Capítulo 116: Nem a Caverna do Infante Imortal é Segura
O nome Gruta dos Infantes Celestiais sugere uma caverna, mas após voar por meia hora, Xiao Hua deparou-se com um vale que se abria entre as montanhas Yuanling como um corte de lâmina. Ventos cortantes, como gumes de espada, entravam por uma das extremidades e varriam todo o vale com uma força avassaladora. Estupefato, Xiao Hua murmurou:
— Isto... é a Gruta dos Infantes Celestiais?
— É sim! — respondeu a Fada Qiu, piscando os olhos com uma astúcia brincalhona. — Quem disse que uma gruta precisa ser, obrigatoriamente, uma caverna de pedra?
Xiao Hua levou a mão à testa e riu:
— Parece que minha ignorância superou meu conhecimento.
— Hihi, por aqui, caro imortal Xiao... — A Fada Qiu cobriu a boca com um riso delicado e tomou a frente. Em apenas uma hora na companhia de Xiao Hua, ela sorriu mais do que em todo o mês anterior.
Xiao Hua seguiu a Fada Qiu vale adentro, avançando contra os ventos violentos. Notou que, nas encostas do vale, havia aberturas de grutas adornadas com luzes tênues; eram, de fato, as moradas dos Infantes Celestiais.
Como se confirmasse seus pensamentos, a Fada Qiu apontou para o alto do vale enquanto voavam:
— Na verdade, você não está errado. O topo deste vale é coberto por uma barreira espacial sólida. Nós, Infantes Celestiais que vivemos aqui, só podemos entrar por uma das extremidades. Qual a diferença disso para uma caverna comum? Apenas trocamos a pedra por uma barreira espacial! As moradas nas laterais foram escavadas pelos próprios Infantes. Como cheguei depois, minha morada fica mais para o interior. Se deseja meditar aqui, terá de seguir ainda mais adiante!
Enquanto conversavam, o brilho surgiu diante de uma das moradas próximas e um imortal, vestido com trajes solenes e um chapéu ornamentado, surgiu voando. Ele observou a Fada Qiu e Xiao Hua, sorrindo:
— Fada Qiu, este companheiro parece-me um estranho. Seria um novo habitante da Gruta dos Infantes Celestiais?
— Chamo-me Xiao Hua... — apressou-se ele em cumprimentar. — Saudações, companheiro.
— Saudações, imortal Xiao! — retribuiu o outro. — Sou Xin Hongzi. Bem-vindo à nossa morada!
Xiao Hua explicou:
— Já conhecia a Fada Qiu e vim à Montanha Yuanling especialmente para visitá-la. Ainda não decidi se ficarei por muito tempo...
— Haha — riu Xin Hongzi levemente. — A Gruta dos Infantes Celestiais é um excelente lugar para o nosso cultivo, e a Fada Qiu é uma das maiores belezas daqui. Com uma oportunidade dessas, por que hesitar, caro imortal?
— O senhor fala demais! — O rosto da Fada Qiu corou de embaraço. Ela assentiu brevemente para Xin Hongzi e apressou o passo, levando Xiao Hua consigo.
Após as palavras de Xin Hongzi, a Fada Qiu não se atreveu a dizer mais nada. O silêncio instalou-se, até que Xiao Hua, tentando quebrar o gelo, comentou:
— Fada Qiu, os ventos neste vale são terríveis. Parece-me algo prejudicial para os nossos corpos de Infantes, não?
— Ah, "prejudicial" é pouco... — suspirou ela. — É extremamente danoso.
— Então, por que meditar aqui em vez de ir para outro lugar? — perguntou Xiao Hua, intrigado.
A Fada Qiu olhou para ele e sorriu com amargura:
— Poder ter um lugar para meditar na Montanha Yuanling já é uma bênção. Podemos nos dar ao luxo de escolher?
Ela hesitou por um momento e continuou:
— Os dezesseis reis dos corpos espirituais da Montanha Yuanling são poderosos. Não temos a força que você possui e somos obrigados a seguir as ordens deles. Esta gruta é um dos locais mais inóspitos da montanha; os outros espíritos não vêm aqui, então eles nos relegam a este destino...
Xiao Hua compreendeu a situação imediatamente. Nesse instante, porém, a voz de Xin Hongzi ecoou atrás deles:
— Fada Qiu, socorro...
Xiao Hua sobressaltou-se e virou-se. Viu Xin Hongzi voando desesperadamente, com o rosto pálido e o traje solene em frangalhos. Atrás dele, três vultos prateados de cem metros de altura perseguiam-no em formação. O líder agitava as mãos, e um artefato em forma de bacia pairava sobre a cabeça de Xin Hongzi, derramando um brilho límpido. Os outros dois atacavam com cordas prateadas e anéis dourados.
— Malditos! — A Fada Qiu exclamou, o rosto mudando de cor. Sem hesitar, ela puxou Xiao Hua. — Fuja!
Xiao Hua, percebendo a gravidade, não perdeu tempo e disparou atrás dela.
O brilho da bacia atingiu Xin Hongzi, e o seu corpo estancou como se estivesse preso em um pântano. Ele cerrou os dentes e golpeou o próprio topo da cabeça. Com um estalo, um selo amarelo-dourado em ruínas disparou para o céu.
— BOOM! — O selo atingiu a bacia com estrondo. No meio do caos, o artefato foi arremessado para longe e a luz límpida dissipou-se.
Xin Hongzi, exultante, não se importou com o selo e transformou-se em luz, tentando seguir a direção de Xiao Hua e da Fada Qiu. Mas, no mesmo instante, a corda prateada emergiu do vazio e envolveu seu corpo. Ele tentou agarrá-la, mas uma mão prateada surgiu do nada e um talismã com marcas de sangue carmesim foi colado em sua testa.
O sangue infiltrou-se como uma teia. Xin Hongzi fechou os olhos e caiu, inconsciente. A corda prateada retraiu-se, levando-o para as mãos de um dos perseguidores.
— Haha... — riu o vulto. — Irmão Zhou, tive sorte desta vez. Agradeço a cortesia!
— Hmph... — O imortal da bacia resmungou, recolhendo o selo dourado. Ao notar o objeto, mudou de expressão: — Isto... seria o Selo Imortal Guardião da Montanha?
— Oh, realmente é o Selo Guardião! — comentou o terceiro imortal, com inveja. — Irmão Zhou e o companheiro Li tiveram muita sorte!
— Haha... — O imortal de sobrenome Zhou sorriu. Olhando para a frente, disse: — Parece que o companheiro Bai não obteve nada. Não se preocupe, ainda é cedo. Não há mais dois Infantes ali na frente? Vamos capturá-los e um será seu!
— Haha, agradecido! — O imortal Bai riu, lançando seu anel dourado que zuniu pelo vazio. Os três perseguidores transformaram-se em arcos de luz e avançaram contra Xiao Hua e a Fada Qiu.
Eles fugiam desesperadamente, mas os três imortais eram formidáveis. Após o tempo de uma infusão de chá, os artefatos já pairavam sobre suas cabeças.
Sentindo o cerco se fechar, Xiao Hua soltou a Fada Qiu e gritou:
— Fada Qiu, fuja! Eu os deterei...
O coração da Fada Qiu encheu-se de emoção. Ela mordeu os lábios:
— Xiao...
Nesse momento, um som profundo, como o mugido de um boi, ecoou pelo vale. Ao ouvi-lo, a Fada Qiu irrompeu em alegria:
— Xiao Hua, estamos salvos!
Xiao Hua não teve tempo para perguntas. A luz da bacia descia sobre ele. Ele invocou o Espelho Kunlun, disparando um pilar de luz azulada que colidiu com o artefato inimigo.
O som de explosões estalou pelo ar. Em um raio de mil metros, faíscas de luz espalhavam-se como serpentes. Xiao Hua sentiu o peso sobrecarregar sua mão; o Espelho Kunlun foi repelido.
— Recue o artefato! — A Fada Qiu agarrou seu braço. — Vamos embora!
Assim que ela terminou de falar, um vento tempestuoso como lâminas varreu o vale. Xiao Hua recolheu o espelho rapidamente. Os artefatos dos perseguidores — a corda e o anel — começaram a oscilar e a cair em direção ao solo.
O imortal Bai empalideceu:
— O que aconteceu? Por que o Fluxo de Vento do Rio Estelar chegou tão cedo?
Sentindo o controle sobre seus artefatos diminuir, o imortal Zhou gritou:
— Recolham os artefatos!
Ele tentou agarrar sua bacia com uma mão prateada, mas o vento era tão forte que parte da mão dissipou-se no ar. Os outros dois imortais foram mais lentos; seus artefatos caíram, e quando tentaram alcançá-los, os objetos desapareceram no ar.
— Ah? — Os imortais Bai e Li ficaram petrificados.
— Isto... isto... — o imortal Bai gaguejou.
Antes que pudessem reagir, um novo mugido ecoou. O vento no vale tornou-se denso como uma enchente, muito mais violento que qualquer maré. O imortal Zhou não esperou, transformando-se em luz e fugindo para longe.
— Malditos espíritos das penas... — praguejou o imortal Bai, olhando para Xiao Hua e a Fada Qiu, que foram engolidos pela tempestade. Embora frustrado, ele desfez sua forma e desapareceu em fragmentos de luz.
O terceiro imortal, Li, foi mais lento. O vento dissipou seu brilho prateado, revelando seu corpo em mantos taoístas. Tomado pelo pavor, ele forçou suas artes imortais, fazendo surgir um par de asas prateadas nas costas, com as quais fugiu em desespero.