Capítulo Vinte e Dois: Um caso, dez taéis de prata

Você foi escolhido para ser genro, mas domina o governo com mão de ferro? Um tirano, um líder 2584 palavras 2026-02-07 15:03:31

— Como era de se esperar, e de fato, dentre todos, faz mais sentido que o administrador da família Sun assuma a culpa. — Chen Luo não se surpreendeu com o resultado; na verdade, já o previa.

Su Shuhuai franziu levemente as sobrancelhas: — Por que dizes isso?

— Muito simples. Como administrador, ele conhece toda a família Sun em detalhes. Ter ocupado esse cargo por décadas já é prova de sua lealdade inabalável. Mesmo assumindo a culpa, jamais trairia seus senhores, seja por coerção ou suborno — explicou Chen Luo com clareza.

Se Sun Deshou escolhesse ao acaso um criado para assumir a culpa, bastaria o Tribunal da Grande Justiça aplicar algum método para fazê-lo confessar a verdade.

Evidentemente, não era esse o desfecho que Sun Deshou desejava.

— Tens razão — Su Shuhuai assentiu, mudando de tom em seguida —. De qualquer modo, meu pai deseja que ingreses no Tribunal da Grande Justiça, mas se não passares por mim, nem sonhes com isso!

Chen Luo sorriu e balançou a cabeça: — Senhorita Su, preocupas-te à toa. Não tenho tal intenção. Além do mais, meu negócio está indo muito bem; entrar para o Tribunal seria um desperdício.

— Mas já disse ao meu futuro sogro, posso ajudar nas investigações em meu tempo livre.

Sobre isso, Shangguan Qian já avisara Su Zhenghe, que por sua vez informara a filha.

Su Shuhuai ponderou: — Não vejo problema. De fato, tenho um caso em mãos agora; podes ajudar, se quiseres.

— Senhorita Su, prometi ajudar, mas não trabalho de graça — Chen Luo sorriu malicioso —. Faço preço de amigo: dez taéis de prata por caso. Que dizes?

Ela quase perdeu a compostura: — Por que não disseste isso ao Primeiro-Ministro?

Dez taéis não era pouca coisa; afinal, o salário mensal de um oficial do Tribunal mal chegava a isso.

Embora dinheiro não fosse obstáculo para Su Shuhuai, jamais imaginara que Chen Luo cobraria até para ajudar em investigações.

Esse homem só pensa em dinheiro!

Ela decidiu que, em outra ocasião, reclamaria disso para Shangguan Nanyan.

— Dez taéis, está bem! — Su Shuhuai tirou as moedas —. Agora podemos começar?

— Sem dúvida! — Chen Luo recolheu as moedas —. Senhorita Su, trata-se de um homicídio? Ou é caso de desaparecimento de um gato ou cachorro?

Su Shuhuai franziu o cenho: — Achas que o Tribunal da Grande Justiça é algum lugar qualquer? Claro que é homicídio!

— Então conte: que tipo de assassinato poderia desafiar a brilhante senhorita subchefe do Tribunal?

— Não é dos casos mais complexos — Su Shuhuai assumiu um ar grave —. O estranho é que a vítima apresenta dois ferimentos mortais e até agora não conseguimos determinar a verdadeira causa da morte.

— Dois ferimentos fatais?

— Exato — confirmou ela —. Um é uma punhalada no peito, o outro é mais peculiar: um traumatismo craniano, mas não parece ter sido causado por objeto contundente.

Ambos seriam letais, mas os peritos não conseguem definir qual foi, de fato, a causa da morte.

— E não é isso o mais problemático — continuou Su Shuhuai, em tom baixo —. A vítima é o segundo filho do vice-ministro dos Ritos!

— Liu Erlang já não era boa pessoa; sua morte não seria grande perda, mas justo agora isso complica tudo! O Tribunal não pode ignorar.

Ela não queria assumir o caso, mas Su Zhenghe insistira.

— Filho do vice-ministro dos Ritos? De fato, complicado — Chen Luo perdeu o sorriso —. Quem ousaria matar o filho de um alto funcionário imperial? Ainda mais neste momento, em meio à campanha anticorrupção...

Su Shuhuai indagou: — Lembras-te de Zhang Dechou?

— Naturalmente. Por acaso está envolvido?

— No início, suspeitamos disso, por isso o prendemos. Mas após o interrogatório, ficou claro que ele não tem relação com a morte de Liu Erlang.

Apesar de Zhang Dechou não ter ligação com o caso, ao menos capturaram um bandido que se autodenominava ‘ladrão cavalheiresco’.

O caso já estava atrasado; se não fosse resolvido logo, seria difícil dar satisfação ao vice-ministro dos Ritos.

— Senhorita Su, conseguiram descobrir onde Liu Erlang esteve ou com quem falou antes do crime?

Su Shuhuai assentiu: — Já investigamos tudo, interrogamos todos, mas nada encontramos.

O local visitado por Liu Erlang antes do crime era um bordel recém-inaugurado em Dijing, a Casa Primavera e Perfume.

Chen Luo refletiu por um instante e disse: — Senhorita Su, se queres minha ajuda, preciso saber de tudo; caso contrário, não poderei agir.

— Principalmente: disseste que Liu Erlang não era boa pessoa. Exatamente que maldades cometeu?

— E por que, inicialmente, o Tribunal achou que a morte dele se relacionava a Zhang Dechou?

Su Shuhuai suspirou: — Na verdade, ele não cometeu crimes horrendos; o problema era seu costume de abusar do próprio poder.

— Além disso, era amigo de Sun Wencheng e outros, tornando-se cada vez mais arrogante e desrespeitoso às leis!

Ela fez uma pausa, franzindo as sobrancelhas: — Quanto à suspeita inicial sobre Zhang Dechou, foi porque a família Liu tem histórico de corrupção, e Zhang estava na cidade. Por isso, recaíram suspeitas sobre ele.

O Tribunal não descartou vingança, mas quem teria coragem de matar o filho de um alto funcionário em plena capital? Certamente não um cidadão comum.

— Senhorita Su, creio que deveríamos interrogar Zhang Dechou mais uma vez — sugeriu Chen Luo —. Embora pareça não ter ligação, como ‘ladrão cavalheiresco’ ele deve conhecer muitos segredos da família Liu.

— Além disso, seria bom designar alguns homens para vigiar a mansão Liu e tentar infiltrar-se lá.

Tribunal da Grande Justiça, cela.

Su Shuhuai podia autorizar novo interrogatório de Zhang Dechou, mas vigiar a família Liu exigia aprovação de Su Zhenghe.

— Você de novo, seu desgraçado! Tem coragem de aparecer aqui? Quer que eu te mate? — Zhang Dechou berrou, furioso ao ver Chen Luo.

Chen Luo olhou para o olho cego que causara em Zhang e respondeu friamente: — Zhang, foste tu que me tomaste como refém; por que agora a culpa é minha?

— Bah! Se não fosse por ti, não teria acabado assim!

— Ora, Zhang, foi tua ingenuidade confiar em mim. Não culpes a mim por isso — Chen Luo deu de ombros.

Se não fosse pela presença dos oficiais do Tribunal e de Su Shuhuai, Zhang teria avançado para estrangulá-lo.

— Basta! — interrompeu Su Shuhuai —. Zhang Dechou, deixem as desavenças de lado. Viemos perguntar mais uma vez: tens algo a ver com a morte de Liu Erlang?

Zhang riu, sarcástico: — O Tribunal da Grande Justiça não é tão eficiente? Investigai por conta própria! Já disse mil vezes, e não acreditam!

Diante da recusa, Su Shuhuai sentiu uma dor de cabeça.

Foi quando Chen Luo interveio: — Zhang, a senhorita Chi já está em Dijing, veio para acertar as contas. Se colaboras, ela te poupa a vida. Mas se não ajudares...

— Minha irmã? Ela veio mesmo para Dijing? — Zhang olhou desconfiado.

— Irmão, é melhor colaborares com o senhor Chen e o Tribunal. Eu também não quero agir com as próprias mãos — a voz de Chi Hanshang soou atrás de Chen Luo.

Zhang Dechou ficou surpreso ao vê-la, forçando um sorriso amargo: — Então, foste enviada pelo mestre para acertar as contas comigo?

— Exatamente. Mas, uma vez preso, não preciso agir. Contudo, se não colaboras, o subchefe prometeu ajudar a limpar a honra do clã!

— És habilidoso, irmão, mas sempre foste o mais medroso entre nós...

Essas palavras calaram fundo em Zhang Dechou, que de fato temia a morte.

— Casa Primavera e Perfume. Seita dos Cinco Venenos! — finalmente ele cedeu.