Capítulo Cinquenta e Dois: Entrada no Palácio

Embriaguez de Tang Tang Yuan 2228 palavras 2026-02-07 15:22:09

Como já tinha ouvido de Helan Minzhi algumas informações, Chen Yi não ficou particularmente surpreso ao saber que Wu Zetian mandara chamá-lo; apenas se admirou com a rapidez com que a oportunidade surgira, tão rápida que nem sequer teve tempo de refletir sobre como deveria se portar diante daquela célebre e bela mulher da história.

Originalmente, Chen Yi pretendia imaginar calmamente o cenário do primeiro encontro com Wu Zetian: que etiqueta observar, como deveria falar, como se comportar e de que maneira causar uma boa impressão naquela mulher poderosa, ao ponto de fazê-la vê-lo sob uma nova luz. Contudo, tudo aconteceu tão depressa que não lhe restou tempo para se preparar. Restou-lhe apenas partir às pressas, acompanhando o eunuco que viera buscá-lo e embarcando numa carruagem luxuosa.

Nos últimos dias, Sun Simiao não retornara à residência; não se sabia se estava no palácio ou em algum outro lugar, o que impedia Chen Yi de consultá-lo sobre o que o aguardava. Se Sun Simiao estivesse hospedado na estalagem, ainda poderia perguntar-lhe o que deveria atentar ao encontrar-se com Wu Zetian no palácio e se ela testaria suas habilidades médicas.

Chen Yi esperava encontrar Sun Simiao no palácio. A presença daquele ancião ao seu lado, especialmente diante de Wu Zetian, lhe traria grande tranquilidade. Com tal apoio, teria alguém a interceder por ele, o que lhe aliviava as preocupações e diminuía a chance de cometer erros.

Naturalmente, Chen Yi também levou consigo seus instrumentos de diagnóstico, pois não sabia se Wu Zetian, preocupada com o estado de saúde do marido, lhe pediria conselhos médicos. Caso fosse questionado, poderia aproveitar para mostrar à imperatriz aqueles instrumentos inovadores.

Ning Qing, por sua vez, não estava contente com as saídas frequentes de Chen Yi; seus lábios permaneciam franzidos, expressão de mágoa, embora não expressasse abertamente seu descontentamento. Sem saber o real motivo da partida de Chen Yi, limitava-se a adverti-lo para que tomasse cuidado, não se cansasse ou se machucasse e, assim que pudesse, voltasse logo para casa.

Diante das lamúrias e dos conselhos de Ning Qing, que parecia uma esposa ressentida, Chen Yi sentiu-se profundamente tocado e prometeu repetidas vezes que nada lhe aconteceria. Assim que terminasse o que precisava fazer, regressaria o mais rápido possível. E, ao final, não deixou de provocá-la com algumas palavras brincalhonas, partindo de bom humor ao som das queixas afetuosas da jovem.

A carruagem que viera buscá-lo era ricamente ornamentada, semelhante àquela que havia trazido Sun Simiao anteriormente, o que já não surpreendia Chen Yi. Contudo, a maioria dos que o acompanhavam eram mudos; exceto pelo eunuco que o convidara na estalagem, ninguém lhe dirigiu a palavra. Mesmo este, cuja voz soava levemente desagradável, limitou-se a recebê-lo na carruagem, dar ordens para a partida e, depois disso, não disse mais nada, seguindo-o sempre com deferência.

Chen Yi, que pretendia aproveitar o trajeto até o Palácio Daming para obter informações sobre o palácio com aqueles que o escoltavam, acabou resignando-se a permanecer em silêncio dentro da carruagem, sem mais tentar sondar aquelas pessoas de identidade incerta. Após algum tempo, decidiu fechar os olhos e repousar, ao mesmo tempo permitindo-se imaginar como seria o encontro com Wu Zetian.

Porém, logo sentiu o peso do sono e a cabeça latejando. Optou então por esvaziar a mente, concentrando-se apenas em recuperar as energias.

Após uma longa viagem, Chen Yi percebeu que a carruagem dobrava uma esquina e seguia adiante. Com base na lembrança do mapa de Chang’an, tentou deduzir sua localização, mas, por estar dentro da carruagem e sem referências visuais, só conseguiu supor o percurso no início; depois de algum tempo, já não fazia ideia de onde estavam.

Mais adiante, a carruagem virou novamente e parou. Chen Yi, de dentro, ouviu vozes interrogando, seguidas de conversas indistintas, cujas palavras mal pôde entender, pois o som era muito baixo. Logo depois, a carruagem prosseguiu.

Após mais uma distância percorrida e outra mudança de direção, a carruagem deteve-se novamente. Ouviu-se outra breve conversa, e então a cortina dos fundos foi levantada; uma cabeça espreitou e um feixe de luz intensa invadiu o interior, fazendo os olhos de Chen Yi doerem e impedindo-o de distinguir nitidamente a fisionomia do interlocutor, que lhe saudava com respeito.

As cortinas daquela carruagem eram espessas; durante o trajeto, apenas alguns raios de luz filtravam-se, deixando o interior em penumbra. Acostumado à escuridão, Chen Yi teve dificuldade em adaptar-se à claridade repentina do exterior.

— Senhor Chen, por favor, desça da carruagem!

Pela voz, reconheceu o mesmo eunuco que o buscara na estalagem. Após ajustar-se à luz, Chen Yi desceu de um salto, seguindo o gesto convidativo do eunuco, e passou a observar naturalmente os arredores.

O que viu foi uma muralha imponente, de cerca de vinte metros de altura, que se estendia para ambos os lados, dando a impressão de massa e peso opressivos. O portão monumental, destacando-se contra a muralha, era ainda mais impressionante. Soldados armados patrulhavam o topo, conferindo ao ambiente uma atmosfera de força e autoridade invisível.

Era o palácio imperial. Ali estava, diante do Palácio Daming da grande dinastia Tang, fronteiriço à muralha mesma. A cena, embora semelhante ao que imaginara, era ainda mais grandiosa e majestosa do que supusera, capaz de assombrar qualquer um.

Sob o portão principal, erguia-se uma torre monumental, com cinco entradas. Chen Yi sabia tratar-se do famoso Portão Danfeng, considerado o maior de toda a dinastia Tang. Mas também sabia que esse portão só era aberto em ocasiões especiais, como o primeiro dia do ano ou grandes cerimônias; naquele dia, portanto, não passaria por ali. De fato, logo o eunuco lhe indicou outro portão lateral. Controlando a excitação, Chen Yi retribuiu o gesto e seguiu em direção ao portão, igualmente guardado por muitos soldados.

Ao chegar sob o portão, semicerrando os olhos, tentou ler qual era aquele acesso. Demorou alguns instantes até distinguir os três vigorosos caracteres: “Portão Jianfu”.

Chen Yi conhecia o Palácio Daming em detalhes; no futuro, dedicara-se ao estudo de sua planta e visitara diversas vezes o parque arqueológico erguido sobre suas ruínas, sabia bem a localização aproximada de cada palácio desenterrado. Sabia que o Portão Jianfu era uma das três principais entradas laterais do Palácio Daming, localizado à direita do Portão Danfeng, servindo como via principal de acesso para ministros e funcionários do palácio. Por ali, adentrava-se a praça do Salão Hanyuan, seguida pelo Salão Xuanzheng, o Salão Zichen e muitos outros palácios e jardins.

No entanto, tudo o que sabia era fruto de descobertas arqueológicas; a realidade, só agora estava a conhecer de fato.

— Senhor Chen, por favor, siga-me até o interior do palácio! — disse o eunuco, notando o olhar curioso de Chen Yi para todos os detalhes do portão. Embora mantivesse o semblante respeitoso, havia um leve traço de desdém em sua expressão ao fazer uma nova reverência e indicar-lhe o caminho.