Capítulo Quarenta e Um – Uma Família de Monstros

Embriaguez de Tang Tang Yuan 2409 palavras 2026-02-07 15:22:00

Chen Yi viu uma jovem vestida de maneira simples e tranquila sair do quarto interno. Era uma mulher muito jovem e extremamente bela, que ele nunca havia visto nas duas vezes em que entrou na sala. Ao reconhecer seu rosto, ficou completamente estupefato. Era justamente a jovem encantadora que ele vira em sonhos antes de acordar em sua travessia para a Grande Tang; embora agora trajasse roupas diferentes, sua expressão era quase idêntica. Observando-a com mais atenção, Chen Yi logo confirmou: era a mesma pessoa que, naquele dia, acompanhou-o junto a Helan Sheng para beber. Na ocasião, ao vê-la vestida como homem, já sentira uma familiaridade em seu olhar, aquela sensação de déjà vu. Apenas que, no sonho, vira uma moça em trajes de gala, muito distinta da imagem que tinha dela em roupas masculinas.

Muitas vezes, as pessoas dependem das vestes para serem reconhecidas, especialmente aquelas que só vimos de maneira vaga, sem distinguir bem o rosto. Quando os trajes se assemelham, é que sentimos realmente conhecer alguém; antes disso, tudo não passa de suspeitas. Chen Yi agora experimentava exatamente essa sensação.

O mundo era misterioso demais. Ao perceber que He Min era a jovem de seus sonhos quando atravessou para aquele tempo, Chen Yi ficou atônito, olhando fixamente para a bela que se aproximava, sem saber ao certo como pensar ou agir diante dela.

Helan Sheng e He Min notaram o espanto de Chen Yi. He Min, preocupada com a saúde da mãe, ansiava por saber o resultado do exame feito por ele, e, por outros motivos, não se incomodou com o olhar sem restrições de Chen Yi; ao contrário, parecia aceitar com naturalidade. Helan Sheng, porém, percebeu tudo com clareza.

— Senhor Chen, peço desculpas! — Helan Sheng, supondo que Chen Yi estivesse surpreso ao descobrir que He Min era mulher, explicou um pouco constrangido: — Esta é a pessoa que, naquele dia, bebeu conosco. Minha... irmã, na verdade. Ela é mulher, não irmão. Naquele dia, para evitar problemas, vestiu-se de homem, e ao apresentá-la a você, disse que era meu irmão... — Terminando, esboçou um sorriso amargo, sem imaginar que sua irmã desobedeceria suas ordens e viria perguntar a Chen Yi sobre a doença da mãe.

As palavras de Helan Sheng despertaram Chen Yi, que prontamente se desculpou conforme o contexto: — Senhor Helan, agora entendo por que... ela me parecia tão familiar. Era a mesma He... Min que esteve conosco naquele dia. — E saudando He Min, continuou: — Já conheci a senhorita He Lan, peço que não se incomode com minha falta de cortesia!

A beleza de He Min era tão marcante que Chen Yi sentiu-se incapaz de encará-la diretamente, sua capacidade de discernimento caiu abruptamente. Mal conseguiu observar os detalhes de seu rosto, agora feminino, e distinguir as diferenças em relação ao seu aspecto masculino de antes.

Com o irmão dizendo o que disse, e Chen Yi desculpando-se pela atenção que lhe dedicara, He Min não pôde seguir perguntando sobre a mãe. Curvou-se educadamente e respondeu: — Senhor Chen, não precisa se preocupar, a falta de cortesia foi minha. Fui eu e meu irmão que lhe enganamos antes, somos nós que devemos pedir desculpas... — Ela sorriu suavemente para Chen Yi, um sorriso tão breve quanto radiante.

O sorriso de He Min deixou Chen Yi deslumbrado, e ele sentiu seu coração bater acelerado, agitando-se ao ponto de acenar com a mão, nervoso: — Senhorita He Lan, não diga isso. Sei que vocês tinham suas razões para ocultar a identidade naquele dia...

— Senhor Chen, explicarei isso depois, espero que compreenda! — Helan Sheng sorriu mais uma vez, e voltando-se para a irmã: — Min Yue, o senhor Chen acabou de dizer que nossa mãe já melhorou bastante, a febre baixou, a respiração e o coração acalmaram, não há mais perigo. Logo ela estará desperta, não precisa se preocupar. Descanse um pouco, eu ficarei com o senhor Chen!

— Não, irmão, Min Yue não está cansada. Não fico tranquila com a doença da mãe, quero ficar ao lado dela — respondeu He Min, sorrindo com leveza para Chen Yi, com um olhar especial — Senhor Chen, então deixarei meu irmão conversar com você, vou entrar para cuidar de minha mãe...

O olhar límpido de He Min parecia irreal a Chen Yi; ele desejava permanecer um pouco mais com aquela jovem bela, mas não podia dizer isso diretamente. Ao vê-la se curvar e preparar-se para entrar, não sabe de onde encontrou coragem, mas a deteve: — Senhorita He Lan, é melhor que poucos permaneçam junto a sua mãe, para que ela possa descansar bem. Uma criada ao lado é suficiente; muitas pessoas, especialmente familiares próximos, com emoções intensas, podem prejudicar a recuperação... Espere até que a senhora desperte para conversar com ela!

— Oh... — He Min respondeu, hesitando, olhando para o irmão, depois para Chen Yi, visivelmente indecisa.

— Min Yue, o senhor Chen tem razão, nossa mãe precisa de repouso, evitando perturbações. Não entre, deixe que Xue e Xiao Min cuidem dela! — Helan Sheng disse, saudando Chen Yi e apontando para a mesa de chá — Senhor Chen, vamos conversar ali!

— Senhor Helan, senhorita He Lan, por favor! — Chen Yi, um pouco satisfeito consigo mesmo, respondeu a saudação e acompanhou Helan Sheng até a mesa, sentando-se de pernas cruzadas. He Min hesitou, mas acabou sentando-se ao lado do irmão, como naquele dia em que festejaram à beira do lago Qujiang.

Os criados trouxeram chá e alguns doces. Helan Sheng serviu pessoalmente o chá para Chen Yi, enchendo também as xícaras diante de si e de He Min, e ergueu o copo em saudação: — Senhor Chen, um amigo como você merece ser recebido com bom vinho, mas hoje, com minha mãe doente, não convém beber. Por isso, substituo o vinho pelo chá e lhe ofereço um brinde, agradecendo por ter vindo diagnosticar a doença de minha mãe. Em breve, lhe agradecerei como merece!

— Senhor Helan, não precisa agradecer! — Chen Yi sorriu, balançando a cabeça — Não quero recompensa alguma. Conheço um pouco de medicina, e somos amigos; desde o primeiro encontro, nos sentimos próximos, brindamos, recitamos poemas e nos divertimos. Sua mãe adoeceu, era meu dever examinar. Se falarmos de agradecimentos, isso seria frio demais!

— Tem razão, caí em formalidades — Helan Sheng sorriu de si mesmo, mas logo se tornou sério: — Senhor Chen, hoje peço desculpas, pois, por necessidade, ocultamos nossos verdadeiros nomes e identidade naquele dia...

— Sei que tinha seus motivos, não precisa explicar. Quando for conveniente, certamente me contará — respondeu Chen Yi de maneira leve, aproveitando para lançar alguns olhares à He Min, que o observava curiosa.

Na última vez que viu essa bela vestida de homem, Chen Yi já sentira que seu olhar era peculiar, quase como se carregasse um significado especial. Hoje, essa sensação era ainda mais intensa, acelerando seu coração a cada instante!

— Senhor Chen não se incomoda, fico ainda mais constrangido! — Helan Sheng sorriu, olhando para a irmã, cujo semblante era pouco natural, e baixou a voz: — Senhor Chen, na verdade, meu sobrenome não é He, mas sim Helan. Meu nome é Min Zhi, e meu título é Chang Zhu. Esta é minha irmã Helan Min Yue. Nosso pai faleceu cedo, e vivemos apenas com nossa mãe. Antes, não lhe contamos isso...

Embora já suspeitasse da verdadeira identidade de Helan Sheng, ouvir tudo confirmado por ele surpreendeu Chen Yi: — Então são o senhor Helan e a senhorita Helan, e... sua mãe é a Senhora da Coreia...

De fato, eram aquela família prodigiosa registrada na história!