Capítulo Quarenta e Seis – Resgate na Prisão?
— Silêncio! Senhor, vim para tirar vocês daqui! — sussurrou Han Shan, já com a chave em mãos, pronta para abrir a cela.
Chen Luo apressou-se em detê-la:
— Senhorita Han, não aja por impulso! Estamos bem e logo sairemos daqui de maneira legítima. Se você realmente tentar nos resgatar, aí sim é que se levantará um escândalo.
Sentiu-se tocado; não esperava que Han Shan fosse tão dedicada, a ponto de arriscar-se para salvá-los na prisão imperial.
Shangguan Qian observou atentamente a mulher disfarçada de guarda:
— Luo, por acaso esta é a heroína que te salvou da família Xie?
— Exato, sogro, ela mesma — respondeu Chen Luo com respeito.
Shangguan Nanyan, porém, estava mais curiosa:
— Senhorita Han, esta prisão é secreta. Como conseguiu encontrá-la?
Na verdade, Han Shan não sabia a localização exata da prisão. Ao ouvir que a casa do chanceler fora cercada e toda a família presa, seu primeiro impulso foi partir para o resgate. Mas, após o ocorrido, Mèi’er a procurou, não só revelando o local, mas também fornecendo-lhe o uniforme de guarda. Essas informações, naturalmente, precisavam ser mantidas em segredo.
— Infiltrei-me entre os guardas até chegar aqui — disse ela, sucinta. Então perguntou: — Tem certeza de que não desejam que os tire daqui?
Chen Luo sorriu e balançou a cabeça:
— Agradecemos a sua preocupação, mas não é necessário. Realizar um resgate agora só agravaria as coisas.
A imperatriz já lhe dera uma chance de ajudar a casa do chanceler. Fugir nesse momento seria condenar-se, e a todos os seus, à morte.
— Então permanecerei aqui até que partam em segurança — declarou Han Shan.
— Muito obrigado! — aceitou Chen Luo, satisfeito.
Com Han Shan por perto, sentiam-se mais protegidos.
Aproveitando a ocasião, Chen Luo perguntou sobre a situação do lado de fora.
— A maioria do povo não acredita que a casa do chanceler tenha traidores, muito menos que seja obra do próprio chanceler — informou Han Shan. — Mas ainda há muitos a espalhar boatos e atiçar as chamas em segredo.
Tanto Chen Luo quanto Shangguan Qian já previam isso. E sabiam que, por trás das intrigas, só podia estar a família Xie.
Se tudo continuasse a se propagar, mesmo que conseguissem sair da prisão, a reputação da família estaria irremediavelmente manchada.
— Quanto tempo ainda ficaremos neste lugar maldito? — lamentou Shangguan Nanyan, encostando-se, exausta, ao ombro de Zhou He.
Zhou He suspirou, afagando-lhe os cabelos:
— Tudo dependerá do que Luo decidir.
Chen Luo assumiu a palavra:
— No melhor dos casos, sairemos após amanhã; no máximo, em três dias.
A acusação de traição não era difícil de apurar e, de fato, ele já tivera outra ideia para proteger a casa, mesmo se a família Xie tentasse silenciar o traidor comprado. Contudo, a maneira mais segura ainda era revelar o verdadeiro culpado.
— Senhorita Han, peço que fique de olho — pediu Chen Luo.
Ainda que os guardas da prisão fossem soldados disfarçados, Chen Luo não queria arriscar e confiou a Han Shan essa tarefa.
Han Shan assentiu, compreendendo.
Os criados da casa do chanceler estavam dispersos em três celas diferentes. Todos, inquietos, temiam ser arrastados pela acusação de traição.
Quando Cuiyun viu Han Shan, quase exclamou:
— Senhorita Han...
Han Shan rapidamente levou o dedo aos lábios:
— Fale baixo. Estou infiltrada, não posso ser descoberta.
— Ah, claro! — murmurou Cuiyun, rebaixando a voz. — Veio salvar o jovem senhor?
— Era minha intenção, mas ele pediu que eu não agisse precipitadamente. E vocês logo estarão livres.
Ao ouvir isso, Cuiyun finalmente se tranquilizou.
Han Shan refletiu: Cuiyun, como criada pessoal de Nanyan, dificilmente trairia a família. Além disso, estava sempre ao lado de Chen Luo e não teria tido tempo de esconder mensagens secretas no escritório.
Por isso, pediu que ela vigiasse os demais naquela cela.
A segunda noite na prisão foi igualmente silenciosa, mas o ambiente continuava insuportável. O ar úmido e gélido exalava um odor pútrido e estranho. Shangguan Nanyan não conseguiu pregar os olhos. Shangguan Qian e Zhou He, mais acostumados a adversidades, também não dormiram.
O chanceler, inquieto, ponderava: não deveria deixar tudo nas mãos de Chen Luo. Como poderia, sendo o grande chanceler de Daning, depender do genro para tudo? Decidiu, naquele instante, que ao sair dali, seria hora de ajustar as contas com a família Xie.
Chen Luo apenas recostou-se na parede úmida e fechou os olhos, descansando, até ouvir o estrondo do cadeado da cela:
— Senhorita Su, finalmente chegou — disse, abrindo os olhos.
Su Shuhuai, de fato, viera por ordem imperial, mas mesmo antes do decreto já implorava ao pai, Su Zhenghe, que investigasse a fundo o caso. De qualquer forma, queria limpar o nome da amiga.
— Shuhuai! — exclamou Nanyan, aliviada ao ver a companheira.
— Não se preocupe, Nanyan. Vou ajudar Chen Luo a descobrir a verdade e limpar o nome da sua família!
Shangguan Qian fez um leve aceno:
— Agradeço, jovem Su.
— Não precisa agradecer, excelência. É meu dever — respondeu Su Shuhuai, voltando-se para Chen Luo. — Por onde começamos a investigação?
Chen Luo levantou-se, sacudindo o pó das vestes:
— Começaremos pelos criados.
Não era um caso de homicídio; bastava desmascarar o traidor.
Ao sair da cela, Nanyan não conteve o aviso:
— Tome cuidado!
— Não se preocupe, com as senhoritas Su e Han ao meu lado... — Chen Luo sorriu, interrompendo-se. — Já disse isso antes, não?
De fato, com ambas a seu lado, ninguém conseguiria lhe causar dano.
Chen Luo e Su Shuhuai foram primeiro à cela onde estava Cuiyun. Ao vê-los, todos os olhos brilharam com esperança.
Shuhuai reconheceu Han Shan disfarçada e, em sobressalto, cochichou:
— Senhorita Han, como conseguiu entrar?
— Infiltrei-me — respondeu ela, sem parar os movimentos. — Não é hora para explicações!
Invadir a prisão imperial era crime punível com a morte, ainda mais dentro do palácio. Felizmente, até então, ninguém descobrira.
Han Shan abriu a cela com destreza, permitindo a entrada de Chen Luo:
— Cuiyun, notou algo estranho?
— Senhor... eu... — Cuiyun coçou a cabeça, constrangida.
Chen Luo percebeu: ela devia ter acabado de acordar e não seria de grande ajuda.
Olhou ao redor, avaliando os outros. Todos pareciam exaustos, incapazes de esconder algo.
— Imagino que todos saibam o motivo de estarmos aqui. Normalmente, em casos assim, só os principais acusados seriam presos; os criados teriam sido dispensados. Mas agora é diferente.
Fez uma pausa e continuou:
— No entanto, se alguém assumir a culpa, todos os demais serão soltos imediatamente. A casa do chanceler promete que a família daquele que aceitar a culpa terá recursos suficientes para viver com dignidade.
A cela mergulhou em surpresa. Até Su Shuhuai e Han Shan ficaram atônitas — não era para encontrar o verdadeiro traidor?
Por que propor um bode expiatório?
Foi então que uma voz rouca se fez ouvir:
— Senhor, deixe que este velho assuma!
Era Feng An, o antigo mordomo, que servia Shangguan Qian havia quase vinte anos. Presenciara o patrão subir, de jovem promissor a chanceler do império.
— Já estou velho, pretendia me aposentar e voltar para o campo. Mas, diante da urgência, ofereço minha vida pela família.
Chen Luo observou atentamente as reações de todos. Alguns estavam chocados, outros indignados, e havia ainda os que mal despertavam do sono.
— Não se apresse, tio Feng — disse, pousando a mão no ombro do velho. — Pode haver alguém mais adequado.
Deixou a cela, certo de que o traidor não estava ali.