Capítulo Sessenta e Sete: O Grande Pedido da Imperatriz
— Os enviados do palácio saem, naturalmente, para tratar de assuntos do imperador — disse Wei Huai, fazendo uma breve pausa, como se de repente se recordasse de algo. — Senhor Chen, veja só que coincidência, desta vez também tenho um outro assunto a tratar fora do palácio que, por acaso, lhe diz respeito.
— A mim? — Chen Luo apontou para si mesmo, desconfiado. — Não me diga que Sua Majestade quer que eu enfrente alguém de novo?
— De modo algum. Mas, por favor, suba à carruagem, senhor. Conversaremos melhor lá dentro.
Sem alternativa, Chen Luo entrou na carruagem de Wei Huai.
O veículo partiu lentamente, seguindo na direção da Rua do Mercado Oriental.
— Diga-me, senhor, afinal, o que há que me envolva? — Chen Luo não conseguiu conter a curiosidade.
Wei Huai sorriu levemente: — O que mais poderia ser? Sua Majestade deseja adquirir uma remessa dos perfumes da sua Loja das Cem Flores para uso no palácio.
Ao ouvir isso, Chen Luo abriu um sorriso radiante: — Ah, então é isso! Isso não só me diz respeito, como me alegra imensamente. Prepararei o melhor perfume para Sua Majestade!
— E deverá entregá-lo pessoalmente no palácio!
— Pode deixar, será um prazer.
Quanto ao verdadeiro motivo da saída de Wei Huai do palácio para servir à imperatriz, Chen Luo sabia que não deveria perguntar, então limitou-se a conversar amenamente com ele.
Pouco depois, a carruagem foi diminuindo a velocidade até parar nas proximidades da Loja das Cem Flores, na Rua do Mercado Oriental.
O veículo não pôde avançar mais, pois uma multidão se aglomerava em frente à loja, ávida por comprar perfumes.
— O negócio do senhor está realmente florescente — comentou Wei Huai, admirado.
Chen Luo também estranhou o movimento incomum daquele dia e apressou-se a descer para se aproximar da entrada: — Com licença! Abram caminho, por favor!
Chun Tao, ao vê-lo, quase chorou de alívio: — Senhor!
— O que está acontecendo? Por que tanta gente aqui?
— Eu também não sei. De repente, apareceram todos querendo comprar perfumes. O estoque de hoje está quase esgotado e, por mais que eu explique, ninguém aceita ir embora.
Ter muitos clientes é bom, mas sem estoque suficiente, de nada adianta. Chen Luo franziu o cenho, voltou-se para a multidão e percebeu que muitos ali nem pareciam realmente interessados em comprar.
Ergueu a voz: — Senhores! Eu sou o proprietário da Loja das Cem Flores. Hoje restam poucos frascos de perfume. Se desejam comprar de verdade, por favor, retornem amanhã!
— Se alguém está aqui apenas para causar confusão, não me culpem se eu chamar as autoridades!
Vendo que ninguém se dispersava, Chen Luo suspirou: — Não é a primeira vez que tentam fazer tumulto aqui, mas nunca terminou bem para quem tentou. Pensem bem antes de insistir.
— Além disso, estão vendo aquela carruagem ali? — Apontou para perto dali. — Dentro dela está uma das figuras mais influentes junto à Sua Majestade! Ele veio hoje especialmente para escolher perfumes em nome do imperador. Se insistirem em confusão...
Antes mesmo que terminasse de falar, os mais exaltados já se dispersavam às pressas, como se tivessem visto um fantasma.
No entanto, alguns ainda permaneceram. Um deles, vestindo trajes requintados, abanava um leque e sorria: — Senhor proprietário, afinal de contas, você está disposto a vender ou não?
Chen Luo analisou o rapaz e julgou-lhe o rosto familiar: — Claro que sim, mas depende se vieram de fato para adquirir perfumes.
— Se não fosse para isso, acha que viríamos até aqui só para passear? — O jovem fechou o leque com um estalo, sempre sorrindo.
Na carruagem, Wei Huai observava a situação. Ao perceber que nada melhorava, decidiu descer e ergueu a voz: — Que falta de respeito é essa, tanta algazarra!
O jovem de vestes nobres estacou ao ouvir a voz: — Senhor Wei?
— Ora, mas não é o Príncipe Herdeiro? — Wei Huai mostrou surpresa, logo compreendendo a situação. — Vejo que essa confusão de hoje tem a marca de Vossa Alteza.
— Vossa Alteza, quando chegou à capital? Por que não avisou o palácio antes, para que eu pudesse informar Sua Majestade e preparar uma recepção digna? — Wei Huai falou com ironia.
O príncipe manteve o sorriso cordial: — Voltei apenas para visitar velhos amigos, não há necessidade de incomodar Sua Majestade.
— Já que o senhor está aqui em nome do imperador, não vou mais incomodar. Com licença.
— Boa viagem, Alteza.
Assim que o príncipe partiu, parte do séquito e dos arruaceiros também se afastaram, restando apenas os verdadeiros clientes.
Chen Luo agradeceu a Wei Huai com uma reverência: — Obrigado por ter me ajudado.
— Se quiser agradecer, faça-o a Sua Majestade — respondeu Wei Huai, olhando a carruagem do príncipe afastar-se. — Não imaginei que ele fosse aparecer repentinamente na capital.
— O príncipe? Sabe de qual duque ele é filho? — Chen Luo já tinha uma suspeita, principalmente pela semelhança do príncipe com Shi Yeliu.
Wei Huai sorriu: — Príncipe herdeiro de Suiyang, Shi Ling. Curioso, não? Um príncipe legítimo da família imperial que leva o sobrenome Shi em vez de Xuan.
— Eu sabia... — murmurou Chen Luo, antes de brincar: — Quem sabe o Duque de Suiyang não é mesmo, como dizem os rumores, submisso à esposa?
— Seria um caso curioso mesmo...
Com a partida dos arruaceiros, a loja voltou ao seu ritmo normal.
Entretanto, a encomenda do palácio era grande. Com o estoque quase esgotado, Chen Luo convidou Wei Huai a acompanhá-lo até a nova filial que seria inaugurada no dia seguinte, onde ficava também o ateliê de fabricação dos perfumes.
— Por favor, sente-se um instante, senhor. Já pedi para Cuiyun e as outras prepararem os perfumes — disse Chen Luo, servindo-lhe chá.
Era de fato uma encomenda importante: a imperatriz queria quinhentos frascos do melhor perfume.
Wei Huai degustava o chá calmamente: — Não há pressa. Ouvi dizer que você contratou a senhorita Shangguan e a jovem Mei'er como embaixadoras da sua marca?
— É verdade — confirmou Chen Luo. — Amanhã lançaremos o perfume de jasmim, e a nova embaixadora será a própria princesa.
— Interessante — comentou Wei Huai, sem surpresa.
Sua Majestade e ele sabiam do apreço que a princesa tinha por Chen Luo; se não fosse pelo fato de ele ser genro do Chanceler, e pela amizade entre a princesa e Shangguan Nanyan, talvez já tivesse sido convidado a tornar-se genro da casa real de Zhen Nan.
Logo, os quinhentos frascos estavam prontos: cento e cinquenta de osmanthus, cento e cinquenta de ameixa, e duzentos do novo jasmim.
Como prometido, Chen Luo acompanhou Wei Huai ao palácio para entregar pessoalmente a encomenda.
Diferentemente das vezes anteriores, sua entrada serviu apenas para a entrega, sem audiência com a imperatriz.
Após descarregar tudo, Chen Luo despediu-se: — Senhor Wei, já que a entrega foi feita, peço licença para me retirar.
— Um momento, senhor — sorriu Wei Huai. — Sua Majestade quer que encontre uma pessoa.
— Eu sabia que havia algo mais — comentou Chen Luo, resignado.
Wei Huai ajeitou as mangas: — Eu ia explicar tudo, mas como você mesmo se ofereceu para vir ao palácio, poupou-me palavras.
Na prisão dos condenados à morte.
Diferente da prisão do céu onde estivera antes, o ar ali era pesado, saturado do cheiro de sangue. Os prisioneiros esperavam apenas a execução.
Lá, Chen Luo reconheceu rostos familiares: Sun Deshou e Sun Wencheng. Diziam que Sun Wencheng fora capturado pessoalmente por Su Shuhuai, realizando assim seu desejo antigo de levá-lo à justiça.
Mas a pessoa que a imperatriz queria que visse não era da família Sun.
— Senhor Xie, trouxe a pessoa que pediu — disse Wei Huai, conduzindo Chen Luo até uma cela. — Fale o que tiver a dizer, não desperdice a última chance que Sua Majestade lhe concede.
Na cela encontrava-se um membro da família Xie, destinado à morte.
Chen Luo tomou a iniciativa: — Senhor Xie, tanto insistiu em me ver... Por acaso quer arrastar junto o ‘culpado’ que arruinou os planos da sua família e provocou sua destruição?