Capítulo Dez: Indo à Taverna das Orquídeas

Embriaguez de Tang Tang Yuan 3706 palavras 2026-02-07 15:21:27

(Agradeço ao leitor que, mesmo assim, não consegue deixar de acompanhar a avaliação deste livro. A obra já foi contratada, o contrato foi enviado há alguns dias e amanhã deverá constar oficialmente como assinada. Garantia de qualidade e de integridade, caros leitores, podem guardar sem receio!)

— Ziying, já correu bastante, não é? Vamos ao Mercado Ocidental! Ele já abriu! — disse Ning Qing, um tanto incompreensiva ao ver Chen Yi ainda correndo animado pelas ruas. Após algum tempo, ela hesitou, mas acabou sugerindo a ida ao mercado.

— Ótimo, vamos ao Mercado Ocidental! — Chen Yi olhou para o alto, vendo o sol já a pino, e parou, esperando Ning Qing, que vinha um passo atrás, alcançá-lo.

— Siga-me — disse Ning Qing, virando o cavalo e conduzindo Chen Yi em direção ao sudoeste da Cidade Imperial, onde ficava o Mercado Ocidental.

Em pouco tempo, os dois chegaram ao exterior do mercado, deixaram os cavalos num estábulo e entraram no Mercado Ocidental, um atrás do outro.

Chen Yi, tendo estudado detalhadamente a história de Chang’an na dinastia Tang, sabia que a cidade possuía dois grandes mercados: o Oriental e o Ocidental. Ele conhecia bem as suas características. Localizados respectivamente ao sudeste e noroeste da Cidade Imperial, cada um deles atendia a clientelas diferentes e, portanto, oferecia mercadorias distintas. Ao redor do Mercado Oriental viviam muitos nobres e altos funcionários da corte, predominando o comércio de artigos de luxo para atender a essas elites — “ali se reuniam tesouros dos quatro cantos do mundo”.

No Mercado Ocidental, por sua vez, predominavam produtos do dia a dia, como roupas, velas, bolos e remédios, razão pela qual também era chamado de “Mercado do Ouro”. Ali se misturavam plebeus, aristocratas e muitos comerciantes estrangeiros vindos da Pérsia, Arábia e outras regiões do Ocidente, bem como da Coreia, Baekje, Silla, Japão e Índia. Esses negociantes traziam especiarias, ginseng, medicamentos, mantas e outros produtos exóticos, e levavam de Chang’an joias, sedas e porcelanas. Muitos residiam nos arredores do Mercado Ocidental ou em bairros vizinhos.

O mercado estava repleto de lojas abertas por estrangeiros: joalherias, armazéns, tabernas... Especialmente famosos eram os bares de dançarinas estrangeiras, onde jovens vindas de terras distantes exibiam suas danças e músicas, atraindo uma multidão de jovens ávidos por novidades.

Chen Yi também sabia da lenda que explica a origem da expressão “comprar coisas”. Os habitantes de Chang’an ora iam ao Mercado Oriental, ora ao Ocidental, e, ao simplificar a fala, diziam que iam “comprar no leste ou no oeste”, expressão que evoluiu para o atual “comprar coisas”.

Nas largas avenidas diante do Mercado Ocidental, o trânsito de cavalos e carroças era intenso, mas o traçado das ruas impedia congestionamentos. No interior do mercado, a multidão se aglomerava, homens e mulheres de todos os tipos se espremiam, tornando o ambiente ainda mais animado, quase a ponto de explodir. Comerciantes de diferentes sotaques gritavam para chamar a atenção dos passantes, vendendo seus produtos nas mãos ou expostos nas lojas. Viajantes de todas as regiões, com peles e trajes variados, misturavam-se aos habitantes locais, seus gritos de venda misturando-se aos das negociações e aos pedidos dos fregueses. De tão ruidoso, era impossível ouvir o que se dizia a poucos metros de distância. Pequenos restaurantes eram numerosos, e o aroma dos alimentos — tofu, raviólis — enchia o ar, provocando água na boca de Chen Yi.

Lojas como a de utensílios da família Chen, a joalheria da família Wu, o restaurante da família Wang, o açougue da família Zhao... Em cada porta, bandeiras bordadas anunciavam as mercadorias. A vitalidade do mercado surpreendia Chen Yi. O movimento dava uma boa medida do vigor econômico da época. Era o segundo ano da era Linde; o império Tang já existia há quase cinquenta anos, tendo passado pela administração exemplar de Li Shimin e, depois, pela era Yonghui. Após décadas de boa governação, o império era, sem dúvida, próspero, e a capital Chang’an ainda mais.

Já passava do meio-dia quando as tabernas das dançarinas estrangeiras começaram a abrir as portas no mercado. Na entrada, garotas de beleza exótica balançavam suas cinturas ágeis, chamando em voz alta os clientes, que, curiosos, entravam para descansar, comer algo ou simplesmente assistir às apresentações de dança.

O magnetismo das dançarinas — cinturas flexíveis, barrigas alvas à mostra, seios exuberantes — era uma tentação para muitos, que buscavam o prazer de admirar, às vezes tocar, essas belezas estrangeiras. Por isso, tais bares estavam sempre lotados, com negócios florescendo.

Chen Yi, olhando para todos os lados, observou por algum tempo as dançarinas, que para ele não pareciam tão surpreendentes assim. Em seguida, acompanhou Ning Qing, cujo semblante se mostrava levemente incomodado com o seu interesse pelas moças estrangeiras, e entraram juntos no mercado, acompanhando o fluxo da multidão.

Não foi difícil encontrar uma casa de penhores ou loja de compra e venda de metais preciosos. Situada em local de destaque, com fachada imponente, podia ser vista logo após a entrada no mercado. Assim, os dois seguiram direto para lá.

O gerente e os atendentes, habituados ao trato com clientes, avaliavam rapidamente as pessoas pelo modo de vestir e pela postura. Ao entrarem, Ning Qing e Chen Yi, trajando roupas simples, não receberam muita atenção. Foi só quando o gerente, atrás do balcão, notou o porte distinto de Chen Yi — apesar da roupa comum, ele parecia alguém de importância — que veio recebê-los pessoalmente, com um sorriso solícito.

Chen Yi explicou logo o motivo da visita e entregou ao gerente uma folha de ouro, pedindo que fosse trocada por moedas de cobre.

Nem Chen Yi sabia ao certo a equivalência entre ouro, prata e cobre na época, e mesmo Ning Qing, nativa dali, também não sabia. Felizmente, o gerente da estalagem onde estavam hospedados havia lhes dado uma noção das taxas de câmbio. É claro, a troca dependia também da pureza do ouro, mas as folhas trazidas por Chen Yi eram de altíssima qualidade, o que surpreendeu o gerente. Vendo que Chen Yi era alguém de presença imponente e físico forte, o gerente não se atreveu a trapacear, concedendo a troca conforme a taxa habitual.

Com uma folha de ouro pesando menos de cem gramas, conseguiram dez mil moedas de cobre. Cada “guàn” equivalia a mil moedas, ou seja, dez guàn somavam dez mil moedas. Essas moedas pesavam cerca de cinco quilos no total, o que tornava o saco de dinheiro bastante pesado!

Despediu-se dos funcionários sob sorrisos, e saiu da loja carregando o pesado volume. Sentia-se incomodado com o peso; como seria bom ter notas de papel ou um cartão de crédito, como nos tempos modernos! Ou, quem sabe, alguns criados para carregar as coisas. Pensando nisso, lembrou-se dos sonhos recorrentes em que via seus antigos criados e ficou imaginando onde estariam eles, esperando talvez reencontrá-los em Chang’an, ou até mesmo ali no Mercado Ocidental.

Mas, antes de mais nada, precisava comprar algumas roupas adequadas. Assim, logo após a troca, ele e Ning Qing seguiram para uma loja de tecidos. O saco de dinheiro chamava a atenção, mas também impunha respeito nos comerciantes, que os atendiam com sorrisos. Na terceira loja, Chen Yi escolheu algumas peças e pediu para experimentar.

A primeira roupa que vestiu foi um traje justo de mangas estreitas, típico dos povos estrangeiros, de ótimo tecido. Parecia feito sob medida para ele. Chen Yi, admirando-se diante de um espelho de cobre, sentiu-se plenamente satisfeito.

Ning Qing, ao vê-lo com o novo traje, ficou surpresa, olhando-o demoradamente, olhos fixos. Chen Yi, agora trajando roupas nobres, parecia um jovem refinado e elegante, o que fez algo no coração de Ning Qing vibrar intensamente.

— E então? Este jovem está elegante com esta roupa, não está? — perguntou Chen Yi, exibindo-se, estufando o peito musculoso.

— Ziying, você... com essa roupa está realmente... — Ning Qing hesitou, sem saber bem como expressar-se, pois não entendia o significado de “elegante”, mas continuou: — Então compre este traje, e prove os outros!

Chen Yi seguiu a sugestão e experimentou os demais trajes e camisas. Com os elogios de Ning Qing, acabou levando todos os que havia gostado: quatro conjuntos, além de chapéus e acessórios da moda. O total chegou a três guàn e seiscentas moedas de cobre, uma despesa considerável, mas que aliviou bastante o peso do saco de dinheiro. Chen Yi saiu da loja já vestindo o último traje experimentado.

Talvez seja mesmo verdade que o hábito faz o monge. Vestido com as novas roupas, Chen Yi sentia-se renovado, e Ning Qing, a seu lado, olhava-o frequentemente, enquanto até os transeuntes abriam caminho para ele. Agora, só lhe faltavam alguns criados, pensou, para se parecer de vez com um jovem abastado. Cogitou se não deveria contratar alguns acompanhantes, para evitar problemas desnecessários por andar vestido de modo tão distinto. Olhou para Ning Qing ao seu lado e percebeu que, naquele dia, ela lembrava uma criada particular...

E assim entendeu por que ninguém estranhava seu comportamento: mesmo ao comprar roupas caras, a presença da jovem ao lado fazia todos suporem que era sua criada, acompanhando-o às compras.

Na antiguidade, ao contrário de hoje, pessoas de posição sempre saíam acompanhadas de servos; do contrário, podiam ser alvo de desconfiança.

Trocar dinheiro e comprar roupas levou quase uma hora, e ambos já estavam um pouco cansados. Apesar do café da manhã reforçado, depois de andar tanto, a fome apertava.

— Qing’er, está com fome? Vamos ao restaurante tomar um vinho! — Chen Yi bateu no saco de moedas, cheio de si. — Hoje é por minha conta, vou lhe oferecer um banquete!

Ning Qing riu ao ver a pose afetuada de Chen Yi.

— Está bem, realmente estou com fome. Mas vamos comer algo simples, nada de exageros. Precisamos voltar cedo, para que o mestre não mande procurar por nós.

— Combinado! — Chen Yi olhou em volta e avistou um restaurante bem decorado ali perto, onde algumas dançarinas estrangeiras, adornadas de flores, chamavam fregueses na porta. Claro que queria ver de perto como era o ambiente desses famosos bares de dançarinas. Apontando para o restaurante, disse:

— Qing’er, vamos naquele ali! E pode pedir o que quiser...

Não disse, mas além de comer bem, queria mesmo era conferir as danças que tornavam as dançarinas estrangeiras tão célebres.

Ning Qing olhou para o restaurante e para as belas garotas à porta, sem muito entusiasmo, mas, vencida pela fome, concordou:

— Está bem, vamos! — E sorriu para Chen Yi, animada pelo convite, pois seu estômago já reclamava alto. Não quis mais discutir sobre mudar de restaurante.

— Então vamos! — Chen Yi sorriu e entrou decidido na casa chamada “Pavilhão do Ébrio Imortal”, subindo ao andar superior ao lado de Ning Qing, recebidos por uma jovem de origem estrangeira cujo sorriso amigável não permitia identificar sua nacionalidade.

No salão do andar de cima, a música já ecoava e uma dançarina, usando um pequeno chapéu, girava em movimentos ágeis, exibindo sua dança exótica.