Capítulo Vinte: O Patrocinador do Encontro Poético
— Canalha! — exclamou ela, sem pensar.
— Hã? — Chen Luo ficou completamente confuso com o insulto repentino.
Só então Shangguan Nanyan percebeu que ele falava do perfume, e suas faces coraram intensamente. — Eu... eu pensei que fosse...
— Pensou o quê? — Chen Luo, entre divertido e intrigado, perguntou. — Só queria saber se você se adaptou ao perfume Baihuaxiang.
— Como você sabe que é Baihuaxiang? — ela arregalou os olhos, surpresa.
Chen Luo apenas sorriu, sem responder.
Naturalmente, ele sabia: Baihuaxiang era sua criação, e o perfume, uma composição sua. Mas ainda não era a hora de revelar a verdade.
— Porque, em toda a capital, só eles vendem perfumes. Coincidência ou não, estive lá recentemente.
— E foi fazer o quê? — Ela o olhou desconfiada. — Não me diga que também quer usar perfumes? Ou será que...
— O que está imaginando? — Chen Luo, sem entender as conjecturas da jovem erudita, replicou. — Fui à Baihuaxiang para conseguir o patrocínio do prêmio principal para sua reunião de poesia.
Enquanto falava, tirou de dentro das vestes uma nota de prata e a entregou.
Ao ver o valor, Shangguan Nanyan não conteve o espanto: — Mil taéis? Tanto assim? Eles são mesmo generosos?
Chen Luo assentiu: — O dinheiro foi dado, mas com uma condição.
— Que condição?
— Baihuaxiang quer que o evento leve seu nome.
— Levar o nome? O que isso significa? — Ela inclinou a cabeça, confusa.
— É parecido com patrocínio, mas envolve um investimento maior e a contrapartida é simples — explicou Chen Luo. — Basta acrescentar, antes do nome da reunião poética, que é patrocinada por Baihuaxiang.
Shangguan Nanyan assentiu, parcialmente compreendendo: — Realmente, é uma condição fácil. Com tamanha generosidade, não tenho razão para recusar.
Embora nunca tivesse ido à Baihuaxiang e o perfume tivesse sido um presente de Luo Jinxí, sabia que a loja abrira há menos de dois dias na capital.
Perguntava-se, cheia de curiosidade, como Chen Luo conseguira convencer a loja a patrocinar o evento com mil taéis.
Mas ele, teimosamente, se recusava a revelar o segredo, o que a deixava indignada!
...
Embora o Tribunal Imperial já tivesse desmentido os rumores sobre Baihuaxiang, restabelecendo a reputação de Chen Luo, ainda circulavam boatos de que o perfume seria tóxico e capaz de matar.
No entanto, rumores são apenas rumores. Muitos já haviam usado o perfume e jamais alguém morreu envenenado.
Chen Luo sabia bem que a concorrência tentava sabotá-lo nos bastidores, mas o efeito foi o oposto do esperado.
Quanto mais se falava mal, mais curiosos procuravam Baihuaxiang. Afinal, era única na capital a vender algo tão novo quanto perfumes, atraindo cada vez mais clientes e dominando o mercado.
Uma fortuna inesperada como essa não se rejeita.
Naquele dia, Chen Luo saiu sozinho às compras, buscando ingredientes para produzir mais perfumes.
Gostaria de ter levado Cuiyun, mas, para garantir o abastecimento, precisou deixá-la trabalhando arduamente na loja.
No segundo andar de uma taverna próxima, Xie Xingchao avistou Chen Luo na rua e ordenou imediatamente:
— Vão, tragam Chen Luo até mim. Sejam corteses.
Após breve pausa, completou:
— Claro, se resistir, usem de força.
Os homens robustos na sala receberam a ordem, desceram e interceptaram Chen Luo.
Surpreendido por ser cercado, Chen Luo observou os rostos hostis e decidiu mudar de caminho.
Porém, não importa para onde virasse, o grupo seguia bloqueando sua passagem.
Mesmo ao tentar se esconder em um beco, continuaram a persegui-lo, impedindo sua fuga.
— Senhores, posso saber o motivo de tal abordagem?
— Nosso jovem senhor o convida.
— Quem seria ele?
— O terceiro filho da família Xie.
Xie Sanlang?
Chen Luo franziu o cenho. Da última vez, fora Sun Wencheng; agora era a vez de Xie Xingchao.
Lembrando o alerta de Shangguan Qian, sabia que a família Xie era ainda mais poderosa que os Sun. Sensato, não ofereceu resistência e acompanhou os homens até a taverna.
Na sala reservada, Xie Xingchao o aguardava.
— Jovem senhor Xie, posso saber o motivo do convite?
— Por favor, sente-se — disse Xie Xingchao, servindo chá calmamente. — Ao vê-lo, senti vontade de conhecê-lo melhor. Aceita minha amizade?
Chen Luo percebeu de imediato que Xie Xingchao era o oposto de Sun Wencheng: enquanto o outro era mau e tolo, este demonstrava astúcia e cautela.
— Como poderia recusar? — respondeu, sentando-se com tranquilidade. — Mas acredito que o jovem senhor Xie não me procuraria apenas para fazer amizade, certo?
Um leve sorriso surgiu nos lábios de Xie Xingchao:
— O senhor é perspicaz. De fato, tenho uma proposta de negócios a lhe fazer.
— Não me diga que também quer que eu deixe a mansão Xiang para que possa cortejar Shangguan Nanyan à vontade?
— Claro que não! — Xie Xingchao negou com a cabeça. — Pode continuar como genro residente. Ouvi dizer que abriu a Baihuaxiang; é sinal de interesse pelo comércio.
— O que tenho a lhe propor só lhe trará vantagens.
Chen Luo entendeu de imediato: queriam comprá-lo.
— E qual seria sua oferta?
Xie Xingchao se surpreendeu com a disposição: — Não esperava tanta franqueza!
— Quem recusaria dinheiro? — Chen Luo deu de ombros.
Seriamente, Xie Xingchao declarou:
— Que tal? A família Xie pode lhe oferecer uma loja maior, uma rede de vendas mais ampla, para que seu perfume conquiste não só a capital, mas todo o país de Daning.
Após breve pausa, acrescentou:
— E, se desejar, podemos ajudá-lo a expandir para além das fronteiras.
Chen Luo saboreou o chá calmamente e respondeu com voz serena:
— Parece mesmo tentador. Mas, e se eu recusar?
— Tem certeza de que vai recusar? — Xie Xingchao arqueou uma sobrancelha. Proposta tão vantajosa dificilmente seria rejeitada.
— O senhor tem ótima percepção! — respondeu Chen Luo, e, diante do sorriso confiante do outro, completou: — Mas recuso.
— Sua oferta é atraente, mas tudo isso já planejei e venho executando. E, sinceramente, associar-me à sua família seria arriscado demais para mim.
O canto da boca de Xie Xingchao tremeu. Era a primeira vez que encontrava alguém como Chen Luo.
— Então está decidido?
Chen Luo percebeu a tensão crescente no ar. Os homens robustos espalhavam-se à sua volta, discretamente.
— O senhor não pretende me deixar sair daqui?
— Se aceitasse, seria um aliado valioso. Mas, já que insiste em recusar, temo que precise lhe dar uma lição — disse Xie Xingchao, sorrindo suavemente, mas com um brilho frio no olhar. — Não teme que eu peça socorro?
— Pode tentar. Quero ver quem teria coragem de atrapalhar meus negócios — respondeu Xie Xingchao, seguro de si, pois a taverna pertencia à família Xie; todos ali, da gerência aos empregados, eram seus.
— Foi você quem disse isso — declarou Chen Luo, elevando a voz de repente: — Socorro! Estão me matando!
Esperou alguns instantes, mas o silêncio permaneceu. Gritou novamente.
— Não adianta insistir, Chen Luo. Melhor considerar minha proposta...
Antes que Xie Xingchao terminasse a frase, um estrondo ecoou.
A porta da sala foi arrombada com um chute.
— Quem ousa cometer atrocidades em plena luz do dia? — bradou uma jovem de olhos amendoados e espada à cintura, faiscando determinação.