Capítulo Trinta e Sete: Você Chama Isso de Investigação?
— Alguém como eu, vindo a um lugar desses, poderia fazer o quê? Não sou como o jovem mestre Chen, repleto de talento. Quem sabe esta visita ao Pavilhão da Flor de Primavera não lhe inspire outra obra-prima em breve? — disse Xie Xingchao, num tom sarcástico.
Chen Luo percebeu o escárnio nas palavras, mas não se incomodou nem um pouco:
— O jovem mestre Xie me superestima, comparado a você, sou apenas um aprendiz diante do mestre. Se eu tivesse metade da sua inteligência, talvez nem precisasse ser um genro agregado.
Xie Xingchao ficou atônito por um instante, sem reagir de imediato.
Só ao refletir melhor compreendeu que Chen Luo estava a zombar dele, insinuando que nem mesmo era páreo para um simples agregado à família!
— O senhor Chen exagera. O posto de genro agregado da Mansão do Primeiro-Ministro é tão cobiçado que muitos dariam tudo para consegui-lo. Eu é que deveria invejá-lo.
Lançando um olhar de soslaio para Yan’er ao seu lado, sorriu friamente:
— Senhor Chen, não vou mais perturbar o seu lazer. Tenho assuntos urgentes, peço licença.
— Vá com calma, senhor Xie.
Ao cruzarem-se, Xie Xingchao lançou um olhar ao interior do reservado e avistou Su Shuhuai e Chi Hanshang.
Yan’er, rebolando, aproximou-se de Chen Luo:
— Como deseja ser servido por Yan’er, senhor?
— Isso depende das habilidades da senhorita Yan’er — respondeu ele, passando-lhe o braço pela cintura fina e entrando com ar despreocupado no reservado.
No salão do andar de baixo, Xie Xingchao observava tudo atentamente.
O homem de meia-idade ao seu lado murmurou:
— Jovem mestre, parece mesmo que Chen Luo veio se divertir.
Xie Xingchao franziu levemente o cenho:
— Se é verdade ou não, logo saberemos. Vamos ao Pavilhão Sem Retorno!
Após deixar o Pavilhão da Flor de Primavera, a carruagem de Xie Xingchao seguiu direto para o Pavilhão Sem Retorno.
— Tio Qiao, como está a situação na família Liu? — perguntou ele, do outro lado da cortina.
— Jovem mestre, a família Liu já foi presa. Isso não é nada bom para nós. Devo mandar alguém... — Qiao fez um gesto cortando o pescoço.
Xie Xingchao balançou a cabeça:
— Não há pressa. Mesmo que a família Liu denuncie a família Xie, sem provas concretas, quem ousaria nos tocar?
— O senhor tem toda razão — respondeu Qiao, curvando-se. — Mas por que agora vamos ao Pavilhão Sem Retorno?
— Na capital imperial, ou mesmo em todo o Da Ning, não há lugar melhor para obter informações do que o Pavilhão Sem Retorno.
Pouco depois, chegaram ao destino.
Xie Xingchao desceu rapidamente da carruagem e entrou no pavilhão.
Esperou algum tempo no reservado até que Meier entrou, com certo espanto no rosto:
— O jovem mestre Xie veio de repente. O que o traz aqui?
— Senhorita Meier, venho em busca de informações — respondeu Xie Xingchao, tirando uma nota de mil taéis de prata. — Conheço as regras do Pavilhão dos Ventos: cada informação custa duzentos taéis.
— O que deseja saber? — Meier não se apressou em pegar o dinheiro.
— Quero saber se o Tribunal Supremo está investigando ultimamente a Seita dos Cinco Venenos. E o responsável pela investigação é Su Shaoqing?
— De fato, o tribunal está investigando a seita — respondeu Meier prontamente, acenando para que o criado trouxesse oitocentos taéis de troco. — Quanto ao responsável ser Su Shaoqing, não posso confirmar. O Pavilhão dos Ventos só vende informações precisas.
Apesar de não obter uma resposta completa, Xie Xingchao já havia compreendido o recado:
— Senhorita Meier, pode ficar com o troco. Suas informações valem ouro.
— Jovem mestre, as regras do Pavilhão dos Ventos não podem ser quebradas.
Xie Xingchao não teve escolha senão guardar os oitocentos taéis.
Antes de sair, disse de maneira enigmática:
— Ah, senhorita Meier, sabia que Chen Luo esteve hoje no Pavilhão da Flor de Primavera?
Meier franziu o cenho:
— O que quer dizer com isso, jovem mestre Xie? Para onde Chen Luo vai não me diz respeito, não?
— Só comentei por comentar — replicou Xie Xingchao, saindo do pavilhão.
Antes de subir na carruagem, ordenou a Qiao:
— Vá contar isso a Yan’er e deixe que ela decida. Amanhã quero ouvir notícias da morte de Chen Luo.
— Se não conseguirem, não precisamos mais da Seita dos Cinco Venenos.
Qiao se inclinou:
— Jovem mestre, a seita é um grupo cultivado pelo patrão, talvez não seja prudente...
— Faça o que mandei! Para que tanto questionamento? — a voz de Xie Xingchao tornou-se gélida.
— Sim, seu servo cumprirá a ordem.
Só depois que a carruagem se afastou, Qiao endireitou a postura, preocupado:
— O jovem mestre anda cada vez mais impaciente... Será mesmo por causa daquele Chen Luo?
Xie Xingchao já tomara sua decisão: eliminar Chen Luo, nem que para isso precisasse sacrificar toda a Seita dos Cinco Venenos.
Dentro do Pavilhão Sem Retorno, um pressentimento inquieto tomou conta de Meier.
O que afinal pretendia Xie Xingchao com aquelas palavras?
Por que mostrava repentina preocupação com a investigação do tribunal sobre a seita?
As informações do Pavilhão dos Ventos eram sempre exatas, mas por vezes não se conseguia as notícias mais recentes.
Enquanto refletia, Miao Zhu entrou apressada:
— Irmã! O senhor Chen está ajudando Su Shaoqing a investigar a Seita dos Cinco Venenos. Hoje ele foi ao Pavilhão da Flor de Primavera, Su Shaoqing e a senhorita Chi estavam lá, mas Xie Xingchao veio perguntar sobre isso. Será que...
Meier ficou séria:
— Mande vigiar a família Xie e envie alguém ao Pavilhão da Flor de Primavera. É urgente avisar o senhor Chen!
— Entendido!
Não se sabia se Xie Xingchao pretendia matar Chen Luo ou tramava outra coisa, mas era essencial transmitir a informação o quanto antes.
...
No reservado do Pavilhão da Flor de Primavera.
— Senhor, ah! — Yan’er, segurando um pedaço de fruta cristalizada, riu e levou-o à boca de Chen Luo.
— Humm, está doce demais — Chen Luo semicerrava os olhos, expressão de puro deleite.
Su Shuhuai não suportava mais a cena.
Queria intervir, mas, naquele momento, mal podia cuidar de si mesma: ela e Chi Hanshang estavam cercadas por várias moças, que as alimentavam com doces e insistiam para que bebessem.
Restava-lhe apenas fuzilar Chen Luo com o olhar, lembrando-o do verdadeiro objetivo da visita!
Chen Luo, fingindo-se embriagado, segurou a mão de Yan’er:
— Senhorita Yan’er, não deve ser fácil a sua vida, não é?
— O senhor está brincando — Yan’er ocultou um sorriso atrás da mão. — Quem não sofre nesta vida? Todos lutam por um prato de comida.
— Ah! — Chen Luo acariciou, piedoso, os calos em sua mão. — Veja só esses calos, são fruto de muito treino, não?
A mão delicada que ele segurava se retraiu de repente.
— Senhor, para que falar disso? Venha, beba um pouco mais.
Vendo o comportamento estranho da moça, o olhar de Chen Luo brilhou por um instante, mas manteve o ar ébrio, erguendo o copo:
— Claro, vamos beber!
Nesse momento, uma jovem entrou apressada e sussurrou algo ao ouvido de Yan’er.
O rosto dela mudou imediatamente.
— Senhor, peço perdão, preciso resolver um assunto urgente, volto logo.
— Não demore para voltar! — disse ele.
Ela saiu sozinha, o que parecia natural, mas levou consigo todas as outras moças.
Chen Luo sorriu de leve: não havia dúvidas, Yan’er era suspeita.
Su Shuhuai e Chi Hanshang suspiraram de alívio.
Aquela situação era embaraçosa demais para elas.
— Ei! — Su Shuhuai assumiu um ar severo. — Esqueceu o motivo da nossa vinda? O que fez agora passou dos limites! Vou contar tudo à Nanyan quando voltarmos!
Chen Luo ajustou calmamente as mangas:
— Senhorita Su, está enganada. Eu apenas estava ajudando na investigação.
— Chama aquilo de investigar? — Su Shuhuai riu, incrédula. Todos podiam ver que ele estava se divertindo.
Chi Hanshang interveio rapidamente:
— Senhor, senhorita Su, não é hora para discutir. Já que elas saíram, não deveríamos aproveitar para investigar?
Chen Luo, porém, balançou a cabeça:
— Agora, não só não podemos sair do Pavilhão da Flor de Primavera, como talvez nem deste reservado consigamos sair.
— Por que diz isso, senhor? — Chi Hanshang ficou alerta. — Descobriu algo?