Capítulo 129: Nem forças para bater (1500 votos mensais, capítulo extra)
Durante a conversa, Hao Yun encontrou Lin Chao-hsien.
Lin tinha menos de quarenta anos e uma aparência razoável; Hao Yun achava que ele lembrava um pouco seu colega de classe Zhu Yawen, e um pouco o ator Xiong Xinxin, famoso pelo papel de "Pés de Fantasma".
Na juventude, Lin andou por caminhos tortuosos, mas, ao se assustar com cenas reais de brigas com armas, decidiu trabalhar nos bastidores da Cinema City. Começou por baixo, tornou-se aprendiz e assistente de direção de Gordon Chan e, em 1998, ambos produziram "Beast Cops", que venceu os prêmios de Melhor Filme e Melhor Diretor no Hong Kong Film Awards.
Naquele momento, ele estava filmando uma cena com Josie Ho e Ekin Cheng. Ao ver Hao Yun, Lin apenas acenou brevemente e lhe entregou um documento. Que diretor direto, pensou Hao Yun.
Ao pegar o papel, percebeu que era o contrato de atuação. Em Hong Kong, o imposto sobre salários variava entre 2% e 17%, divididos em cinco faixas, com uma alíquota padrão de 15%. O sistema permitia escolher a opção mais vantajosa para o contribuinte, sendo que a alíquota padrão só era aplicada a rendas anuais superiores a 2.022.000 dólares de Hong Kong. Abaixo de 12.000, não havia tributação. O caso de Hao Yun se enquadrava na alíquota de 6%. O imposto já vinha descontado no contrato, restando-lhe mais de 90.000 dólares de Hong Kong. Com a força da moeda local, ele levaria para casa cerca de 100.000 yuans. O contrato detalhava o cronograma de filmagem e promoção, mas eram cláusulas padrão, sem exigências excessivas. Hao Yun assinou rapidamente.
Logo, começou a ser cercado por uma equipe que discutia seu visual.
— Seu estilo precisa ser chamativo. Você é o Conde, um traidor da raça dos zumbis. Você expulsou o Rei Zumbi, roubou a essência sanguínea de cinco príncipes e agora persegue Edison; ao obter a sexta, você será invencível — explicava um membro da equipe enquanto cuidava da caracterização.
Hao Yun achou o enredo um pouco forçado, mas manteve a discrição. Não importava a qualidade do roteiro; se decidiram filmar assim, era porque já havia um consenso. Um ator iniciante não deveria dar palpites a profissionais, a menos que quisesse ser expulso do set. Claro, se um dia atingisse um status elevado, ele poderia, como certo ator de sobrenome Jiang, chutar um diretor e filmar do seu próprio jeito.
— O que acha deste cabelo amarelo? Dá um ar de mestiço europeu — sugeriram.
O conceito do Conde já existia, estavam apenas adaptando-o ao rosto de Hao Yun. Ele colocou uma peruca loira e lentes de contato azuis. Com a pele pálida e uma túnica preta, parecia, de fato, um vampiro europeu.
— Está bonito demais, isso tira a aura de vilão — disse Lin Chao-hsien, que finalmente teve tempo de observar. Ele vetou o design da equipe.
Após mais ajustes, Hao Yun apareceu com peruca preta, lentes escuras, pele pálida e presas falsas... um vampiro com um toque oriental. Era inegavelmente charmoso. Ainda mais bonito que o habitual, pois a maquiagem pesada, combinada com lábios manchados de sangue, conferia-lhe uma beleza magnética e sombria.
— Temo que ele ofusque o Edison — preocupou-se Donnie Yen, temendo uma rivalidade entre os jovens, algo comum na indústria.
— Acho que não. Edison é sempre tão "marrento", ele não é mesquinho. Além disso, já começamos a competir em beleza em "Conflitos Internos" — respondeu Hao Yun.
Percebeu, então, que Donnie Yen e Lin Chao-hsien ficaram em silêncio.
— O que houve?
— Ele disse exatamente a mesma coisa sobre você. Disse que você é "marrento".
— Que canalha, vive espalhando que eu sou marrento, quando claramente o marrento é ele... — Hao Yun não entendia como Edison Chen tinha coragem de dizer aquilo.
Bem, parecia que a relação dos dois não azedaria por causa de vaidade. Enquanto Hao Yun não fizesse algo que transformasse o ódio em amor, eles continuariam sendo amigos.
Com o visual definido, Hao Yun ficou observando Donnie Yen instruir Ekin Cheng na coreografia de luta contra os zumbis para entender o estilo do filme. Claro, aproveitar para "sugar" algumas habilidades de Donnie Yen era parte da rotina. Ekin Cheng tinha boa técnica, mas pouca resistência física; provavelmente passava tempo demais jogando videogame, o que exigia dublês em certas cenas. Por outro lado, Josie Ho, a filha do magnata dos cassinos, surpreendeu Hao Yun ao realizar grande parte das cenas de ação, incluindo o uso de cabos, por conta própria.
No dia seguinte, chegou a vez de Hao Yun filmar. Como no dia anterior todos estavam exaustos, ele não teve chance de cumprimentar seu ídolo de infância. Agora que contracenariam, ele se apresentou:
— Meu nome é Hao Yun. Cresci assistindo aos seus filmes, especialmente "Young and Dangerous" e "A Man Called Hero".
Graças à sua experiência com astros como Jet Li e Andy Lau, ele manteve a compostura.
— Você me faz sentir velho — respondeu Ekin Cheng, educado, mas sem intenção de prolongar a conversa. Provavelmente estava precisando de dinheiro, já que o cinema de Hong Kong enfrentava uma crise grave, e o discurso de "restaurar a glória do cinema de Hong Kong" servia como um bom pretexto para aceitar trabalhos.
— De jeito nenhum, você sempre será o chefe de Causeway Bay! — acrescentou Hao Yun.
Josie Ho também era acessível, mas Hao Yun manteve distância; não tinha planos de se envolver com famílias da alta sociedade. Os boatos sobre esse tipo de clã eram abundantes, e ele preferia construir sua própria trajetória.
Todos ouviram atentamente Donnie Yen decompor os movimentos de luta.
— Assim, golpeie com as costas da mão, entenderam? — Donnie era paciente, dado o status especial dos atores.
Quanto a Hao Yun, sempre que Donnie perguntava se tinham entendido, ele balançava a cabeça afirmativamente. Donnie quase quis agarrá-lo pela gola e perguntar como ele podia entender tudo antes mesmo da explicação completa. O que ele não sabia é que, ao absorver as habilidades de Donnie, compreender aquelas técnicas era fácil demais.
— Vamos ensaiar uma pequena sequência. Vocês dois atacam com as espadas, e Hao Yun, você bloqueia com as mãos.
— Ok.
Hao Yun usava proteções nos braços, e como os colegas usavam acessórios de cena, não havia risco real de ferimentos graves. Donnie percebeu rapidamente que Hao Yun não estava apenas fingindo entender. Sua capacidade de aprendizado era absurda; ele não só executava bem seus movimentos, como também sabia como cooperar com os oponentes. Ekin e Josie, por outro lado, tinham um ritmo normal de aprendizado.
Lin Chao-hsien percebeu que a recomendação de Donnie Yen não era um exagero. Hao Yun conseguia elevar o nível de quem estava ao seu redor.
O único problema de Hao Yun era que a força de seus golpes não atingia o nível exigido por Donnie Yen. Em suas experiências anteriores em dramas de época, bastava que os movimentos fossem elegantes. Donnie, porém, defendia um estilo de contato real. Hao Yun foi criticado por parecer "falso". Em resumo, queriam que ele golpeasse Ekin e Josie com mais força.
— Somos atores profissionais, esse nível de luta não é problema. Quando você hesita, é mais fácil alguém se machucar. O domínio das artes marciais inclui o controle da força... — Donnie começou a tentar convencê-lo.
Hao Yun, internamente, discordava. Embora não fosse um fã ardoroso de Jet Li, sabia que, entre os astros de ação, Jet Li era quem melhor controlava a força. Donnie ainda estava longe disso.
Josie Ho também sinalizou que Hao Yun podia bater sem medo. Ekin Cheng, ao levantar a camisa, mostrou hematomas da luta anterior com os zumbis figurantes. Ferimentos eram inevitáveis.
Hao Yun ajustou sua postura e, com um golpe, lançou a filha do magnata, suspensa por cabos, para longe.