Capítulo Treze: Jornada de Juventude
Muito obrigado ao amigo leitor "Espantalho" e ao "Fascínio da Lâmpada Sem Sombra" pelas generosas recompensas!
Chen Yi moveu-se e sentou-se diante da mesa onde já estavam dispostos pincel e tinta. Contudo, antes de levantar o pincel, ele hesitou. A dúvida não era por falta de confiança em sua caligrafia; afinal, há poucos dias, no Monte Zhongnan, já escrevera alguns caracteres e percebeu que sua escrita à pincel era admirável. No outro mundo, desde pequeno praticava a caligrafia no estilo Yan, que dominava com elegância. Agora, após atravessar o tempo, talvez por uma fusão dos instintos deste novo corpo com as memórias de sua vida anterior, sua caligrafia se tornara agradável ao olhar. Embora não soubesse ao certo como ela seria avaliada naquela época, sentia-se seguro de seu traço. O que o impedia de escrever era a dúvida sobre furtar ou não versos de poetas consagrados.
Ele queria compor um poema, mas sabia que não seria capaz de criar algo digno por si mesmo, ao menos não versos à altura de um palco como aquele. Mesmo entre os mais estudiosos do futuro, poucos poderiam criar versos comparáveis aos dos grandes poetas da dinastia Tang; para ele, um literato incompleto, seria ainda mais difícil.
Para competir, só lhe restava o recurso de recorrer a versos alheios.
Mas ao roubar versos de outrem, corria o risco de que o poema não se encaixasse no momento, o que poderia denunciá-lo. Esta era a razão de sua hesitação.
Na sala, já havia várias pessoas entregando seus poemas aos criados, que por sua vez os levavam até Xu Zhu, que observava friamente o ambiente. Contudo, Xu Zhu não mostrava grande surpresa ao ler os versos; nenhum dos poemas apresentados até então era realmente impressionante.
O jovem que havia recitado seus versos em público também observava atentamente as reações de Xu Zhu e, ao perceber em seu semblante o reconhecimento esperado, ficou ainda mais vaidoso, lançando olhares brilhantes para os presentes e vangloriando-se junto a seus amigos.
Sempre há pessoas desagradáveis no mundo. Todos já passaram por isso: sem motivo ou desafeto prévios, basta um encontro para sentir repulsa. Chen Yi sentia esse incômodo pelo jovem arrogante na sala, desejando poder ensinar-lhe uma lição para que deixasse de ser tão presunçoso e irritante.
Já que aquele rapaz se achava um exímio poeta, nada melhor do que apresentar um poema ainda mais brilhante, humilhando-o e mostrando-lhe o verdadeiro valor das coisas! Tomado por esse pensamento, Chen Yi não hesitou mais e escreveu, com traços firmes, um célebre poema que lhe veio à mente:
Os jovens de Wuling, a leste do Mercado de Ouro,
Montam cavalos brancos de selas prateadas ao vento da primavera;
Pisam todas as flores caídas, mas para onde vão?
Entre risos, entram nas tabernas das belas estrangeiras.
Era "A Juventude", de Li Bai, um poema amplamente conhecido. Narra com leveza um jovem galante, que após cavalgar entre flores, termina sua jornada a beber e se divertir entre as tabernas de belas estrangeiras, deixando espaço à imaginação. Chen Yi gostava muito desse poema, pois descrevia uma cena que se encaixava perfeitamente com seu próprio passeio daquele dia, seguido por uma visita à taberna. Não viu outro verso que se adequasse tão bem ao momento.
Ao terminar, observando a caligrafia impecável, Chen Yi sentiu suas preocupações dissiparem-se. Que importava se alguém descobrisse? Os poemas podem ser interpretados de formas diferentes por cada pessoa; contanto que não estivessem fora de contexto, sempre haveria uma explicação plausível! Com esse pensamento, um sorriso satisfeito surgiu em seus lábios. Ele já lera muitos romances de viagem no tempo, onde todos os viajantes usavam versos alheios para conquistar belas mulheres ou buscar fama e fortuna. Agora, no auge da poesia tang, antes mesmo do nascimento dos maiores poetas, por que não se apropriar de suas obras?
Chen Yi também acreditava, pelo que vira, que a maioria dos clientes da taberna eram estudiosos ou amantes da literatura. Podiam não ser grandes poetas, mas tampouco eram ignorantes; afinal, estavam na dinastia Tang, onde o gosto pela poesia era comum e havia critérios para julgar um verso.
Ao lado, Ning Qing observava, encantada, Chen Yi escrever. Seus grandes olhos brilhavam de excitação. Ela sabia ler e já tinha lido muitos livros e poemas. Embora não fosse especialista, compreendia o significado dos versos de Chen Yi. Quando ele terminou o poema, ela já o havia lido todo e achou-o direto e cheio de charme, muito superior ao do jovem arrogante que antes recitara.
— Zi Ying, seu poema está realmente maravilhoso! — elogiou Ning Qing, as faces coradas de admiração.
Chen Yi pousou o pincel e, com um ar misterioso, sussurrou:
— É claro que meus poemas são bons. No futuro, verá versos ainda melhores e ficará surpreendida...
— Sério? — Ning Qing, radiante e incrédula, perguntou.
— Mas é claro! Você verá! — respondeu Chen Yi, sorrindo maliciosamente, sinalizando ao criado que podia levar o poema.
Ning Qing, um pouco tímida, olhou firme para Chen Yi:
— Então está combinado! Quando escrever bons poemas, tem que me mostrar primeiro!
— Sem dúvida! — respondeu Chen Yi solenemente, voltando-se para observar o criado entregar o poema a Xu Zhu.
Xu Zhu recebeu o manuscrito e leu distraidamente. Embora comerciante, era um homem de gosto refinado e se destacava também em jogos, música, caligrafia e pintura, por isso recebera recompensas do patrão e realizava tarefas normalmente acima de seu status. Já recolhera poemas nos dias anteriores, mas nenhum se destacara. O jovem arrogante, embora talentoso, não era alguém com quem o patrão quisesse se associar, então Xu Zhu praticamente o ignorava. O poema de Chen Yi foi um dos últimos entregues, e ele não esperava mais grandes surpresas, lendo-o sem entusiasmo.
Porém, ao ler, ficou boquiaberto. Era como uma pedra lançada em um lago tranquilo, levantando ondas inesperadas. Xu Zhu foi imediatamente cativado pelo poema. Em apenas quatro versos, o caráter audaz, jovial e sincero de um jovem saltava ao papel: retornando de um passeio entre as flores com uma bela companhia, indo beber e se divertir na taberna. Olhando para o jovem que, ao lado de uma bela moça, sorria e bebia, Xu Zhu não pôde deixar de exclamar: o comportamento daquele rapaz estava perfeitamente retratado nos versos!
— Senhores, acabo de ler um poema magnífico. Permitam-me recitá-lo para que todos possam julgar se é ou não uma obra-prima! — anunciou Xu Zhu, lançando um sorriso para Chen Yi, e entoou em voz alta o poema "A Juventude", com entonação magnética e gestos teatralmente naturais.
— Que poema! Que maravilha! — assim que Xu Zhu terminou de declamar, alguém se levantou e aplaudiu. Chen Yi olhou e viu que vinha de um jovem vestido de branco, sentado ao fundo, cujo rosto não era visível.
O sentido dos versos não era profundo; descreviam simplesmente a cena de jovens passeando e se divertindo na primavera. Os presentes entenderam rapidamente o significado, e logo muitos começaram a aplaudir e elogiar o poema com entusiasmo.
O jovem arrogante de antes também escutou e compreendeu os versos. Seu semblante, antes orgulhoso, tornou-se constrangido, e seus amigos, que antes o apoiavam, silenciaram.
— Os senhores têm razão, este poema supera em muito os demais; diria que é o melhor do dia! — disse Xu Zhu, cumprimentando Chen Yi com um sorriso e olhando ao redor. — Senhores, alguém discorda do meu julgamento?
— Não discordo! — respondeu de imediato alguém, seguido por muitos outros.
— Xu Zhu, eu discordo da sua avaliação! — um dos amigos do jovem arrogante levantou-se e protestou. — O poema do jovem Wu, em minha opinião, supera o desse desconhecido. Se o poema "A Juventude" for considerado o melhor, então acredito que "Primavera", do jovem Wu, é ainda superior e merece o prêmio e a companhia da bela dama!
— Concordo com o senhor Wang! — outro amigo, de rosto pintado e roupas extravagantes, balançou a cabeça e acrescentou: — Também acho que o poema do jovem Wu é melhor que "A Juventude"!
Com essas palavras, Chen Yi percebeu que o jovem arrogante se chamava Wu. Ao ouvir esse sobrenome, lembrou-se imediatamente de uma certa mulher poderosa da dinastia Tang e relacionou o jovem àquela figura. Diante da postura arrogante do senhor Wu, Chen Yi começou a se arrepender de ter se envolvido; não estava em condições de provocar alguém daquela família.
No entanto, enquanto se arrependia, alguém tomou sua defesa. Um jovem de branco, sentado mais distante, saiu de um aposento reservado e exclamou em voz alta:
— Senhores Wang e Li estão equivocados! O poema do jovem Wu não é ruim, mas comparado a "A Juventude" deste senhor, perde em estilo e inspiração. Todos aqui entendem de poesia; não serão suas palavras vazias que mudarão o mérito dos versos. São incomparáveis!
Embora vestido de homem e de estatura elevada, a voz era nitidamente feminina, e, ao final, um leve resmungo denunciou ainda mais o tom de mulher. Mas, devido à distância, era impossível distinguir seu rosto, e Chen Yi não sabia se era um homem ou uma mulher disfarçada defendendo-o. Pelo modo de falar, parecia conhecer a identidade dos que protestavam e desprezá-los. Sem dúvida, tratava-se de alguém de posição especial.
O coração de Chen Yi, antes aflito, acalmou-se, e ele ficou curioso para saber como o senhor Wu e seus amigos reagiriam. Mais ainda, queria descobrir quem era aquela pessoa que, com voz feminina, intercedera por ele!