Capítulo Quarenta e Sete: Sem Pressa

Embriaguez de Tang Tang Yuan 2714 palavras 2026-02-07 15:22:06

— Então... está bem! Daqui a pouco examinarei novamente a senhora, observarei sua temperatura e respiração para decidir quando voltar; se o quadro de saúde evoluir positivamente, retornarei à hospedaria; se houver recaídas, permanecerei aqui e, nos próximos dias, continuarei acompanhando... — Apesar dessas palavras, naquela noite Chen Yi não queria ficar ali. Embora estivesse muito interessado nos irmãos Helan Minzhi e na senhora Wu Shun, sobretudo após o momento de cumplicidade com Helan Minyue, sentia-se inquieto por deixar Ning Qing sozinha na hospedaria e queria ir vê-la. Caso fosse obrigado a passar a noite ali, faria questão de trazer Ning Qing consigo, do contrário, não ficaria em paz!

— Fique tranquilo, senhor Chen, cuidarei de tudo! — Helan Minzhi ergueu os olhos para o céu, demonstrando certo constrangimento: — Senhor Chen, já estamos na hora do almoço. Ordenarei aos criados que sirvam alguns pratos e vinho, para que possamos saciar a fome... O senhor está na mansão há quase meio dia e não o recebemos devidamente!

— Está bem! Aceitarei com prazer! — respondeu Chen Yi, cujo estômago já reclamava por comida.

Os antigos tinham certos costumes interessantes, como, por exemplo, o de “não falar durante as refeições, nem conversar na hora de dormir”. Da última vez que Chen Yi esteve com os irmãos Helan Minzhi na taverna junto ao Lago Qujiang, a conversa foi animada, mas tratava-se apenas de uma reunião informal, em que o vinho era apenas um pretexto para o diálogo. Naquele dia, porém, estavam sentados a uma refeição formal na residência, com criados presentes e a dona da casa, Wu Shun, acamada, exigindo um ambiente silencioso. Assim, os três mantiveram-se reservados, voltados à comida, limitando-se a trocar algumas palavras em voz baixa.

Chen Yi apreciava refeições animadas, gostava de conversar, de contar histórias e de ouvir anedotas. Abominava refeições silenciosas, como as que fazia na companhia de Sun Simiao, onde ninguém ousava abrir a boca e o clima era sempre opressivo. Por isso, aquele almoço também lhe pareceu um pouco constrangedor — ainda mais por ter a seu lado uma bela mulher por quem nutria sentimentos especiais, sem poder trocar gracejos ou sequer manter uma conversa, limitando-se a lançar-lhe olhares furtivos e admirar seus gestos à mesa, com certo pesar.

Terminada a refeição, os criados retiraram os utensílios e serviram chá, depois se retiraram discretamente. Quando Helan Minzhi voltou a falar sobre o estado de saúde de sua mãe, um criado apressado entrou, cochichou algo em seu ouvido e saiu. Helan Minzhi levantou-se e disse a Chen Yi:

— Senhor Chen, o criado acaba de informar que minha mãe está melhor, já acordou, mas não sabemos se pode se alimentar.

— Vamos ver como ela está! — prontificou-se Chen Yi, levantando-se. Helan Minzhi fez uma reverência e saiu à frente, Chen Yi o seguiu e, logo atrás, Helan Minyue, que durante o almoço se portara como uma verdadeira dama.

Ao entrarem no aposento de Wu Shun, Helan Minzhi dispensou todos os criados, exceto duas damas de companhia. Helan Minyue correu até o leito, ajoelhou-se e, radiante, falou suavemente à mãe, que abria os olhos com dificuldade:

— Mamãe, você acordou, está se sentindo melhor?

Wu Shun fechou os olhos e assentiu levemente. Helan Minzhi tomou a mão da mãe e, em voz suave, continuou:

— Mamãe, agora que está melhor, ficamos aliviados! Minyue e eu estávamos muito preocupados com você! — Virou-se, olhando para Chen Yi, e prosseguiu, dirigindo-se à mãe: — Ainda bem que o irmão convidou o senhor Chen para cuidar de você. Sua habilidade médica é extraordinária, ele cura com as próprias mãos. Mamãe, logo estará completamente restabelecida!

Ao ouvir as palavras de Helan Minyue, Wu Shun abriu os olhos e olhou para Chen Yi, mas seu olhar estava disperso, sem foco, e logo os fechou novamente, murmurando algo inaudível para ele.

Naquele momento, Chen Yi não viu diante de si uma célebre beleza, mas sim uma paciente fragilizada, desprovida de qualquer vestígio de elegância. Após breve hesitação, ele sussurrou algo a Helan Minzhi e, com sua permissão, aproximou-se, fez uma reverência a Wu Shun e a Helan Minyue e disse:

— Senhora Wu, senhorita Helan, permita-me examiná-la novamente, para verificar seu progresso.

Helan Minyue assentiu e inclinou-se para a mãe, dizendo-lhe com doçura:

— Mamãe, deixe o senhor Chen examiná-la novamente, ele é um excelente médico!

Wu Shun, com um leve movimento de cabeça, voltou a fechar os olhos. Helan Minyue levantou-se e, junto com as duas damas de companhia, auxiliou Chen Yi.

Com a ajuda das três mulheres, Chen Yi auscultou cuidadosamente a respiração, os batimentos cardíacos e a temperatura de Wu Shun. O resultado o tranquilizou ainda mais: a recuperação era surpreendentemente rápida, o quadro de febre havia desaparecido, respiração e pulsação estavam estáveis e a temperatura quase normalizada. O efeito do tratamento fora tão eficaz que ele chegou a suspeitar de uma benção especial do destino, como se tudo tivesse sido orquestrado para que ele se aproximasse da família Helan.

— Senhor Chen, como está minha mãe? — perguntou Helan Minyue ansiosa, assim que ele terminou o exame. Helan Minzhi também olhava para ele, apreensivo.

— Podem ficar tranquilos, a senhora está fora de perigo. Se continuar tomando a medicação por mais alguns dias e receber cuidados apropriados, não haverá mais com o que se preocupar! — disse Chen Yi, sorrindo. — A febre já cedeu. Daqui a pouco pode oferecer-lhe um pouco de mingau para repor as energias. Se ela descansar bem esta noite, certamente acordará revigorada amanhã!

Com essas palavras, Helan Minzhi e Helan Minyue suspiraram aliviados. Wu Shun, deitada no leito, também abriu os olhos e assentiu para Chen Yi.

— Deixem-na deitada mais um pouco, depois de recuperar um pouco as forças, ofereçam-lhe alimento — instruiu Chen Yi, sinalizando para que Helan Minzhi o acompanhasse para fora do aposento.

Compreendendo, Helan Minzhi aproximou-se da mãe, murmurou algumas palavras e saiu com Chen Yi.

— Senhor Chen, minha mãe está realmente fora de perigo? — perguntou Helan Minzhi do lado de fora.

Chen Yi percebeu que Helan Minzhi havia interpretado mal a situação e apressou-se em responder:

— Fique tranquilo, senhor Helan. O restabelecimento de sua mãe está muito acima das minhas expectativas. Se não houver recaídas esta noite, não há mais motivo para preocupação.

— Ouvindo suas palavras, sinto-me finalmente aliviado! — Helan Minzhi mostrou-se finalmente sereno.

— Senhor Helan, já que a senhora Wu está fora de perigo, peço licença para me retirar. Amanhã cedo voltarei para examiná-la novamente — despediu-se Chen Yi, deixando claro o motivo pelo qual o chamara para fora. Ele realmente desejava ir embora.

Já estava escuro e, embora soubesse que o toque de recolher havia começado, Chen Yi confiava que Helan Minzhi daria um jeito de levá-lo de volta à hospedaria sem que os guardas da patrulha o detivessem. Ning Qing certamente estaria ansiosa à sua espera, mesmo tendo mandado um recado por intermédio de Helan Minzhi. Se não voltasse aquela noite, a jovem ficaria ainda mais preocupada. Além disso, não se sentia confortável em deixá-la sozinha, pois qualquer incidente faria com que falhasse à confiança de Sun Simiao — o que lamentaria por toda a vida.

Diante do pedido, Helan Minzhi hesitou, sem saber como responder. Vendo isso, Chen Yi insistiu:

— Senhor Helan, caso a saúde da senhora Wu volte a piorar esta noite, basta enviar alguém para me chamar. Vim com Ning Qing, a jovem discípula de Sun Simiao — aquela pequena... monja taoísta que esteve conosco na Taverna do Imortal. Ela está sozinha na hospedaria e não fico sossegado deixando-a lá. Preciso fazer-lhe companhia, temendo que algo lhe aconteça.

— Tem razão! — concordou finalmente Helan Minzhi. — Se houver qualquer recaída durante a noite, peço que o senhor venha novamente. Como já escureceu e o toque de recolher foi iniciado, pedirei ao intendente que o acompanhe de volta à hospedaria.

— Muito obrigado, senhor Helan! — Chen Yi sentiu-se mais tranquilo com o arranjo. Não precisou pedir diretamente, o que o deixou mais confortável. Curvou-se em reverência: — Sendo assim, despeço-me por agora!

Ao proferir as palavras de despedida, lembrou-se de que não perguntara a Helan Minzhi sobre a identidade dos jovens da família Wu com quem discutira dias atrás. Embora já tivesse uma boa ideia de quem poderiam ser, sem a confirmação dos irmãos Helan, não queria tirar conclusões precipitadas.

Porém, uma vez manifestada a intenção de partir, não seria adequado voltar ao tema.

— Senhor Chen, não tenha pressa. Ainda gostaria de conversar um pouco mais com o senhor — disse Helan Minzhi, dissipando qualquer sentimento de frustração que Chen Yi pudesse ter.