Capítulo Quatro, Tordo-do-Campo no Céu · Flor de Oliveira
— Jovem senhor, esta poesia tem nome? — perguntou novamente Luo Jinxi, voltando-se.
— “Galo-de-campina Celestial: Flores de Os Manacás” — respondeu Chen Luo, acariciando a nota de prata recém-adquirida, sorrindo de orelha a orelha.
Luo Jinxi repetiu mentalmente o título da poesia algumas vezes, assentiu e disse: — Então me despeço, espero poder adquirir outros aromas do senhor no futuro.
— Com certeza! Vá com cuidado, senhorita Luo! — respondeu Chen Luo, despedindo-se calorosamente.
Vendo a cliente generosa afastar-se, Chen Luo sentiu-se radiante. Esperou que a multidão se dispersasse e, ao tentar fechar sua barraca, percebeu que o homem de meia-idade ainda permanecia ali.
— Irmão, ainda está por aqui?
O homem estava boquiaberto, com expressão de quem viu um fantasma; jamais imaginara que aquele bálsamo seria comprado, e ainda por um valor quatrocentas moedas acima do esperado!
Chen Luo não se importou e pediu a Cuiyun que rapidamente arrumasse a barraca, devolvendo mesas e cadeiras aos seus donos.
— Vamos, Cuiyun, o jovem senhor vai comprar algo de qualidade agora! — exclamou Chen Luo, animado.
Agora, com o capital inicial, finalmente poderia adquirir o destilador que tanto desejara durante sua caminhada pela feira. Em seguida, buscaria um artesão para encomendar as peças essenciais de seu projeto. Quanto aos frascos de perfume, planejava usar simples garrafas de porcelana, visto que ainda não podia investir em algo melhor.
Na capital imperial, no Salão das Aromas das Nuvens.
Luo Jinxi subiu delicadamente ao terceiro andar e, ao abrir a porta do aposento elegante, encontrou suas amigas íntimas já aguardando há algum tempo.
— Desculpem-me por fazê-las esperar — disse ela, ligeiramente constrangida.
— Não se preocupe, alteza, chegamos há pouco também — respondeu Su Shuhuai sorrindo e acenando.
Shangguan Nanyan concordou: — Exatamente, algo a atrasou, alteza?
Qin Zhaoxi, atenta, percebeu o objeto nos braços de Luo Jinxi: — Alteza, trouxe algo interessante?
— De fato, é uma raridade, comprei assim que vi — Luo Jinxi respondeu, desenrolando com cuidado a poesia sobre a mesa.
— Alteza foi ao clube de poesia recentemente? — perguntou Shangguan Nanyan, curiosa.
— Não, foi um acaso na feira... — Luo Jinxi balançou a cabeça. — E o jovem senhor Luo não estava vendendo poesia, mas este aqui.
Ela retirou o bálsamo da caixa.
— Bálsamo de cem flores? Nunca ouvi falar. É uma loja nova de perfumes? —
Luo Jinxi tornou a negar: — Não é nada disso. O jovem senhor Luo disse que está iniciando negócios na capital imperial, este bálsamo é seu produto, e quanto à poesia...
Ela tocou levemente o papel — é um presente para quem compra o bálsamo.
As três amigas observaram a poesia e o bálsamo, compreendendo o motivo. Aquele jovem senhor Luo era realmente inteligente, usando poesia para atrair clientes.
— O bálsamo em si não é tão raro — comentou Shangguan Nanyan, aspirando o aroma — mas junto com esta poesia, o significado se transforma.
Luo Jinxi concordou: — Exatamente. Ao ler a poesia, parece que estamos em um jardim de manacás, o perfume se espalha até na respiração.
Qin Zhaoxi brincou com o bálsamo, sorrindo: — O jovem senhor Luo é mesmo engenhoso. A união do bálsamo e da poesia é uma elegância rara.
— Nanyan, você é a maior poetisa da capital; o que acha da qualidade desta poesia? — sugeriu Su Shuhuai.
Shangguan Nanyan leu atentamente, franzindo levemente a testa: — Nunca vi esta poesia em outro lugar, mas tanto a escolha das palavras quanto o significado são excepcionais. Nem mesmo os grandes mestres de hoje alcançam tal nível!
— Nanyan, avaliou tão bem assim? — Su Shuhuai arregalou os olhos, surpresa.
Ela não entendia muito de poesia, mas era a primeira vez que Shangguan Nanyan elogiava tanto um poema. Nunca antes ocorrera uma apreciação assim.
Qin Zhaoxi assentiu suavemente: — De fato, é primorosa, e não creio que Nanyan exagerou. Se mostrada aos mestres, provavelmente receberiam o mesmo elogio.
Ouvindo as opiniões das amigas, Luo Jinxi sentiu-se ao mesmo tempo feliz e preocupada. Feliz por adquirir tal obra por apenas quinhentas moedas, preocupada porque o jovem senhor Luo veio à capital para negócios, não para exames imperiais. Tal talento, se não utilizado pelo reino, seria uma perda irreparável para a corte!
— Nanyan, não vai organizar um encontro de poesia? Que tal apresentar este poema lá? — sugeriu Luo Jinxi.
Shangguan Nanyan primeiro ficou animada, mas logo preocupada: — Agradeço a sugestão, alteza, mas ainda não sei se o encontro vai mesmo acontecer.
Su Shuhuai piscou de modo travesso: — Nanyan, esse encontro não é para escolher um marido?
— Embora tenha contratado um genro, ninguém disse que não pode aceitar um concubino!
— Shuhuai, não diga essas coisas! — Shangguan Nanyan olhou para ela, envergonhada e irritada — Esse encontro de poesia é meu sonho, primeira vez que organizo.
— Só quero dar oportunidade aos jovens de verdade talento.
Mas as palavras de Su Shuhuai mexeram com ela. Ao pensar em Chen Luo, sempre tão irreverente, sentiu-se inquieta. Olhou para o poema sem assinatura, imaginando se ele tivesse metade da habilidade do jovem senhor Luo...
Shangguan Nanyan sacudiu a cabeça, murmurando: — Por que estou pensando nele?
...
Na mansão do chanceler.
Chen Luo examinava cuidadosamente o destilador diante de si.
Embora de fabricação simples, era mais que suficiente para produzir perfumes. As peças feitas pelo artesão encaixavam perfeitamente, mas lamentava que só podia adquirir poucas flores no mercado, limitando-se por ora aos aromas de ameixa e manacá.
O mais interessante era que o destilador não servia apenas para perfumes, mas também para produzir aguardente de alto teor.
Apesar da lei do reino proibir o comércio de sal clandestino, fabricar e vender bebidas era permitido.
Chen Luo sabia que tudo deveria ser feito com cautela; avançar demais poderia ser prejudicial.
Nos dias seguintes, quase não saiu do quarto, dedicando-se totalmente à tarefa.
Shangguan Nanyan apreciava a tranquilidade; desde que ele não causasse problemas, era motivo de agradecimento.
Quando a primeira garrafa de perfume ficou pronta, Chen Luo já havia traçado sua estratégia de vendas. Assim como nos dias anteriores, usaria poesia como publicidade para atrair compradores.
Mas sentiu que só isso não bastava; precisava de alguém para representar seu produto.
O melhor nome que lhe veio à mente era Shangguan Nanyan.
— Vou tentar primeiro — murmurou para si mesmo — se não der certo, pensarei em outra solução.
Após descobrir o paradeiro de Shangguan Nanyan com Cuiyun, Chen Luo não hesitou e foi direto ao escritório da mansão.
Já à porta, ouviu o pai e a filha conversando sobre o encontro de poesia.
Encontro de poesia?
Chen Luo iluminou-se; era uma oportunidade divina! Se pudesse usar o evento de Shangguan Nanyan para promover seus perfumes, não teria falta de clientes!
Ajeitou as vestes e entrou decidido: — O genro cumprimenta o senhor, sogro!
— Luo, chegou em boa hora! — saudou Shangguan Qian, animado — Venha dar sua opinião, veja se estou certo!
Shangguan Nanyan bufou, desviando o rosto: — Pai, ele não entende nada disso!
— Ora, isso não está certo — Shangguan Qian sorriu, voltando-se para Chen Luo — A questão é que Nanyan quer organizar um encontro privado de poesia, o que exige muitos recursos.
— Mas o governo está investigando corrupção entre funcionários, gastar muito dinheiro agora seria imprudente!
— Pai, sempre foi íntegro, por que se preocupar? — Shangguan Nanyan estava confusa.
Chen Luo compreendeu, apressando-se a dizer: — Nanyan, é claro que seu pai não teme investigação, mas sempre é bom evitar que pessoas mal-intencionadas aproveitem para causar problemas!