Capítulo Vinte e Nove: Um Artigo Revolucionário de Simples Aparência

Embriaguez de Tang Tang Yuan 3661 palavras 2026-02-07 15:21:51

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Nos dias que se seguiram, Chen Yi continuou a passear pela cidade de Chang’an; porém, nada do que esperava aconteceu. Não encontrou nas ruas as pessoas que procurava, tampouco cruzou novamente com os irmãos Wu, com quem tinha desavenças. Também não deu de cara com Helan Sheng, que prometera visitá-lo para beber e conversar, nem com Helan Min, cuja natureza ele sequer conseguira definir.

O tempo passou rapidamente, e em um piscar de olhos já se completara um mês. Ainda que estivesse hospedado na Pousada Anlai sem precisar se preocupar com despesas de alimentação e estadia, Chen Yi sentia-se inquieto. Não era apenas por não encontrar um possível acompanhante, ou pela frustração de não conseguir esclarecer sua própria identidade; ele se angustiava principalmente por não saber o que fazer a seguir. A juventude é um tempo precioso, seja para realizar feitos ou para conquistar corações. Já haviam se passado muitos dias desde sua chegada à grande Dinastia Tang, e claro que ele esperava, como nos romances sobre viajantes do tempo, começar a agir, assumir tarefas importantes e, pouco a pouco, se integrar à história, conhecer grandes figuras do passado e, quem sabe, influenciar o curso dos acontecimentos. Do contrário, seria um desperdício imperdoável de uma oportunidade tão rara.

Se apenas deixasse os dias escorrerem sem sentido, levando uma vida semelhante à de antes, e deixasse passar ao lado de tantos personagens ilustres — especialmente as mulheres notáveis da História —, o Chen Yi que sempre fora um conquistador no futuro certamente enlouqueceria. Ele ansiava intensamente por deixar sua marca!

Ao menos, após mais de um mês circulando, Chen Yi conheceu quase todos os cantos de Chang’an. Visitou praticamente todos os lugares famosos, exceto o palácio imperial, e agora conhecia a cidade como a palma da mão — excetuando, é claro, quais bairros abrigavam os grandes dignitários.

Esta familiaridade era, sem dúvida, uma conquista: ao menos, agora, não corria o risco de se perder ou de ser enganado por Ning Qing, a jovem sacerdotisa, e vendido em algum lugar.

Além de explorar a cidade, Chen Yi se dedicou, com grande interesse, a fabricar um objeto que considerava extremamente útil — até revolucionário: o estetoscópio! Na sua vida anterior, enquanto médico, este instrumento era indispensável no diagnóstico diário. Nenhum clínico do futuro, ainda mais um especialista em respiração e sistema cardiovascular como ele, poderia trabalhar sem um estetoscópio. Era como lhe faltassem braços e pernas; impossível exercer a medicina rotineira. Até médicos de outras especialidades faziam uso frequente do aparelho.

Agora que tinha contato com Sun Simiao, o lendário mestre da medicina deste tempo, e prevendo que a relação entre eles se estreitaria, Chen Yi queria causar espanto não só pela teoria, mas também por gestos concretos. O estetoscópio seria o instrumento ideal, prático e inovador, capaz de surpreender até mesmo o grande sábio.

Contudo, a produtividade da dinastia Tang era limitada; muitos materiais necessários sequer existiam. Não havia técnicas de forja avançadas para tubos metálicos ocos, nem borracha ou plástico para os tubos flexíveis. O estetoscópio moderno, prático e portátil, estava fora de questão. Restava a Chen Yi recorrer aos recursos do momento para criar uma versão simples e funcional. Tentou vários métodos: tubos de madeira, mandando forjar tubos de ferro mais grossos na ferraria do mercado ocidental — ambos serviam como condutores do som, mas faltavam as peças essenciais: o auscultador e a campânula, além da conexão entre as partes, para as quais ainda não achara solução. Isso o desanimava.

Inventar algo revolucionário não era, de fato, tarefa fácil.

Mesmo assim, Chen Yi não desistiu; persistia em buscar alternativas, determinado a criar um estetoscópio melhor. Às vezes, o esforço contínuo desperta a inspiração, e ao lembrar-se de René Laennec, o inventor do estetoscópio, Chen Yi sentiu como se uma luz se acendesse em sua mente!

A primavera é sempre breve. Num piscar de olhos, as flores caíram e chegou o início do verão. Justamente quando Chen Yi se ocupava, entusiasmado, com sua invenção, recebeu uma boa notícia: Sun Simiao enviou uma carta avisando que, em poucos dias, viria novamente a Chang’an, acompanhado de seus discípulos.

A notícia deixou Chen Yi radiante; afinal, finalmente veria de novo a encantadora jovem sacerdotisa. Só de pensar na tênue cumplicidade entre eles, na timidez dela diante dele, seu coração disparava, como se algo o tocasse profundamente.

Chen Yi estava curioso para saber como Ning Qing reagiria ao vê-lo. Embora, na presença de Sun Simiao e dos outros dois discípulos, ela certamente não ousaria gestos muito efusivos, ele ansiava por vê-la corada de timidez, e quem sabe perceber nos olhos dela a saudade. Talvez, no fundo, não esperasse nada de concreto, mas seu espírito galante desejava ser admirado por todas as belas jovens ao seu redor!

Foi quase no dia em que Chen Yi finalmente fez algum progresso que Sun Simiao e seus três discípulos chegaram a Chang’an, um dia antes do previsto. Chen Yi ouviu o alvoroço na chegada e correu para recebê-los na pousada.

O reencontro foi uma alegria para todos, e para Chen Yi foi como retornar ao convívio de seus semelhantes depois de tanto tempo isolado — quase sentiu vontade de tomar a mão de Sun Simiao e declarar sua saudade.

Naturalmente, Chen Yi esperava mesmo era por Ning Qing, a jovem sacerdotisa. Após um mês sem vê-la, ela parecia um pouco mais magra, mas também mais animada e ainda mais bela, a ponto de ele não resistir a fitá-la por uns instantes, o que deixou Wang Chong e Liu Hai, seus companheiros, um tanto desconfortáveis.

Ning Qing, por sua vez, mal podia conter a alegria; ao avistar Chen Yi, sentiu vontade de lhe contar toda a saudade acumulada durante o mês de ausência. Contudo, em respeito ao mestre e aos irmãos de prática, conteve o impulso — mas sua doçura e encanto eram tão evidentes que até Sun Simiao percebeu algo diferente.

Como já era noite quando chegaram à pousada, após algumas palavras de boas-vindas, logo se sentaram para jantar.

Durante a refeição, Sun Simiao contou a Chen Yi, em linhas gerais, o que fizera em sua volta ao Monte Zhongnan: de fato, como prometera, dedicara-se à pesquisa de novos medicamentos baseados nas ideias de Chen Yi, e aproveitara para tratar de assuntos internos do mosteiro, preparando-se para uma longa ausência. Saber que eles permaneceriam mais tempo em Chang’an deixou Chen Yi inexplicavelmente feliz.

Sun Simiao lamentou que Chen Yi não tivesse feito grandes progressos no último mês, mas o encorajou a não perder as esperanças: tudo acabaria acontecendo a seu tempo. Chen Yi apenas sorriu, mas não estava decepcionado; acreditava que o destino ainda lhe reservava surpresas.

Cansados da viagem, Sun Simiao e os dois discípulos logo se recolheram para descansar e preparar os materiais necessários para os próximos dias, conforme as orientações do mestre.

Ning Qing, porém, tão ansiosa quanto Chen Yi, não conseguia dormir. Assim que percebeu que o mestre e os irmãos nada suspeitavam, aproximou-se sorrateira da porta do quarto de Chen Yi e, para a surpresa dele, bateu suavemente. Ele hesitava se deveria ir ao encontro dela quando, ao abrir a porta, acolheu-a prontamente.

— Qing’er, ainda acordada? — Chen Yi sorria ao ver a jovem, que parecia um tanto constrangida ao entrar no quarto.

— Ziying, eu... Não consigo dormir. Quis vir conversar um pouco com você! — Ning Qing levantou os olhos, desviando o olhar. — Já faz mais de um mês que nos separamos. Como você está em Chang’an? Se adaptou bem?

— Está tudo bem. Como dizemos, comi bem, dormi melhor ainda, até engordei um pouco! — Chen Yi brincou. — O único problema foi a solidão sem vocês por perto. E claro, sem sua ajuda, precisei fazer tudo sozinho! — disse, apontando para as próprias roupas.

Quando Ning Qing estava presente, era ela quem lavava suas roupas e o ajudava nas tarefas cotidianas. Durante sua ausência, Chen Yi teve de cuidar de tudo sozinho. Embora não se incomodasse com as tarefas, sentia-se deslocado; aos olhos dos outros, era estranho vê-lo assim.

Naquele tempo, pessoas de status jamais faziam serviços braçais. Adaptar-se aos costumes da época implicava ter criados para auxiliá-lo — alguém que cuidasse do cabelo, o ajudasse a vestir-se. Manter o cabelo comprido e os trajes tradicionais era complicado; uma ajudante tornaria tudo mais fácil. Agora, com Ning Qing de volta, ele teria novamente esse apoio.

Ning Qing não deu muita atenção à brincadeira de Chen Yi e respondeu, séria:

— Ziying, deve ter sido difícil para você esse tempo, cuidando de tudo sozinho. Agora que estou de volta, deixo comigo as tarefas do dia a dia. Não é apropriado que você faça isso.

— Muito obrigado! — Chen Yi sorriu e lançou-lhe um olhar atrevido. — Com você me ajudando em tudo, vai acabar parecendo minha pequena criada!

— Ora, quem quer ser sua criada?! — Ning Qing fez um biquinho de desagrado, claramente contrariada.

Mas Chen Yi não se importou e continuou a observá-la, encantado com sua timidez.

Sob o olhar de Chen Yi, o rosto de Ning Qing corou, seus olhos baixaram, e ela mordeu os lábios, irresistivelmente charmosa. Depois de algum tempo sem conseguir conter o embaraço, virou-se e afastou-se alguns passos, tentando fugir do olhar dele.

Foi então que reparou na mesa: ali estavam o estetoscópio improvisado recém-concluído por Chen Yi, ainda não testado, e algumas outras peças. Surpresa, perguntou:

— Ziying, o que está fazendo? O que são essas coisas? — Pegou alguns tubos e objetos em forma de trombeta, e, segurando o estetoscópio de madeira e cola de peixe, estendeu-o para Chen Yi: — Para que serve isso? É uma ampulheta?

— Nada disso! — respondeu Chen Yi, tomando o objeto das mãos dela com orgulho. — Esta é minha mais nova invenção! Se funcionar, vai permitir ouvir os batimentos do coração e a respiração das pessoas, sendo muito útil no diagnóstico de doenças. Acabei de montar, ainda não testei!

— Sério? Tão incrível assim? — Ning Qing estava incrédula — e toda a timidez havia desaparecido.

— Não é nada de outro mundo — disse Chen Yi, apontando para o próprio peito. — Se você se aproximar, pode ouvir meu coração e minha respiração. Se usarmos algo assim, encostando no tórax ou nas costas, conseguimos transmitir esses sons para os ouvidos, tornando-os mais claros. Assim, podemos identificar alterações e diagnosticar doenças...

Vendo Chen Yi indicar seu próprio peito, convidando-a a ouvir, Ning Qing corou novamente, lançou-lhe um olhar de censura e murmurou, envergonhada:

— Eu... eu... não vou ouvir seu coração ou sua respiração!

O jeito envergonhado de Ning Qing fez o coração de Chen Yi estremecer de emoção...