Capítulo Vinte e Oito: Entre Amigos Verdadeiros, Mil Taças São Poucas

Embriaguez de Tang Tang Yuan 3472 palavras 2026-02-07 15:21:50

Chen Yi confiou em sua própria dedução: tratava-se de um casal de irmãos, e não de irmãos quaisquer, mas sim de posição extremamente especial e respeitada. Contudo, à medida que o vinho fluía e os assuntos se desdobravam, ele se sentia completamente à vontade diante deles, sem qualquer constrangimento ou pressão, como se estivesse apenas diante de dois colegas mais novos. Estes também não assumiam qualquer postura superior; pelo contrário, os três brindavam e conversavam como velhos amigos.

Em pouco tempo, Chen Yi passou de uma leve timidez para uma naturalidade plena. Notando isso, Helan Sheng demonstrou certa surpresa nos olhos, mas logo se tranquilizou, erguendo a taça e bebendo com Chen Yi, ao mesmo tempo em que, apenas com o olhar, impediu Helan Min de continuar bebendo. Diante do olhar severo do irmão, Helan Min, um tanto contrariada, pousou o copo, sem ousar insistir.

Após algumas taças, Chen Yi recuperou parte de sua autoconfiança e tomou a dianteira no diálogo, conduzindo a conversa para novidades e curiosidades. Falava com desenvoltura, contando histórias do futuro que presenciara, adaptando-as ao presente como se fossem fatos inusitados, aproveitando para exibir seu conhecimento. Os irmãos Helan, acostumados ao conforto e à nobreza, jamais haviam ouvido tais histórias e opiniões.

Vendo os olhares de surpresa e admiração que Helan Sheng e Helan Min lhe lançavam, Chen Yi recuperou totalmente sua autoconfiança e passou a desfrutar, de maneira natural, do encanto de Helan Min, cujo sorriso radiante era provocado por suas narrativas.

No futuro, Chen Yi sempre fora uma pessoa extrovertida, apreciador de amigos e de ambientes animados; "contar vantagens" em conversas era um de seus passatempos prediletos. Esse traço permaneceu mesmo após sua travessia no tempo e encontrou pleno espaço nas interações com os irmãos Helan.

Seus "contos" não eram meras invencionices, mas discussões fundamentadas, entremeadas de histórias verídicas e até ensinamentos profundos. Expôs suas opiniões sobre poesia e prosa, embora seu nível não pudesse ser comparado ao dos grandes nomes históricos, nem mesmo a poetas menores. Contudo, os comentários e críticas posteriores acerca dos maiores poetas lhe serviram de base, e o que era senso comum na posteridade, para os irmãos Helan soava como algo inovador, pois transcendia seu tempo. Os versos frescos e as opiniões inusitadas de Chen Yi causavam ainda mais espanto.

Se, ao conhecer Chen Yi, os irmãos sentiam apenas curiosidade por ele, após aquela conversa passaram a admirá-lo sinceramente.

As relações humanas, por vezes, são sutis: com algumas pessoas, a afinidade é instantânea e, após breve diálogo, nasce uma amizade profunda; com outras, mesmo após longa convivência, não se estabelece laço algum, nem mesmo se retém o rosto na memória. Ditos populares são certeiros: "Com o amigo verdadeiro, mil copos de vinho são poucos; com quem não se entende, meia palavra já é demais"; "Brancos cabelos e amizade recém-feita"; "À primeira troca de olhares, como velhos conhecidos". Naquele dia, ao se relacionar com os irmãos Helan, cuja identidade ainda não poderia precisar, Chen Yi sentiu que encontrara almas afins, saindo da conversa com uma sensação de harmonia e mútua apreciação.

Bebendo e conversando livremente, o tempo passou sem que percebessem. Quem poderia contar quantos temas abordaram? Mas o número de jarras vazias sobre a mesa dava uma pista. Com tanto falar, a garganta secava, e o vinho era o melhor remédio. No final, Chen Yi sentia o estômago pesado e a cabeça leve.

Helan Sheng havia bebido tanto quanto Chen Yi, sem demonstrar embriaguez; apenas um leve rubor realçava ainda mais sua beleza. Helan Min, por sua vez, tomara pouco, por imposição do irmão, mas também exibia um rubor encantador, semelhante à flor de pessegueiro, o que atraía constantemente os olhares de Chen Yi. Helan Min, ciente de ser observada, não se incomodava; pelo contrário, parecia até satisfeita, erguendo graciosamente a mão para servir mais vinho a Chen Yi, demonstrando alegria.

Com o desenrolar da conversa e a descontração, o pedido inicial para que Chen Yi compusesse outro poema acabou esquecido por todos.

No início, sentados formalmente de joelhos, posição à qual Chen Yi não estava habituado – mas sabia ser a mais respeitosa nos tempos da dinastia Tang –, ao final, já não se importavam mais, cada um buscando a postura mais confortável.

— Senhor Chen, de fato, não imaginei que conhecesse tanto. Sua erudição faz qualquer um corar de vergonha! — exclamou Helan Sheng, erguendo a taça e brindando, visivelmente impressionado.

— Senhor Helan exagera em suas palavras, fico constrangido — respondeu Chen Yi, sentindo-se observado atentamente por Helan Min, cuja aparência tornava difícil distinguir o gênero. Procurando não demonstrar demasiado orgulho, inclinou-se respeitosamente: — Apenas li alguns livros dispersos, conheço algo de astronomia, geografia e trivialidades do cotidiano. Nada digno de tanto louvor!

Helan Sheng fez um gesto, assumindo expressão séria:

— Sempre considerei minha erudição digna, mas hoje reconheço minha pequenez; há sempre alguém superior. Comparado ao senhor, não sei quanto me falta aprender. Espero, daqui em diante, poder contar com seus ensinamentos.

Helan Min logo se uniu ao elogio:

— Senhor Chen, meu irmão não mente. Seu saber, seja em poesia ou em outros campos, não é comum. Até mesmo versos simples como "A escrita nasce do céu, e a mão hábil a capta por acaso" são admiráveis. Meu irmão jamais demonstrou tanta admiração por alguém!

Os elogios dos irmãos deixaram Chen Yi um pouco sem graça, levando-o a justificar-se novamente:

— Os senhores são generosos; apenas gosto de divagar e compartilhar o que sei. Tenho plena consciência dos meus próprios limites e não mereço tão altos elogios. Sinto-me realmente envergonhado!

— Ah, senhor Chen é modesto demais! — riu Helan Sheng, brindando novamente. — Venha, bebamos! Ouvir suas palavras é um verdadeiro deleite. Hoje, estamos bebendo com alegria; continuemos até não podermos mais!

— Pois bem! Saúde! — respondeu Chen Yi, um tanto tonto, erguendo mais uma vez a taça.

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No auge da confraternização, ouviram-se batidas à porta.

Após a permissão, um criado entrou apressado até Helan Sheng, que fazia questão de não sair dali sem estar embriagado, e sussurrou-lhe algumas palavras. Helan Sheng perdeu o ar descontraído, olhou para Chen Yi com pesar e desculpou-se:

— Senhor Chen, peço desculpas, mas surgiu um compromisso e preciso partir. Inicialmente, pretendia ficar até não podermos mais, mas terá de ficar para a próxima. Perdão! — disse, levantando-se e fazendo uma saudação.

Helan Min também se pôs de pé.

Tomado de vontade de ir ao banheiro, mas sem coragem de admitir, Chen Yi também se levantou, sorrindo e retribuindo a cortesia:

— Senhor Helan, cuide de seus afazeres. Já bebemos o suficiente por hoje; mais um pouco e saio carregado daqui. Em outra ocasião, festejaremos novamente!

— Combinado! Na próxima, eu serei o anfitrião e receberei o senhor para outro banquete! — disse Helan Sheng, sorrindo. — Onde irá residir daqui em diante? Assim, quando estiver livre, poderei visitá-lo.

— Deverei ficar na Pousada Anlai até o retorno do Mestre Sun.

— O senhor nunca pensou em fixar residência em Chang’an? — perguntou Helan Sheng, ainda sorrindo levemente.

— Já considerei, mas ainda não é o momento. Mestre Sun orientou que, por ora, eu permaneça na pousada, até seu retorno.

Percebendo um leve desapontamento nas palavras de Chen Yi, Helan Sheng arqueou as sobrancelhas:

— Viver em pousada não é solução. Que tal se eu lhe ajudasse a encontrar uma boa morada? Assim, poderia contratar criados e tornar a vida mais confortável.

A generosidade de Helan Sheng surpreendeu e comoveu Chen Yi, mas ele recusou educadamente:

— Agradeço muito a sua oferta, senhor Helan, mas prefiro esperar mais um pouco. Talvez, em breve, tudo se resolva naturalmente.

Helan Sheng pareceu entender seus motivos e não insistiu. Foi então que Helan Min, sempre comportada ao lado do irmão e observando a conversa, interveio:

— Senhor Chen, e aquela bela jovem que esteve com o senhor naquele passeio? Por que hoje não está aqui? Ela não mora consigo?

Surpreendido com a pergunta, Chen Yi respondeu:

— Ela é discípula do Mestre Sun e hoje retornou ao Monte Zhongnan com ele.

— Aquela moça é realmente muito bonita. Vi, naquele dia, o senhor enfrentar qualquer um por ela, até mesmo com um guerreiro... — Helan Min ia prosseguir, mas um olhar de Helan Sheng a interrompeu. Um tanto contrariada, ela enrugou o nariz em desaprovação.

Tal gesto era típico de uma jovem mimada, e, ao observá-la, Chen Yi confirmou sua suspeita: Helan Min era de fato uma moça, e ainda por cima uma célebre beldade, cuja beleza constava nos registros históricos.

No entanto, ao firmar essa convicção, Chen Yi suspirou silenciosamente. Se realmente estava certo, o destino daqueles irmãos seria trágico. Relacionar-se com eles não era prudente, podendo até atrair desgraças.

Mas a ideia passou rapidamente. Sentia que ambos valiam a amizade, pois eram pessoas de temperamento semelhante ao seu. O futuro, pensou, só decidiria depois de conhecer melhor sua verdadeira identidade. Ele era alguém que viera de outro tempo e podia prever muitos perigos, sendo capaz de evitá-los.

Ainda assim, não desejava que essas duas pessoas, tão calorosas e afins, viessem a sofrer infortúnios.

— Senhor Chen, despeço-me! — Helan Sheng saudou-o novamente e, ao dar alguns passos, hesitou, voltando-se para dizer:

— Tenho algum prestígio em Chang’an; se precisar de algo ou encontrar problemas, não hesite em me procurar...

— Muito obrigado, senhor Helan!

— Até breve! — ao perceber que Chen Yi não pedia nada, Helan Sheng mostrou leve desapontamento, mas nada mais disse, curvou-se e partiu.

Helan Min seguiu com o irmão, e Chen Yi os acompanhou para fora da taverna.

Do lado de fora, o sol continuava radiante e o Lago Qujiang ainda mais cheio de visitantes. Mas Chen Yi já perdera o interesse pelo passeio; depois de perambular sozinho por algum tempo, montou em seu cavalo e retornou à pousada.