Capítulo Trinta: Sou um Libertino
Ao ver Ning Qing de cabeça baixa e rosto corado, Chen Yi, sentindo o coração acelerar, não resistiu a provocá-la, rindo baixinho: “Não se preocupe, não tenho cheiro nenhum, tomei banho ontem mesmo, pode cheirar à vontade, não vai se incomodar, hehe...”
Essas palavras de Chen Yi deixaram Ning Qing ainda mais envergonhada. Ela bateu o pé, querendo fugir, mas após dar dois passos, parou, lançando-lhe um olhar furioso.
Chen Yi imediatamente assumiu um ar inocente, ignorando o constrangimento de Ning Qing. Voltou ao tom sério, apontando para o próprio peito: “Eu entendo os seus receios, senhorita Qing. Entre homens e mulheres há limites... Justamente por isso, como médicos, às vezes é inconveniente ouvir a respiração ou os batimentos cardíacos das pacientes. No entanto, com este objeto, é possível auscultar o coração e a respiração à distância, sem transgredir o decoro, facilitando o diagnóstico sem constrangimentos...”
Diante do semblante sério de Chen Yi, Ning Qing reprimiu o embaraço, o olhar tomado de curiosidade. Hesitou um instante, mas acabou aproximando-se para observar o estranho instrumento, perguntando baixinho: “É verdade? Ele tem mesmo esse efeito tão extraordinário?”
Percebendo o renascer da curiosidade da jovem, Chen Yi sentiu-se tomado novamente pelo orgulho de ter inventado algo novo. Exibindo sua criação, explicou: “Qing, isto é uma ferramenta de diagnóstico que fiz seguindo relatos de antigos tratados médicos. É realmente útil e certamente facilitará muito os atendimentos. Só é um pouco pesado e difícil de transportar, há vários pontos a serem aprimorados. E mais...” Ele ergueu o olhar, notando o brilho de admiração nos olhos de Ning Qing, e completou, com um tom de lamento: “Acabei de terminar este objeto e ainda não pude testá-lo direito, nem tirei conclusões sobre suas funções ou aspectos a melhorar...”
O rubor voltou ao rosto de Ning Qing, mas ela se esforçou por manter a calma. Mordendo o lábio, perguntou: “Então... como se faz o teste?”
“É muito simples, basta ouvir com o ouvido!” Chen Yi pegou o rudimentar estetoscópio recém-concluído, encostou uma extremidade ao próprio peito e apontou a outra para Ning Qing: “Aproxime o ouvido desta abertura e veja o que consegue escutar!”
Ainda com ar desconfiado, Ning Qing seguiu a orientação. Aproximou o ouvido da extremidade do instrumento e escutou atentamente.
Após um breve instante, uma expressão de surpresa e alegria tomou seu rosto: “Ziying, estou ouvindo seu coração! O som é forte, vigoroso... E a respiração, como um fole, bem alta... Que coisa espantosa, consigo ouvir tudo tão claramente!” Falando, ela afastou a cabeça, observou com atenção o instrumento de madeira, com as extremidades em forma de funil, e tornou a aproximar o ouvido, curiosa, para escutar novamente.
“E então, acha útil? Ajuda o médico a diagnosticar melhor o paciente?” Chen Yi perguntou sorrindo, enquanto movia o estetoscópio pelo próprio peito. “O que está ouvindo agora? Mudou alguma coisa?”
“Quando você fala, o som muda, fica estranho!” respondeu Ning Qing, sem afastar o ouvido do funil, quase gritando. “Parece que vem de dentro de uma caverna, abafado... Não, como se estivesse falando debaixo d’água, haha, é muito curioso!”
Ning Qing, encantada com a novidade, não queria largar o instrumento, eufórica como quem descobre um novo mundo, enquanto pedia que Chen Yi movimentasse o objeto mágico.
“Conte-me tudo o que ouvir!” pediu Chen Yi, impaciente. Afinal, só agora testava o estetoscópio em outra pessoa. Feito de madeira escavada, com dois funis de diâmetros diferentes nas extremidades, o aparelho era reto, impossibilitando que ele próprio ouvisse seus batimentos; servia apenas para examinar os outros, e ele estava ansioso para testá-lo.
“Quando você fala, o som fica abafado, como se viesse da água...” Ning Qing continuava com o ouvido colado ao instrumento, descrevendo suas impressões: “Seu coração soa alto e forte, a respiração, quando entra e sai, lembra o fole do forno do mestre, bem ritmada... Mas não sei dizer exatamente todos os sons!”
“Agora deixe-me ouvir!” Chen Yi retirou o instrumento do próprio peito, apontando para Ning Qing: “Qing, deixe-me ouvir seu coração e sua respiração, nunca ouvi de outra pessoa... Saiba que sou experiente nisso, posso detectar qualquer doença só pelo som!”
“Está bem, esses dias senti um pouco de frio, veja se tem algo errado!” Ning Qing, agora sem vergonha, concordou prontamente, colocando uma extremidade do estetoscópio sobre o peito.
Vendo que ela o posicionava incorretamente, Chen Yi prontamente ajeitou o instrumento, colocando-o sobre a ponta do coração: “O coração está aqui, abaixo é o abdômen, onde só se ouvem os ruídos intestinais, não os batimentos...”
O contato do objeto estranho numa região sensível fez Ning Qing estremecer, o rosto corando mais uma vez, mas não recuou; apenas virou o rosto de lado, permitindo que Chen Yi movesse o estetoscópio sobre seu peito. Chen Yi, alheio ao constrangimento da jovem, concentrou-se em encontrar a posição certa e, animado, encostou o ouvido na outra extremidade, ouvindo os batimentos e a respiração de Ning Qing.
O som, ainda que não perfeitamente claro, trazia a Chen Yi uma alegria indescritível. O estetoscópio rudimentar funcionava: permitia ouvir o coração e a respiração de uma bela jovem com mais nitidez e praticidade do que encostar o ouvido diretamente. Descobriu que inventar algo útil não era tão difícil — bastava ter uma ideia e mãos à obra, sem exigir tanto esforço. Pensou consigo mesmo que podia fabricar muitas coisas inéditas para aquela época, e sem grande dificuldade.
Se existisse patente naquele tempo, seria maravilhoso! Bastaria dedicar-se às invenções e enriquecer só com as taxas de registro!
“Ziying, o que você percebeu? Estou muito resfriada? É grave?” Ao não ouvir resposta, Ning Qing, agora paciente, não conteve a ansiedade.
“Seu coração bate forte, sem ruídos estranhos, sem arritmias... Só está um pouco acelerado, como quem acabou de se exercitar, a respiração razoavelmente regular, mas... espere, deixe-me ouvir outros pontos.” Chen Yi moveu o estetoscópio para as costas de Ning Qing, depois para o pulmão direito, escutou um pouco e concluiu: “Realmente, você pegou um resfriado, há um discreto chiado úmido, um pouco de catarro na garganta, precisa repousar e tomar algum remédio. No geral, porém, nada grave, a respiração está normal. Só... por que sua respiração está tão rápida?” Chen Yi descrevia, enquanto movia o aparelho pelo pulmão direito, buscando ouvir com mais atenção.
Por estar por cima da roupa e ser um aparelho ainda primitivo, o som captado continha muitos ruídos e não era comparável à clareza dos estetoscópios modernos. Chen Yi, concentrado, não notou o desconforto de Ning Qing. Ela, com o rosto corado, sentia um formigamento estranho no peito — jamais havia sido tocada tão de perto por um homem. Quando a mão de Chen Yi, ao mover o aparelho, aproximou-se da base de seu seio, ela instintivamente o impediu, empurrando sem querer a mão dele para o outro lado do peito.
Chen Yi sentiu sob a mão uma maciez e um volume inesperados, afastou-se rapidamente, um tanto constrangido. Não precisava pensar muito para perceber que havia tocado, mesmo que por acidente e de leve, o seio em desenvolvimento de Ning Qing.
A sensação firme e cheia ainda pairava na mente e na mão de Chen Yi. Pensou, meio atordoado, que a jovem se desenvolvia cedo e muito bem — mesmo sob o largo manto de taoista, era possível notar a curva dos seios; e agora, pelo toque acidental, pôde confirmar discretamente a forma e a elasticidade.
Vendo Chen Yi paralisado, Ning Qing ficou vermelha até as orelhas, o corpo tremendo, a respiração ofegante e o coração disparado. Jamais um homem a tocara antes, e agora, não só fora tocada, como também em uma região tão sensível, um contato tão direto e real. Como não se envergonhar? Quis levantar-se e fugir, mas achou que seria inadequado; restou-lhe abaixar a cabeça, virar o rosto, sem coragem de encará-lo, sem saber o que fazer.
Vendo Ning Qing com o rosto rubro e desviado, Chen Yi fingiu-se de desentendido, rindo para aliviar o clima: “Ning Qing, ouvi seu coração e respiração, e não há grandes problemas. Só um leve resfriado com uma pequena infecção nas vias respiratórias. Descanse, tome um remédio, ficará boa logo. Mesmo sem remédio, não é grave... O mais importante é repousar e dormir cedo. Já está tarde, melhor ir descansar. Você acabou de voltar do Monte Zhongnan, a viagem foi cansativa, é bom dormir logo...”
“Mesmo... não é nada?” Ning Qing perguntou baixinho, a voz quase sumindo, lançando um olhar rápido para Chen Yi antes de desviar novamente.
“De verdade!”
Ning Qing levantou-se, cabeça baixa, torcendo os dedos. Ficou parada um instante, depois ergueu o rosto vermelho e olhou Chen Yi, perguntando na mesma voz fraquinha: “Esse... esse objeto é mesmo para examinar doentes?”
“Claro! Pretendo apresentá-lo ao Mestre Sun e explicar sua utilidade. Tenho certeza de que ficará espantado!” Enquanto falava, Chen Yi notou o semblante complicado de Ning Qing e, diante de seu embaraço, sentiu-se desconcertado, justificando-se: “Qing, não foi minha intenção... Foi sem querer, não quis me aproveitar... Não sou um libertino... Não fique zangada!”
“Não estou zangada... Sei que você não fez por mal... Vou embora, descanse cedo também!” respondeu Ning Qing, fugindo apressada do quarto de Chen Yi.