Capítulo Quarenta e Nove – Ternura

Embriaguez de Tang Tang Yuan 2675 palavras 2026-02-07 15:22:07

— O quê?... A Imperatriz deseja me convocar?

Chen Yi não pôde conter o espanto; só de pensar que talvez um dia pudesse ver aquela mulher lendária, Wu Zetian, sentiu uma onda de excitação! Jamais imaginara tal coisa; as palavras de Helan Minzhi o pegaram completamente de surpresa!

Que Helan Minzhi contasse de sua existência à Imperatriz era algo que ele realmente não previra. Não seria essa uma oportunidade rara de verdadeiramente se integrar a essa época e participar da própria história? Chen Yi se sentiu, de repente, perdido!

Ao perceber a surpresa estampada no rosto de Chen Yi, Helan Minzhi voltou a exibir um sorriso satisfeito.

— Ziying, talvez minha tia o convoque ao palácio em breve. A doença do Imperador ainda não foi curada; o remédio do Taoísta Sun apenas controlou os sintomas, não eliminou o mal pela raiz. Nos últimos anos, a saúde do Imperador tem piorado cada vez mais. O venerável o recomendou à minha tia, dizendo que você talvez tivesse um método para curar o soberano, e sugeriu que o chamassem ao palácio para experimentar. Foi ideia dele que você viesse hoje examinar minha mãe... minha tia também está ciente disso...

Essas palavras surpreenderam ainda mais Chen Yi. Não esperava que Sun Simiao fosse tão “ousado”, recomendando-o à Imperatriz sem sequer conhecer de fato suas habilidades médicas. Era, no mínimo, uma tremenda enrascada!

Se ele realmente fosse ao palácio tratar de Li Zhi, e não conseguisse diagnosticar corretamente, ou mesmo acertando, não tivesse meios de tratar, ou ainda, se o resultado fosse insatisfatório, Wu Zetian certamente o puniria. Não seria Sun Simiao o estar empurrando para o fogo?

— Irmão Changzhu, está brincando comigo, não está? — Chen Yi sorriu ironicamente. — Com minha idade e experiência, como seria possível examinar o Imperador? Não me assuste assim... ou não vou conseguir dormir esta noite!

— Se é brincadeira ou não, em breve saberá! — Helan Minzhi não se explicou mais, apenas sorriu e fez uma reverência: — Ziying, já está tarde, você teve um dia cansativo, é melhor voltar e descansar. Pedirei ao mordomo que lhe prepare a carruagem e o leve de volta à estalagem. Só... se minha mãe apresentar algum problema durante a noite, terei de incomodá-lo novamente. Espero que não se importe.

— Irmão Changzhu, não há o que agradecer. Caso precise, é só chamar — respondeu Chen Yi, retribuindo a reverência. Sem mais cerimônia, acompanhou o mordomo Helan Ping até a saída.

———

A lei marcial noturna já havia começado. Nas ruas, além dos soldados da Guarda de Ouro em patrulha, não havia mais ninguém. Pareciam largas e silenciosas, e a carruagem que conduzia Chen Yi seguia livremente, sem ser parada ou questionada por ninguém.

Em qualquer época há distinção entre nobres e plebeus — especialmente na Antiguidade, quando pessoas de posição especial muitas vezes podiam agir à margem das leis. Uma carruagem do palácio da Imperatriz ou da Mansão da Senhora da Coreia, nem mesmo os soldados da Guarda de Ouro ousariam deter.

Quando chegaram ao destino, Chen Yi desceu com passos leves em direção à estalagem. Sob os olhares surpresos do estalajadeiro e do ajudante, subiu direto ao andar superior e bateu à porta do quarto de Ning Qing. Ela, preocupada e aborrecida, correu a abrir assim que ouviu as batidas.

Ao ver Chen Yi, a expressão antes preocupada de Ning Qing se desfez num instante, dando lugar a um sorriso radiante.

— Ziying, você finalmente voltou! Estava tão preocupada... Entre, rápido! Achei que não voltaria mais!

Chen Yi entrou, sorrindo com um ar de leve desculpa:

— Qing’er, desculpe por ter chegado tão tarde e tê-la deixado preocupada.

Ning Qing fechou a porta e, com um sorriso doce e um leve rubor, respondeu:

— Ziying, o jovem senhor Helan mandou avisar onde você estava, então não fiquei... tão preocupada! Hoje você atendeu uma doente, deve estar exausto. Já comeu? Vou buscar algo para você!

Mostrava-se atenciosa como uma esposa carinhosa, o que tocou Chen Yi profundamente.

— Qing’er, já jantei e não estou cansado! — Ele segurou a mão de Ning Qing, falando com ternura. — Hoje deixei você sozinha aqui, e fiquei inquieto. Por isso, quis voltar esta noite de qualquer jeito.

Ning Qing não retirou a mão, permitindo que ele a segurasse. Envergonhada, sorriu baixinho:

— Ziying, eu sabia que você voltaria, por isso fiquei esperando! Tem certeza de que não está com fome?

— Tenho, sim! — Chen Yi apertou a mão macia e delicada de Ning Qing e, emocionado, disse: — Qing’er, obrigado por esperar por mim. Não devia tê-la deixado sozinha... Da próxima vez, levo você junto, para não ficar preocupada!

— Não tem problema, você estava ajudando o mestre a tratar alguém, salvar vidas é urgente, não devia se preocupar comigo — respondeu Ning Qing, um pouco tímida. — Pena que não domino a medicina, senão poderia ter ido ajudá-lo. Ah, Ziying, como está a Senhora da Coreia? Houve alguma melhora?

Quando Chen Yi estava na mansão, Helan Minzhi mandara avisar Ning Qing e lhe contou quem eram, então ela sabia onde ele fora tratar a doente e perguntou naturalmente pelo estado da paciente.

— A Senhora da Coreia sofre de uma doença pulmonar. Após alguns procedimentos, ela melhorou bastante: a febre cedeu, respira melhor, não deve haver perigo agora — Chen Yi respondeu, recolhendo o sorriso e, com um ar de leve culpa, acrescentou: — Qing’er, amanhã preciso voltar lá para ver como ela passou a noite. Você quer ir comigo?

— Quero sim! — respondeu de imediato, mas logo balançou a cabeça. — Melhor não, vá sozinho. Eu, uma simples monja taoísta, não ouso ir à mansão da Senhora da Coreia. É melhor você ir sozinho, para não causar problemas.

Chen Yi pensou um momento e concordou:

— Tem razão. Fique na estalagem, volto assim que possível. Quando tudo isso acabar, vou levá-la para passear fora da cidade. Quero visitar as margens da Ponte Ba...

— Está bem! — concordou rapidamente, baixando o olhar. Só então percebeu que ainda estava de mãos dadas com Chen Yi; seu rosto ficou corado e ela se desvencilhou depressa, lançando-lhe um olhar reprovador e encantador:

— Ziying, já está tarde, vá descansar. Você deve estar cansado e amanhã tem afazeres. Eu... também vou dormir!

Sem entender por que a jovem mudara de atitude tão repentinamente, Chen Yi ficou sem saber o que dizer. Quando viu que Ning Qing, envergonhada, corria para a porta como se fosse sair, percebeu que estavam no quarto dela. Ela, confusa, pensou estar no quarto dele, e se preparava para sair. Ele logo disse:

— Qing’er, este é seu quarto. Descanse, vou ao meu, amanhã acordamos cedo e tomamos café juntos.

E, dizendo isso, caminhou até a porta, lançando-lhe um sorriso travesso.

— Oh! — Ning Qing finalmente percebeu, recuou a mão que ia abrir a porta e sorriu sem jeito para Chen Yi. Por um instante, tomada de emoções, realmente pensara estar no quarto dele, e quis fugir. Ao ser lembrada por Chen Yi, sentiu-se ainda mais envergonhada.

Será que ele percebeu meus sentimentos?

Vendo a expressão adorável de Ning Qing, Chen Yi sentiu-se radiante. Gostaria de dizer algo para provocá-la, mas temia que as coisas saíssem do controle — afinal, estavam sós, homem e mulher, e brincar demais poderia dar problema.

Sob o olhar relutante, mas tímido, de Ning Qing, Chen Yi retornou ao seu quarto. No entanto, não foi dormir de imediato. Deitou-se vestido, com a cabeça no travesseiro, pensando em tudo o que acontecera no dia. Especialmente, refletia sobre o contato com aquela família de figuras históricas lendárias, pensando em como deveria se relacionar com eles dali em diante, ou se não seria melhor manter distância após os eventos recentes.

Porém, por mais que pensasse, não chegava a conclusão alguma. Suas ideias ficaram confusas, e, cansado de tanto matutar, despiu-se, deitou-se sob as cobertas e, para sua própria surpresa, adormeceu rapidamente.