Capítulo Trinta: O Campo de Batalha dos Demônios
— Princesa? — Sun Wen Cheng ficou completamente atônito ao ver Luo Jin Xi.
Luo Jin Xi ignorou-o, seu olhar pousando diretamente sobre Chen Luo. — Senhor Luo, pretende mesmo continuar em silêncio?
Chen Luo levou a mão à face, coçando a bochecha, ainda sem ter se recuperado do choque. Jamais imaginara que aquela cliente frequente da loja de perfumes, a senhorita Luo, era uma princesa.
— Senhorita Luo, peço sinceras desculpas — disse Chen Luo com franqueza. — Da última vez, enganei-a. Meu nome verdadeiro é Chen Luo, não Luo Chen.
Quanto ao motivo, preferiu não explicar e prosseguiu: — O senhor Luo é realmente eu, mas nunca imaginei que me veria em situação tão constrangedora.
Depois, voltou-se para Sun Wen Cheng: — Quanto às acusações que me faz, importa reconhecer ou não? Por acaso espera que eu mesmo me puna?
Sun Wen Cheng ficou sem palavras. Jamais imaginara que Chen Luo era o senhor Luo, e menos ainda que a princesa interviria para defendê-lo.
Além disso, o proprietário da sociedade literária desmascarou, na hora, o fato de que o poema nas mãos de Sun Wen Cheng fora comprado — e o vendedor e autor era justamente Chen Luo!
O que mais o surpreendeu foi perceber que a princesa já conhecia Chen Luo. Tudo aquilo fugia completamente das suas expectativas.
— E como pretende provar que é mesmo o senhor Luo? — Sun Wen Cheng perguntou, mordendo os dentes numa última tentativa.
Nesse momento, uma voz grave e tranquila ecoou: — Senhor Sun, permita-me servir de testemunha?
Todos olharam na direção da voz e avistaram Wen Tai Yu descendo calmamente a escada. Ele subiu ao palco, sorrindo para Sun Wen Cheng. — Embora tenha encontrado o senhor Luo apenas uma vez, recordo-me perfeitamente de sua aparência.
Sun Wen Cheng ficou totalmente sem resposta.
Os eruditos na plateia começaram a comentar: — Se até o senhor Wen veio testemunhar, então Chen Luo é mesmo o senhor Luo, sem dúvida!
— Primeiro a princesa, agora o senhor Wen! Impossível ser mentira!
— Quero saber, afinal, o que Sun Wen Cheng pretendia com tudo isso. Uma reunião de poesia tão bela, e ele a transformou num caos!
— Ha ha ha, para mim, Sun Wen Cheng só conseguiu se humilhar!
O rosto de Sun Wen Cheng foi ficando cada vez mais sombrio diante dos murmúrios. Instintivamente, ele lançou um olhar ao segundo andar.
Chen Luo seguiu aquele olhar e encontrou os olhos sorridentes de Xie Xing Chao. No mesmo instante, entendeu quem estava por trás daquela farsa.
Um lampejo de fúria passou no rosto de Sun Wen Cheng. Finalmente percebeu que havia sido completamente manipulado por Xie Xing Chao, que não só comprara os empregados da família Sun para libertá-lo secretamente, como também adquirira o poema de Chen Luo para que Sun o entregasse a Shangguan Nan Yan.
Além disso, queria que Sun Wen Cheng revelasse a verdadeira identidade de Chen Luo diante de Shangguan Nan Yan e dos eruditos.
Supostamente, o objetivo era constranger Chen Luo, mas na verdade era para Sun Wen Cheng se expor ao ridículo perante todos.
— Hoje foi erro meu, não deveria ter perturbado esta reunião de poesia — Sun Wen Cheng disse, pálido. — Com licença.
Sabia que, se permanecesse ali, seria alvo de risos. Virou-se para sair.
Su Shu Huai interveio de repente: — Espere! Quem merece suas desculpas é Chen Luo! Depois de difamá-lo sem motivo, vai embora sem sequer pedir perdão?
— Deixe-o ir — Chen Luo respondeu calmamente.
Sun Wen Cheng olhou para ele, com expressão complexa, os lábios se movendo por um instante: — Obrigado.
— Vai mesmo deixá-lo partir assim? — Su Shu Huai não conseguia compreender. Afinal, da última vez, Sun Wen Cheng chegou a matar alguém e tentou incriminar Chen Luo.
Chen Luo sorriu de leve: — Eu tenho meus motivos.
Esse Sun Wen Cheng, de fato era maldoso, mas também incrivelmente ingênuo.
— Você... é realmente o senhor Luo? — Shangguan Nan Yan, até então silenciosa, finalmente falou.
Ao descobrir que Chen Luo era o senhor Luo, seus sentimentos tornaram-se indescritíveis. Não conseguia associar o talentoso senhor Luo àquele homem que aceitara viver tranquilamente no palácio, seu próprio marido.
O que mais a perturbava era que, durante todo esse tempo, considerara o senhor Luo seu ídolo, talvez até... seu amado.
Dois homens tão diferentes, afinal eram o mesmo!
Chen Luo assentiu, aproximando-se e murmurando ao ouvido dela: — Na verdade, só usei o nome invertido para evitar problemas e não causar transtornos ao palácio.
Ele mesmo não entendia como se tornara famoso na capital imperial.
O motivo, provavelmente, era aquela frase de Wen Tai Yu: “não sou digno de igualar”.
Se não fosse por ela, talvez não enfrentasse tantas dificuldades.
— Senhor Luo, você realmente me enganou! Se não soubesse agora que é o marido de Nan Yan, eu iria... — Luo Jin Xi disse, com tom e olhar carregados de reprovação.
— Princesa... eu também tenho meus motivos! — Chen Luo apressou-se em explicar, intrigado: — Mas o que a princesa disse que queria agora há pouco?
Shangguan Nan Yan agarrou de repente a mão dele: — Princesa! Ele é meu marido!
— Mas Nan Yan, não disse que vocês não interferem um na vida do outro? Que, ao encontrar alguém de quem gostasse, poderia pedir o divórcio? — Luo Jin Xi respondeu com um sorriso irônico.
Só então Chen Luo percebeu que a princesa era uma das amigas íntimas de Shangguan Nan Yan.
— Sim! Eu disse! — Shangguan Nan Yan alterou o acordo na hora. — Mas... não basta só um de nós encontrar alguém!
Embora falassem baixo, a tensão era evidente para todos.
Chen Luo percebeu que havia algo errado, mas Shangguan Nan Yan apertava sua mão com força, impedindo qualquer reação.
Su Shu Huai, com bom senso, afastou-se alguns passos.
Já Mei Er avançou, dizendo suavemente: — Senhor, sei que não sou páreo para a princesa ou para a senhorita Shangguan, mas meu sentimento por você é sincero!
Chen Luo franziu a testa: — Senhorita Mei Er, não pode dizer essas coisas levianamente!
Pensava que ela viera ajudar, mas acabou por complicar ainda mais.
— O senhor realmente é encantador! Não imaginei que até Mei Er fosse cativada por você! — Luo Jin Xi falou com evidente hostilidade.
A mão livre de Shangguan Nan Yan beliscou com força a cintura de Chen Luo. — Eu sabia que Mei Er só concordou em patrocinar a reunião por causa disso!
Chen Luo soltou um suspiro de dor: — Ai! Solte primeiro! Depois explico tudo!
— Senhor, está bem? Sente algum desconforto? — Mei Er, preocupada, fez menção de se aproximar.
Luo Jin Xi não quis ficar atrás: — Quer que eu chame um médico? Posso pedir ao médico imperial!
Chen Luo ficou sem palavras. Será que esqueceram que a reunião de poesia ainda não acabou?
Uma reunião literária tão elegante havia se tornado um campo de batalha.
— Hum hum! — Wen Tai Yu apressou-se em intervir. — Senhor Chen, agora que todos sabem que você é o senhor Luo, que tal aproveitar o momento para mostrar seu talento? Seria um ótimo início para a segunda parte da reunião.
— Então... aceito com prazer! — Chen Luo lançou um olhar agradecido a Wen Tai Yu.