Capítulo Sete: Jovem Senhor, seria isso um remédio afrodisíaco natural?
Wang Hongliang forçou-se a endireitar a postura, mas a voz ainda trazia um leve tremor: “Este jovem... este jovem não chorou! Você está vendo coisas!”
Ele respirou fundo e, de repente, ergueu o tom de voz: “Não foi mais que este jovem quem perdeu!”
Embora breve, aquele poema feria cada palavra, tocando o ponto mais sensível de seu coração.
O que mais o surpreendeu foi descobrir que a mansão do Primeiro-Ministro escondia um servo tão talentoso.
“Ah... aceitou a derrota?” Chen Luo ficou um pouco surpreso.
Ele imaginava que o outro continuaria a insistir, não esperando que admitisse a derrota com tamanha franqueza.
Parece que, entre esses jovens senhores, nem todos são irracionais.
Meier aproveitou o momento e falou: “Já que o jovem Wang reconheceu sua derrota, haveria algum outro talento disposto a desafiar este cavalheiro?”
A plateia ficou ainda mais silenciosa do que antes.
Não é que entre os presentes não existissem poetas capazes de superar Wang Hongliang, mas antes hesitavam devido à sua posição.
Agora, diante do poema desse desconhecido, todos perceberam não ter chance alguma de vitória.
No corredor do andar de cima, outros jovens senhores também demonstraram surpresa.
O que os espantava não era o talento de Chen Luo, mas o fato de Wang Hongliang admitir a derrota por vontade própria.
“Que coisa estranha, o irmão Wang admitir derrota espontaneamente? Isso não é de seu feitio”, murmurou Sun Wencheng, franzindo o cenho.
Xie Xingchao sorriu ao ouvir: “Irmão Sun, talvez não saiba, mas nosso irmão Wang já teve um amor, e até hoje não faz ideia do nome ou paradeiro da moça!”
“Mas o que mais me intriga”, comentou Liu Nanwen, coçando o queixo, “é que haja um servo tão talentoso na mansão do Primeiro-Ministro. Será influência do próprio Primeiro-Ministro e da senhorita Shangguan?”
A impressão de Sun Wencheng e dos outros sobre Chen Luo era marcante, impossível esquecê-lo.
O escândalo recente diante da mansão do Primeiro-Ministro ainda os fazia ranger os dentes de raiva ao lembrar.
“Senhor, permita-me informar.” O administrador de meia-idade ao lado de Sun Wencheng falou baixinho: “Esse homem não é servo da mansão, mas sim o genro do Primeiro-Ministro, Chen Luo.”
“O quê? Ele é Chen Luo?” Sun Wencheng franziu ainda mais o semblante.
O sorriso de Xie Xingchao se desfez, dando lugar a um lampejo de crueldade: “Que genro astuto! Naquele dia nos fez de bobos!”
“Irmão Xie, quer que...”
“De forma alguma.” Xie Xingchao negou com a cabeça. “Aqui é o Salão do Eterno Encanto.”
Por fora, aquele salão era a maior casa de entretenimento da capital, mas seus bastidores eram insondáveis.
Só por isso, ninguém jamais se atreveu a causar problemas ali — a não ser que estivesse cansado da vida.
“Hmph!” Sun Wencheng sorriu friamente. “Então, outro dia poderemos ‘agradecer’ esse genro do Primeiro-Ministro!”
Um brilho de cálculo passou pelos olhos de Xie Xingchao: “Por que esperar, irmão Sun? Um genro andando abertamente por casas de entretenimento... Se essa notícia se espalhar...”
“Brilhante!” Sun Wencheng exclamou, compreendendo. “Ainda mais se questionarmos a origem de seu poema — temos material de sobra!”
Virou-se para o administrador e ordenou: “Vá, espalhe por toda a capital que Chen Luo esteve no Salão do Eterno Encanto, faça questão de que a notícia chegue à mansão do Primeiro-Ministro!”
Para um homem, frequentar tal local não era problema; mas para um genro do Primeiro-Ministro, se o caso se tornasse público...
Que restaria da honra da família?
“Já que ninguém ousa subir ao palco para desafiar...”
Meier percorreu a plateia com o olhar e, vendo que não havia contestação, anunciou: “O vencedor do concurso de poesia é este cavalheiro!”
Embora relutantes, todos presentes tiveram de admitir: não conseguiam pensar em poema algum capaz de superar o de Chen Luo.
Meier fez uma reverência graciosa: “Cavalheiro, por favor, acompanhe-me até o quinto andar para conversarmos.”
No quarto privativo do quinto andar.
O ambiente era tudo, menos o que se esperaria de uma casa de entretenimento — parecia mais o elegante aposento de uma dama distinta.
Uma grande cama entalhada, ornamentos delicados e vários instrumentos musicais como guqin e pipa.
O que mais chamava atenção eram as pinturas e caligrafias penduradas nas paredes.
Percebia-se que Meier realmente apreciava tais objetos refinados.
“Por favor, sente-se”, convidou ela, servindo-lhe chá com voz suave. “Ainda não tive o prazer de saber o nome do senhor.”
Chen Luo ergueu a xícara e bebeu de um só gole: “Chamo-me Chen Luo.”
“Com tamanho talento, o senhor deve ocupar cargo elevado?” Meier lançou-lhe um olhar sugestivo.
“Cheguei há pouco à capital”, respondeu Chen Luo sorrindo. “Vim apenas para pequenos negócios, não busco fama nem títulos.”
Meier assentiu, pensativa, e perguntou novamente: “Como se chama o poema que recitou há pouco?”
“‘À Vila ao Sul da Capital’”, respondeu Chen Luo, pousando a xícara. “Se gostar, posso escrevê-lo para si.”
“Muito obrigada”, disse Meier, trazendo papel e pincel.
Logo Chen Luo terminou de transcrever o poema.
Ao pousar o pincel, ergueu o olhar: “Senhorita Meier, na verdade vim aqui principalmente para discutir um negócio.”
“Negócio?” Meier riu baixinho, escondendo a boca com as mãos. “Todos que vêm ao Salão do Eterno Encanto buscam algum tipo de negócio, não?”
“Não se trata disso”, esclareceu Chen Luo, tirando de dentro do manto um pequeno frasco de porcelana. “Refiro-me a este negócio.”
Meier inclinou a cabeça, intrigada: “O senhor trouxe... algum afrodisíaco?”
“Não, não!” Chen Luo se engasgou, acenando com as mãos. “Nada disso! A senhorita entendeu mal!”
“Isto é perfume. Basta sentir o aroma para saber”, disse, pingando um pouco no dorso da mão e indicando que ela se aproximasse.
O aroma intenso e envolvente fez os olhos de Meier brilharem: “Que fragrância especial!”
“Este perfume é mais concentrado que os tradicionais bálsamos”, explicou Chen Luo. “E muito mais prático de usar.”
Sua demonstração havia deixado isso claro.
“Esta versão é de fragrância de flor de osmanthus. Vim aqui para convidá-la a ser a representante do perfume.”
“Representante?” Meier piscou, ainda mais curiosa com o termo novo.
“Quero pedir-lhe que promova o perfume”, sorriu Chen Luo. “Naturalmente, não será de graça. Ainda que não possa pagar grandes quantias agora, garanto pelo menos quinhentas pratas mensais...”
Fez uma pausa e acrescentou: “E mais: terá o direito de usar todos os perfumes, gratuitamente, por toda a vida!”
“Por toda a vida?” Meier arregalou os olhos sedutores. “O senhor quer dizer... para sempre?”
“Exatamente!” Chen Luo bateu na mesa. “Enquanto eu produzir perfumes, a senhorita poderá usá-los sem limites!”
A oferta era tentadora, mas Meier ainda estava intrigada: “Por que escolher justamente a mim?”
“Para ser sincero”, Chen Luo coçou a cabeça, “não sou bom com palavras, mas pensei que, sendo a favorita da casa e uma das mais belas da capital... Mais raro ainda...”
Ele a observou atentamente. “Sua elegância combinou perfeitamente com a fragrância de osmanthus.”
Meier ficou surpresa. Era a primeira vez que alguém a chamava de elegante desse modo. “Então o senhor pretende procurar outras representantes para as demais fragrâncias?”
Afinal, ele só a convidara para a de osmanthus.
Chen Luo sorriu com franqueza: “A senhorita é perspicaz. De fato, quero encontrar representantes para cada tipo de perfume. E ninguém melhor que você para a fragrância de osmanthus.”
“E por que acha que... aceitarei?” Ela acariciou o frasco de porcelana, um brilho travesso nos olhos.
Chen Luo sorveu calmamente um gole de chá: “Aceitar ou não é decisão sua. Só vim propor um negócio, jamais forçaria ninguém.”
De fato, sua intenção era promover o perfume, e escolher Meier como representante foi algo decidido no momento — ainda que ela realmente se encaixasse perfeitamente no papel.
De repente, Meier se inclinou para a frente, exalando uma fragrância sutil: “Não tenha pressa, senhor...”
Ela ergueu os olhos, os lábios se entreabrindo em sorriso: “Se conseguir satisfazer Meier... quem sabe eu aceite sua proposta?”