela região de calor ardente quase insuportável.
Uma vertigem tomou-lhe a mente, a boca seca e a língua presa, como se todo o sangue fosse evaporar por combustão, e o peito, enfim, fosse atravessado pelo fogo.
O medo apoderou-se dele.
Se continuasse assim, antes mesmo de ser estrangulado pelo espectro, morreria exaurido pela absorção do talismã ou queimado por dentro.
Mas, mesmo que quisesse deter o processo, não tinha meios de impedir que o símbolo sugasse sua energia vital.
Felizmente, naquele momento, o Talismã pareceu saciado, cessando a absorção e recolhendo toda a luz branca que emitia.
Aquela região do peito ardia como se tivesse sido queimada por fogo, levando Shen Luo a soltar um gemido abafado.
Em seguida, o Talismã brilhou intensamente, e um relâmpago branco, ofuscante e cortante, explodiu de seu peito, rasgando as trevas e o miasma fúnebre, atingindo em cheio o braço espectral que lhe apertava a garganta.
Embora pareça demorado, todo esse processo — desde a tentativa inicial até a ativação do símbolo — não levou mais do que um ou dois suspiros.
O braço espectral, assim como as garras que o envolviam, foram facilmente despedaçados pelo relâmpago, como gelo ao fogo, dissipando-se no nada.
Sentiu a garganta enfim livre, mas antes que pudesse respirar profundamente, os pés bateram pesados no chão. Cambaleando, caiu de joelhos, só não desabando por um fio de força.
O relâmpago, após atravessar o braço do espectro, seguiu adiante, não atingindo o corpo do fantasma, mas explodindo no chão da casa, a vários metros de distância.
Um estrondo retumbou como trovão em dia seco.
O solo tremeu, abrindo uma cratera de quase um metro, as beiradas negras e queimadas, fragmentos de pedra e terra lançados por toda parte, enquanto uma onda de calor varria o ambiente, obrigando os presentes a recuar instintivamente.
Quase ao mesmo tempo, uma esfera de luz dourada saltou do colo da menina muda, atingindo a outra mão espectral que lhe apertava a garganta — era um rabo amarelo, felpudo, de cachorro.
Num clarão, as chamas amarelas consumiram a mão do espectro, destruindo-a por completo.
A menina caiu sentada, mãos à garganta, tossindo sem parar, o rosto completamente rubro.
O espectro, agora sem braços, soltou um grito lancinante e, numa oscilação indistinta, desapareceu.
Shen Luo fitou a cratera aberta pelo raio, nos olhos um brilho de surpresa e júbilo.
Jamais imaginara que, por acaso, seria capaz de ativar o Talismã do Pequeno Trovão em circunstâncias tão extremas. Embora o ataque não tenha atingido em cheio o espectro, o poder revelado ultrapassava em muito suas expectativas.
Só então sentiu a dor lancinante no peito direito. Ao olhar para baixo, viu a pele queimada, o sangue e carne expostos onde estivera o talismã.
"Não... aquele demônio ainda não partiu!"
De súbito, compreendendo o perigo, afastou as dúvidas sobre o motivo do talismã ter funcionado e correu até o altar, pegando punhados de cinzas do incensário e lançando-as ao redor, fazendo-as flutuar por toda a sala.
A menina, em pânico, apontou atrás dele, gritando sem voz.
Shen Luo virou-se bruscamente, o olhar se estreitando.
O gigantesco espectro, agora com seus braços regenerados, surgira atrás dele, os dedos negros afiados como punhais prestes a cravarem-se em suas costas.
Num reflexo, jogou-se para o lado, rolando pelo chão.
Mesmo assim, sentiu as garras frias rasgando seu braço direito, deixando três talhos profundos por onde o sangue jorrou.
Lançou um olhar rápido ao ferimento, e no rosto surgiu uma expressão decidida: se não resolvesse logo a luta, acabaria morto ali mesmo.
"Se ao menos houvesse uma chance de ressuscitar, vale a pena arriscar tudo!"
Com esse pensamento, arrancou da cintura dois pedaços de estaca de madeira, mordeu a língua até sangrar e cuspiu o sangue sobre os símbolos gravados nelas.
Imediatamente, os talismãs brilharam intensamente com uma luz carmesim.
Estacas desse tipo, cravadas na entrada de vilarejos, servem para afastar o mal, e aquela, mesmo partida, fora consagrada por alguém de grande poder. Ao ser ativada pelo sangue carregado de energia yang, ainda conservava parte de sua eficácia.
"Veja meu bastão!" — murmurou, avançando determinado, brandindo as estacas contra o espectro.
A criatura, temendo os talismãs, tentou esquivar-se, mas nesse instante, a menina jogou o que restava de sangue de cachorro preto do balde, bloqueando a rota de fuga do espectro.
A fera, igualmente aterrorizada pelo sangue, recuou, mas acabou atingida em cheio pela estaca de Shen Luo.
Sentiu um forte impacto na palma da mão; dessa vez, a estaca não atravessou o corpo do espectro, mas o acertou em cheio.
O contato do talismã vermelho com o corpo espectral produziu um chiado, como carne crua sobre ferro em brasa, liberando uma nuvem de fumaça negra.
O corpo do espectro, já semi-transparente, tornou-se ainda mais diáfano, e ele recuou aos gritos.
Shen Luo, animado, desferiu uma sequência de golpes, a estaca desenhando sombras ameaçadoras no ar.
Embora não tivesse aprendido técnicas avançadas no Observatório de Primavera e Outono, sabia o básico do manejo de bastões para fortalecer o corpo; agora, lutando pela vida, extraiu toda sua energia oculta, e seus movimentos tornaram-se hábeis e ferozes.
O espectro, apesar do porte avantajado, estava em desvantagem no espaço apertado da casa, envolta em cinzas e incapaz de se esconder.
A menina, também esperta, tendo acabado o sangue de cachorro, imitava Shen Luo, jogando punhados de cinzas do altar para confundir o inimigo.
Por mais feroz que fosse o espectro, sob o ataque coordenado de Shen Luo e da menina muda, acabou acuado, recebendo vários golpes e tornando-se quase invisível.
No entanto, embora as estacas infligissem dano considerável, a luz carmesim dos talismãs enfraquecia rapidamente.
Shen Luo percebeu isso, mas sem alternativa, continuou atacando, mirando o abdômen do espectro.
A criatura torceu o corpo e deslizou para a esquerda, escapando por pouco.
Shen Luo lançou um olhar ao altar à sua direita; se o espectro tivesse ido para aquele lado, teria se esquivado facilmente.
Recordando os confrontos anteriores, percebeu que o espectro evitava o altar a qualquer custo.
"Será que..." — uma suspeita iluminou sua mente.