Capítulo Quarenta e Sete – Comovendo com Emoção, Convencendo com Razão

Você foi escolhido para ser genro, mas domina o governo com mão de ferro? Um tirano, um líder 2464 palavras 2026-02-07 15:04:09

— Espera aí, você está aqui para capturar o traidor ou apenas procurando um bode expiatório? — Su Shuhua não pôde evitar a pergunta.

Chen Luo respondeu enquanto caminhava para a próxima cela: — Seria ideal descobrir o traidor diretamente. Mas se encontrarmos alguém disposto a assumir a culpa, não deixa de ser um caminho possível.

— De qualquer forma, conseguimos tirar o pessoal da mansão deste inferno — acrescentou.

Chi Hanshang franziu o cenho: — Mas o bode expiatório seria inocente. Acho que devemos encontrar o verdadeiro traidor.

Chen Luo não respondeu, e entrou diretamente na cela onde estavam Chun Tao e os aprendizes do aroma das cem flores.

Essas pessoas podiam ser descartadas como suspeitas; estavam sempre ocupadas com o negócio e a fabricação dos perfumes.

— Senhor, quando poderemos sair daqui? — perguntou Chun Tao, ansiosa.

Chen Luo sorriu, tentando acalmá-la: — Não se preocupe, logo estarão livres.

Ele repetiu o que havia dito na cela de Cui Yun.

Dessa vez, porém, ninguém se atreveu a se apresentar como bode expiatório.

Esses jovens sabiam bem que assumir a culpa era uma sentença de morte.

Chen Luo observou atentamente cada expressão, até que seu olhar se fixou num rapaz que mantinha a cabeça baixa: — Qual é o seu nome?

O rapaz tremeu, e respondeu gaguejando: — Se... senhor, eu me chamo Li Gui...

— Li Gui, quando você entrou na mansão?

— Há... três anos!

Chen Luo examinou aquele jovem de idade semelhante à sua: — Li Gui, quero que responda com sinceridade.

Li Gui assentiu, aflito: — Pergunte, senhor...

— Quantas pessoas há em sua família?

— Quatro, meus pais e minha irmã...

Chen Luo assentiu: — Muito bem. Pergunto agora: está disposto a assumir a culpa pela mansão? Quanto aos seus pais e irmã, garantimos que serão bem cuidados, e nunca lhes faltará nada.

Li Gui caiu de joelhos, tocando a testa no chão frio: — Senhor! Eu não quero morrer!

— E quem aqui quer morrer? — respondeu Chen Luo friamente.

Os outros empregados olharam para ele com pena, e Chun Tao quis dizer algo, mas não ousou.

Su Shuhua não suportou mais e entrou na cela: — O que pretende? Ele é tão jovem, vai forçá-lo a assumir a culpa?

Chen Luo ignorou seu questionamento, com o olhar cortante fixado em Li Gui: — Li Gui! Pergunto pela última vez: aceita assumir a culpa?

Li Gui permaneceu ajoelhado, tremendo, mas sem dizer uma palavra.

— Senhor, talvez devêssemos ir à próxima cela — sugeriu Chi Hanshang baixinho.

Restava apenas uma cela; talvez o traidor estivesse lá.

Chen Luo ignorou, e continuou: — Se não aceitar, toda a mansão e seus familiares morrerão por sua causa!

— Você acha mesmo que, ao receber dinheiro da família Sun e incriminar a mansão pelo crime de traição, ficará impune?

— Pura ilusão!

Li Gui permaneceu calado, mas seu corpo trêmulo denunciava o medo.

Chen Luo suavizou a voz: — Por trás de tudo está a família Xie, cujas ações vão além do que você imagina. Sun e você não passam de peças no tabuleiro deles.

— Para eliminar vestígios, a família Xie pode mandar matar toda sua família a qualquer momento.

Dizendo isso, pousou a mão no ombro de Li Gui: — Se assumir a culpa, garantimos a segurança dos seus familiares. Posso também pedir clemência por você, livrando-o da morte.

Li Gui finalmente desabou, a voz tremendo: — Senhor! Fui eu quem falhou com a mansão!

— Mas não havia saída! Minha mãe está gravemente doente, precisamos de muito dinheiro para o tratamento, e meu pai, de tanto correr atrás de médicos, acabou perdendo uma das pernas!

— Só quando entrei na mansão, três anos atrás, consegui algum sustento, mas minha irmã... para ajudar minha mãe, vendeu-se ao bordel...

Chen Luo ouviu tudo, agachou-se lentamente e bateu no ombro de Li Gui: — Compreendo suas dificuldades. Não se preocupe, cuidarei das despesas médicas de sua mãe e ajudarei a tirar sua irmã do bordel.

— Quanto a você, prometi pedir clemência, e cumprirei minha palavra.

Li Gui chorou copiosamente, encostando a testa com força no chão gelado: — Obrigado, senhor! Obrigado!

Assim, o traidor foi encontrado, com mais facilidade do que o esperado.

Su Shuhua ainda estava atordoada: — Espere, você já encontrou o traidor? Então, para que estou aqui?

De repente, sentiu-se como um adorno inútil.

— Chamei você para causar impacto! — Chen Luo respondeu, sorrindo.

Chi Hanshang não resistiu: — Senhor, como soube que Li Gui era o traidor?

A velocidade da investigação, desde o início até o fim, não tinha levado nem meia hora.

Chen Luo explicou: — Observei suas reações durante o interrogatório. Se reagisse de forma exagerada, era sinal de culpa; se normal, não havia problema.

— Não concordo. Quem não ficaria assustado ao ser preso? Essa reação é bem comum — retrucou Su Shuhua.

— Sim, por isso é preciso insistir, usando um método infalível.

Su Shuhua perguntou, ansiosa: — Que método é esse?

— Muito simples: tocar o coração e mostrar a razão. Diga, no Tribunal Supremo não usam isso?

— Não é que não usamos, mas os casos do Tribunal são sempre difíceis, e os criminosos são sempre frios e cruéis — explicou Su Shuhua. — Além disso, priorizamos as provas; se são claras, não precisamos desses métodos.

Chen Luo concordou: — Por isso a taxa de solução de casos é alta, mas o tempo de investigação é longo.

— Não há como evitar! Provas não se encontram facilmente.

— De fato. Mas até o criminoso mais frio tem um ponto fraco — exemplificou Chen Luo. — Por exemplo, Zhang Dechou, que não tem medo de ser capturado, mas teme a morte.

Ele fez uma pausa e continuou: — Para usar esse método, é preciso primeiro conhecer a pessoa, suas experiências.

— Assim, pode-se arrancar a verdade, e talvez encontrar provas cruciais que vocês procuram.

Su Shuhua assentiu, pensativa: — Ao voltar ao Tribunal, vou tentar incluir esse método nos procedimentos de interrogatório.

Se conseguir dominar essa técnica, não só aumentará a eficiência das investigações, mas também evitará buscas infrutíferas por provas.

Chi Hanshang, sem entender plenamente, achou Chen Luo muito inteligente.

— E agora, senhor, o que faremos com Li Gui?

Chen Luo olhou para o rapaz prostrado.

A melhor solução seria levá-lo diretamente à Imperatriz, mas para garantir a segurança: — Senhorita Chi, vou precisar de você agora.

— Diga, senhor!

Chen Luo não explicou de imediato, primeiro reuniu os guardas disfarçados de carcereiros.

Precisava deles para encenar uma peça.

Se levasse Li Gui diretamente à Imperatriz, não poderia garantir que a família Xie não tentasse matá-lo no caminho.

Por isso, decidiu atrair o inimigo para fora do esconderijo.