Capítulo Cinquenta e Três: Afinal, Quem é Esta Bela Dama?

Embriaguez de Tang Tang Yuan 2401 palavras 2026-02-07 15:22:09

Chen Yi também desviou o olhar e, após lançar um olhar frio – ao seu ver – para o eunuco de expressão ridícula, estufou o peito e seguiu em direção ao portão da cidade.

Afinal, tratava-se do palácio imperial, protegido com rigor. Embora Chen Yi estivesse ali por ordem do imperador, ainda assim foi alvo de uma inspeção minuciosa. O embrulho onde carregava seus instrumentos médicos foi vasculhado repetidas vezes. Só após muito explicar a utilidade de cada item e com a ajuda das observações complementares do eunuco, ele foi autorizado a passar.

Após esse rigoroso escrutínio, Chen Yi, suando de nervoso, não pôde deixar de sentir certa apreensão. E se, por acaso, algum guarda mais impetuoso desconfiasse de suas intenções e agisse de maneira extrema, o que faria?

No entanto, ao adentrar o palácio e se deparar com a imponência da Cidade Proibida do Grande Esplendor, Chen Yi logo esqueceu suas preocupações. Apenas restou-lhe o desejo de admirar, com olhos curiosos, a grandiosidade arquitetônica do palácio, tal qual um peregrino extasiado diante de um templo sagrado.

Em tempos modernos, Chen Yi já visitara o parque que abriga as ruínas da antiga Cidade Proibida do Grande Esplendor, em Xi'an. Passara dois dias inteiros percorrendo o local, apreciando modelos restaurados do palácio e imagens geradas por computador. Conhecia cada canto do parque, lembrava-se vagamente da disposição e das principais estruturas, mas tudo o que vira eram apenas maquetes ou imagens digitais em televisão e cinema. Não havia como sentir a verdadeira escala, o impacto imponente daqueles edifícios. Agora, diante da realidade, a magnitude e o esplendor superavam em muito qualquer impressão deixada pelas reconstruções modernas.

Diante dele, um enorme palácio erguia-se sobre uma plataforma de vários metros de altura. O edifício era grandioso, imponente, causando uma sensação de opressão mesmo à distância. Chen Yi logo reconheceu tratar-se do mais famoso prédio do palácio, o Salão da Harmonia Suprema, o salão principal da Cidade Proibida do Grande Esplendor. Sua forma maciça pouco diferia do que vira nas reconstruções modernas. Diante do salão, erguiam-se à esquerda e à direita as torres dos Dragões e das Fênix, e aos lados, as torres do Sino e do Tambor. Todas essas estruturas estavam ligadas por passarelas elevadas em forma de "U".

Sob as torres dos Dragões e das Fênix, havia rampas que serpenteavam ao redor das muralhas da plataforma. O conjunto combinava salões e torres, criando uma silhueta ondulante, de proporções gigantescas e fôlego majestoso, aberta e luminosa, com uma força estética capaz de abalar o espírito. Palavras como "como o sol nascente" ou "como se estivesse entre os céus", tantas vezes citadas nos documentários sobre o palácio, vieram à mente de Chen Yi, embora não soubesse a quem pertencia tal elogio.

— Senhor Chen, por favor, siga comigo por aqui! — sussurrou o eunuco que o guiava, ao perceber o espanto nos olhos de Chen Yi.

Retomando a compostura, Chen Yi sorriu e acenou com a cabeça. Acompanhado pelo eunuco, tomou o caminho à esquerda, subindo pela rampa junto ao salão auxiliar, avançando para o interior do palácio. Ao se aproximar do Salão da Harmonia Suprema, parou instintivamente, admirando a grandiosidade ainda mais opressora e sufocante do edifício.

A estrutura do salão era de uma imponência solene, mas a paleta de cores e os enfeites mantinham-se sóbrios: predominavam o branco nas paredes e o vermelho-escarlate nas colunas, combinação que, delineando os contornos dos edifícios, superava em majestade até mesmo a Cidade Proibida de Pequim, cujas cores são mais variadas e complexas. As intricadas cornijas, as telhas azuladas, as extremidades curvas dos telhados — tudo era obra dos mais hábeis artesãos, impossível de ser reproduzido fielmente pelos artífices contemporâneos, despertando profunda admiração.

Poder contemplar de perto esse palácio lendário, eternamente celebrado pelos séculos, fez o coração de Chen Yi disparar de emoção.

De onde estava, próximo ao Salão da Harmonia Suprema, ele percebeu que o palácio abrigava inúmeros edifícios. O campo de visão era limitado, impossível estimar o tamanho total da cidade imperial, mas as torres e muralhas ao redor eram sólidas e elevadas, e a arquitetura dos salões exalava força e grandeza. No interior desse conjunto, a sensação de assombro superava em muito a causada pela Cidade Proibida de Pequim. O silêncio tornava a impressão ainda mais marcante.

Ali estavam os padrões arquitetônicos do período Sui-Tang, desaparecidos nos tempos modernos. Os edifícios do palácio seguiam formas semelhantes, com beirais elevados, telhados com extremidades curvas e enormes cornijas. Essa era a característica mais notável da arquitetura Tang. Debaixo dos beirais, fileiras de vigas de madeira; portas e janelas com diversos padrões geométricos, e, nas partes inferiores, relevos de nuvens, dragões e outros animais alados. Nas junções, folhas de bronze douradas gravadas com dragões. A sobriedade do branco e vermelho-escarlate dava aos edifícios uma elegância serena e grandiosa, ressaltada pelas sofisticadas cornijas, telhas azuladas e extremidades curvas dos telhados, transbordando a confiança e a magnanimidade de um império próspero.

Cercado por esse conjunto monumental, Chen Yi voltou a se sentir pequeno e sem apoio. Aproximou-se rapidamente do eunuco que o guiava, o que lhe trouxe algum alívio.

Refletiu então que, além do conforto pessoal, os antigos imperadores certamente construíam palácios tão grandiosos para exibir ao mundo o poder do império e a supremacia do trono. Em meio a tal imponência, não só os visitantes, mas até os ministros que frequentavam o palácio diariamente deveriam sentir-se intimidados e diminuídos. Até a autoconfiança devia vacilar. Pelo menos, era assim que Chen Yi se sentia: desconfortável, sem confiança, caminhando sem a habitual compostura, quase atordoado. Imaginava que seu rosto devia exibir espanto e nervosismo.

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Já havia percorrido muitos caminhos dentro da cidade imperial, cruzado vários portões e pontes, dando voltas sem fim até ficar tonto. Chen Yi não sabia ao certo onde estava. Por outro lado, ver tanto lhe ajudou a se adaptar. Aos poucos, o temor e o assombro iniciais deram lugar à serenidade; seus passos tornaram-se mais firmes e até a postura se endireitou.

O eunuco que o guiava já era outro, assim como quem carregava sua bagagem. Os servidores do palácio anterior e do posterior não eram os mesmos. Wu Zetian residia nos aposentos posteriores, por isso os eunucos de serviço não coincidiam. Chen Yi, embora tivesse algum conhecimento sobre os assuntos do palácio, compreendia perfeitamente essa distinção.

Após inúmeras voltas e passagens por diversos edifícios, finalmente chegaram ao destino. Diante de um salão imponente, o eunuco parou, voltou-se para Chen Yi e disse:

— Senhor Chen, aguarde um momento. Vou anunciar sua chegada.

Chen Yi apenas acenou com a cabeça e aguardou em silêncio diante do salão.

Logo, o eunuco retornou, seguindo atrás de uma donzela graciosa que saiu do salão.

Ela era alta, de traços belos, cintura fina e seios generosos — um padrão de beleza. Sob as vestes do palácio, nada discretas, muitos detalhes de seu corpo chamavam a atenção masculina. Bastaram dois olhares para que Chen Yi a reconhecesse: era a mesma dama que, no outro dia, avistara espiando pela pequena fresta da janela da estalagem, acompanhando Wu Zetian disfarçada. Ao reencontrá-la — e recordando o olhar severo que recebera daquela vez —, Chen Yi não pôde evitar observá-la mais demoradamente.

Quem seria ela? Chen Yi só sabia que Wu Zetian tinha uma famosa criada chamada Shangguan Wan’er, mas esta, por sua idade, ainda deveria ser uma criança, mal tendo aprendido a andar, e por isso não poderia servir à imperatriz. Quem seria, então, essa dama de porte distinto e beleza impressionante?