Capítulo Quinze: O Perfume É Venenoso?
De fato, Chen Luo não tinha a intenção de lucrar com esses estudiosos, mas já que estavam dispostos a comprar, ele também não seria modesto. Vendeu todo o restante de perfumes em seu estande para eles e ainda presenteou Wen Taiyu com um frasco.
— Senhor, experimente. Se gostar, poderá sempre visitar o Cem Flores Perfumes — disse Chen Luo com entusiasmo.
— Muito obrigado, senhor — Wen Taiyu aceitou o perfume com curiosidade, inalou levemente e imediatamente se deixou encantar pelo aroma intenso. — Este perfume é verdadeiramente extraordinário!
— Que bom que lhe agradou — respondeu Chen Luo sorrindo.
Com a venda dos perfumes esgotada, a disputa também chegou ao fim, mas os estudiosos ainda aguardaram respeitosamente que Wen Taiyu partisse primeiro.
Embora Luo Jinxie já tivesse recebido dois frascos de perfume de presente de Chen Luo, fez questão de comprar mais alguns.
— Senhor, quero presentear alguns amigos com eles — explicou ela.
— Que maravilha! Prepararei as embalagens mais requintadas para você, senhorita Luo! — respondeu Chen Luo, radiante de alegria.
Poder conhecer alguém de tanto prestígio como Wen Taiyu significava que a senhorita Luo certamente tinha um status elevado, quem sabe isso o ajudasse a atrair mais damas nobres para comprar seus perfumes.
Ao se despedirem, Luo Jinxie perguntou:
— O senhor terá algum tempo livre nos próximos dias? Haverá um sarau de poesia na Cidade Imperial, gostaria de convidá-lo.
— Sendo um convite seu, não faltarei! — respondeu Chen Luo, fazendo uma reverência.
Após a partida de Luo Jinxie, ele se lembrou de algo:
— Espere, o sarau de Nan Yan também será por esses dias?
Parecia que teria que se desdobrar entre dois eventos.
Primeiro, marcaria presença no sarau de Shangguan Nan Yan, aproveitando para divulgar o Cem Flores Perfumes, depois iria ao de Luo Jinxie, com o mesmo objetivo.
Divulgar o nome do Cem Flores Perfumes.
Meier e as moças do Pavilhão do Esquecimento também se preparavam para retornar, mas antes, Meier lhe trouxe uma boa notícia: o Pavilhão do Esquecimento havia decidido firmar uma parceria de longo prazo com o Cem Flores Perfumes, comprometendo-se a adquirir pelo menos cem frascos de perfume por mês!
Mas, para Chen Luo, esse número ainda era insuficiente.
Seu verdadeiro objetivo era, através de Meier, abrir caminho para que todos os prostíbulos da Cidade Imperial usassem seus perfumes.
Claro que isso não seria apressado — bastava construir uma boa reputação e os demais viriam negociar espontaneamente.
— Feche a porta.
— Ah, sim, senhor!
De volta à loja, Chen Luo começou a calcular o lucro do dia.
Ao todo, vendeu quatrocentos frascos de perfume. Desses, cem eram da linha de luxo — metade vendida a nove taéis de prata cada, a outra metade a oito taéis. Os trezentos restantes, da linha comum, foram vendidos a cinco taéis cada.
Somando tudo, o faturamento totalizou dois mil trezentos e cinquenta taéis de prata.
Descontando os custos e salários, o lucro líquido ultrapassava mil e quinhentos taéis.
Quanto aos cem frascos restantes, ele planejava levá-los ao mercado no dia seguinte, vendendo cada um por quinze ou vinte taéis, o que certamente lhe renderia uma bela soma.
— Aqui está o seu pagamento — disse Chen Luo, entregando cinquenta taéis de prata a Cuiyun, vinte a mais do que o combinado para o mês.
Esses taéis extras seriam uma compensação por não ter comprado um doce para ela antes.
— Senhor, isso é demais! — exclamou Cuiyun, maravilhada com o brilho das moedas.
— Isso é só o começo. Poderá ganhar ainda mais — disse Chen Luo, sorrindo.
Ele já planejava encontrar mais ajudantes ágeis como Cuiyun para serem aprendizes.
Afinal, abrir a loja só três dias por semana não era sustentável.
Além disso, oferecer comida e moradia não seria problema, já que recrutaria pessoas da mansão do chanceler, o que facilitava a administração.
Na manhã seguinte, Chen Luo saiu sozinho, levando alguns frascos de perfume até a Rua Zhuque.
Para não ser reconhecido, fez questão de se disfarçar.
Deixou Cuiyun na loja, ocupada na produção dos perfumes.
Seu objetivo dessa vez eram as outras perfumarias da Cidade Imperial.
— O Cem Flores Perfumes vende por cinco taéis, e você pede vinte? — O gerente do Pavilhão Luxuoso arregalou os olhos, surpreso com tamanha ousadia.
— Ora, gerente, vinte taéis não é caro — sussurrou Chen Luo, fingindo mistério. — Se comprar, poderá estudar e descobrir como se fabrica esse perfume.
Continuou persuadindo:
— Assim, o Pavilhão Luxuoso também poderá vender perfumes.
— Então você está vendendo a fórmula? Não tem medo de o gerente do Cem Flores Perfumes vir atrás de você? — perguntou, desconfiado, o gerente.
Chen Luo sorriu abertamente:
— Claro que tenho medo! Mas tenho mais medo ainda de ficar sem dinheiro! Se não quiser, vou vender em outro lugar.
— Espere! — O gerente o deteve às pressas. — Vinte taéis então, compro tudo!
E, com o rosto tenso, entregou as moedas.
— Foi um prazer negociar! — Chen Luo aceitou satisfeito os trezentos taéis de prata e saiu do Pavilhão Luxuoso.
Em poucos frascos já havia lucrado tanto; revender realmente era um ótimo negócio.
Pensava em buscar mais perfumes na loja para continuar vendendo quando percebeu uma multidão reunida diante de sua loja.
— Ninguém aí dentro? — Su Shuhuai, acompanhada de oficiais do Tribunal Supremo, estava à porta, que estava fechada.
Ele havia instruído Cuiyun a não abrir a porta para ninguém além dele.
Intrigado, Chen Luo aproximou-se, quando uma voz da multidão gritou:
— Senhora, ele é o gerente do Cem Flores Perfumes!
Su Shuhuai virou-se imediatamente, franzindo a testa ao reconhecê-lo:
— Chen Luo?
— Senhorita Su, o que aconteceu? Por que até o Tribunal Supremo foi chamado? — perguntou Chen Luo, em voz baixa.
Embora surpresa ao saber que o Cem Flores Perfumes era dele, Su Shuhuai respondeu, séria:
— Alguém denunciou que um produto do Cem Flores Perfumes matou uma pessoa!
— O quê? Matou alguém? — Chen Luo franziu o cenho.
A loja havia acabado de abrir no dia anterior e já havia rumores de morte por envenenamento.
Nem precisava pensar muito para perceber que havia alguém tramando contra ele.
Mas não conseguia imaginar quem teria motivos para tal.
Desde que passara a viver na mansão do chanceler, mantinha-se discreto, quase sem se envolver em conflitos.
— Senhorita Su, pode me dizer quem foi a vítima? Tem certeza de que foi envenenada? — perguntou Chen Luo, sério.
Su Shuhuai respondeu, com expressão grave:
— A vítima era uma mulher, encontrada morta em casa esta manhã. Segundo o legista, morreu envenenada.
— Por ora, é tudo o que posso dizer.
Naquele momento, uma voz da multidão gritou:
— Senhora, não perca tempo com esse assassino! Prenda-o logo!
Ao ver que era Sun Wencheng, o rosto de Su Shuhuai ficou gélido:
— Sun Wencheng, isso não lhe diz respeito! Não cabe a você me ensinar como conduzir uma investigação!
— A senhora me entendeu mal — respondeu Sun Wencheng, abanando-se com um leque e com um sorriso irônico nos lábios. — Só acho que, com provas tão claras, o Tribunal Supremo deveria prender logo esse assassino.
Essas palavras inflamaram a multidão.
— É isso mesmo! Assassinos devem ser punidos imediatamente!
— Eu já dizia que esse perfume era suspeito! Viu só, deu em tragédia!
— Senhora, ele vendeu tantos perfumes ontem! Para o bem de todos, deve recolher tudo, devolver o dinheiro e pedir desculpas!
— Ou será que o Tribunal Supremo não vai fazer justiça pela vítima?
Diante das acusações, Chen Luo não se perturbou, mas sorriu enigmaticamente.
Via claramente que Sun Wencheng queria usar a opinião pública para pressioná-lo, e até mesmo coagir o Tribunal Supremo.
— O senhor diz que as provas são claras, então diga, que provas são essas? — retrucou Chen Luo calmamente. — E mais, estou curioso: por que tantos compraram meu perfume e nada aconteceu, mas só essa pessoa teve problemas?
Sun Wencheng resmungou friamente:
— Quem sabe que más intenções você tinha? Talvez já estivesse de olho nela e, rejeitado, decidiu fazer mal!