Capítulo Cinquenta e Oito: Wu Shun Recuperou-se

Embriaguez de Tang Tang Yuan 2480 palavras 2026-02-07 15:22:12

O desenrolar dos acontecimentos mais uma vez surpreendeu Chen Yi. Justamente quando ele parou, esperando que o “perseguidor” se aproximasse, ouviu-se ao longe o trotar apressado de cavalos. No campo de visão, surgiu um grupo de soldados correndo em direção à Cidade Imperial, liderados por um comandante de rosto exausto. Eram centenas, dispostos em filas de dois, apressando-se pela via principal. Vinham provavelmente de longe, pois estavam cobertos de poeira e cansaço. Suas armaduras, gastas e puídas, contavam essa história. Pareciam trazer uma urgência; galopavam pelas ruas sem hesitar, obrigando os transeuntes a se desviarem às pressas.

Com medo de ser atingido pelos cavalos ou chicoteado pelos cavaleiros, Chen Yi rapidamente encostou-se à margem da rua. Se fosse atropelado ou levado por uma chicotada, nada poderia ser feito; melhor era evitar confusão.

O trotar dos cavalos levantou uma nuvem de poeira, que dançou pela rua. O som estrondoso passou diante de Chen Yi, e alguns transeuntes, sem tempo de fugir, acabaram sendo chicoteados, soltando gritos de dor. Chen Yi sentiu-se aliviado por ter sido ágil e escapado ileso.

Havia muita gente tentando se esquivar, e Chen Yi acabou sendo empurrado por vários transeuntes apavorados, quase caindo numa vala à beira da rua. Felizmente, sua agilidade o salvou; com alguns passos rápidos, chegou a uma área mais aberta. Outros não tiveram a mesma sorte: empurrados na confusão, caíram na vala e, machucados, gritavam por socorro. Por sorte, logo foram ajudados por outros e retirados dali. Era primavera, e a vala estava cheia de água. Os desafortunados, encharcados e sujos, mal tiveram tempo de conferir os ferimentos antes de fugirem, envergonhados por terem sido vistos em tal estado deplorável. Ao menos não se machucaram gravemente, perderam apenas a compostura.

Ao ver a cena, Chen Yi agradeceu a sorte. Então lembrou-se dos que o seguiam e, ao recobrar o fôlego, passou a procurar entre a multidão agitada. Contudo, após a passagem da cavalaria e a dispersão da poeira, a rua estava um caos. Ele caminhou até outra esquina e, mesmo observando atentamente, não conseguiu mais encontrar os dois que o perseguiam. Esperou um pouco, mas não voltou a vê-los, o que lhe trouxe uma sensação de vazio.

— Ziying, você voltou? — soou atrás dele a voz alegre de Ning Qing.

Ao ouvir o chamado, Chen Yi virou-se imediatamente. A jovem estava logo atrás, e seu rosto não conseguia esconder a alegria. Ele correu ao seu encontro sorrindo:

— Qing’er, o que faz aqui? Veio ver o movimento?

— Vi que você voltava e vim ao seu encontro! — respondeu ela, um pouco envergonhada diante do olhar caloroso de Chen Yi.

Ning Qing, ao ouvir o alvoroço na rua, abrira a janela por curiosidade e, por acaso, avistara a silhueta de Chen Yi surgindo na esquina. Sozinha na hospedaria o dia quase todo, esperava ansiosa por seu retorno. Ao vê-lo, não conteve a alegria e saiu correndo para recebê-lo.

— Há pouco passou um pelotão de soldados; achei que você tivesse vindo ver o tumulto! — disse Chen Yi, sorrindo para a tímida Ning Qing, sentindo-se aquecido por dentro. — Então veio só para me receber? Que honra! — Brincar com Ning Qing fazia com que ela corasse e mostrasse aquele ar recatado que tanto lhe agradava. Ele não perdia a chance de provocá-la.

— Só sabe zombar de mim! — Ning Qing resmungou, com as faces coradas, mas feliz sob o olhar de Chen Yi.

Ele se deleitou ao ver a expressão desejada. Mas, notando que algumas pessoas à beira da rua os observavam, conteve-se e murmurou:

— Qing’er, vamos voltar à hospedaria. Hoje vi seu mestre, o Daoísta Sun. Depois te conto o que aconteceu.

— Ziying, viu mesmo meu mestre? — Ning Qing ficou ainda mais animada, quase segurando a mão de Chen Yi para perguntar mais, mas, ao notar os olhares estranhos dos transeuntes, conteve-se, corando ainda mais.

— Vamos! — Chen Yi riu, pegando a mão dela e guiando-a de volta à hospedaria.

Ning Qing relutou um instante, mas logo se deixou levar.

Após alguns passos, Chen Yi lembrou-se de algo, parou e olhou novamente para os dois lados da rua. Ainda assim, não encontrou sinais dos que o haviam seguido. Suspirou, um tanto desapontado, e entrou na hospedaria ao lado de Ning Qing.

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— Ziying, você viu mesmo a imperatriz hoje? — exclamou Ning Qing, surpresa, após ouvir o relato de Chen Yi.

— Acho que seu mestre falou de mim à imperatriz, e ela ficou curiosa, por isso me chamou ao palácio — respondeu Chen Yi, omitindo que provavelmente fora por causa de Helan Minzhi, para não envolver Ning Qing.

— Ziying, você é o primeiro a receber tamanha atenção do meu mestre. Em todos esses anos, nunca vi ele olhar alguém de modo diferente. E ainda recomendou você à imperatriz! Você é incrível! — Ning Qing olhou para ele com admiração e disse suavemente: — Sei que teve experiências extraordinárias, por isso é tão talentoso. Meu mestre disse... que ainda nos surpreenderá muito. Ele disse também... que suas conquistas vão espantar a todos!

— Você acredita em tudo que seu mestre diz para te agradar? — Chen Yi não queria prolongar o assunto e, antes que Ning Qing protestasse, mudou de tema: — Qing’er, você já sabia que o Daoísta Sun veio a Chang’an tratar o imperador?

— Sim... sabia de algo — respondeu ela, um pouco constrangida, olhando para ele e dizendo baixinho: — Meu mestre pediu insistentemente que eu não falasse a ninguém sobre o motivo de sua vinda. Por isso nunca disse nada. Ziying, foi ordem dele mesmo, não quis te enganar.

Assim, Chen Yi percebeu que só ele não sabia de nada. Sorrindo, balançou a cabeça:

— Não estou te culpando, só perguntei por perguntar. Pronto, chega disso. Está na hora do jantar, andei muito hoje e estou faminto! — Quando fora chamado ao palácio, estava prestes a almoçar, mas, devido à pressa, não teve tempo. Depois de passar um bom tempo lá e andar de volta, sentia o estômago colado às costas. Ainda que não fosse exatamente hora do jantar, já reclamava de fome.

Já estava devendo uma refeição naquele dia!

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Na manhã seguinte, Chen Yi, cumprindo a promessa feita a Helan Minzhi, foi novamente à mansão da Senhora Han para examinar Wu Shun.

Os criados o conduziram ao jardim dos fundos e informaram que, após acordar, Wu Shun se sentia bem, tomara o café da manhã e passeava entre as flores, acompanhada dos irmãos Helan Minzhi e Helan Minyue.

Chen Yi alegrou-se ao saber da melhora de Wu Shun e, ao mesmo tempo, sentiu-se curioso. Diziam que ela era belíssima, até mais que Wu Zetian. Nas vezes em que a atendera doente, ela não estava arrumada, e o cansaço lhe roubava o encanto. Mas agora, recuperada e arrumada, talvez finalmente presenciasse a famosa beleza que tanto comentavam.

Tal pensamento deixou Chen Yi ainda mais leve, e ele seguiu animado para o jardim.