Capítulo Vinte e Três: Gostaria de lhe perguntar algumas coisas

Embriaguez de Tang Tang Yuan 2353 palavras 2026-02-07 15:21:47

A mãe deste homem sofria de uma doença respiratória e faleceu devido a ela; entre seus irmãos, muitos também padeciam de males semelhantes e sucumbiram à mesma enfermidade. Desde pequeno, ele já apresentava sintomas, embora leves; porém, ao atingir a idade adulta, adoeceu gravemente e, após essa enfermidade, passou a ter crises frequentes. Com o passar dos anos, o quadro só se agravou: muitas vezes não conseguia sequer levantar da cama, sofria de fortes dores de cabeça e apresentava alterações anormais no ritmo da respiração e dos batimentos cardíacos. Nos meses de inverno e início da primavera, a doença tornava-se ainda mais severa — explicou Sun Simiao, algo confuso, antes de soltar um longo suspiro e prosseguir: — Tenho tratado desse paciente há muitos anos, mas pouco avancei. No máximo, consigo controlar os sintomas, nunca erradicá-los. E o homem tem uma vida atribulada, raramente segue minhas recomendações de repouso; apesar de tomar remédios o ano inteiro, a doença não cessa de progredir. Isso me angustia imensamente, ah! De que vale ser chamado de 'médico milagroso' pelos outros, se nem sempre consigo cumprir o título? Percebo que há muitos males para os quais sou impotente... — E Sun Simiao suspirou, pesaroso.

Tais lamentos inquietaram Chen Yi, que se apressou em consolar: — Mestre Sun, não existe médico algum que possa prometer a cura para todas as doenças. Cada enfermidade se manifesta de modo diverso em pessoas diferentes; mesmo com o diagnóstico correto, nem sempre há garantia de cura. Além disso, cada organismo responde de maneira única aos tratamentos: um remédio eficaz para um pode não surtir efeito em outro! As doenças são mutáveis, e sua arte médica supera em muito a de qualquer outro; não deve se culpar dessa forma!

Sun Simiao olhou para Chen Yi, aparentemente concordando, e assentiu: — Tens razão. Contudo, não conseguir curar esse paciente é uma mágoa que carrego desde sempre... Ziying, vejo que entendes muito dessas enfermidades; talvez conheças um método de tratamento que eu desconheça!

— Mestre, está superestimando minha capacidade; apenas li alguns livros de medicina, não sou capaz de curar ninguém!

— Estou certo de que és um grande conhecedor da arte médica, e dominas métodos de diagnóstico pouco conhecidos — disse Sun Simiao, lançando a Chen Yi um olhar perscrutador, mas logo suspirou de novo e balançou a cabeça: — Eu deveria levá-lo comigo para avaliar o paciente, mas sua posição é delicada... Trazer-te para atendê-lo não é tarefa simples. Fiquemos por aqui. Já está tarde, vamos descansar.

— Sim, mestre! Com licença — respondeu Chen Yi, intrigado. Queria perguntar quem afinal era esse paciente e saber para quem Sun Simiao estivera prestando atendimento nos últimos dias, mas, diante do tom do mestre, não ousou insistir e se despediu respeitosamente.

***

De volta ao quarto, Chen Yi deitou-se vestido sobre o leito, apoiando a cabeça nas mãos enquanto pensava. O que presenciara hoje, vendo Sun Simiao diagnosticar os enfermos e discorrendo sobre os fundamentos da medicina “moderna” para seus discípulos, reacendeu um interesse pela medicina que andava adormecido desde que chegara a esta época. Sentia vontade de transmitir os conhecimentos médicos adquiridos no futuro, compartilhar sua compreensão sobre doenças e tratamentos, assim como noções de prevenção e saúde, especialmente com apaixonados pela arte médica como Sun Simiao, que dedicava a vida a investigar incansavelmente a medicina. Contudo, não tinha ideia de como explicar esses conceitos de modo que fossem compreendidos e aceitos.

Além disso, quem seria esse paciente de posição tão elevada mencionado por Sun Simiao? Teria sido para atendê-lo que o mestre se ausentara nos últimos dias?

Enquanto se perdia nessas e outras divagações, ouviu-se uma leve batida na porta, seguida por um chamado sussurrado de Ning Qing: — Ziying, já está dormindo? Queria conversar um pouco...

— Aguarde só um instante! — respondeu Chen Yi, sentando-se imediatamente e indo abrir a porta. Do lado de fora estava Ning Qing, em trajes de dormir, o rosto bonito e delicado. Ele se apressou em cumprimentá-la: — Qing’er, ainda estou acordado, entre, vamos conversar!

Ning Qing estava um pouco corada e lançou olhares aos lados. As portas dos quartos de seu mestre e de seus irmãos estavam fechadas, ninguém notara sua saída furtiva, então ela entrou rapidamente e fechou a porta atrás de si.

Chen Yi percebeu o gesto inusitado da jovem, quase riu, mas conteve-se e nada disse. Notou também que Ning Qing parecia ter acabado de se banhar: exalava um aroma suave, muito agradável, e os cabelos estavam presos de maneira displicente, realçando ainda mais sua graça juvenil.

A jovem começava a exibir sinais de maturidade física, com formas levemente delineadas.

Sentindo o olhar de Chen Yi, Ning Qing ficou ainda mais tímida, seus movimentos tornaram-se hesitantes e o rosto ruborizou-se.

Ao notar o embaraço da jovem, Chen Yi apressou-se em desviar o olhar, adotando um tom descontraído: — Qing’er, por que ainda não foi descansar? Depois de um dia tão cheio, não está cansada?

Ning Qing balançou a cabeça, evitando encará-lo: — Não estou cansada, hoje nem fiz muita coisa, só ajudei o mestre a escrever algumas prescrições. Já trabalhei muito mais em outros dias!

— Eu, então, não fiz nada além de assistir o mestre Sun atender pacientes; nem pude ajudar — disse Chen Yi, rindo de si mesmo.

Ambos se sentaram à beira do leito. À luz bruxuleante, Ning Qing olhou algumas vezes para Chen Yi, antes de falar, cautelosa: — Ziying, eu... não consigo dormir, pode conversar comigo um pouco? Queria lhe fazer umas perguntas.

— Ainda não é tarde, também não estou com sono. Justamente pensava em conversar com alguém, então sua vinda foi providencial, pensei que já estivesse dormindo! — respondeu Chen Yi, sorrindo amigavelmente para não deixá-la constrangida.

— Eu não consegui dormir — murmurou Ning Qing, erguendo o olhar hesitante. Após um instante, perguntou: — Ziying, queria saber... como é que você entende tanto de medicina? Até meu mestre ficou admirado, nunca o vi escutar alguém falar de medicina com tanto interesse!

— Eu já expliquei: li alguns livros antigos da família, neles há descrições sobre diagnóstico e tratamento dessas doenças. Hoje, por acaso, surgiu um paciente assim, o mestre Sun perguntou e eu apenas falei o que lembrava, provavelmente cometi muitos erros — respondeu Chen Yi, rindo de si mesmo e, logo, mudando de assunto: — Qing’er, você acompanha o mestre há tantos anos, deve saber muita coisa de medicina. Por que não ajudou a examinar os pacientes desta vez?

Ning Qing acompanhou o rumo da conversa e respondeu: — Só aprendi um pouco da superfície, não tenho muito conhecimento nem costumo examinar pessoas. Além disso, sou jovem ainda, o mestre não deixaria que eu atendesse pacientes sozinha. Meus irmãos só começaram a fazê-lo há pouco tempo e, mesmo assim, consultam o mestre em casos difíceis.

— Seu mestre é considerado o maior médico do tempo. Se disser que é aluna dele, muitos acreditarão em sua habilidade, independentemente da idade. Pelo menos eu acredito em você. Da próxima vez que eu adoecer, vou procurá-la para me examinar! — disse Chen Yi, brincando.

Apesar do tom de brincadeira, Chen Yi logo se deixou levar pela imaginação: se essa bela jovem fosse sua médica, desfrutando do toque macio de suas mãos, certamente seria uma experiência agradável...