Capítulo Cinquenta e Quatro: Treinamento Marcial
— Está bem, posso lhe dar uma oportunidade para matar Xie Xingchao, mas não agora — disse Chen Luo em tom grave. — E, daqui em diante, cada passo que dermos deve seguir minhas ordens. Quando o momento for propício, entregarei Xie Xingchao em suas mãos!
Ele concordou com o pedido de Yan’er, mas sabia perfeitamente que deixá-la ir sozinha à família Xie seria o mesmo que enviá-la à morte.
Yan’er assentiu com seriedade: — O que o senhor deseja que eu faça?
Agora, ela depositava total confiança em Chen Luo; afinal, foi ele quem salvou sua vida.
— Yan’er, não posso continuar te chamando assim para sempre, pois aquele nome já está “morto”.
— Tem razão, senhor. Yan’er da Seita dos Cinco Venenos já morreu — respondeu suavemente. — Meu sobrenome é Zhao. Pode me chamar de Xueyan.
Zhao Xueyan era o seu verdadeiro nome; nem mesmo os membros da Seita dos Cinco Venenos o conheciam, muito menos a família Xie.
— Senhorita Xueyan, preciso que você se infiltre na casa dos Xie e roube um objeto — Chen Luo falou com cautela. — Você deve estar bem familiarizada com ele.
Zhao Xueyan compreendeu imediatamente: — O senhor quer o livro de contas da família Xie?
Era a única coisa que lhe vinha à mente.
No passado, todo o dinheiro que a família Xie obtinha através de assassinatos e roubos era usado para subornar funcionários do governo e da corte.
A família Xie registrava meticulosamente cada oficial comprado e usava isso como arma de chantagem.
À primeira vista, parecia um excesso de zelo, mas era o trunfo da família Xie: se algum escândalo viesse à tona, poderiam arrastar uma legião de funcionários com eles para o túmulo.
— Exatamente, o livro de contas da família Xie! — O olhar de Chen Luo era intenso.
Era exatamente o que ele precisava; com o livro de contas, poderia identificar com precisão quais funcionários haviam sido corrompidos pela família Xie.
Assim, quando a Imperatriz purificasse a corte, poderia atingir os culpados com precisão, sem punir inocentes ou deixar escapar qualquer parasita.
Zhao Xueyan franziu levemente as sobrancelhas: — Senhor, a família Xie realmente tem um livro de contas, mas algo tão importante deve estar muito bem escondido.
Ela não conseguia imaginar onde estaria o livro, quanto mais como roubá-lo.
— Não precisa se preocupar com isso — Chen Luo respondeu confiante. — Afinal, temos um ladrão à mão.
— Um ladrão? O senhor fala de Zhang Dechou?
Chen Luo assentiu: — Embora ele se autodenomine “ladrão justo”, no fim das contas é apenas um ladrão. Além disso, já foi seu cúmplice e agora está preso na mesma cela da prisão da Suprema Corte…
— Mas confiar nele, com aquela personalidade covarde e egoísta? — Zhao Xueyan questionou, incrédula.
— Tenho meus métodos — Chen Luo sorriu enigmaticamente.
Nesse momento, Su Shuhuai retornou do lado de Zhang Dechou e piscou para Chen Luo: — Está resolvido! Ele concordou em roubar o livro de contas para você na casa dos Xie!
Zhao Xueyan não podia acreditar: — Como o senhor conseguiu isso?
Com o temperamento covarde de Zhang Dechou, ao ser solto, ele deveria fugir ou procurar a família Xie novamente. Mas, ao que parecia, ele realmente aceitou?
— Fiz com que ele tomasse um veneno — Chen Luo sorriu. — Se ele fugir ou me trair depois de sair da prisão, morrerá envenenado!
Su Shuhuai acrescentou: — Eu mesma o obriguei a beber. Mas… — Olhou curiosa para Chen Luo. — Onde conseguiu esse veneno? O cheiro era tão agradável, parecia o seu perfume!
Na verdade, não era veneno algum, mas um destilado aromático de flores que ele mesmo preparara.
— Segredo — Chen Luo sorriu misteriosamente.
— Bem, já que tudo está encaminhado, é hora de eu partir — disse Chen Luo, ao se despedir de Zhao Xueyan: — Descanse, senhorita Xueyan. Dentro de dois dias, a Suprema Corte irá libertá-la. Então, venha diretamente à loja de perfumes me procurar.
Zhao Xueyan assentiu suavemente: — Entendido.
À porta da Suprema Corte, Su Zhenghe e Su Shuhuai acompanharam Chen Luo até a saída.
Afinal, agora ele era o fiscal imperial, portador da ordem da Imperatriz.
Su Shuhuai ainda demonstrava preocupação: — Você irá sozinho ao banquete de aniversário de Xie Heng? Não seria melhor levar a senhorita Chi consigo?
— Preciso ir sozinho — Chen Luo assentiu.
Sabia que a família Xie só permitiria sua presença no banquete; mesmo levando Chi Hanqing, ambos dificilmente conseguiriam sair ilesos da mansão Xie.
— Senhorita Su, mestre da Suprema Corte, não precisam se preocupar. Tenho meus planos.
Su Zhenghe suspirou, balançando a cabeça: — Nós confiamos em você, mas e o chanceler? Ele é seu sogro, e se souber que irá sozinho à mansão Xie, não permitirá.
De fato, Chen Luo ainda não informara Shangguan Qian, pois só soube do convite naquele dia, por intermédio de Shi Yeliu.
— Vou conversar com meu sogro — Chen Luo respondeu, curvando-se em sinal de despedida. — Vou-me agora.
Ao vê-lo partir, Su Zhenghe ainda se sentia incrédulo: — Jamais imaginei que Sua Majestade escolheria a ele…
— Pai, não acha que foi uma decisão precipitada? Não está ela empurrando Chen Luo para o abismo?
— Está tão preocupada com ele? Não se esqueça de que ele é genro da família do chanceler — Su Zhenghe brincou.
Su Shuhuai respondeu com um leve sorriso: — Pai, é justamente por ser marido de Nanyan que me preocupo! Por favor, não mude de assunto.
Su Zhenghe entrou na Suprema Corte: — Se Sua Majestade tomou tal decisão, deve ter um motivo. Devemos cooperar e não nos preocupar em excesso.
…
Na estalagem.
Após sair da Suprema Corte, Chen Luo não retornou imediatamente à mansão do chanceler; foi primeiro procurar Chi Han Shang.
Ele a acomodara no quarto principal da estalagem, e naquele dia foi lá por um motivo importante.
Sem pensar muito, Chen Luo abriu a porta do quarto, dando de cara com uma cena voluptuosa: Chi Han Shang estava tomando banho no barril.
Ouvindo o som da porta, pensando tratar-se de um ladrão, ela se levantou instintivamente, expondo toda sua bela figura diante de Chen Luo.
— Senhorita Chi, me desculpe! — Chen Luo rapidamente fechou a porta, mas permaneceu dentro do quarto.
Chi Han Shang voltou depressa ao barril, rosto ruborizado, mordendo os lábios de vergonha: — Senhor! Por favor, vire-se!
— Oh! — Chen Luo virou-se obedientemente, mas não pôde deixar de perguntar: — Senhorita Chi, por que não trancou a porta ao tomar banho?
— Tomar banho deve ser com a porta trancada! Caso alguém entre, o que faria, senhorita Chi?
— Normalmente ninguém me procura! — Chi Han Shang ouviu o sermão invertido e, envergonhada e irritada, retrucou: — Como poderia imaginar que o senhor seria tão imprudente ao entrar? Eu…
— Perdão, perdão! — Chen Luo pediu desculpas repetidas vezes, mas a cena que acabara de presenciar permanecia viva em sua mente.
Chi Han Shang vestiu-se e só então falou: — Pode se virar agora.
Quando seus olhares se cruzaram, a lembrança do momento constrangedor ressurgiu, fazendo seu rosto corar novamente.
Ela se esforçou para manter a calma e perguntou, fingindo tranquilidade: — O que o senhor deseja aqui?
— Quero que a senhorita me ensine artes marciais — respondeu Chen Luo com sinceridade.
— O senhor quer aprender a lutar?
Chen Luo assentiu, determinado: — Exatamente! Senhorita Chi, você tem grande habilidade; quero ser seu discípulo!
— Não será mais um treinamento, não é? — Chi Han Shang hesitou um pouco.
— Não! Quero aprender de verdade! — Chen Luo apressou-se em explicar. — Se não for possível, ao menos ensine-me algumas técnicas para defesa pessoal!
Vendo sua sinceridade, Chi Han Shang não recusou: — Se realmente deseja aprender, posso ensinar. Mas não aceito discípulos.
Ela refletiu um instante e explicou: — Para ser franca, meu clã está quase extinto. Restavam apenas meu mestre, alguns irmãos e irmãs de armas, mas agora só eu e meu mestre permanecemos… Se quiser, pode entrar para o clã e tornar-se meu irmão de armas.
Chen Luo respondeu sem hesitar: — Perfeito! Então, mestra, podemos começar agora?