Capítulo Dez: Repúdio do Marido!
— Senhorita Meir, peço sua compreensão, permita-me ao menos explicar — disse Chen Luo, fazendo menção de ir atrás. Ele gostava do Salão Wangfan, mas não queria ser dispensado por Shangguan Nanyan tão cedo.
Meir, porém, segurou-o pela manga: — Espere, senhor! Sobre o perfume que mencionou, o Salão Wangfan deseja encomendar cem frascos. Aqui está o adiantamento.
— Cem frascos? — O coração de Chen Luo disparou.
Era uma quantidade considerável, levaria algum tempo para preparar tudo.
— Fique tranquila, senhorita Meir, em até três dias entregarei todos os cem frascos de perfume conforme combinado!
Meir assentiu levemente: — Então aguardo ansiosa por boas notícias.
Após receber o adiantamento, Chen Luo saiu apressado em perseguição.
Aos olhos dos outros, parecia que as duas grandes beldades da capital imperial disputavam por ele, deixando muitos roendo de inveja.
— Zhang Dechou é mesmo um inútil! Deixou esse genro de segunda escapar tão fácil!
— Irmão Sun, não se exalte — disse Xie Xingchao, brincando com seu leque e rindo —, talvez amanhã mesmo corra pela cidade a notícia de que a senhorita Shangguan dispensou o marido.
Sun Wencheng apenas sorriu, mas seus olhos estavam cheios de preocupação.
O que mais temia não era Chen Luo, mas sim esse jovem Xie à sua frente. Quando buscava cortejar Shangguan Nanyan, esse homem não poupava esforços para se exibir.
...
Ao retornar à mansão, Shangguan Nanyan foi direto ao escritório sem dizer uma palavra.
Chen Luo seguiu-a de perto e viu que ela já havia escrito as palavras “carta de dispensa” no papel.
— Nanyan, deixe-me explicar! — apressou-se em dizer.
— O que há para explicar? — ela não levantou a cabeça. — Quebrou o nosso acordo, então deve cumprir a promessa.
— Sim! Admito que errei ao ir ao Salão Wangfan sem avisar antes — disse Chen Luo sinceramente —, mas eu realmente não fiz nada de errado. E fui lá a negócios!
A ponta do pincel de Nanyan hesitou, a testa franzida: — Então, segundo você, basta avisar antes para poder ir?
Ela riu friamente, achando que ele a tratava como uma menina ingênua.
Chen Luo, sem pressa, tirou de dentro das roupas uma nota de quinhentas pratas e a colocou suavemente sobre a mesa. — Dê uma olhada nisso primeiro.
— Chen Luo! — Shangguan Nanyan riu de raiva — Você acha que pode me comprar com dinheiro? Que isso fará eu mudar de ideia?
— Claro que não! — apressou-se ele a explicar — Essas quinhentas pratas são o patrocínio do Salão Wangfan para o seu sarau de poesia!
Vendo que ela permanecia em silêncio, completou: — Até o local já está reservado, uma sociedade literária chamada Pingbu, que não vai cobrar nada.
— Nanyan, sei que para você pareço alguém sem ambição, mas juro que não fiz nada para envergonhar a mansão. Se não acredita, pode ir ao Salão Wangfan e perguntar à senhorita Meir. Se quisesse apenas uma vida tranquila como genro desta casa, por que me envolver em confusão?
Enquanto falava, assumiu uma expressão de dor: — Mas agora qualquer explicação é tardia, admito, pensei mal. Se quiser me dispensar, aceitarei. Só peço que, após ouvir minha explicação, se sinta melhor consigo mesma.
Virou-se para sair: — Vou arrumar meus pertences. Fique tranquila, não levarei nada da mansão. Passarei a noite em algum lugar frio e úmido, e amanhã pensarei em como deixar a capital e voltar para minha terra...
Quando estava prestes a cruzar a soleira, Shangguan Nanyan finalmente falou:
— Espere!
Ela olhou para as notas de quinhentas pratas sobre a mesa, a voz mais branda: — Então... você foi ao Salão Wangfan realmente para conseguir patrocínio ao meu sarau?
No fundo, ela já hesitava. Verdade ou não, Chen Luo havia conseguido o apoio para o sarau, e ela mesma conhecia a tal sociedade Pingbu — não esperava que ele resolvesse tudo em um dia, local e recursos. Se o dispensasse sem razão, ela própria não se sentiria bem.
Chen Luo sorriu de leve, virou-se devagar e disse sério:
— É verdade! Convenci a senhorita Meir a patrocinar o sarau, mas ela impôs uma condição...
— Que condição? E qual era a sua condição de antes? — Shangguan Nanyan questionou.
— Ela quer que o patrocínio do Salão Wangfan seja mencionado no sarau. — Chen Luo se aproximou dela. — Quanto à minha condição, como disse antes, só revelo após o sarau acontecer.
Ela assentiu levemente:
— A condição da senhorita Meir eu posso aceitar. Quanto à sua...
— Repito, desde que não seja nada excessivo, aceitarei.
— Combinado! — Chen Luo abriu um largo sorriso. — Posso ir descansar agora? Este dia foi exaustivo.
— Vá, mas... — Shangguan Nanyan falou séria — Da próxima vez, se precisar ir a lugares como o Salão Wangfan, deve avisar antes e explicar os motivos!
— Sim, senhora!
De volta ao quarto, Chen Luo refletia: se tivesse conseguido derramar umas lágrimas, como enganara Zhang Dechou, talvez o resultado fosse ainda melhor.
No fim, Shangguan Nanyan ainda era uma jovem inexperiente, fácil de comover com suas palavras de sofrimento.
No fundo, só não queria ser dispensado porque não queria abrir mão da vida cômoda e segura da mansão.
Pegou o adiantamento de Meir, duzentas pratas. Cem frascos de perfume deveriam render quinhentas, mas ele ofertara um desconto ao Salão Wangfan e receberia quatrocentas e cinquenta.
— Vai ser corrido amanhã...
Essas duzentas pratas serviriam para comprar ingredientes e adquirir mais um destilador, acelerando a produção do perfume.
— Senhor genro, já está descansando? — A voz de Cuiyun à porta interrompeu seus pensamentos.
Chen Luo guardou as notas rapidamente:
— Ainda não. O que há de tão importante a esta hora?
— A senhorita pediu que eu trouxesse um remédio para seus ferimentos.
Ferimentos?
Só então lembrou-se das marcas avermelhadas que Zhang Dechou deixara em seu pescoço. Não era nada sério, mas já que Shangguan Nanyan finalmente se preocupava, ele não recusaria.
— Senhor genro, é a primeira vez que a senhorita se importa assim com um homem! — Cuiyun comentou, passando o remédio cuidadosamente e sorrindo.
Chen Luo, despreocupado, perguntou:
— Cuiyun, há quanto tempo você serve a sua senhora?
— Quanto tempo? — Cuiyun inclinou a cabeça, pensativa — Desde que ela era muito pequena, já se vão quase dez anos.
— E quanto recebe por mês?
— Cinco pratas. Mas a senhorita é generosa, sempre dá algo a mais.
Como a criada mais próxima de Shangguan Nanyan, era um tratamento justo.
O que a senhorita não sabia, porém, é que essa pequena criada já estava secretamente do lado dele.
— Cuiyun, quer aprender um novo ofício? Ganhar mais dinheiro? — Chen Luo planejava torná-la sua aprendiz para ajudá-lo na produção de perfumes.
Duas pessoas trabalhavam mais rápido que uma.
— Um ofício?
— Sim, fazer perfumes. Se aprender, mesmo que um dia deixe a mansão, poderá se sustentar com isso. Não gostaria de comer doces todos os dias? Comprar tudo o que quisesse?
— Quero! — Os olhos de Cuiyun brilharam.
— Então está decidido! Comigo, doces não vão faltar!
Mas Cuiyun fez beicinho:
— Mas o senhor disse isso da outra vez e ainda não vi nem um docinho!
Chen Luo bateu na mesa:
— Está combinado! Amanhã mesmo compro!
— Combinado! — Cuiyun sorriu de orelha a orelha — Vou aprender a fazer perfume com o senhor.
Apesar de só pensar em comer, Cuiyun era esperta.
Só que Chen Luo sabia que ela sozinha não bastava. Precisava de mais aprendizes para ensiná-los a arte da perfumaria.
Assim, poderia virar um mestre livre de preocupações.
Mas não queria recrutar qualquer um de fora, não por medo de outra coisa, mas porque ensinar o ofício a quem não é de confiança era arriscado.
Portanto, o melhor seria escolher entre as criadas da mansão aquelas tão espertas e confiáveis quanto Cuiyun para serem suas aprendizes.