Capítulo Setenta: Provocação

Você foi escolhido para ser genro, mas domina o governo com mão de ferro? Um tirano, um líder 2404 palavras 2026-02-07 15:04:30

Su Shuhua bocejou, exausta: “Já investiguei. Embora Duan Cheng não fosse exatamente um homem honesto, tampouco mantinha inimizades profundas com alguém.”

“Mesmo assim, não podemos descartar a possibilidade de vingança,” respondeu Chen Luo, continuando a examinar minuciosamente a cena.

Aquela residência era antiga, com mobília em estado deplorável. Em um ambiente assim, se alguém tivesse invadido, certamente deixaria vestígios evidentes. No entanto, além do cadáver decepado e já em decomposição, não havia qualquer sinal suspeito, nem mesmo uma gota de sangue.

“A execução foi extremamente profissional, sem uma falha sequer,” concluiu Chen Luo após examinar o corpo.

A arma utilizada era afiada a ponto de separar a cabeça do morto num corte limpo e preciso. Se o crime não ocorrera ali, a verdadeira cena do assassinato deveria estar em outro lugar. Afinal, uma morte dessas, ocorrendo no dormitório, deixaria rastros de sangue por toda a parte. Como não havia nem um resquício de sangue, restavam duas hipóteses: ou o assassino limpou tudo meticulosamente antes de sair, ou o crime não acontecera ali.

Su Shuhua concordou com um aceno: “Pensei o mesmo. Mas o testemunho da pessoa que viu o sem-cabeça é importante. Se realmente entrou no pátio da vítima, então a cena do crime ainda deve estar dentro desta residência.”

Contudo, o Tribunal de Dali já havia feito uma busca rigorosa em toda a casa, sem encontrar indícios suspeitos ou qualquer lugar que pudesse ser a cena principal do crime.

“Na verdade, mais do que encontrar o local do assassinato, eu gostaria mesmo é de achar a cabeça da vítima,” Su Shuhua massageou as têmporas, cansada. “Se conseguirmos a cabeça, poderemos confirmar se o morto é mesmo Duan Cheng.”

Chen Luo assentiu: “De fato, precisamos encontrar a cabeça. E talvez até o próprio Duan Cheng.”

Sem a cabeça, não havia como afirmar com certeza que o cadáver era dele. Os vizinhos, por convívio, presumiram que fosse o morador. Mas, de fato, não havia prova.

“Senhorita Su, pelo jeito vocês não estão só atrás da cabeça da vítima, mas também perseguindo esse tal sem-cabeça, não é?” Desde que entrara no local, Chen Luo notara o cansaço estampado no rosto dos demais agentes do Tribunal de Dali.

“Ah! Só o modo como mataram já seria motivo de pavor, mas esse sem-cabeça está deixando o povo aterrorizado. Se não o pegarmos logo, quem sabe quando atacará de novo?” suspirou Su Shuhua.

Esse caso era ainda mais angustiante que o dos Cinco Venenos. Não havia pistas, e nem a identidade do morto estava confirmada.

“Por isso, desde anteontem à noite, tenho patrulhado e vigiado os arredores com minha equipe, mas não encontramos nada até agora,” disse ela, exausta.

Chen Luo sorriu e balançou a cabeça: “Desse jeito, Nanyan vai acabar preocupada.”

Su Shuhua bocejou novamente: “Não se preocupe. Quando este caso terminar, vou tirar férias e me recompensar com um bom descanso!”

Nesse momento, um agente entrou apressado, ajoelhando-se sobre um joelho e reportando: “Senhora Magistrada, houve outro assassinato! A vítima também foi decapitada, igual a Duan Cheng!”

“O quê?” O cansaço de Su Shuhua desapareceu imediatamente.

O primeiro caso ainda sem solução, e já havia outra vítima, morta do mesmo modo.

“Quem é a vítima?” indagou Chen Luo prontamente.

“É o subministro Yuan Hua, do Ministério das Obras!”

Su Shuhua franziu o cenho: “O subministro Yuan? Também foi assassinado?”

Ela trocou um olhar grave com Chen Luo. Agora, com a morte de Yuan Hua, o caso se tornava ainda mais delicado.

Ambos se preparavam para ir à mansão dos Yuan quando outro agente chegou ofegante: “S-Se... Senhora Magistrada!”

“Calma, recupere o fôlego primeiro,” disse Su Shuhua, percebendo que algo importante estava para ser dito.

Após respirar fundo, o agente apontou para fora: “A... a cabeça da vítima foi encontrada!”

“Encontrada? Onde?”

“Sim! Mas... peço que a senhora vá ver com os próprios olhos!”

Guiados pelo agente, Chen Luo e Su Shuhua deixaram a casa de Duan Cheng e seguiram apressados até o Portão Sul da cidade.

Ali, uma multidão já se aglomerava, apontando e comentando diante do portão: três cabeças ensanguentadas estavam penduradas no alto do portão!

A guarda da cidade tentava dispersar os curiosos. Permitir que cabeças fossem expostas nos portões da capital era uma falha grave da guarda.

O comandante Fang Sheng, após dispersar o povo, repreendia seus soldados com fúria: “O que vocês fazem aqui? Deixam isso acontecer bem debaixo do nariz de vocês! Querem também pendurar suas cabeças ali?”

“Comandante Fang, a senhora magistrada chegou,” informou um guarda, em voz baixa.

Irritado e preocupado sobre como justificaria o ocorrido diante da Imperatriz, Fang Sheng mal prestou atenção: “Que esperem!”

Mas Su Shuhua e Chen Luo já se aproximavam: “Comandante Fang, não vim aqui para assistir à sua demonstração de autoridade!”

“Senhora magistrada, os assuntos da guarda não dizem respeito ao Tribunal de Dali,” retrucou Fang Sheng, tenso.

“De fato. Mas as três cabeças penduradas pertencem a vítimas de um mesmo crime, entre elas o subministro Yuan Hua, do Ministério das Obras,” apontou Su Shuhua para o portão.

Fang Sheng não se impressionou: “Se apareceram no portão da cidade, é competência da guarda!”

Um objeto caiu ao chão com um leve ruído.

“Ops, deixei cair sem querer,” disse Chen Luo, abaixando-se para pegar o selo imperial. “Quase perdi a insígnia concedida por Sua Majestade. Isso sim seria motivo para perder a cabeça.”

Ao som do selo imperial, Fang Sheng e todos os guardas caíram de joelhos: “Sa... saudações, excelência! Como devemos chamá-lo?”

“Chen Luo. Imagino que o comandante já tenha ouvido meu nome.” Guardando o selo, Chen Luo prosseguiu: “Vim com a senhora magistrada investigar este caso. Poderia nos dar passagem?”

“Claro! Sem dúvida!” A atitude de Fang Sheng mudou imediatamente. Afinal, portar o selo imperial equivalia à presença da própria Imperatriz.

Chen Luo assentiu, satisfeito: “Então, pedimos que retire as três cabeças do portão.”

Su Shuhua se aproximou e murmurou: “Esse seu selo é realmente útil.”

“Para os leais, sim; para os traiçoeiros, talvez nem tanto,” respondeu Chen Luo em tom neutro.

Fang Sheng ordenou que subissem ao alto do portão e retirassem as cabeças ali expostas.

De perto, notaram que todas as vítimas morreram da mesma forma.

“Esta aqui deve ser a cabeça de Duan Cheng,” disse Su Shuhua, comparando com um retrato da vítima.

Yuan Hua, o subministro, era facilmente reconhecível, pois tanto ela quanto Fang Sheng o tinham visto em vida. Quanto à terceira vítima, ainda não havia pistas de sua identidade.

“Exceto Yuan Hua, os outros dois provavelmente foram decapitados enquanto dormiam,” observou Chen Luo, notando que apenas Yuan Hua mantinha os olhos arregalados e a boca aberta num grito de terror; claramente estivera consciente e testemunhara o próprio fim.

Fang Sheng conjecturou: “Excelência, será que o assassino está nos desafiando com esses atos?”