Capítulo Sessenta e Um: Falsificação do Selo Imperial?
— Senhor! Juramos proteger Vossa Senhoria com nossas vidas! — exclamaram os Guardas das Sombras, assumindo postura defensiva e cumprindo seu dever com rigor.
Chen Luo, porém, acenou displicente com a mão:
— Quanto recebem de salário por mês? Vale a pena arriscar tanto assim?
— Senhor, este não é o momento para discutir isso! — disse um dos guardas, aflito.
Xie Xingchao ergueu lentamente a mão, pronto para ordenar que seus soldados particulares atacassem. Naquela noite, nem Chen Luo nem os Guardas das Sombras poderiam sair vivos da Mansão Xie.
No exato momento de maior tensão, Qiao Bo chegou às pressas e sussurrou ao ouvido:
— Jovem mestre, houve um problema! Algo foi roubado na mansão!
O semblante de Xie Xingchao mudou imediatamente.
— Quem ousaria tanto? Invadir a Mansão Xie para roubar?
— Ainda não sabemos quem foi. O patriarca ordenou uma busca completa em toda a residência.
Antes mesmo que Qiao Bo terminasse, Xie Tianlei foi trazido por dois indivíduos: Zhao Xueyan e Zhang Dechou.
— Vocês?! — O olhar de Xie Xingchao era cortante como uma lâmina.
— Xingchao! Salve seu pai! — Xie Tianlei suplicou, trêmulo.
— Pai... — murmurou o filho.
Zhao Xueyan, gélida e implacável, declarou:
— Xie Xingchao, se não quiser ver seu pai morrer pelas minhas mãos, afaste-se agora e permita que o senhor Chen saia da mansão!
— De novo você! — Xie Xingchao virou-se furioso para Chen Luo.
Chen Luo abriu as mãos, inocente:
— Juro que não tenho nada a ver com o sequestro do seu pai.
Embora grato pela intervenção dos dois, não era esse o seu plano original. Pretendia que se retirassem assim que obtivessem o que buscavam.
Contudo, a situação se inverteu: agora a família Xie estava em desvantagem. Se Xie Xingchao insistisse em atacar, Xie Tianlei certamente morreria ali mesmo.
Zhao Xueyan e Zhang Dechou, cautelosos, aproximaram-se de Chen Luo, atentos a cada movimento de Xie Xingchao.
— Senhor, encontramos isto. Não é o livro de contas, mas creio que pode ser ainda mais útil — disse Zhang Dechou, entregando um objeto a Chen Luo.
De fato, não era o livro de contas, mas aquilo bastava para arruinar a família Xie para sempre.
— Patriarca Xie, jovem senhor Xie, vocês realmente me surpreendem! — Chen Luo contemplava o objeto nas mãos, rindo.
— Subornar oficiais do império, reunir tropas em segredo e agora esconder um selo imperial falso... Por que não revelam logo todas as surpresas restantes?
Mesmo sem o livro de contas, a fabricação clandestina do Selo Imperial já era um crime que condenaria toda a linhagem.
A garganta de Xie Tianlei oscilou; ele falou com voz trêmula:
— Chen... Chen Luo, se me liberar, prometo que sairão todos em segurança esta noite! A família Xie não buscará vingança!
— Patriarca Xie, até gostaria de aceitar sua oferta — Chen Luo deu de ombros, resignado —, mas parece que seu filho não pensa do mesmo modo.
Além disso, mesmo que Xie Tianlei realmente os deixasse ir, deixaria vivos aqueles que conhecem tantos segredos?
— Xingchao! Deixe-os ir! — bradou Xie Tianlei com severidade.
Mas Xie Xingchao permaneceu imóvel, o olhar gelado fixo em Chen Luo:
— Já disse: esta noite, ninguém sairá da mansão, nem um passo!
— Xingchao! Vai mesmo assassinar seu próprio pai? — Xie Tianlei arregalou os olhos, incrédulo.
— Pai, quem busca grandes feitos pode até sacrificar os mais próximos — respondeu Xie Xingchao, impassível. — Portanto, não culpe este filho.
— Maldito! Filho ingrato! — rugiu Xie Tianlei, tomado pela fúria.
Diante dessa cena de pai e filho, Chen Luo não conteve uma risada, batendo palmas:
— Então, jovem senhor Xie, nem esperou ajudar seu pai a subir ao trono e já quer forçá-lo a passar a coroa para você, o “príncipe herdeiro”?
Os Xie conspiraram por anos, planejando cada detalhe, tudo em busca do tão sonhado trono imperial. Se tivessem sucesso, Xie Tianlei seria o novo imperador de Daning, e Xie Xingchao, ao menos, um príncipe.
Infelizmente para eles, o príncipe já não se submete ao “imperador”.
Com o rosto endurecido, Xie Xingchao ordenou friamente:
— Ataquem!
Soldados particulares da família Xie e os Guardas das Sombras se enfrentaram ferozmente. Os guardas, embora habilidosos, não podiam resistir indefinidamente diante da superioridade numérica do inimigo, ainda mais tendo que proteger Chen Luo. O perigo aumentava a cada instante.
Zhao Xueyan tomou uma decisão rápida: entregou Xie Tianlei aos cuidados de Zhang Dechou, ordenando que levasse Chen Luo em retirada. Enquanto tivessem Xie Tianlei como refém, ninguém ousaria agir precipitadamente — mesmo que Xie Xingchao fosse impiedoso a ponto de ameaçar o próprio pai, os demais talvez não teriam a mesma coragem.
Ela mesma ficou para garantir a fuga dos demais.
Desde o momento em que prometeu ajudar Chen Luo, ela aguardava essa oportunidade: o instante perfeito para eliminar Xie Xingchao com as próprias mãos.
— Quer fugir? — Xie Xingchao ergueu a mão e ordenou: — Atirem as flechas!
Contudo, os arqueiros hesitaram.
Ele franziu o cenho e repetiu: — Atirem!
O silêncio permaneceu.
Nesse momento, uma claridade irrompeu ao redor da mansão, seguida pelo estrondo de cascos e passos ritmados. O som das rodas de uma carruagem ressoou sobre as pedras da entrada, e uma voz poderosa ecoou na noite:
— Sua Majestade, o Imperador, chegou!
Xuan Ruoli desceu lentamente da carruagem, o olhar fixo no portão principal, fechado.
Qin Zhaoxi desmontou agilmente de um cavalo branco. Vestia armadura de batalha e era ninguém menos que a famosa comandante dos Quatro Exércitos Sagrados de Daning, a lendária deusa da guerra temida por todos.
— Majestade — saudou ela, com o punho cerrado diante do peito.
— General Qin, qual a situação lá dentro? — perguntou Xuan Ruoli, séria.
Qin Zhaoxi respondeu com respeito:
— Majestade, Chen Luo está momentaneamente seguro. Além disso, todos os arqueiros emboscados da família Xie foram neutralizados por mãos desconhecidas.
— Deve ter sido obra de seus próprios aliados — disse Xuan Ruoli, voltando o olhar para outra carruagem que se aproximava.
Shangguan Qian desceu apressado e, curvando-se, saudou:
— Este velho serve Vossa Majestade!
— Dispense as formalidades — respondeu Xuan Ruoli, erguendo levemente a mão. — O chanceler vem tão apressado por preocupação com seu genro?
Shangguan Qian foi direto:
— De fato, preocupa-me, mas temo ainda mais que a família Xie atente contra Vossa Majestade!
Todos só chegaram a tempo graças ao bilhete que Chen Luo entregara secretamente a Luo Jinx, quando ela deixou a mansão. Lá estava escrito: “A família Xie planeja rebelar-se esta noite”.
— Não sei se devo louvá-lo pela astúcia ou censurá-lo pela ousadia — Xuan Ruoli sorriu, balançando a cabeça.
Chen Luo os fez esperar uma ou duas horas; só deveriam ir resgatá-lo caso não conseguisse escapar por conta própria.
Mesmo com o exército cercando a mansão, os portões permaneciam fechados, sem sinal de recepção.
Ao ouvir a chegada do imperador, Xie Xingchao sentiu o desespero tomar conta.
— Vejo que, ao seu lado, meus planos não passam de nada — murmurou, amargo.
Calculou tudo, mas não previu que Chen Luo guardava uma carta na manga.
— Não é que não tenham valor, mas sim que você foi arrogante demais — replicou Chen Luo, agora seguro. — Acreditou ter tudo sob controle. Eu já disse: você se precipitou, e um erro levou ao outro!
Os Guardas das Sombras eram seu trunfo, mas trazer a imperatriz era sua jogada definitiva.
O bilhete entregue a Luo Jinx, escrito de improviso, tinha apenas o objetivo de atrair a imperatriz para o local.
No fim, a própria família Xie se incriminou ao assumir o crime de rebelião.
Mesmo que não houvesse rebelião naquela noite, as acusações de reunir tropas em segredo e falsificar o Selo Imperial já bastavam para provar que seus planos estavam avançados.
Xie Tianlei estava lívido, sem esperança.
Seu grande sonho imperial mal começara, e seu próprio filho estava pronto para sacrificá-lo.
Agora, com Xuan Ruoli presente, todo o ambicioso plano da família Xie morria antes mesmo de nascer.