Capítulo Setenta e Quatro: Os Sinais Suspeitos que Foram Ignorados
— Segredo! Mas é também uma surpresa para você! — disse Chi Han Shang, piscando de modo misterioso. — Mas estou ainda mais curiosa para saber por que vocês dois ainda não foram dormir a esta hora.
Shangguan Nanyan arqueou as sobrancelhas, lançando um olhar de relance entre Chen Luo e Chi Han Shang. — Surpresa?
Chen Luo, tomado pela curiosidade, comentou: — Então vou esperar ansioso pela surpresa da irmã mais velha! Quanto ao motivo de ainda não termos dormido...
Ele hesitou um instante. — Na verdade, acabei de voltar há pouco.
— Acabou de voltar? — Chi Han Shang refletiu. — Por acaso tem algo a ver com o Tribunal de Dali?
No caminho de volta, ela vira muitos oficiais do Tribunal de Dali e soldados da guarda patrulhando a cidade.
— Exatamente — Chen Luo assentiu. — Eu e a senhorita Su estamos investigando um caso de homicídio. Desde hoje, o Tribunal de Dali e a guarda aumentaram as patrulhas para capturar o assassino.
Chi Han Shang imediatamente demonstrou interesse: — Homicídio? O que aconteceu exatamente?
Chen Luo descreveu brevemente o método do assassino: — Por enquanto, supomos que o culpado seja alguém de grande habilidade marcial, ou então um açougueiro acostumado a matar animais, ou ainda um veterano de guerra.
Acrescentou: — Claro que há outras profissões que exigem força, mas é mais provável que seja alguém muito habilidoso nas artes marciais, pois só assim poderia agir sem deixar rastros.
— Nesse caso, é realmente um crime hediondo, e o assassino certamente não é uma pessoa comum — disse Chi Han Shang, assumindo uma postura séria. — Sendo assim, se não se importarem, posso ajudar também?
Chen Luo aceitou com prazer: — Com sua ajuda, irmã mais velha, seria tudo que poderíamos desejar. Então, amanhã, peço que nos acompanhe na investigação.
— Combinado.
Chen Luo olhou de lado para Shangguan Nanyan, percebendo que ela estava um pouco abatida por não poder ajudar diretamente como Chi Han Shang. Falou-lhe com doçura: — Não se preocupe, querida. O conselho que você nos deu mais cedo já foi de grande ajuda, apontando a direção para nossa investigação.
— Se pude ajudar, fico feliz — respondeu Shangguan Nanyan, esboçando um sorriso e deixando de lado o desalento.
...
Na parte oeste da capital imperial, dentro de um pátio.
— Você ficou louco? Agindo assim só vai nos expor mais rápido! — Shi Yeliu olhava para Shi Ling com raiva.
Shi Ling abanava o leque com ar descontraído, um sorriso no canto dos lábios: — Mana, não me diga que está se apaixonando por aquele reles genro?
— Não se esqueça do nosso objetivo. Nosso pai e mãe não podem esperar tanto.
Shi Yeliu franziu o cenho: — Sei muito bem qual é minha missão, mas suas atitudes só nos trarão mais problemas!
— Ah, se não é por preocupação com ele que me impede de matar Chen Luo, então deveria me apoiar — Shi Ling sorriu ainda mais.
— Se ele fosse apenas o genro do chanceler, que você o matasse. Mas agora ele tem cargo de censor imperial! Matá-lo seria declarar guerra contra Xuan Ruoli! — Shi Yeliu advertiu severamente, lançando um olhar cortante para a terceira pessoa no recinto. — Então pare com essas ideias tolas! Lembre-se de que você não veio à capital para me dar ordens! Faça-o voltar de onde veio!
Shi Ling deixou o sorriso de lado: — Não se esqueça, mana, que por causa da sua indecisão já perdemos a família Xie como peça do jogo.
— Segundo o seu plano, quando é que nossos pais verão o grande empreendimento realizado? — Shi Ling aproximou-se do terceiro membro da sala. — Não vim à capital para ser comandado por você. Vim a mando de nosso pai para lhe dar apoio. Pare de sonhar alto. Chen Luo precisa morrer!
— E essa pessoa — apontou para a mulher — é a escolha perfeita. Mesmo que Chen Luo morra, ninguém suspeitará de nós.
Shi Yeliu olhou friamente para a mulher: — Ela é só uma mulher fraca, como poderia matar Chen Luo?
— Mana, você não entende — Shi Ling tocou levemente o ombro da moça com o leque. — Venha, conte à minha irmã: de onde você vem? Que relação tem com Chen Luo?
A mulher tremia da cabeça aos pés, sua voz mal era audível: — E-eu sou do vilarejo Qingshang, do condado de Yun. Conheço Chen Luo há muito tempo, fomos companheiros de infância...
— Ele... ele prometeu se casar comigo, mas acabou indo para a capital, tornando-se genro do chanceler, e me abandonou!
Shi Ling lançou um olhar triunfante para Shi Yeliu: — E então, mana? É uma antiga paixão de Chen Luo!
— Tudo isso é verdade? — O olhar de Shi Yeliu era afiado como lâmina.
— Palavra por palavra é verdade!
Mas a veracidade era impossível de comprovar.
— E como pretende que ela mate Chen Luo? — A voz de Shi Yeliu tornou-se ainda mais fria. — No máximo ela pode manchar a reputação dele.
Shi Ling, sem pressa, argumentou: — Justamente por ser uma antiga paixão de Chen Luo, ele não irá desconfiar. Por remorso, certamente a acolherá, e assim ela poderá se aproximar dele o tempo todo.
Shi Yeliu franziu ainda mais o semblante: — E você acha que depois de matá-lo ela não nos denunciará?
Shi Ling inclinou-se, baixando a voz: — Mana, um morto... como poderia falar?
A expressão de Shi Yeliu mudou drasticamente. Seu irmão era ainda mais cruel do que ela imaginava.
...
No início da manhã, Chen Luo saiu apressado, sem tempo de se despedir de Shangguan Nanyan, levando Chi Han Shang consigo.
No interior da carruagem, Chi Han Shang perguntou, intrigada: — Por que tanta pressa, irmão mais novo?
— Passei a noite em claro, pensando em algo — Chen Luo respirou fundo para se acalmar. — Há um detalhe nesse caso que estávamos ignorando!
Ele não explicou de imediato, apenas pediu ao cocheiro que os levasse ao Pavilhão Wangfan.
— Irmã, preciso que encontre a senhorita Su e peça que ela envie alguém ao casarão da família Yuan para interrogar novamente os criados — orientou Chen Luo. — O mais importante é saber exatamente que visitantes frequentes a casa recebia.
— E você? — perguntou Chi Han Shang.
— Preciso ir a um lugar. Talvez encontre uma pista crucial.
Chi Han Shang levantou a cortina da carruagem, espiando: — Não está falando do Pavilhão Wangfan, está?
— Claro que não. Vim aqui apenas para que a senhorita Meier me informe a localização exata daquele lugar — explicou Chen Luo, saltando do veículo e ordenando ao cocheiro que levasse Chi Han Shang ao Tribunal de Dali.
Naquele momento, o Pavilhão Wangfan ainda não abrira as portas. Chen Luo bateu forte à entrada.
Após um tempo, um criado, ainda sonolento, veio atender: — Hã... o que faz aqui tão cedo? O pavilhão só abre ao meio-dia, não sabia?
— Preciso ver a senhorita Meier com urgência — Chen Luo entrou decidido, subindo direto ao quinto andar.
O criado tentou impedi-lo, mas ao reconhecê-lo, recuou imediatamente. Afinal, ele era um hóspede ilustre, recomendado tanto pelo proprietário do Pavilhão Wangfan quanto pelo Pavilhão Tingfeng.
Naquele momento, Meier já havia se levantado, lavando-se e penteando-se diante do espelho.
Ao ver Chen Luo entrar, sorriu levemente: — Que surpresa, senhor. Não é comum me procurar tão cedo.
— Perdão, senhorita. Trata-se de uma urgência — Chen Luo se aproximou da penteadeira. — Por que não há ninguém para ajudá-la a pentear os cabelos?
— Embora seja a proprietária do Pavilhão Wangfan e do Pavilhão Tingfeng, estou acostumada a ficar sozinha. Não gosto que me sirvam — respondeu Meier com um sorriso delicado.
— Permita-me ajudá-la — disse Chen Luo.
— O senhor não estava com pressa?
Chen Luo pegou o pente de suas mãos e começou a pentear-lhe os cabelos delicadamente: — Sim, é urgente. Mas isso não vai atrapalhar.
Enquanto penteava os cabelos de Meier, perguntou: — Sabe onde fica a residência de Guo Fuyuan na capital?
Meier sorriu: — Vejo que o senhor ainda está investigando o caso. Mas cuide-se, não se esforce demais.
— Quanto à casa de Guo Fuyuan, fica a oeste da cidade. Em breve mandarei alguém acompanhá-lo até lá.
— Muito obrigado... — Chen Luo hesitou, suspirando, um tanto resignado. — Mas, senhorita Meier, será que da próxima vez poderia vestir-se um pouco mais?