Capítulo Cinco: Venda Porta a Porta

Você foi escolhido para ser genro, mas domina o governo com mão de ferro? Um tirano, um líder 2716 palavras 2026-02-07 15:03:12

— Exatamente! — Shangguan Qian bateu com força na mesa, um brilho intenso passando por seus olhos. — Era justamente isso que eu queria dizer!

Ele massageou as têmporas e soltou um longo suspiro:

— Nanyan, você quer organizar uma reunião poética, e como seu pai, é claro que lhe dou total apoio. Mas, neste momento tão delicado...

Shangguan Qian levantou-se e começou a andar de um lado para o outro no escritório.

— Como primeiro-ministro do reino, chefe de todos os servidores civis, não apenas os literatos acompanham cada passo meu, mas também os militares me observam com olhos atentos!

— Se ao menos pudéssemos esperar um pouco... — Parou de andar, falando de maneira ponderada. — Quando o tribunal terminar de investigar o caso de corrupção dos funcionários, seu pai organizará tudo para você da maneira mais esplêndida possível!

Mas Shangguan Nanyan balançou a cabeça com teimosia:

— Pai, daqui a dois meses será o exame imperial. Quero organizar essa reunião poética justamente quando jovens estudiosos de todas as partes estiverem chegando à capital.

Chen Luo, que estava ao lado, ouviu tudo com clareza.

Organizar agora permitiria atrair os melhores talentos do império. Se esperassem até depois dos exames, teriam de lidar com o ressentimento dos muitos que fracassaram.

— Cuidarei de tudo sozinha! Não quero incomodar o senhor! — Shangguan Nanyan virou-se para sair.

— Garota teimosa! — Shangguan Qian bateu o pé, mas nada pôde fazer.

Vendo a cena, Chen Luo apressou-se a fazer uma reverência:

— Sogro, vou atrás de Nanyan.

Shangguan Qian massageou o centro das sobrancelhas.

— Essa menina é muito obstinada. Luo, peço que tenha paciência com ela.

Chen Luo assentiu e rapidamente saiu do escritório.

— Nanyan! Espere! — Chamou por ela no corredor. — Tenho um jeito de ajudar você com a reunião poética. Posso resolver tanto o local quanto o dinheiro!

Shangguan Nanyan parou abruptamente e virou-se, desconfiada:

— Você? Acha mesmo que consegue?

— Com certeza! — Chen Luo bateu no peito, confiante. — Mas só se concordar com duas condições minhas.

Ela franziu ligeiramente o cenho e cruzou os braços:

— Desde que não sejam absurdas, posso considerar.

Chen Luo, porém, não se apressou em revelar o segredo do perfume que havia desenvolvido. Sabia que convencer a filha do primeiro-ministro a ser a representante de seu produto não seria tarefa fácil. Primeiro, precisava ajudá-la a organizar a reunião poética; depois, quando tudo estivesse encaminhado, proporia o acordo de forma natural.

Divulgar o perfume durante a reunião poética teria o efeito multiplicado.

— Quando eu conseguir o local e os patrocinadores, conversamos sobre as condições — respondeu, seguro.

Shangguan Nanyan bufou:

— Faça como quiser. Mas, se não conseguir, metade da sua mesada do mês que vem será cortada. Afinal, você anda trancado em casa, sem gastar quase nada.

— Fechado! — Chen Luo aceitou prontamente.

A resposta dele surpreendeu Shangguan Nanyan.

Ele não vivia dizendo que estava ali para aproveitar a boa vida?

Sem dinheiro... Será que ele conseguiria mesmo?

...

Chen Luo saiu sozinho pela porta principal do palacete. Cuiyun, a criada, havia sido chamada de volta por Nanyan.

No fundo, preferia assim. Afinal, o lugar aonde iria não era adequado para levar uma jovem criada.

Ele tinha dois objetivos: primeiro, encontrar um local adequado para a reunião poética de Nanyan; segundo, aproveitar para vender o perfume que desenvolvera.

Depois de pensar bastante, concluiu que o melhor lugar era uma sociedade poética.

Na capital imperial, qualquer reunião poética de prestígio era realizada em uma sociedade dessas.

Contudo, depois de visitar sete ou oito delas, foi recusado, de forma educada, em todas.

Não podia ser diferente. Ele evitou mencionar o nome de Nanyan, filha do primeiro-ministro; para aqueles donos de sociedade, não passava de um desconhecido querendo organizar um evento, e por isso, naturalmente, recusaram.

Restava apenas uma, a Sociedade Poética Passo Suave.

Ao entrar, Chen Luo examinou o salão, quase vazio, com apenas dois ou três clientes dispersos. As poucas poesias nas paredes eram igualmente escassas.

Nesse momento, um homem de meia-idade aproximou-se.

Ao cruzarem os olhares, ambos ficaram surpresos.

— Ora, é você, rapaz!

— Não imaginei que o senhor fosse o dono desta sociedade! — Chen Luo reconheceu-o de imediato. Era o homem que, na última vez em que vendera bálsamos perfumados, quisera comprar sua poesia por cinquenta moedas de prata.

Agora finalmente entendia por que ele insistira tanto naquele poema: queria comprá-lo barato para vendê-lo caro em sua própria sociedade poética!

Por sorte, a jovem Luo pagara quinhentas moedas pelo bálsamo perfumado; caso contrário, teria mais uma vez caído na lábia de um “colega de profissão”.

O homem de meia-idade riu, constrangido:

— Jovem... Veio vender poesia hoje?

— Vim! — respondeu Chen Luo, animado, mas logo mudou o tom: — Mas tenho um assunto ainda mais importante para tratar com o senhor. Como devo chamá-lo?

— Sou Zhao Dang — respondeu ele, lançando um olhar desconfiado ao jovem de modos estranhos. — O que deseja tratar comigo?

Zhao Dang sentia cada vez mais que havia algo de errado. O rapaz parecia misterioso demais para alguém que só queria vender poesia.

De repente, Chen Luo se aproximou, abaixando a voz:

— Senhor Zhao, pretendo organizar uma reunião poética e preciso de um local adequado.

Olhou ao redor e sorriu de canto:

— Acho que sua Sociedade Passo Suave é perfeita para isso, então...

— Uma reunião poética? — Zhao Dang franziu o cenho. — Talvez tenha vindo ao lugar errado. Minha sociedade é modesta, temo não corresponder às suas expectativas.

— Não se apresse em recusar, senhor Zhao! — Chen Luo sorriu. — Pelo que vejo, sua sociedade foi inaugurada há pouco tempo, não?

Zhao Dang sorriu amargurado e balançou a cabeça:

— Para ser franco, já estamos abertos há mais de um ano. Mas, comparada às casas tradicionais da cidade, realmente temos pouca experiência.

— Isso é ótimo! — Chen Luo bateu palmas. — O que mais falta à sua sociedade é uma chance de se tornar famosa!

Zhao Dang olhou ao redor, para os poucos clientes e as escassas poesias nas paredes.

Ele teve de admitir: precisava urgentemente de uma oportunidade para popularizar seu estabelecimento.

Mas o instinto de comerciante fez com que não aceitasse de imediato.

— Jovem, posso emprestar-lhe o espaço da sociedade — Zhao Dang semicerrava os olhos —, mas preciso de uma garantia.

— Não me diga que essa garantia seria um poema? — Chen Luo sorriu de canto.

Zhao Dang soltou uma gargalhada e, sem hesitar, trouxe pessoalmente papel, pincel e tinta:

— Vejo que o senhor conhece o ramo! O que mais falta à minha sociedade são bons poemas. Uma obra-prima é a melhor garantia!

Ainda se lembrava bem do poema sobre os osmanthus da última vez. Se uma jovem pagou quinhentas moedas por ele, devia ser realmente extraordinário.

Se a sociedade pudesse obter uma poesia dessas, mesmo que a reunião não desse certo, poderia vendê-la a um bom conhecedor e lucrar bastante.

— Então vou ousar mostrar minha habilidade.

Chen Luo escreveu não apenas um, mas dois poemas:

— Senhor Zhao, este é um presente para você. O outro fica aqui, para ser vendido em consignação.

— Que generosidade! — Zhao Dang sorriu largo, sem esconder os dentes.

Afinal, estava apenas emprestando o espaço, e ainda ganharia duas poesias de qualidade. Um excelente negócio.

Ao sair pela porta da sociedade, Chen Luo já planejava os próximos passos:

— O local está resolvido, agora é hora de buscar patrocinadores.

Na verdade, ele até gostaria de bancar a reunião poética de Nanyan do próprio bolso, mas estava sem dinheiro. Precisava vender o perfume primeiro.

Por isso, essa reunião era crucial, tanto para Nanyan quanto para ele próprio.

Com certeza, muitos nobres e pessoas influentes participariam. Se tudo corresse bem, poderia divulgar o perfume durante o evento e ainda ampliar sua rede de contatos.

Na capital imperial, negócios dependem de conexões.

Essa reunião poética era uma oportunidade de ouro!

E se Shangguan Nanyan aceitasse ser a representante do perfume, o efeito seria ainda maior!

— Mas antes preciso garantir que o perfume será vendido... — murmurou Chen Luo, pensativo.

Poderia, como havia feito dias atrás, compor um poema para atrair clientes.

Porém, ao pensar melhor, percebeu que a maioria viria apenas pela poesia, sem dar atenção alguma ao perfume.

Vender em lojas de fragrâncias da capital? De jeito nenhum!

Queria que todos os lucros fossem exclusivamente seus.

Por isso, já havia escolhido o mercado ideal: um lugar onde a busca por fragrâncias fosse enorme.

O bordel!