Capítulo Quarenta e Quatro: Entre Nós Dois, Quem É Mais Bonito?
— Ah, entendo! — Chen Yi sorriu, lançando um olhar discreto para Helan Minyue. Mulheres belas sempre atraem olhares curiosos, a beleza delas é um deleite para os olhos, como dizem. Porém, estavam sentados tão próximos, apenas separados por uma pequena mesa, que encará-la abertamente seria indelicado e poderia gerar mal-entendidos. Contudo, ter uma beleza ao lado e não admirá-la seria quase um pecado, especialmente quando se trata de alguém tão singular como Helan Minyue. Instintivamente, ele procurava observá-la sem que ela percebesse, usando o canto dos olhos, mas Helan Minyue já o havia surpreendido algumas vezes.
A atitude de Chen Yi era um tanto cômica, arrancando de Helan Minyue um sorriso divertido e um sentimento de satisfação. Ao perceber a reação dela, Chen Yi sentiu-se levemente constrangido por um instante, mas logo decidiu não disfarçar mais e passou a contemplá-la sem reservas.
Helan Minyue era realmente formosa, seus traços delicados não permitiam qualquer crítica; sua beleza não era frágil, mas carregava um certo vigor. A moça era esguia e bem proporcionada, vestida como mulher mostrava um busto pleno, o que indicava que, em outra ocasião, ao vestir roupas masculinas, havia ocultado propositalmente sua feminilidade. Sua aparência transmitia uma sensação de saúde e vitalidade, e seu sorriso iluminado era contagiante, sem qualquer traço de fraqueza. Uma jovem assim agrada a qualquer homem. E sua posição nobre amplificava ainda mais seu encanto, despertando em Chen Yi, que já era naturalmente orgulhoso, um desejo de conquista; seu olhar sobre ela havia mudado.
Estranhamente, Helan Minyue não se irritou com a ousadia de Chen Yi; ela acolheu seu olhar com naturalidade, mostrando uma tímida vergonha, misturada a um orgulho discreto.
A expressão de Helan Minyue surpreendeu e alegrou Chen Yi, e pensamentos impossíveis começaram a invadir sua mente. No entanto, logo recordou as páginas da história: aquela jovem adorável era amante do imperador Li Zhi, muito estimada por ele, a ponto de provocar ciúmes em Wu Zetian, que acabou por envenená-la movida pela inveja. Ao pensar nisso, Chen Yi sentiu uma tristeza profunda e desviou o olhar, suspirando silenciosamente.
Chen Yi não sabia ao certo quantos anos tinha o imperador Li Zhi, mas, segundo registros históricos, era pelo menos algumas décadas mais velho que a jovem à sua frente, que aparentava apenas quinze ou dezesseis anos. Essa constatação lhe causou repulsa, como se visse um tesouro sendo desprezado e destruído, uma sensação dolorosa. Por isso, não resistiu e voltou a olhar para Helan Minyue.
Helan Minyue percebeu a mudança na expressão de Chen Yi e ficou apreensiva, levantando o olhar.
— Senhor Chen, peço que não me leve a mal. Meu irmão pediu que eu agisse assim para evitar qualquer imprevisto — explicou Helan Minyue, interpretando erroneamente a alteração do olhar de Chen Yi, pensando ser devido ao engano cometido por ela e por Helan Minzhi.
— Não me importei, de verdade. Se fosse eu, teria feito o mesmo ao lidar com alguém recém-conhecido — respondeu Chen Yi, sorrindo de maneira afável, seus olhos voltando a se deter no rosto encantador de Helan Minyue. Ao ouvir isso, Helan Minyue respirou aliviada e retribuiu com um doce sorriso, o que deixou Chen Yi ainda mais satisfeito. Ele sentia por ela algo especial, difícil de definir, como se já tivessem alguma afinidade, uma conexão tácita, sem necessidade de muitas palavras, sem estranheza ou distância.
— Que bom que não se importa — Helan Minyue tornou a corar levemente.
— Pequena senhora Helan, imagino que haja motivos importantes para agirem assim — comentou Helan Minzhi, agora em excelente estado de ânimo, com um tom brincalhão. — Você é tão bela que seu irmão deve temer que algum patife te desonre, por isso te pede para se disfarçar...
O sorriso de Helan Minyue reforçou em Chen Yi a impressão de que havia uma espécie de entendimento entre eles, algo inexplicável, mas real. O tom de suas palavras mudou, e ele quis brincar um pouco com a bela jovem, sem sentir qualquer impropriedade nisso.
— Sou mesmo tão bonita? Você pensa assim? — Helan Minyue sorriu, os olhos brilhando com malícia. — Quando vi seu companheiro no outro dia, também achei que era muito bonito. Diga... entre nós dois, quem é mais atraente?
Diante da atitude travessa de Helan Minyue, Chen Yi sentiu um leve tremor no coração, surpreso pela expressividade da moça e pelo conteúdo de suas palavras. Após pensar um pouco, respondeu sorrindo: — Na verdade, pequena senhora, você já sabe a resposta, não precisa perguntar.
— Sabia que você não ia responder! — Helan Minyue resmungou, fazendo uma cara de descontentamento, mas com um olhar adorável.
— Você e seu irmão têm uma beleza singular. Em toda a Grande Tang, homens e mulheres, ninguém supera vocês. Creio que todos pensam assim — disse Chen Yi, com um sorriso enigmático, falando devagar. — Eu também penso assim.
— Sério? — O comentário de Chen Yi deixou Helan Minyue ainda mais satisfeita. Ela perguntou de novo, sorrindo com os lábios cerrados.
— Sério, claro! — Chen Yi assentiu, rindo, admirando abertamente a encantadora jovem diante dele.
Helan Minyue continuou mostrando sua expressão meiga, permitindo que Chen Yi apreciasse sua beleza sem reservas.
As relações humanas são mesmo misteriosas. Algumas pessoas convivem por anos, mas você mal consegue recordar seu rosto, ou mesmo seu nome, que logo é esquecido. Outros, ao conhecer pela primeira vez, parecem familiares, e seu nome e aparência nunca se apagam da memória. Talvez seja isso que chamam de destino.
Mas Chen Yi não sabia que tipo de destino teria com Helan Minyue e sua família.
O destino o havia colocado diante daquela família, criando laços e possibilidades de futuros encontros. E, conhecendo o destino deles, tudo aquilo lhe causava uma confusão de sentimentos, especialmente ao estar a sós com uma mulher cuja beleza poderia derrubar reinos, deixando-o ainda mais perdido.
Perdido em pensamentos, Chen Yi mantinha o olhar fixo em Helan Minyue, até que ela percebeu o desconforto. Vendo a expressão de susto no rosto dela, ele rapidamente desviou o olhar e sorriu, desculpando-se:
— Senhora, sua beleza é tão extraordinária que me deixou absorto. Perdoe-me pela falta de modos!
— Não foi nada! Aliás, senhor Chen... — As palavras de Chen Yi tranquilizaram Helan Minyue e a fizeram sentir-se ainda mais orgulhosa, retribuindo com outro sorriso doce. Ela era ingênua, criada sob o controle rigoroso da mãe e do irmão, raramente conversando com homens jovens, exceto o irmão. Chen Yi lhe transmitia uma sensação de familiaridade e conforto, e conversar com ele era leve e natural. Diferente de outros, ele não era rígido ou reservado, suas palavras e gestos fluíam espontaneamente.
Talvez houvesse outros motivos, mas ela gostava de estar com Chen Yi, sem qualquer sensação de estranheza.
Depois de algum tempo, ela percebeu que seu comportamento diante de Chen Yi talvez não fosse apropriado, e lembrou-se de um assunto mais importante. Imediatamente, conteve o sorriso e perguntou, com certa urgência:
— Senhor Chen, como está realmente a saúde da minha mãe? Ela está mesmo fora de perigo?
Chen Yi já havia dito que o estado da mãe de Helan Minyue não era grave, o que a tranquilizara bastante. Por algum motivo inexplicável, ela confiava plenamente no diagnóstico de Chen Yi, acreditando sinceramente que sua mãe estava bem, e por isso se sentia tão leve ao conversar com ele. Mas, por fim, lembrou-se de que sua mãe ainda estava deitada, enferma.
— Não deve ser nada grave — Chen Yi também deixou de lado o sorriso, estranhando como, ao vir para examinar uma paciente, acabara envolvido numa conversa cheia de sutilezas com aquela jovem encantadora. Levantou-se e disse:
— Vou examinar sua mãe novamente, para verificar como ela está.
— Muito bem! Eu o acompanho.