Capítulo Seis: Sonhando com Chang'an

Embriaguez de Tang Tang Yuan 4398 palavras 2026-02-07 15:21:24

— Zi Ying, apressa-te! Por que ficas sempre para trás, enrolando? — gritou Liu Haile, segundo discípulo de Sun Simiao, ao parar sua montaria.

— Já estou indo! — respondeu Chen Yi em voz alta, esporeando o cavalo para alcançar Sun Simiao e seus discípulos, que já seguiam adiante.

Sun Simiao partira rumo a Chang’an para tratar de negócios aparentemente urgentes e decidira levar Chen Yi consigo. Após certos preparativos e aguardando o retorno, das profundezas das montanhas Zhongnan, dos discípulos Wang Chong e Liu Hai, Sun Simiao partiu com o grupo.

Inicialmente, Sun Simiao queria que Ning Qing permanecesse no Palácio Zongsheng, mas a jovem insistiu tanto que, ao final, ele permitiu que ela também os acompanhasse.

Chen Yi não sabia ao certo por que Sun Simiao e seus discípulos iam a Chang’an. Perguntara-lhe, mas não obtivera resposta concreta; Ning Qing, igualmente alheia ao real motivo, apenas compartilhava suas suposições.

Chang’an distava cerca de setenta li do Palácio Zongsheng nas montanhas Zhongnan — uma jornada facilmente cumprida em um dia de cavalgada acelerada.

Logo ao montar e tomar o caminho, um júbilo crescente tomou conta do coração de Chen Yi. Havia muitos motivos para tamanha excitação: o orgulho de perceber sua destreza na equitação, o deleite com as paisagens deslumbrantes do trajeto, mas, sobretudo, a iminente chegada à lendária Chang’an, cidade que tanto sonhara conhecer em sua vida posterior. O que era apenas um anseio, tornava-se, agora, realidade.

Desde que habitava aquele corpo, Chen Yi sentira sua própria alma rejuvenescida. Antes tão ponderado, agora era tomado pela impulsividade juvenil e pela paixão ardente. Compreendia perfeitamente sua alegria diante da perspectiva de realizar um sonho antigo — quem não se sentiria assim? E, sendo ele “jovem” novamente, não seria exceção.

Além disso, outras surpresas aumentavam sua satisfação. Após algum tempo cavalgando, notou que sua habilidade com o cavalo era natural, quase instintiva, como se controlar as rédeas fosse tão simples quanto auscultar um paciente. Sentia-se capaz de executar manobras complexas, e apreciava esse “instinto” herdado do corpo, que lhe permitia adaptar-se rapidamente àquele tempo — uma razão a mais para se alegrar.

Outro motivo de encanto era a paisagem ao redor. O ano, marcado por um clima atípico, trouxera longas chuvas e um frio tardio; só em meados do segundo mês o tempo começou a aquecer. As flores, retardadas, só agora desabrochavam. Embora já estivéssemos perto do festival da Chuva de Grãos, a vegetação mostrava que era ainda pleno meio da primavera — o período mais belo do ano.

A todo lado, o mundo exalava vitalidade: a relva verdejante, os salgueiros renovados, pessegueiros, pereiras e damasqueiros em flor. O campo era um tapete de cores, flores em profusão, a primavera explodia em mil tons. Tudo era de uma beleza revigorante. Na vasta planície de Guanzhong, não havia estradas largas, nem trilhos, nem carros ou trens barulhentos, tampouco edifícios ou fábricas despejando fumaça e poluição. O céu era translúcido, e a paisagem, mesmo ao longe, podia ser avistada claramente. Pureza e brilho assim Chen Yi não encontrara nem mesmo em viagens a regiões remotas do futuro, e não havia qualquer preocupação com partículas poluentes. Às margens da estrada, apenas algumas casas dispersas, campos divididos por trilhas, camponeses preparando a terra, riachos límpidos refletindo o verde, e o ar, incrivelmente puro, cheirava à natureza, ao frescor inebriante da primavera...

Diante de tal cenário, muito superior ao ambiente de seu tempo, Chen Yi não conseguia conter a alegria.

Após percorrer boa parte do caminho, ao olhar para trás e ver as montanhas Zhongnan, sentiu o impacto de seus picos majestosos e graciosos, como um biombo de seda se desenrolando ao fundo. Ainda que a distância os tornasse difusos, a grandiosidade do conjunto era ainda mais impressionante. A união da imponência das montanhas com a beleza próxima formava um quadro de rara perfeição.

No tempo futuro, já era raro contemplar paisagens de tamanha harmonia. Chen Yi chegou a se perguntar se aquela vida urbana e industrializada, considerada próspera, era realmente melhor. Amava viajar e sonhava mais com a natureza do que com as cidades. Preferia o sossego rural ao burburinho urbano — e o que via diante de si era exatamente o que sempre desejara. Aquela não era uma região turística, mas a beleza natural o extasiava. Ele parava o cavalo diversas vezes, ávido para absorver tudo, lamentando não ter uma câmera para registrar o momento. Só lhe restava contemplar com os próprios olhos, o que, para Liu Hai, que não simpatizava com ele, era motivo de impaciência e constantes chamados para que se apressasse.

Depois de um trecho de corrida, Chen Yi alcançou Sun Simiao e os outros. Pediu desculpas, e Sun Simiao, sempre calado, seguiu em ritmo constante. Ning Qing deixou-se ficar ao seu lado, perguntando baixinho:

— O que tens observado pelo caminho?

— As paisagens, claro! Não notaste como tudo é belo? — respondeu Chen Yi, apontando ao redor. — Tão natural e encantador... não achas?

— É mesmo bonito — disse Ning Qing, suspirando —, mas para apreciar de verdade, seria preciso tempo. E hoje, estamos com pressa.

— Tens razão — admitiu Chen Yi, captando o sentido mais profundo das palavras dela.

Mal haviam terminado a conversa, Liu Hai virou-se e gritou:

— Zi Ying! Não podes ficar sempre para trás! Se não apressares, não chegaremos a Chang’an antes do anoitecer!

Sun Simiao não disse nada, apenas lançou um olhar tranquilo para Chen Yi. Durante toda a viagem, pouco falara, trocando apenas algumas palavras sobre trivialidades, e nada sobre o propósito da ida a Chang’an. Nem Wang Chong sabia ao certo; Liu Hai, que parecia nutrir certa antipatia por Chen Yi, este nem se preocupou em perguntar.

Sentindo o tom de cobrança, Chen Yi apressou-se em responder. Liu Hai, um jovem de cerca de vinte anos, era o mais perspicaz entre os discípulos de Sun Simiao. Desde que fora resgatado por ele, Chen Yi percebera a atitude fria de Liu Hai, e imaginava se não seria ciúme por Ning Qing, que se aproximava com frequência e gostava de conversar com ele.

Nos trechos seguintes, Chen Yi não parou mais para admirar a paisagem, acompanhando de perto Sun Simiao e seus discípulos em direção a Chang’an. Ning Qing, inquieta, vinha conversar com ele de tempos em tempos, o que fazia Liu Hai olhá-los de soslaio, reforçando a convicção de Chen Yi sobre o motivo da antipatia.

O caminho de Zhongnan até Chang’an era uma estrada ampla. Ainda que a marcha não fosse veloz, setenta li passaram rapidamente, e ao entardecer o grupo chegou aos arredores de Chang’an.

Ao avistar, ao longe, a silhueta crescente e nítida da cidade, Chen Yi sentiu o coração acelerar. Em breve estaria diante da grandiosa metrópole por que sempre suspirara. Não sabia que papel teria nessa cidade, se ficaria ali por muito tempo, se viveria feitos notáveis, ou se conheceria as lendárias beldades registradas na história...

Quanto mais se aproximava, mais forte era sua emoção, a ponto de o coração pulsar descompassado. Olhava fixamente para o portão que já se delineava claramente, desejando confirmar se a capital do Grande Império Tang era de fato tão majestosa quanto imaginara e se transmitia toda a imponência do império.

Tão absorto estava que nem ouviu as repetidas chamadas de Ning Qing.

— Zi Ying, não me ouviste? — insistiu ela, mais alto.

— O quê? — perguntou Chen Yi, olhando para ela, que estava visivelmente aborrecida.

— Esquece, não vou mais falar contigo! — respondeu Ning Qing, irritada, afastando-se de má vontade.

Vendo Ning Qing assim, e notando que Sun Simiao e os outros discípulos já seguiam adiante, Chen Yi apressou-se em acompanhá-los, pensando consigo que, em qualquer época, as mulheres sempre seriam um mistério.

Ao cair da tarde, poucos entravam na cidade; os arredores não estavam lotados, e não era preciso esperar para passar. Os cinco desmontaram e conduziram os cavalos em direção ao portão.

Diante do Portão Mingde, considerado a entrada principal ao sul de Chang’an, Chen Yi deteve-se mais uma vez, contemplando as muralhas e a torre monumental.

Banho de sol poente, a cidade parecia ainda mais grandiosa. Aos pés da muralha, Chen Yi sentiu-se minúsculo. O portão era muito mais alto que qualquer outro que tivesse visto no futuro, talvez várias vezes maior. Calculava que as muralhas ao lado do Mingde tivessem pelo menos quinze ou vinte metros de altura, e a torre, que se ergue acima delas, uns quarenta metros, com três níveis. O estilo do edifício, com beirais arqueados para dentro, grandes suportes sob os telhados, era tipicamente Tang, lembrando as reconstruções vistas séculos depois em Xi’an, mas ali tudo era autêntico, imponente, colorido em tons de branco e vermelho, e guardas armados reforçavam o clima de solenidade.

Atônito, Chen Yi ficou ali por um tempo, até que Ning Qing, chamando-o novamente, o trouxe de volta à realidade. Seguiu então Sun Simiao em direção ao arco do portão.

O Portão Mingde tinha cinco passagens, cada uma com quatro ou cinco metros de largura, permitindo a passagem de vários carros lado a lado. O portão central e os dois das extremidades estavam fechados; apenas os dois próximos ao centro estavam abertos, um para quem saía, outro para quem entrava. O túnel do portão tinha quase vinte metros de profundidade, a espessura da base da muralha naquele ponto.

Transposto o portão, encontraram-se na famosa Avenida Zhuque, dita “a primeira rua da Grande Tang”. Com cerca de cento e cinquenta metros de largura, era até então a via mais larga da cidade, e seu eixo principal, ligando o Portão Mingde ao Portão Zhuque, entrada do Palácio Imperial. Toda a cidade fora planejada em torno dessa avenida, que dividia Chang’an ao meio: a leste, o distrito de Wannian; a oeste, o de Chang’an.

Ao pisar na Avenida Zhuque e contemplar Chang’an, Chen Yi sentiu-se novamente impressionado. A cidade era semelhante àquela de seus sonhos: largas avenidas ladeadas por edifícios e palácios dispostos em ordem rigorosa, desaparecendo na bruma do horizonte, delineando um panorama grandioso, até mais imponente do que imaginara. Faltavam-lhe palavras para descrever o que sentia diante daquela antiga e magnífica cidade. Seu maior desejo era poder contemplá-la de um ponto alto, para abranger toda sua extensão.

De pé na larga avenida, com a torre do Portão Mingde às costas, Chen Yi sentiu-se ainda menor, tomado por uma sensação de impotência diante da grandeza do mundo. A avenida, estendendo-se sem fim à sua frente, acentuava essa impressão.

Lembrou-se então de Xi’an, no futuro, onde as ruas, embora retas e algumas com nomes semelhantes, não possuíam a mesma imponência. A Zhuque do futuro não chegava a ter um terço da largura daquela, e a ordem das casas e edifícios era muito inferior, mesmo que fossem mais altos, pois careciam de planejamento conjunto e não transmitiam a mesma majestade.

Caminhando com reverência pela avenida, de pedras de laje azul, Chen Yi observava tudo ao redor. Nas margens, grandes olmos e acácias, canais de drenagem largos, e, além, os bairros divididos por ruas transversais, dispostos como hortas bem alinhadas. Pena que, já ao entardecer, os detalhes dos edifícios se perdiam na sombra. Poucos transeuntes cruzavam a avenida, o que dava à cidade um ar sereno, menos ruidoso e mais contemplativo. Sob essa quietude, a antiga cidade provocava em Chen Yi inúmeras reflexões...

A capital do Grande Império Tang, a obra-prima da arquitetura chinesa, cidade tantas vezes sonhada, agora se tornava real diante dele. Naquele instante, Chen Yi sentiu-se como se estivesse novamente dentro de um sonho.