Capítulo Trinta e Dois: A Declaração de Soberania de Shangguan Nan Yan
— Sim, é apenas uma canção infantil, há algum problema nisso? — Chen Luo respondeu distraidamente, guardando o rolo de poesia enquanto fazia planos de vender aquela canção por um bom preço em outras sociedades de poesia.
Shangguan Nanyan e os demais trocaram olhares perplexos. Mesmo sabendo que ele era o jovem Luo, custavam a acreditar que uma simples cantiga pudesse superar as obras meticulosas dos mais talentosos poetas.
Com o fim do evento, a sociedade de poesia foi ficando silenciosa. Shangguan Nanyan ordenou que os criados ajudassem Zhao Dang a arrumar os restos, devolvendo o local ao seu estado original.
Zhao Dang compreendeu, no íntimo, que após aquele episódio, sua sociedade de poesia nunca mais sofreria com a falta de visitantes. Só o fato de a filha do ministro realizar ali um encontro literário, junto com três grandes sábios presentes, seria suficiente para atrair inúmeros literatos. E ainda havia o jovem Luo, que exibira seu talento e deixara duas obras memoráveis.
Na porta da sociedade, Luo Jinxi, prestes a subir na carruagem, virou-se para Chen Luo e disse:
— Se tiver tempo livre, não hesite em visitar o Pavilhão do Aroma das Nuvens.
Desde seu retorno à capital, aquele era seu local de estadia.
— Com certeza irei visitá-la — Chen Luo respondeu prontamente.
Meier sorriu levemente, e, diante de Shangguan Nanyan e Luo Jinxi, falou com doçura:
— Senhor, ainda me deve uma noite de primavera... Quando irá cumprir sua promessa?
— Tudo depende se a senhorita Meier realmente deseja passar uma noite comigo — desta vez, Chen Luo respondeu de forma direta.
Surpreendida com a réplica, Meier demorou a reagir antes de inclinar-se graciosamente:
— Meier aguarda ansiosa a visita do senhor a qualquer momento!
Shangguan Nanyan, que já se sentia apreensiva pelo convite privado da princesa a Chen Luo, tornou-se ainda mais protetora ao ouvir as palavras de Meier. Colocando-se diante de Chen Luo, declarou com firmeza aos dois:
— Princesa, senhorita Meier, não se esqueçam: ele é um homem casado!
A atitude protetora fez Su Shuhuai e Qin Zhaoxi rirem discretamente. Até pouco tempo atrás, Nanyan insistia que não interfeririam um no outro; agora, temia que Chen Luo fosse levado por outra. A mudança era realmente divertida.
Dentro da carruagem em direção à residência, Chen Luo e Shangguan Nanyan sentaram-se frente a frente. Ele percebeu sua inquietação:
— Está se sentindo desconfortável? Precisa que eu lhe faça um carinho?
— Não... não é necessário! — Nanyan endireitou-se rapidamente.
Ela apenas não sabia como lidar com Chen Luo, especialmente ao recordar que desejara, secretamente, que ele tivesse metade do talento literário do jovem Luo. Envergonhada, abaixou a cabeça.
— Gosta muito das minhas poesias?
— Claro que gosto! — Nanyan respondeu sem hesitar. — Cada uma de suas obras tem uma atmosfera tão única; basta um verso para transportar o leitor...
Ela começou a elogiar com entusiasmo.
Chen Luo sorriu suavemente:
— Que bom que gosta. Tive receio de que minhas poesias não fossem dignas aos seus olhos.
Isso fez Nanyan abrir-se ainda mais:
— A propósito, como pensou em usar poesia para atrair clientes para comprar perfumes?
— O princípio é simples — explicou Chen Luo. — Pessoas e coisas precisam de embalagem. A poesia pode enaltecer uma pessoa e transformar algo simples em um tesouro de valor incalculável.
Nanyan assentiu, pensativa:
— Entendi. Quando alguém se depara com uma boa poesia, naturalmente se sente atraído. E suas obras ainda dialogam com os produtos, despertando curiosidade e desejo de compra.
— Inteligente.
— Há outra questão que gostaria de discutir — aproveitou Chen Luo, ao perceber o bom humor dela. — Planejo selecionar mais pessoas da residência para serem aprendizes e aprenderem a fazer perfumes comigo.
Nanyan assentiu:
— Isso nem precisa ser consultado comigo. Além disso, Cuiyun e Chuntao começaram a aprender com você sem que eu fosse avisada.
— Mesmo assim, acho importante conversar — Chen Luo insistiu. — Afinal, além dos seus pais, só você pode decidir essas coisas na residência.
Ele prosseguiu:
— Também preciso de uma loja maior, de preferência com dois andares e um pátio nos fundos.
A loja atual era pequena, mas ele não pretendia fechá-la, pois tinha valor especial. O pátio seria para ampliar o ateliê de perfumes, já que o espaço era apertado.
— Minha mãe tem algumas lojas desocupadas na capital imperial. Quando tiver tempo, pode ir vê-las — sugeriu Nanyan.
— Ótimo, verei em breve.
Chen Luo só queria usar a influência da família para alugar um estabelecimento adequado, mas não esperava que sua sogra tivesse experiência comercial e pudesse oferecer o local, economizando custos.
Após sua explicação, Nanyan perguntou:
— Na sociedade de poesia, você disse que a senhorita Chi salvou você. O que aconteceu?
— Não foi nada demais — Chen Luo respondeu. — Xie Xingchao mandou alguns homens para me “convidar” à casa Xie, mas a senhorita Chi passou pelo local e interveio.
— Casa Xie... Seu pai sabe disso?
— Ainda não contei ao sogro. Fora a senhorita Su, não falei sobre isso com mais ninguém.
— Shuhuai! — Nanyan franziu a testa.
Só então percebeu que sua amiga íntima sabia de tantos segredos de Chen Luo, mas jamais lhe contara nada.
— Algum problema? — perguntou Chen Luo, sem entender.
Nanyan balançou a cabeça:
— Nada. Apenas acho que deveria contar ao meu pai.
— Certo, assim que chegarmos vou procurá-lo.
Ao retornarem à residência, encontraram Shangguan Qian no jardim. Ele parecia ter algo a falar e chamou:
— Luo, venha cá, tenho algo a discutir.
Nanyan queria acompanhar, mas ao notar o semblante sério do pai, percebeu que se tratava de assunto importante e preferiu não interferir.
No escritório, Shangguan Qian fechou a porta e falou em tom grave:
— Ouvi dizer que Sun Wencheng tentou causar problemas na sociedade de poesia? Quis difamar você publicamente?
— De fato, mas ele foi manipulado — respondeu Chen Luo.
— Manipulado? Refere-se a Xie Xingchao? — Shangguan Qian só podia pensar no terceiro filho da família Xie.
Chen Luo assentiu:
— Sogro, sua perspicácia é admirável. Dias atrás, Xie Xingchao mandou gente para me “convidar” à casa Xie, mas felizmente uma heroína surgiu e me salvou.
Shangguan Qian franziu a testa, preocupado:
— Então, da última vez, quando Sun Wencheng tentou incriminar você após o assassinato, foi ideia de Xie Xingchao?
— É possível — concordou Chen Luo, mudando de assunto. — Mas creio que não é por isso que veio falar comigo, certo?
Shangguan Qian sorriu, acariciando a barba:
— De fato. Vim falar sobre o caso dos Cinco Venenos. Ouvi de Su Zhenghe que você recebeu dez taéis de prata de sua filha?
— E o nome do caso foi você que deu?
Chen Luo levantou a sobrancelha, pensando se o magistrado queria recuperar o dinheiro. Um oficial respeitável não seria tão mesquinho, certo?
— Fique tranquilo, não vim pedir a devolução da prata — Shangguan Qian percebeu a expressão dele e riu. — Mas o caso envolve muitos interesses; qualquer descuido pode trazer problemas à família. Vim alertá-lo.
Chen Luo respirou aliviado, entendendo que o sogro temia que, caso não solucionasse o caso, a família fosse prejudicada.
Ele respondeu com seriedade:
— Sogro, fique tranquilo. Se houvesse perigo, jamais teria aceitado ajudar a senhorita Su, nem receberia a prata.
— Ah? — Shangguan Qian olhou-o com brilho nos olhos. — Então já tem pistas importantes?
— Na verdade, foi a senhorita Su quem encontrou as pistas — Chen Luo explicou. — Eu só estou ajudando a solucionar o caso.
Por enquanto, não havia novos avanços; era preciso esperar notícias do Pavilhão da Primavera.