Capítulo Quarenta: Estupefato
O fato de a situação ter chegado a este ponto talvez se deva ao uso inadequado de medicamentos pelos médicos anteriores, ou à dosagem incorreta, que não conteve os sintomas, levando ao agravamento do quadro, culminando em febre alta e, por consequência, no desmaio da mãe de Helan Sheng, cujo corpo já não era robusto; também pode ter ocorrido porque, ao ministrar os remédios, não se utilizaram métodos eficazes para baixar a febre ou outros tratamentos necessários, o que resultou nesses sintomas alarmantes...
Pensando nisso, Chen Yi sentiu-se intrigado: será que os médicos do palácio não examinaram adequadamente a mãe de Helan Sheng? A doença não era tão difícil de diagnosticar. Contudo, ao lançar mais um olhar à mulher deitada no leito, compreendeu. A mãe de Helan Sheng tinha um estatuto elevado e, por ser mulher, os médicos imperiais relutaram em examiná-la minuciosamente, o que levou ao erro de diagnóstico ou ao tratamento inadequado, resultando na situação atual.
Felizmente, Helan Sheng confiou nele e permitiu que realizasse o exame sem restrições; caso contrário, ele também não teria conseguido chegar ao diagnóstico correto!
Sentindo-se um pouco aliviado, Chen Yi ordenou que duas criadas, sempre à disposição, limpassem o corpo da mãe de Helan Sheng, buscando, de todas as formas, reduzir rapidamente sua temperatura. Chen Yi sabia muito bem o quanto uma febre alta pode ser prejudicial ao corpo: se persistisse, poderia causar distúrbios eletrolíticos e tornar o tratamento ainda mais complicado!
Por sorte, ele chegara a tempo; ao menos por enquanto, a mãe de Helan Sheng ainda não apresentava as complicações que ele tanto temia!
— Senhor Chen, minha mãe realmente não corre nenhum perigo? — perguntou Helan Sheng, ainda um pouco desconfiado, embora já muito mais tranquilo.
Chen Yi assentiu e, abaixando um pouco a voz, explicou:
— Senhor Helan, sua mãe sofre apenas de uma inflamação pulmonar comum — abscesso pulmonar, febre do vento — nada grave. Apenas o tratamento não foi muito... adequado. Quando a febre subiu, não foram tomadas medidas eficazes para baixar a temperatura e combater a inflamação. Agora, ao limpá-la com água morna, a temperatura deve baixar; em seguida, prescreverei uma receita, e, seguindo as instruções, logo ela estará recuperada!
Ao ouvir tais palavras, Helan Sheng relaxou visivelmente e agradeceu, curvando-se diante de Chen Yi:
— Muito obrigado, senhor Chen! Por favor, prepare logo a receita, que mandarei providenciar os remédios imediatamente...
— Não se preocupe! — respondeu Chen Yi, retribuindo a cortesia, e acompanhou Helan Sheng até o exterior, onde começou a escrever a prescrição.
O diagnóstico e tratamento de doenças respiratórias eram a especialidade de Chen Yi. Mesmo sem medicamentos ocidentais, ele tinha plena confiança de que poderia curar a paciente apenas com fitoterapia. No futuro, ele tratara muitos casos de pneumonia lobar, conhecia diferentes métodos para lidar com doenças das vias respiratórias e acumulava vasta experiência, inclusive tratando gestantes e outros pacientes especiais apenas com ervas. Lembrava-se de várias fórmulas eficazes.
No tratamento da pneumonia lobar, baixar a febre e combater a inflamação eram essenciais. Utilizava-se a limpeza do corpo com água fria para reduzir a temperatura, e, com o uso de medicamentos anti-inflamatórios, controlava-se o processo. Passada a fase aguda, a resistência do próprio paciente aumentava e a recuperação acontecia naturalmente.
Chen Yi rapidamente escreveu uma receita que incluía cúrcuma, gardenia, fritilária, alcaçuz, amêndoas, ruibarbo, folhas de bambu, forsítia e crisântemo selvagem — uma fórmula conhecida nos antigos tratados médicos como “Pó Refrescante”, que teria surgido mais tarde, provavelmente na dinastia Ming, e era usada especialmente para tratar abscesso pulmonar, ou pneumonia lobar, com ótimos resultados quando administrada de manhã e à noite.
Com o coração em paz, Helan Sheng tomou pessoalmente a receita escrita por Chen Yi, correu até a porta e chamou o mordomo, ordenando que enviasse alguém para buscar os medicamentos.
Pouco depois, mais algumas criadas foram chamadas, trazendo bacias e utensílios para continuar limpando o corpo da mãe de Helan Sheng. Chen Yi explicou cuidadosamente como deveriam proceder, frisando que, de forma alguma, podiam deixar a paciente tomar frio; após a limpeza, deveriam cobri-la com cobertores para estimular a transpiração. Depois de dar as instruções, ele se retirou junto com Helan Sheng.
Ao sair do quarto, percebeu uma figura surgindo atrás das cortinas, mas não conseguiu identificar quem era. Durante o exame, já havia sentido que alguém o observava às escondidas, muito próximo, mas não conseguira ver quem era. Agora, ao perceber a sombra, teve certeza de que estava sendo observado secretamente. Quem poderia ser? De imediato, pensou em He Min, o irmão (ou irmã) de Helan Sheng.
Desde sua chegada à residência, ainda não vira He Min. Ora, com a mãe doente, a filha deveria estar ao lado dela; mas Chen Yi não a encontrou junto à mãe, nem mesmo viu seu vulto, o que era estranho. Provavelmente, por algum motivo de conveniência ou outro impedimento, ela se escondera antes de sua entrada, o que deixou Chen Yi levemente intrigado.
No interior, as criadas limpavam repetidas vezes o corpo da mãe de Helan Sheng, em completo silêncio. Helan Sheng, após observar por alguns instantes à porta, deu algumas ordens, baixou as cortinas e se voltou para conversar com Chen Yi.
— Senhor Chen, agradeço-lhe imensamente... — Helan Sheng parecia querer dizer algo mais, mas hesitou e, após algumas tentativas, não pôde evitar de perguntar, em tom que não combinava com seu temperamento: — Tem certeza de que a doença de minha mãe não é grave?
Helan Sheng era uma pessoa direta, sem rodeios nas palavras ou ações. No entanto, naquele dia, já fizera essa mesma pergunta a Chen Yi diversas vezes — e, mesmo após receber respostas confiantes, continuava a questionar. Afinal, era sua mãe, sua pessoa mais querida, e a preocupação lhe tirava o sossego, impedindo-lhe de se acalmar enquanto não tivesse certeza absoluta.
Chen Yi compreendia perfeitamente a angústia de Helan Sheng e assentiu com firmeza:
— Pode ficar tranquilo, senhor Helan, sua mãe ficará bem. Contudo, a doença veio intensa como uma tempestade e partirá lentamente, como um fio sendo puxado. Não é possível que se recupere de um dia para o outro; será preciso tratar com calma, ir ajustando e cuidando aos poucos, mas em sete ou oito dias, no máximo, ela estará curada. Com remédios ainda melhores, a recuperação seria mais breve... Neste período de tempo instável, qualquer um pode adoecer. Quando sua mãe estiver bem, cuide para que ela se mantenha aquecida, senão pode haver recaídas!
Chen Yi lamentava não dispor de antibióticos como a penicilina; afinal, a pneumonia lobar, tratada com penicilina, teria uma resposta rápida e eficaz, sobretudo numa época sem abuso desses medicamentos. Ele pensava que, no futuro, deveria buscar, junto a Sun Simiao e outros, o desenvolvimento da penicilina, pois isso não só renderia uma fortuna, mas revolucionaria a medicina na dinastia Tang. Afinal, Fleming descobriu a penicilina ao observar acidentalmente que o fungo Penicillium inibia o crescimento dos estafilococos. Encontrar o fungo não era difícil, e, com seu conhecimento da medicina moderna, talvez não fosse tão complicado produzi-la!
Ao ouvir essas palavras, os olhos de Helan Sheng brilharam de esperança. Ansioso, interrompeu o devaneio de Chen Yi:
— Senhor Chen, se precisar de qualquer medicamento raro, basta dizer! Darei um jeito de consegui-lo; se eu não conseguir, pedirei ajuda à minha avó e à minha tia. Não se preocupe, elas certamente terão como obtê-lo!
Ainda envolto em seus devaneios sobre a penicilina, Chen Yi balançou a cabeça lentamente:
— Os medicamentos descritos nos tratados médicos ainda não existem na Grande Tang, nem em todo o império; só existem em teoria, não há como consegui-los, ao menos por ora. Contudo, senhor Helan, não se preocupe: os remédios que prescrevi têm efeitos muito semelhantes aos dos medicamentos especiais, apenas agem um pouco mais lentamente, mas são adequados para pessoas com a constituição delicada de sua mãe, sendo mais fáceis de tolerar. Não se preocupe, ficará tudo bem!
Helan Sheng olhou para Chen Yi com certa dúvida, mas não insistiu. Após um leve suspiro, assentiu:
— Se o senhor Chen diz assim, não tenho mais com o que me preocupar. Ainda bem que ouvi a recomendação do mestre Sun e o chamei para examinar minha mãe, caso contrário...
Chen Yi sorriu e acenou, descontraído:
— Não diga isso, senhor Helan. Sua mãe ainda não se recuperou totalmente; após tomar o remédio, voltarei para reavaliar, caso seja necessário ajustar a prescrição ou a dosagem!
— Tem razão...
Enquanto conversavam, os criados já traziam o remédio recém-preparado. Ao ver a criada trazendo cuidadosamente a tigela de medicamento, Chen Yi não pôde deixar de admirar a eficiência da casa de Helan Sheng: em tão pouco tempo, o remédio já estava pronto. Ele não sabia, porém, que, devido à doença da mãe de Helan Sheng, a residência já mantinha um bom estoque de ervas; tudo o que ele prescrevera estava à mão, por isso o remédio ficou pronto rapidamente.
As criadas que limpavam o corpo da mãe de Helan Sheng pararam o que faziam e, com muito cuidado, deram o remédio à paciente. Neste momento, a febre já havia baixado um pouco; devido ao movimento ao seu redor, a mãe de Helan Sheng abria os olhos ocasionalmente, colaborando com a administração do remédio.
Talvez em razão da diminuição da febre, após o banho e o medicamento, a mãe de Helan Sheng acalmou-se e adormeceu profundamente.
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Após conversar distraidamente com Helan Sheng por algum tempo, já ciente da situação da mãe dele, Chen Yi voltou ao quarto para reavaliar a paciente, uma hora após ela ter tomado o remédio.
O exame o deixou satisfeito. A respiração da nobre senhora estava mais tranquila, a temperatura corporal já não era tão alta quanto antes; a redução da febre por métodos físicos e o efeito do remédio estavam sendo notados, e a tendência era de melhora.
Pacientes com febre raramente dormem profundamente; durante o exame, a mãe de Helan Sheng murmurou algumas palavras, ainda meio confusa, mas não abriu os olhos. Diante dos olhares ansiosos de Helan Sheng e das criadas, Chen Yi levantou-se, acenou positivamente e sorriu.
Helan Sheng entendeu e, sem fazer barulho, convidou Chen Yi a sair do quarto. Assim que atravessaram a porta, antes mesmo de se sentarem, Helan Sheng perguntou ansioso:
— Senhor Chen, como está minha mãe?
Chen Yi sorriu e fez sinal para que Helan Sheng se acalmasse:
— Senhor Helan, sua mãe já está muito melhor. A febre baixou bastante, a respiração está mais tranquila, o coração bate mais devagar; a recuperação dela está sendo melhor do que esperávamos. Daqui a pouco peça que limpem o corpo dela mais uma vez; depois, em duas horas, dê mais uma dose do remédio. Se tudo correr bem, a febre deve desaparecer ainda hoje à noite, e ela voltará à consciência!
Ao ouvir isso, Helan Sheng relaxou, um sorriso surgiu em seu rosto e ele agradeceu sinceramente:
— Muito obrigado, senhor Chen. Que alívio saber que minha mãe está bem; antes, estávamos todos em pânico!
— Irmão, como está a mãe? — Antes que Chen Yi pudesse responder, uma voz feminina e cristalina soou; em seguida, alguém ergueu a cortina e saiu do quarto.
Ouvindo a voz, Chen Yi imediatamente voltou-se para olhar, e ao ver quem era, ficou completamente pasmo!