Capítulo Cento e Dez: Qual seria a verdadeira identidade da protagonista?
— Sim, jovem mestre! — Chen Ming e Chen Yi fizeram uma reverência respeitosa. Trocaram um olhar, e Chen Ming falou para Chen Yi: — Joven mestre, espere aqui um momento. Vou chamar uma carruagem para levá-lo. O lugar onde moramos em Chang’an fica a várias ruas daqui, a pé seria uma caminhada longa.
— Tudo bem! — Chen Yi assentiu, concordando. Ir a pé poderia ser perigoso caso alguém o reconhecesse. Até então, pelas palavras dos dois, ele já entendia que sua identidade original não era simples.
Chen Ming fez uma reverência e rapidamente correu para a rua para chamar a carruagem. Chen Liang ficou ao lado de Chen Yi.
Após lançar alguns olhares para Chen Yi, Chen Liang, com lágrimas escorrendo pelo rosto, disse: — Joven mestre, onde você esteve esse tempo todo? Estávamos desesperados, procurando por você sem sucesso... Se não tivéssemos encontrado você, eu não saberia o que teria feito... — soluçava.
Chen Yi sorriu, sem responder, e de repente perguntou: — Há cerca de um mês, andando pelas ruas de Chang’an, percebi que duas pessoas me seguiam. Seriam vocês dois?
— Sim, joven mestre, éramos nós. Você realmente é você! — O rosto de Chen Liang expressava uma mistura de lágrimas e sorriso contido, quase cômico.
— Naquele dia pensei que vocês fossem bandidos e saí correndo! — Chen Yi lamentou. Se naquele dia tivesse enfrentado a situação com calma, sem fugir, talvez teria esclarecido sua identidade muito antes.
— Joven mestre, naquele dia não nos enganamos... Era você mesmo. — Chen Liang tossiu por ter engasgado com a alegria e continuou: — Nestes últimos seis meses, procuramos por toda Chang’an e arredores, perguntando por notícias suas, mas não ouvimos nada. Quando vimos alguém parecido com você na rua, seguimos discretamente, sem ter certeza, pois sua aparência havia mudado muito... Quando fomos impedidos pela patrulha, você desapareceu rapidamente, e não conseguimos alcançá-lo. Foi um alívio enorme confirmar que era você.
Perder a esperança e, de repente, encontrar uma luz é algo comovente e alegre. Chen Liang e Chen Ming, ao verem alguém que se parecia com seu jovem mestre, correram para investigar, mas o homem desapareceu diante dos soldados, deixando-os desolados. Depois de um dia inteiro procurando sem sucesso, voltaram para informar Chen An.
Chen An, igualmente emocionado, enviou mais homens às ruas, mas Chang’an era imensa, e Chen Yi evitava sair muito. Mesmo assim, a esperança mantinha todos firmes na busca.
Meses se passaram sem nenhum sinal. Alguns começaram a duvidar da identificação de Chen Ming e Chen Liang, mas eles estavam convictos de que era seu jovem mestre e continuaram a busca. Chen An confiava neles e mantinha a operação.
O esforço valeu a pena. Hoje, finalmente, o encontraram. Chen Ming e Chen Liang queriam chorar de alívio, as lágrimas não paravam.
Logo, a carruagem que Chen Ming havia chamado entrou na viela. Ele saltou da carruagem e, respeitosamente, disse a Chen Yi: — Joven mestre, por favor, entre.
Chen Yi não hesitou. Com a ajuda de Chen Ming e Chen Liang, subiu na carruagem. Chen Ming acompanhou-o, enquanto Chen Liang sentou-se ao lado do cocheiro. A carruagem partiu rapidamente.
Durante o trajeto, Chen Ming contou detalhadamente como tinham procurado por Chen Yi durante todo esse tempo. Chen Yi ouvia comovido, confirmando muitas coisas pelas lembranças que vagueavam em sua mente. Sabia que seus antigos servos e subordinados se espalharam para procurar por ele, seu “jovem mestre” desaparecido, enfrentando muitos desafios. Chen Ming parecia exausto, mas a alegria em seu rosto revelava o esforço enorme.
Chen Ming mencionou que mais de cem pessoas vieram a Chang’an. Exceto algumas que ficaram na nova mansão para comunicação, as demais saíam todos os dias para procurá-lo. Seguindo as ordens do mordomo Chen An, não desistiriam enquanto não soubessem de notícias certas.
Conversando, Chen Ming não mais chorava, mas os olhos brilhavam de felicidade, o que aqueceu o coração de Chen Yi. Sentir-se querido era bom, mesmo sendo por um grupo de homens.
Durante a conversa, Chen Yi pensava sobre sua verdadeira identidade. Ter mais de cem homens sob seu comando e poder comprar uma mansão em Chang’an não era coisa de uma família comum.
Quem ele teria sido?
Como estavam na carruagem, com o cocheiro ao lado, Chen Yi não perguntou sobre sua identidade.
Depois de um tempo, ao abrir a cortina, viu que haviam passado pelo bairro Kaifa, atravessado a rua principal Zhuque, chegando numa transversal em Guanglu. Continuaram pela rua Han Guangmen, cruzaram Taiping e chegaram perto do mercado ocidental, no bairro Yankan, onde entraram pelo portão do bairro.
Chen Yi já conhecia Chang’an e sua divisão em bairros. Sentado na carruagem, podia deduzir onde estavam.
A carruagem não parou ao entrar no bairro Yankan. Seguiu até o fim da rua principal e finalmente parou diante de um pátio discreto e tranquilo.