Capítulo Vinte: O Patrocinador do Encontro Poético

Você foi escolhido para ser genro, mas domina o governo com mão de ferro? Um tirano, um líder 2560 palavras 2026-02-07 15:03:30

— Canalha! — exclamou ela, sem pensar.

— Hã? — Chen Luo ficou completamente confuso com o insulto repentino.

Só então Shangguan Nanyan percebeu que ele falava do perfume, e suas faces coraram intensamente. — Eu... eu pensei que fosse...

— Pensou o quê? — Chen Luo, entre divertido e intrigado, perguntou. — Só queria saber se você se adaptou ao perfume Baihuaxiang.

— Como você sabe que é Baihuaxiang? — ela arregalou os olhos, surpresa.

Chen Luo apenas sorriu, sem responder.

Naturalmente, ele sabia: Baihuaxiang era sua criação, e o perfume, uma composição sua. Mas ainda não era a hora de revelar a verdade.

— Porque, em toda a capital, só eles vendem perfumes. Coincidência ou não, estive lá recentemente.

— E foi fazer o quê? — Ela o olhou desconfiada. — Não me diga que também quer usar perfumes? Ou será que...

— O que está imaginando? — Chen Luo, sem entender as conjecturas da jovem erudita, replicou. — Fui à Baihuaxiang para conseguir o patrocínio do prêmio principal para sua reunião de poesia.

Enquanto falava, tirou de dentro das vestes uma nota de prata e a entregou.

Ao ver o valor, Shangguan Nanyan não conteve o espanto: — Mil taéis? Tanto assim? Eles são mesmo generosos?

Chen Luo assentiu: — O dinheiro foi dado, mas com uma condição.

— Que condição?

— Baihuaxiang quer que o evento leve seu nome.

— Levar o nome? O que isso significa? — Ela inclinou a cabeça, confusa.

— É parecido com patrocínio, mas envolve um investimento maior e a contrapartida é simples — explicou Chen Luo. — Basta acrescentar, antes do nome da reunião poética, que é patrocinada por Baihuaxiang.

Shangguan Nanyan assentiu, parcialmente compreendendo: — Realmente, é uma condição fácil. Com tamanha generosidade, não tenho razão para recusar.

Embora nunca tivesse ido à Baihuaxiang e o perfume tivesse sido um presente de Luo Jinxí, sabia que a loja abrira há menos de dois dias na capital.

Perguntava-se, cheia de curiosidade, como Chen Luo conseguira convencer a loja a patrocinar o evento com mil taéis.

Mas ele, teimosamente, se recusava a revelar o segredo, o que a deixava indignada!

...

Embora o Tribunal Imperial já tivesse desmentido os rumores sobre Baihuaxiang, restabelecendo a reputação de Chen Luo, ainda circulavam boatos de que o perfume seria tóxico e capaz de matar.

No entanto, rumores são apenas rumores. Muitos já haviam usado o perfume e jamais alguém morreu envenenado.

Chen Luo sabia bem que a concorrência tentava sabotá-lo nos bastidores, mas o efeito foi o oposto do esperado.

Quanto mais se falava mal, mais curiosos procuravam Baihuaxiang. Afinal, era única na capital a vender algo tão novo quanto perfumes, atraindo cada vez mais clientes e dominando o mercado.

Uma fortuna inesperada como essa não se rejeita.

Naquele dia, Chen Luo saiu sozinho às compras, buscando ingredientes para produzir mais perfumes.

Gostaria de ter levado Cuiyun, mas, para garantir o abastecimento, precisou deixá-la trabalhando arduamente na loja.

No segundo andar de uma taverna próxima, Xie Xingchao avistou Chen Luo na rua e ordenou imediatamente:

— Vão, tragam Chen Luo até mim. Sejam corteses.

Após breve pausa, completou:

— Claro, se resistir, usem de força.

Os homens robustos na sala receberam a ordem, desceram e interceptaram Chen Luo.

Surpreendido por ser cercado, Chen Luo observou os rostos hostis e decidiu mudar de caminho.

Porém, não importa para onde virasse, o grupo seguia bloqueando sua passagem.

Mesmo ao tentar se esconder em um beco, continuaram a persegui-lo, impedindo sua fuga.

— Senhores, posso saber o motivo de tal abordagem?

— Nosso jovem senhor o convida.

— Quem seria ele?

— O terceiro filho da família Xie.

Xie Sanlang?

Chen Luo franziu o cenho. Da última vez, fora Sun Wencheng; agora era a vez de Xie Xingchao.

Lembrando o alerta de Shangguan Qian, sabia que a família Xie era ainda mais poderosa que os Sun. Sensato, não ofereceu resistência e acompanhou os homens até a taverna.

Na sala reservada, Xie Xingchao o aguardava.

— Jovem senhor Xie, posso saber o motivo do convite?

— Por favor, sente-se — disse Xie Xingchao, servindo chá calmamente. — Ao vê-lo, senti vontade de conhecê-lo melhor. Aceita minha amizade?

Chen Luo percebeu de imediato que Xie Xingchao era o oposto de Sun Wencheng: enquanto o outro era mau e tolo, este demonstrava astúcia e cautela.

— Como poderia recusar? — respondeu, sentando-se com tranquilidade. — Mas acredito que o jovem senhor Xie não me procuraria apenas para fazer amizade, certo?

Um leve sorriso surgiu nos lábios de Xie Xingchao:

— O senhor é perspicaz. De fato, tenho uma proposta de negócios a lhe fazer.

— Não me diga que também quer que eu deixe a mansão Xiang para que possa cortejar Shangguan Nanyan à vontade?

— Claro que não! — Xie Xingchao negou com a cabeça. — Pode continuar como genro residente. Ouvi dizer que abriu a Baihuaxiang; é sinal de interesse pelo comércio.

— O que tenho a lhe propor só lhe trará vantagens.

Chen Luo entendeu de imediato: queriam comprá-lo.

— E qual seria sua oferta?

Xie Xingchao se surpreendeu com a disposição: — Não esperava tanta franqueza!

— Quem recusaria dinheiro? — Chen Luo deu de ombros.

Seriamente, Xie Xingchao declarou:

— Que tal? A família Xie pode lhe oferecer uma loja maior, uma rede de vendas mais ampla, para que seu perfume conquiste não só a capital, mas todo o país de Daning.

Após breve pausa, acrescentou:

— E, se desejar, podemos ajudá-lo a expandir para além das fronteiras.

Chen Luo saboreou o chá calmamente e respondeu com voz serena:

— Parece mesmo tentador. Mas, e se eu recusar?

— Tem certeza de que vai recusar? — Xie Xingchao arqueou uma sobrancelha. Proposta tão vantajosa dificilmente seria rejeitada.

— O senhor tem ótima percepção! — respondeu Chen Luo, e, diante do sorriso confiante do outro, completou: — Mas recuso.

— Sua oferta é atraente, mas tudo isso já planejei e venho executando. E, sinceramente, associar-me à sua família seria arriscado demais para mim.

O canto da boca de Xie Xingchao tremeu. Era a primeira vez que encontrava alguém como Chen Luo.

— Então está decidido?

Chen Luo percebeu a tensão crescente no ar. Os homens robustos espalhavam-se à sua volta, discretamente.

— O senhor não pretende me deixar sair daqui?

— Se aceitasse, seria um aliado valioso. Mas, já que insiste em recusar, temo que precise lhe dar uma lição — disse Xie Xingchao, sorrindo suavemente, mas com um brilho frio no olhar. — Não teme que eu peça socorro?

— Pode tentar. Quero ver quem teria coragem de atrapalhar meus negócios — respondeu Xie Xingchao, seguro de si, pois a taverna pertencia à família Xie; todos ali, da gerência aos empregados, eram seus.

— Foi você quem disse isso — declarou Chen Luo, elevando a voz de repente: — Socorro! Estão me matando!

Esperou alguns instantes, mas o silêncio permaneceu. Gritou novamente.

— Não adianta insistir, Chen Luo. Melhor considerar minha proposta...

Antes que Xie Xingchao terminasse a frase, um estrondo ecoou.

A porta da sala foi arrombada com um chute.

— Quem ousa cometer atrocidades em plena luz do dia? — bradou uma jovem de olhos amendoados e espada à cintura, faiscando determinação.