Capítulo Dezesseis: Conflito (Parte II)

Embriaguez de Tang Tang Yuan 3431 palavras 2026-02-07 15:21:42

Muito obrigado pelo apoio contínuo do Espantalho!

— Senhor Wu, perdoe-me! — Embora Chen Yi estivesse furioso por dentro, sua voz era surpreendentemente calma. — Hoje não quero confusão, peço que não nos dificulte as coisas. Não pretendo feri-lo! Vamos nos despedir aqui, como se nada tivesse acontecido hoje. Estou disposto a devolver seu dinheiro, basta que não nos persigam mais! Caso contrário, não me responsabilizo pelas consequências!

Para capturar o grupo, primeiro precisava deter o líder. Pelos acontecimentos recentes, Chen Yi percebeu que o jovem de sobrenome Wu era o chefe daquelas pessoas; os outros olhavam para ele antes de agir. Era claro que tinham vindo atrás dele de propósito, então Chen Yi só podia tomar a iniciativa: capturar o principal e usá-lo como refém, trocando por sua segurança e a de Ning Qing.

O antigo dono daquele corpo certamente treinava artes marciais e não era ruim; ainda havia muitos movimentos instintivos. No mundo moderno, Chen Yi praticara boxe e também não era desajeitado. Aproveitando o elemento surpresa, atacou sem que esperassem e capturou facilmente o jovem Wu, golpeando-o com força. Uma vez dominado, Wu, atordoado, teve os braços torcidos para trás e não possuía mais capacidade de reação.

O sucesso do ataque deu a Chen Yi certa confiança. Tendo imobilizado o líder, preparou-se para usá-lo como refém, apostando na saída segura dele e de Ning Qing. Porém, o que aconteceu em seguida o surpreendeu.

Ele pensou que, ao capturar o chefe, os outros hesitariam, temendo prejudicar seu próprio líder. No entanto, antes mesmo que Wu respondesse à ameaça, dois dos acompanhantes avançaram contra ele: um, parecido com Wu, acertou-lhe um chute, e outro correu até ele e desferiu dois socos. Uma dor lancinante atravessou seu corpo, que se contraiu involuntariamente.

Não esperava que, mesmo tendo o líder em seu poder, os outros ousassem atacá-lo. Sem estar suficientemente prevenido, acabou atingido e só pôde reagir instintivamente: apertou ainda mais o pescoço do prisioneiro e, com um chute, lançou ao chão outro atacante, pisando com força no pé de mais um deles durante o movimento.

O local se encheu de gritos lancinantes: o jovem Wu, sufocado, berrava desesperado, e os outros, misturados, faziam um coro aterrador. Chen Yi nem imaginava quanta força empregara, tomado pela raiva!

— Se ousarem se aproximar, não duvidem que eu o mato! — urrou Chen Yi.

O ataque veloz de Chen Yi intimidou os adversários, que pararam de tentar avançar. O jovem Wu, após tossir violentamente, conseguiu finalmente falar, ameaçando despedaçar Chen Yi se não fosse solto. Mas Chen Yi ignorou, mantendo-o firme como refém, e fez um sinal para que a assustada Ning Qing viesse ao seu lado.

Felizmente, ninguém tentou atacar Ning Qing, que estava paralisada de medo; caso contrário, seria impossível prever o desfecho!

— Seu insolente, solte logo o senhor Wu! Sabe quem ele é? — gritou, furioso, um dos companheiros de Wu. Apesar de não se atreverem a atacar, não deixaram de ameaçar verbalmente.

Nesse momento, um grupo de pessoas surgiu correndo, entrando diretamente no centro do conflito.

— Tantos contra um só? Que valentia! Uma surra coletiva? — soou uma voz sarcástica. — Ora, que surpresa! Tantos não conseguem vencer um só… É um milagre, um verdadeiro milagre…

Com essas palavras, um jovem de vestes brancas, figura esguia e rosto de beleza singular, aproximou-se de Chen Yi, sorrindo de maneira divertida enquanto olhava para ele e para o refém.

Os acompanhantes do rapaz de branco logo se interpuseram entre Chen Yi e os agressores, que, intimidados, hesitaram em avançar.

O jovem de branco, de beleza incomum, observou tanto o refém quanto o outro rapaz parecido com Wu, demonstrando surpresa:

— Ora, são meus dois primos! Não tinha reparado! — exclamou, com um tom exagerado, sem qualquer formalidade. — Que coincidência, encontrar vocês aqui! O que estão fazendo? Viram uma donzela bonita e pensaram em raptá-la? Em plena luz do dia?

O jovem Wu, agora reconhecendo quem intervinha, deixou transparecer sua ira, mas não disse mais nada. Os demais, ao perceberem de quem se tratava, também não ousaram agir.

Ao ouvir as palavras do recém-chegado, Chen Yi, que há pouco se enchia de esperança por ajuda, sentiu o coração gelar ao constatar que aquele jovem tão belo era primo justamente do agressor. Tinha acreditado que receberia apoio de alguém justo, mas se enganara.

O rapaz de branco olhou para Chen Yi com espanto e admiração, mas sem raiva, apenas sorrindo ao dizer aos primos:

— Primos, realmente não imaginei que tantos juntos não dessem conta de um só. Agora entendo por que perderam no torneio! Minha tia avisou… E vejam só, que vergonha! Querem que eu os ajude? Devo capturá-lo para vocês ou entregá-lo ao delegado de Chang’an?

— Isso não é da sua conta, Helan! Não precisamos da sua ajuda! — replicou, enfurecido, o rapaz parecido com Wu, sem, contudo, conseguir rebater de forma convincente.

— Ora, primo, você disse! Depois não venha reclamar para tia ou avó que não ajudei! — disse o jovem em tom de brincadeira, mudando o semblante ao se dirigir a Chen Yi. — Senhor Chen, você luta muito bem, meus parabéns. Mas aqui não é lugar para brigas. Logo os guardas chegarão, então solte o senhor Wu e leve sua acompanhante daqui!

Chen Yi, ao observar melhor aquele jovem irreverente, ficou impressionado. Era um rapaz de traços tão belos que “belo como uma flor” seria insuficiente para descrevê-lo. Sua beleza não tinha nada de efeminado; pelo contrário, os traços eram fortes e a voz, máscula, causando apenas admiração e respeito, despertando em Chen Yi uma sensação de simpatia e confiança.

Pelas palavras do jovem de branco, Chen Yi percebeu que, embora fossem primos, havia tensões e até ressentimentos entre ele e Wu. Ainda relutante, continuava usando Wu como escudo, não ousando soltá-lo.

Ning Qing, muito abalada, começava a se recompor, mas ainda estava perdida, sem saber o que fazer ou dizer.

— Senhor Chen, solte o senhor Wu, garanto que não o atacarão novamente — disse o jovem de branco, sorrindo. — Pode partir com sua acompanhante, eles não ousarão mais importuná-los!

Diante daquele conselho amável e do olhar gentil do rapaz, Chen Yi finalmente cedeu, soltando Wu e empurrando-o de volta entre os seus, recuando rapidamente e segurando a mão de Ning Qing.

Assim que o refém foi libertado, o grupo de Wu voltou a se exaltar, pronto para atacar Chen Yi.

— Primos, não acham que já foi vergonha suficiente por hoje? Tantos contra um só, e ainda assim apanharam… E ainda tentaram humilhar uma jovem em plena rua! Não temem manchar o nome da família? O que dirão de vocês? Não têm vergonha? — o jovem de branco, de costas para Chen Yi, repreendeu duramente os primos. — Estão envergonhando a família de nossa tia, vão embora logo!

— Não é da sua conta! — explodiu Wu, apontando o dedo para o primo. — Isso é entre nós, não se meta!

— Que coragem, primo! Mas por que não mostrou isso antes, ao ser dominado sem reagir? — ironizou o jovem de branco. Sem dar tempo para resposta, endureceu o tom: — Querem mesmo levar isso à justiça? Quando a tia souber, como vão se explicar? Os guardas estão vindo, logo estarão aqui! Se causar confusão, vejam como vão explicar para a tia!

— Não se ache só porque minha tia gosta de você! — disparou Wu, mas antes que terminasse, foi interrompido:

— Primo, pense no que está dizendo! Se falar demais, sua mãe e sua avó vão repreendê-lo. Se elas se zangarem, ninguém poderá salvá-lo! — o rosto do jovem de branco corou, revelando irritação genuína.

— Você… — Wu também estava enfurecido, preparando-se para brigar, mas foi contido pelo primo, que lhe sussurrou algo ao ouvido. Wu respirou fundo, esforçando-se para se acalmar.

— Vamos embora!

Sem olhar para Chen Yi ou o jovem de branco, partiram. Os demais lançaram olhares furiosos antes de seguir. A multidão, curiosa, comentava em voz alta, sem saber ao certo o que se passara, achando tudo um tanto teatral, como se o desfecho não combinasse com o ocorrido.