Capítulo Três: O Primeiro Milhão

Você foi escolhido para ser genro, mas domina o governo com mão de ferro? Um tirano, um líder 2850 palavras 2026-02-07 15:03:11

Ao entrar no Pavilhão das Sedas, o olhar de Lourenço percorreu o ambiente e percebeu que quase todas as pessoas ali eram mulheres; raramente se via algum homem. Não era de se estranhar, afinal, pomadas perfumadas eram artigos principalmente usados pelas moças. Quanto aos poucos homens presentes, provavelmente estavam ali para comprar presentes destinados às suas amadas.

— Senhor, está escolhendo uma pomada perfumada para presentear alguém especial? — O gerente do Pavilhão das Sedas aproximou-se, caloroso.

Lourenço assentiu levemente:

— Pode-se dizer que sim. O que tem de melhor?

— Ah, veio ao lugar certo! — O gerente, ágil, trouxe algumas pomadas. — Estas são novidades, estão vendendo como água!

Lourenço aproximou o frasco de cada uma ao nariz; de fato, o aroma era agradável, apenas lhe parecia um tanto suave.

— Esta serve. Quanto custa? — Escolheu uma caixa com fragrância de flor de laranjeira.

O gerente esfregou as mãos, sorrindo:

— Primeira vez aqui, não é? Faço um preço justo: cinco taéis de prata!

— Cinco taéis?

— O senhor talvez não saiba, mas o Pavilhão das Sedas está entre as melhores lojas de fragrâncias da capital imperial. Até o palácio compra nossas pomadas! O preço é muito razoável! — justificou o gerente, sempre sorridente.

Cinco taéis não eram baratos, mas desde que pudesse revender a pomada, o dinheiro gasto retornaria multiplicado. Lourenço pagou sem hesitar e saiu do Pavilhão das Sedas sem olhar para trás.

Cecília vinha logo atrás, murmurando baixinho:

— Senhor, as coisas do Pavilhão das Sedas são caras demais! Minha senhora não tem coragem de comprar pomadas aqui!

Seus olhos brilharam de repente, ela sorriu traquina:

— O senhor comprou pomada perfumada... será que é para presentear minha senhora?

Lourenço arqueou as sobrancelhas:

— Presentear a ela? Que ideia é essa! Comprei para ganhar dinheiro.

Cecília coçou a cabeça, confusa:

— Ganhar dinheiro? O senhor vai revender? Mas com uma caixinha tão pequena, quanto pode lucrar?

— Ora, então entende de revenda? — Lourenço não conteve o riso. — Logo verá quanto posso ganhar.

— Mas antes tem que me prometer: não importa o que eu faça, não conte nada à sua senhora!

Cecília hesitou, aflita:

— Mas... foi justamente minha senhora quem mandou eu vigiar o senhor!

Lourenço sorriu de canto e perguntou devagar:

— E você não quer comer maçãs caramelizadas e docinhos todos os dias?

A garota nem pensou, seus olhos brilharam e ela assentiu animada:

— Quero!

— Então seja obediente. — Lourenço sorriu gentil. — Quando eu ganhar bastante dinheiro, você vai comer o que quiser, e contar à sua senhora depois não será tarde.

Cecília abriu um largo sorriso:

— Está bem!

Chegando ao mercado mais movimentado da capital, Lourenço pediu que Cecília comprasse papel, pincel e uma pedra de tinta para ele. Em seguida, alugou uma cadeira e uma mesa de uma loja próxima por cem moedas de cobre e comprou uma nova caixa de porcelana por algumas centenas de moedas.

Lourenço trocou a caixa gravada com o nome do Pavilhão das Sedas, assim a pomada passaria a ser um produto próprio.

— Pronto! Agora só falta...

Pediu a Cecília que preparasse a tinta, abriu o papel branco e, com o pincel embebido, escreveu uma poesia em poucos instantes:

“Pálido amarelo, discreto e suave,
Distante no tempo, só o aroma fica.
Para quê o brilho do carmim ou do jade?
Entre as flores, é a mais distinta.”

Cecília observava, sem entender nada:

— O senhor vai vender poesia? Por que não vai à Sociedade dos Poetas?

— Lá é muito demorado, queremos negócios rápidos. — Lourenço respondeu, confiante. — Além disso, não estou vendendo poesia, e sim a pomada.

— E isso chama-se ‘embalagem e divulgação’.

A embalagem, para ele, não era o recipiente, mas o símbolo que valorizava o produto. No Reino de Ning, os letrados tinham prestígio igual ao dos guerreiros; a corte prezava a harmonia entre cultura e armas. Um bom poema era o melhor anúncio. Mesmo o mais comum dos produtos, acompanhado de versos sublimes, imediatamente tornava-se valioso.

Lourenço tomou o pincel e escreveu “Fragrância das Cem Flores” na caixa de porcelana que comprara.

Esse seria o nome de sua marca.

Por ora, só podia montar uma banca no mercado, mas não havia problema; juntando dinheiro, logo poderia alugar uma loja ou até comprar uma inteira.

Uma hora se passou, Cecília, entediada, contava formigas no chão.

— Senhor, vamos esperar muito mais? — levantou a cabeça e sugeriu — Que tal baixar o preço? Assim talvez alguém compre!

Lourenço sorriu preguiçoso:

— Para quê tanta pressa? Espere um pouco mais, logo surgirá um conhecedor.

Durante essa hora, muita gente se aproximou, a maioria atraída pelo poema. Era exatamente o que Lourenço queria. Porém, perguntavam não pelo preço da pomada, mas do poema.

Mas ele não vendia poesias, só pomadas.

Quem quisesse gastar cem taéis na pomada, o poema vinha de brinde!

Nesse momento, um homem de meia-idade, de ar distinto, aproximou-se curioso:

— Jovem, afinal, está vendendo poesia ou pomada?

— Pomada. — respondeu Lourenço, direto.

— Cem taéis de prata por uma caixa de pomada? — o homem balançou a cabeça. — E se eu lhe oferecer cinquenta taéis só pelo poema?

Lourenço voltou a negar:

— Meu senhor, só vendo a pomada.

O homem riu, divertido:

— Jovem, assim não dá. Com cinquenta taéis, dá para comprar muita pomada em outras lojas. Por que gastar cem aqui?

— Não faço questão. — Lourenço deu de ombros, indiferente.

— Não seja teimoso! — insistiu o homem. — Acha mesmo que alguém gastará cem taéis numa pomada sua?

Lourenço sorriu de canto:

— O senhor não sabe, mas minha pomada não é comum.

— O ingrediente vem de uma aldeia chamada Vale dos Pessegueiros, no sul. Lá, a flor de laranjeira floresce só uma vez ao ano, em agosto!

Continuou, eloquente:

— É uma flor tão rara que a colheita é dificílima, e só ali em todo o Reino de Ning. O custo não podia ser baixo.

— Cem taéis já é um preço de amigo. — falou, fingindo pesar.

— E, como diz meu poema, só uma flor assim pode ser chamada ‘a mais distinta entre todas’!

Suas palavras atraíram ainda mais curiosos. Todos conheciam a flor de laranjeira, mas nunca tinham ouvido falar de uma que florescesse apenas em agosto.

— Venham, não precisam comprar, só sentir o aroma e ver como é diferente das comuns! — convidou Lourenço, solícito.

— Realmente, tem um perfume diferente de tudo!

— É verdade! Sente-se uma tranquilidade só de cheirar.

— Se for mesmo tão rara quanto diz, o preço não está tão fora do comum.

Ouvindo os comentários, Lourenço sentiu-se satisfeito. Era exatamente o efeito desejado. Algumas palavras bem escolhidas transformavam um produto comum em tesouro raro.

— Senhor, quanto custa essa pomada? — perguntou uma jovem de vestido azul, abrindo caminho até a banca.

Seus olhos brilhantes, sorriso encantador, traços delicados — destacava-se na multidão.

Lourenço estava prestes a responder, mas as outras clientes já gritavam:

— Não era cem taéis? Dou cento e dez!

— Duzentos!

De repente, a pequena banca virou palco de leilão.

Lourenço ficou surpreso; não esperava que a situação tomasse tal rumo.

— Quinhentos taéis! — a voz cristalina da jovem de azul calou as demais.

Esse valor superava em muito o que as outras podiam oferecer; duzentos era o máximo para elas.

— Vendido! — vendo que ninguém cobria o lance, Lourenço sorriu satisfeito. — Jovem, a Fragrância das Cem Flores é toda sua! Ah, sim! — entregou o pergaminho. — O poema também é um presente.

— Muito obrigada... — a jovem recebeu com cuidado a pomada e o poema, tirou cinco notas e ofereceu — E o nome do senhor?

— Sou Lourenço Dias! — respondeu, fazendo uma reverência.

Cecília, ao lado, piscou surpresa. Por que o senhor inverteu o nome? Será que tinha medo de que, se soubessem depois que a pomada era comum, viessem cobrar explicações?

— Que coincidência, temos o mesmo sobrenome. — A jovem sorriu, encantadora.

Lourenço guardou as notas, sorrindo:

— O destino é mesmo curioso. Encontrá-la já é sorte; compartilhar o mesmo sobrenome então, é uma verdadeira bênção!