Capítulo Vinte e Três, Pavilhão dos Perfumes da Primavera, Seita dos Cinco Venenos
— Ensino dos Cinco Venenos? Nunca ouvi falar... — Su Shu Huai franziu as sobrancelhas, profundamente intrigada.
Chi Han Shang também mostrava perplexidade; era a primeira vez que escutava aquele nome.
— Não se trata de uma seita ou escola, apenas cinco pessoas que se autodenominam Ensino dos Cinco Venenos — explicou Zhang De Chou.
Ele conhecera esses Cinco Venenos na Cidade de Jinling e, ouvindo-os dizer que, embora a Capital do Império tivesse poucos comerciantes ricos, era repleta de famílias abastadas, decidiu acompanhá-los até lá. Porém, ao chegar, Zhang De Chou separou-se do grupo. Não era por hábito de agir sozinho, mas simplesmente porque eles nunca o consideraram um verdadeiro companheiro.
Chen Luo ergueu as sobrancelhas:
— Irmão Zhang, não estará inventando tudo isso, estará?
— Haveria necessidade? — Zhang De Chou encarou-o. — Se não acredita, pode perguntar àquela mulher desprezível do Salão do Esquecimento!
Chen Luo sabia que ele se referia à Meier, mas ignorava qual era o desentendimento entre ambos. De toda forma, essas palavras serviram de alerta para Su Shu Huai: realmente, poderia ir ao Salão do Esquecimento buscar Meier e descobrir mais sobre o Ensino dos Cinco Venenos.
Após sair da prisão do Tribunal de Dali, Su Shu Huai conduziu Chen Luo e Chi Han Shang de volta à Loja de Perfumes Cem Flores, enquanto ela mesma se preparava para ir ao Salão do Esquecimento.
Ao retornar à loja, encontrou novamente uma multidão reunida diante da porta.
Chen Luo logo avançou até a entrada:
— Senhores vieram comprar perfume? Ou há outro motivo para a visita?
Um homem elegante na linha de frente saudou-o com um sorriso:
— Este seria o famoso Jovem Luo de quem tanto ouvimos falar?
— Somos alunos do Mestre Wen. Soube-se que há alguns dias o Jovem Luo não apenas conquistou a aprovação do mestre, como também venceu Yuan Yu num duelo literário!
— Hoje, ao ver a Loja Cem Flores aberta, viemos especialmente prestar-lhe nossos cumprimentos!
Percebendo isso, Chen Luo entendeu: não vieram comprar perfume; provavelmente estavam ali para desafiar-lhe em outra disputa de poemas. Todos eram estudantes do renomado literato Wen Tai Yu.
Chi Han Shang, com esforço, conseguiu chegar ao seu lado:
— Senhor, quer que eu afaste essa gente?
— Espere! Jovem Luo? — Su Shu Huai interrompeu repentinamente. — Quando mudou de nome?
O que mais lhe intrigava era o fato de, apesar de o sobrenome ser Chen, todos aqueles estudiosos chamarem-no de Jovem Luo.
Seu olhar então foi atraído pelo poema de flores de osmanthus pendurado na loja; seus olhos se arregalaram:
— Esse poema... não me diga que foi você quem escreveu?
— De fato, fui eu — Chen Luo confirmou. — Se a senhorita gostar, posso lhe oferecer um exemplar depois. Mas agora, preciso livrar-me desses visitantes inconvenientes.
Su Shu Huai mal ouviu suas palavras; murmurava consigo mesma:
— Loja Cem Flores, e esse poema... Eu devia ter percebido antes, então aquele que comprou bálsamo e deu o poema era ele!
No início, ao ver a Loja Cem Flores, não prestara muita atenção; esquecera o assunto. Mas ao ouvir aqueles estudiosos chamarem Chen Luo de "Jovem Luo", tudo lhe veio à mente. O poema de osmanthus que a princesa guardava era idêntico ao exposto na loja de Chen Luo. O talentoso Jovem Luo era, na verdade, Chen Luo!
De repente, uma ideia lhe ocorreu; Su Shu Huai sorriu abertamente, murmurando baixinho:
— Mal posso esperar para ver a expressão de Nan Yan quando souber... Estou ansiosa!
— Senhorita Su, está bem? — Chen Luo, vendo-a falar consigo mesma por tanto tempo, começou a preocupar-se se algo estaria errado.
— Estou ótima.
— Que bom — Chen Luo voltou-se para os estudiosos diante dele. — Vieram para uma disputa literária?
O homem elegante apressou-se em explicar:
— Jovem Luo, não nos interprete mal; viemos hoje apenas para visitá-lo!
— Se for possível, gostaríamos também de apreciar sua erudição.
Chen Luo suspirou de alívio:
— Se realmente desejam apreciar literatura, por que não participam amanhã do sarau da Senhorita Shangguan?
— Então o Jovem Luo também estará presente no sarau de amanhã?
— Com certeza. Se houver oportunidade, talvez até possamos competir juntos.
Em seguida, mudou de assunto:
— Já que vieram, que tal conhecer os perfumes da Loja Cem Flores?
Embora a produção do dia estivesse esgotada, ele reservara uma pequena quantidade para vender futuramente a preço mais alto. Mas, vender para aqueles estudiosos não seria mal.
Na retaguarda da multidão, Xie Xing Chao suspirou:
— Eu já disse, trazer um bando de estudiosos não é suficiente para causar problemas a Chen Luo.
— Além disso, ele realmente conquistou a aprovação do Mestre Wen; acha mesmo que vão agir como você?
Yuan Yu permaneceu em silêncio. Desde que perdeu para Chen Luo, guardava rancor. De fato, os demais eram alunos de Wen Tai Yu, mas Yuan Yu era um confidente que sempre acompanhara o mestre de perto.
— Irmão Yuan, sei que não se importa tanto com os elogios do Mestre Wen a Chen Luo; você sempre admirou a princesa, mas ela nunca lhe deu atenção... — Xie Xing Chao baixou a voz. — Porém, se conseguir me ajudar a eliminar Chen Luo, posso ajudá-lo a conquistar a princesa!
— Está falando sério, Senhor Xie? — Yuan Yu perguntou imediatamente.
— Nunca falhei em minha palavra, mas tudo depende do resultado que puder me entregar!
— Então aguarde boas notícias! — Yuan Yu respondeu, virando-se para partir.
Wang Hong Liang, confuso, perguntou:
— Então, de fato vai ajudar Yuan Yu a cortejar a princesa?
Xie Xing Chao abanou o leque e sorriu suavemente:
— Você entendeu errado, Irmão Wang; quando eu disse isso? Ela é uma princesa, e Yuan Yu não passa de um perdedor rancoroso.
Observando a silhueta de Yuan Yu ao longe, Xie Xing Chao riu:
— Um sapo querendo comer carne de cisne... Mas gente assim é a peça mais fácil de manipular.
...
Depois de despedir-se dos estudiosos, Chen Luo preparava-se para fechar a loja e retornar à Mansão do Ministro.
Su Shu Huai, alegando urgência, já havia partido, provavelmente para investigar o caso de Liu Er Lang.
— Senhor, já arrumei tudo; vou voltar à hospedaria — Chi Han Shang, após organizar o estabelecimento, preparava-se para descansar.
Chen Luo queria que ela se hospedasse diretamente na Mansão, mas Cui Yun e Chun Tao, as duas criadas, insistiam que isso seria como manter uma concubina. Embora a Senhorita Chi fosse sua guarda-costas, como genro da Mansão, trazer uma mulher estranha para casa era imprudente; por isso, arranjou um quarto para ela numa hospedaria próxima à Loja Cem Flores.
— Espere, Senhorita Chi! — Chen Luo chamou-a. — Pegue este dinheiro.
— Não posso aceitar! O senhor já cobre minhas despesas; seria injusto aceitar mais — Chi Han Shang recusou firmemente.
Chen Luo insistiu:
— É o pagamento pelo seu trabalho.
Dizendo isso, também pagou Cui Yun e Chun Tao:
— Veja, elas também recebem; nunca deixo ninguém trabalhar de graça.
— Então... Muito obrigada, senhor! — Chi Han Shang não protestou mais e aceitou sua parte.
Nesse momento, uma mulher entrou na loja:
— Por favor, o gerente está?
Chen Luo ergueu o olhar; era uma mulher de beleza incomum, embora sua maquiagem e vestimenta fossem diferentes das demais.
— Sou eu. Se veio comprar perfume, temo que só haverá estoque em cinco dias.
A mulher sorriu suavemente:
— De fato, vim comprar perfume, mas também negociar. Soube que o senhor fornece ao Salão do Esquecimento; gostaria de saber se aceita negociar conosco também?
— Claro que aceito! — Os olhos de Chen Luo se iluminaram; já esperava que outras casas de cortesãs o procurassem. — De onde vem a senhorita?
— Pavilhão Primavera Perfume — respondeu a mulher.